segunda-feira, 3 de abril de 2017

35ª Corrida dos Sinos

Passaram-se duas semanas daquela que foi uma das minhas melhores provas neste meu ainda curto percurso no atletismo. Um recorde pessoal à meia maratona, uma boa classificação para quem não dedica nem 10% da sua vida ao atletismo. Como posso pedir mais?

Após a meia tive direito a uma semana com menos treinos e mesmo os que existiram foram curtos. Na semana anterior aos Sinos os treinos também foram apenas de manutenção praticamente. Estes dois fatores deixaram-me apreensivo para o que ia enfrentar em Mafra. Os níveis de sofrimento estavam em baixa e já não imaginava o que era dar tudo o que tinha durante tanto tempo.

Como motivação extra, fui para Mafra com o carro cheio, trazendo para a festa dos Sinos os meus pais, a Johanna e a mãe dela. Este apoio iria ser fundamental na fase final da prova.

Depois do encontro com o pessoal do Vale Grande e dorsais distribuídos, foi tempo de equipar e ir aquecer. Não fiz um bom aquecimento, foi curto e com interrupção para ir à casa de banho. Para não ir logo para a partida, fui para a frente do pórtico fazer umas retas. Não sei o que aconteceu depois, aparentemente havia uns dorsais marcados que podiam estar num bloco à frente do resto do pelotão. Não sei como era possível aceder a este bloco no momento da inscrição, mas naquele momento optei por me deixar estar junto de atletas que tinham mais andamento do que eu. Posso-me ter aproveitado da situação e com certeza que há pessoas que irão reprovar a minha atitude, mas a verdade é que talvez tivesse tanto direito a estar ali como outros atletas ali presentes.

Fonte: Luis Duarte Clara
Distrai-me durante uns segundos e quando dei por mim estava a tocar o sino. Era a hora da missa da Santa do Sofrimento. Nos primeiros quilómetros senti-me um pouco estranho, tinha força mas parecia que o corpo não queria entrar em modo sofrimento. A minha cabeça também se começou a defender, com os pensamentos a vaguear por algumas dores chatas que tenho tido nos últimos dias. Umas centenas de metros após passar por detrás do Palácio Nacional, passei pelo meu pai que ia na caminhada e com a força dele senti-me um pouco revigorado.

Uma das coisas boas que estas provas tradicionais (e que têm prémios monetários…) é que existem atletas para todos os ritmos. Finalmente tive uma prova em que pude correr inserido num grupo. É tão raro acontecer que tenho de o mencionar! Inseri-me nesse grupo por volta do 4º quilómetro e nunca mais o larguei. Mas como ainda tenho pouca cabeça nestas coisas, foram raros os momentos em que não estava posicionado na parte da frente do grupo.

Seguíamos a bom ritmo até aos 8/9km. A partir daí todos nós sabíamos que íamos entrar na fase do sofrimento. Tudo o que tínhamos acabado de descer, iríamos subir. Eu sabia que não podia exagerar mas continuei a impor um bom ritmo. Ia na frente do grupo quando um colega do Vale Grande, o Luís Vasconcelos, gritou-me para eu não puxar pelo grupo. Percebi que mais uma vez não estava a ter juízo e que estava a desgastar-me sem fazer sentido. O que interessava ali era jogar para a classificação. Já em outras provas tive dissabores por estar armado em líder do pelotão e depois não ter pernas má fase final enquanto o resto do grupo nos ultrapassa. 

Fonte: Luis Duarte Clara
Sempre em grupo ainda ultrapassamos um ou dois atletas, inclusive o atleta que ficou à minha frente na Corrida Lezírias. O grupo apenas no último quilómetro se desmembrou e seguiu-se algumas centenas de metros num ritmo bastante alto (3:11/km). Eu seguia nos limites e apenas um membro do grupo seguia à minha frente com um bom avanço. O resto do grupo seguia atrás de mim e eu não podia abrandar nem um pouco. Passei pela minha claque pessoal feminina (mãe, namorada e sogra) que berraram por mim e eu nem consegui desviar o olhar para elas

Fomte: RUN 4 FFWPU
Nota-se muito que ia a sofrer na fase final? :)
Virei para o complexo desportivo e comecei a descer para a pista. Só quando acabou a curva da pista e sigo para a meta percebo que o meu lugar estava assegurado. Queria festejar ao passar a meta mas nem consegui levantar os braços tal o esforço que tinha acabado de fazer! Bati o meu recorde pessoal aos 15km por 43 segundos, passando a meta com o tempo oficial de 51m27s. Fiquei em 9º da geral e em 6º do escalão sénior. Ainda deu para ser chamado para receber um prémio monetário por ter ficado nos primeiros 15 lugares. Acabou por correr quase tudo na perfeição!


Por equipas, o Vale Grande ainda conseguiu subir ao 5º lugar, apesar de nas fotos aparecermos em 4º. Houve problemas com a classificação do atleta do CUAB que seguia atrás de mim, e eu não tive problemas nenhuns em acompanhar a equipa do CUAB à secretaria para provar que o única problema ali era técnico e que o atleta devia estar na classificação. Este acerto fez o Vale Grande cair para o 5º lugar. Mas sem problemas, para o ano se tudo corre bem, lá estaremos em Mafra para tentar subir ao pódio!

Resultados: 35º Corrida dos Sinos

11 comentários:

  1. Boa Prova! Ainda gritei "Vai Vitor..." e sim, ías a liderar o grupo logo depois do retorno. Parabéns pelo teu excelente resultado, desde o RP dos 15km até ao lugar na geral. Abraço.

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    1. Obrigado pela força! É sempre importante!

      Um abraço

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  2. Muito bom, como sempre!
    E, sem querer parecer repetitivo, insisto na tecla que também afloras (os tais 10%). Com o nível que apresentas, o que seria se te pudesses dedicar a 100%?!?

    Muitos parabéns pelo record pessoal!

    Um abraço

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    1. Era uma excelente experiência :) quem sabe não experimento fazer um estágio só para ter a sensação de ser um atleta a sério ehehe

      Obrigado João!

      Um abraço

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  3. "Nem 10%...!!??" não pode ser... Gostava de ver essas contas...

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    1. Se dedicar 2 horas por dia ao atletismo, tendo em conta que o dia tem 24 horas, dá 8.3% :) podemos considerar que entre treinar e alongar, etc até gasto as duas horas, mas tendo em conta que só treino 5 dias por semana.. :)

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    2. Ahahah... Não conta só o tempo efectivo de treino ;) conta as deslocações, o tempo antes e depois, etc. Não consigo explicar melhor. Em todo o caso parabéns pelos resultados. Só com capacidades inatas, dedicação e treino se consegue tamanha evolução! Mas a quantificação de tempo dá pano para mangas ;)

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    3. vamos lá repor essas contas e a verdade dos factos :) : se dormires 6 horas por dia e considerando que isso é DESCANSO, logo associado ao atletismo já dá...e vão 3, mais 0.4%, virgulas...é por aí.

      Continuo à espera de ver qual o armário que compraste para os troféus.

      Abraço

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  4. Pronto sim às 24 horas podemos considerar que temos de tirar as horas de sono (6-7 horas, sim eu sei que deveria descansar mais...). Deslocações para treinos não há, treino sempre no meu "quintal". Podemos realmente considerar as deslocações para provas, etc...

    As duas horas por exemplo já estava a fazer as contas ao dia de hoje, o treino foi de 50 minutos + arrefecimento. O tempo de equipar, os alongamentos mais logo, etc, 2 horas.

    Mas concordo que 10% pode ser um número demasiado otimista :)

    Obrigado!

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  5. Brutal! No fim disso tudo ainda dar uma machadada dessas no record. Este ano está a correr-te de feição, muito pelas novas metodologias de treino, não? Isso agora queria era um trailzinho que eu sei que já deves ter saudades eheheh um abraço

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    1. Sim sem dúvida que as novas metodologias de treino estão a ser as responsáveis por isto!

      Deixa-te lá dessas coisas dos trails :p Um abraço!

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