domingo, 18 de novembro de 2018

Corrida Dom Dinis 2018

Desde Fevereiro deste ano que não fazia uma prova de 10km. Sim leram bem. A minha última prova de 10km foi o GP do Atlântico. Fiz tantas provas a época passada mas todas eram de distâncias aleatórias por estar a disputar o Troféu de Loures. Os planos para este fim de semana na verdade tinham como objetivo a Meia Maratona de Abrantes mas como a vida não é só corrida, abortei Abrantes e pensei: e que tal ir a uma prova ao lado de casa e de distância mais curta? Porque não?

Claro que tive que convencer o meu treinador. Vá não foi assim tão difícil, simplesmente a condição foi não retirar carga nenhuma de treino e simplesmente esta prova substituiu um dia que seria de treino intervalado.

Existe uma frase que sempre gostei e ainda passei a levar mais a sério desde que entrei no mundo do atletismo: não há vencedores antecipados. Não vou estar com merdas. Muita gente pensou que eu ia ganhar ontem. Eu sempre acalmei os ânimos mas claro que o bichinho de poder vencer uma prova na minha terra era bastante forte. Foi por isso uma chapada bem forte quando cheguei à zona da partida e encontrei logo aquele que iria ser o vencedor: Bruno Lourenço. É óbvio que a minha expressão também se aplica a este caso, não há vencedores antecipados, mas mesmo assim...

O início da prova foi lento mas rapidamente decidi que não era dia para estar com modéstias. Segui para a frente da prova e quem quisesse vir atrás de mim, que viesse. Foram dois quilómetros sempre abaixo dos 3:20/km, sempre acompanhado de 2/3 atletas. A meio do 3º quilómetro a classificação da frente começou a desenhar-se. O Bruno puxou dos galões e foi para a frente da prova com uma força que eu ainda não tenho. Mas não me deixei esmorecer. Seguiram-se vários quilómetros sempre a dar tudo aquilo que tinha, apenas faltando aquele boost psicológico de ir acompanhado como aconteceu em Almeirim.

O Bruno continuava sempre no meu campo visual mas sentia que cada vez estava mais longe. Não posso deixar de realçar o fantástico apoio que tive após o retorno. Foi fantástico ouvir tanta a gente a puxar por mim e a gritar pelo nome. Obrigado! Mesmo as ruas de Odivelas tiveram mais gente a bater palmas (quer fosse pessoas na rua ou a ver dos prédios) do que qualquer outra prova em Lisboa. Fiquei muito satisfeito por ver isso. Pelo lado negativo, lá tinha de vir as minhas histórias de sempre nas provas de Odivelas: ao 8º quilómetro chego a um cruzamento com uma rua completamente cortada. Esquerda ou direita? Voluntários? Zero. Dei um berro para ver se alguém me ajudava e foram as imensas pessoas que estava nas janelas dos prédios que me disseram que era para a direita. Antes que digam só estou a dizer mal por dizer, fiquem sabendo que isto foi a primeira coisa que falei com a organização logo depois de cortar a meta.

O maior desafio ainda estava para vir: um quilómetro com 44 metros de desnível positivo. Escusado será dizer que cheguei a ver o meu relógio a ir para os 4:30/km e que mesmo assim o fiz com uma média de 4:03/km. À entrada do último quilómetro, foi a única vez que olhei para trás e percebi que estava à vontade. Ainda assim dei tudo o que ainda me restava mesmo com o massacre que tinha sido o quilómetro anterior.

Foi um 2º lugar da geral merecido com um tempo agradável tempo de 34m25s. É curioso perceber que sem aquele 9º quilómetro, poderia ter tirado mais de 30 segundos ao tempo final. É pena não ter subido ao pódio com o Bruno pois houve um erro da organização nas atribuição dos prémios mas que será retificado. Mesmo assim subi ao pódio com o grande Ricardo Silva como podem ver na foto em baixo.

Fonte: Ricardo Silva
Por último, não quero ser hipócrita e vou dizer o que sinto acerca desta prova em Odivelas. Esta corrida tinha como tema os anos 80. Tudo muito giro e tal mas alguém tem mesmo de me explicar como uma corrida que tem como nome um rei de Portugal, o que por si só já é um tema, tem temas como super heróis e anos 80. Sou sincero. Acho que é inadmissível fazerem isto com esta prova. Esta prova tinha tudo para se transformar numa corrida característica de Odivelas, Lisboa e arredores. Assim não passa de um baile de máscaras. Eu sei que estou a ferir susceptibilidades. Mas não ficava bem comigo mesmo se não expressa-se isto publicamente. Venha de lá esse ódio.

Resultados: Corrida Dom Dinis 2018

6 comentários:

  1. Vitor mais uma vez parabens pela excelente prova. Por acaso vi bastantes voluntários ao longo do percurso e juro que pensei "desta vez o Vitor nao se engana" :p Afinal não foi assim :( Eu acho que vocês iam rápidos demais e chegaram antes dos voluntários...lol!
    Quanto ao tema da prova concordo contigo. Esta devia ser a prova emblemática de Odivelas a apelar a história da cidade e nada mais, e não inventarem. Poderiam fazer esses temas na corrida noturna por exemplo...
    Um abraço

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    1. Obrigado Edgar e obrigado por te lembrares de mim eheh

      Eu tenho medo que não me tenha feito entender. Eu não estou contra provas temáticas. Elas podem existir. Agora destruir provas que deveriam ser de carácter competitivo isso já não concordo... Principalmente numa cidade que e candidata a cidade europeia do desporto.

      Abraço

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  2. Muitos parabéns por mais uma grande prova! :)

    Um abraço e força para o que aí virá

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  3. Muitos parabéns pelo teu blogue, partilha da tua vida de desportista que muito me motiva a sair de casa e por um pé à frente do outro cada vez mais rápido e por mais tempo...
    Bem, quanto ao tema da corrida, tendo D. Dinis sido um grandessíssimo boémio, de certeza que ele não se importará muito caso todos os atletas se tenham divertido e festejado na corrida em seu nome e honra.
    Abraços.

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    1. Olá Mário, o problema aqui não é tanto a corrida D.Dinis. É mais a destruição das provas competitivas que existem (ou não existem) em Odivelas.

      Abraço

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