quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Challenge da Caparica - XVIII Grande Prémio do Atlântico

Tantos dias a pensar na loucura que seria fazer o Challenge da Caparica, tanto tempo a pensar nos desafios que este me proporcionaria e sem dar por isso cheguei ao último dia. O último desafio era integrado no GP do Atlântico, prova já com algum histórico mas que eu nunca tinha feito. O meu objetivo inicial era dar o melhor do que ainda restava das minhas energias para ajudar a minha equipa a subir ao lugar mais alto do pódio.

Tal como em todos os relatos sobre provas no domingo passado por essa Internet fora, o tempo assustou e de que maneira. Belo temporal a caminho da Costa da Caparica, e chuva que nunca mais acabava enquanto me ia encontrando com o resto do pessoal do Vale Grande. Fomos equipar com o tempo ainda meio farrusco e sem dar por isso foi-se instalando um sol tímido. Fizemos um bom aquecimento em equipa, com a palhaçada do costume e foi tempo de ir para a partida.

Os atletas presentes nesta prova eram bem mais fortes que nas duas provas anteriores do challenge. Nenhuma surpresa. Sentia-me bem, claro que tinha os músculos um pouco doridos principalmente do piso do corta-mato do dia anterior mas estava confiante que poderia fazer um tempo simpático para conseguir um bom resultado para a equipa. Partida dada.

A prova começou num ritmo mais baixo que o normal, o que me permitiu conseguir acompanhar facilmente os atletas que queriam liderar a prova. Ainda se ouviram algumas piadas de pessoal que seguia atrás de mim "aperta com eles Vitor, faz-os andar mais rápido". Ri-me e respondi que eles é que davam cabo de mim depois. Mas viria-me a arrepender de não o ter feito.

O ritmo aumentou um pouco e formou-se um grupo na frente de quatro atletas. Eu seguia mais atrás com outro atleta, enquanto os outros dois atletas seguiam 2/3 metros mais à frente. Seguíamos num ritmo estável (2º e 3º km a 3:22/km) e estava a ficar surpreendido como o meu corpo estava a reagir tão bem após as provas de sexta e sábado. Entrámos na rua que nos levaria ao paredão e eu aproveitei que era a subir para puxar um pouco e ultrapassei os atletas que seguiam na frente mas ao chegar a uma pequena rotunda que não tinha qualquer controlo, comecei a contorná-la quando oiço um dos atletas a gritar "é por aqui!". Fiquei lixado. Muito mesmo. Naquela estava-me a preparar para ir para a frente da prova e de repente tive que dar meia volta e puxar mais do que era suposto para ir atrás dos outros 3 atletas.

Fonte: Xistarca
Juntado-me outra vez ao grupo, o ritmo tornou a abrandar um pouco, também por culpa do mau piso do paredão. Quando saímos do paredão o ritmo aumentou bastante (para terem noção, de 3:28/km saltou para 3:19/km) e o grupo desmembrou-se. Consegui seguir na frente com um atleta da Marinha pelo sempre desagradável piso de terra batida molhado da chuva que tinha caído durante toda a noite.

Foi por esta altura que comecei a perceber a prova que estava a fazer. Esta prova era praticamente plana, sem nenhuma inclinação relevante e o tempo estava ótimo. Apesar das provas nos dias anteriores, sentia-me muito bem. E foi assim que percebi que se tivesse apostado desde início, tinha saído desta prova com um recorde pessoal. Mas não valia a pena chorar sob leite derramado. Naquele momento estava a disputar a vitória da prova e a vitória do Challenge estava mais que assegurada.

Fonte: Xistarca
Segui durante os últimos quilómetros com o atleta da Marinha (o clube rival do Vale Grande nesta prova) e nos últimos 2 quilómetros o ritmo aumentou (3:17\km). Troquei umas palavras com o outro atleta e disse-lhe que já não tinha uma mudança abaixo para seguir com ele. Ele disse-me o mesmo mas provavelmente ainda o motivei e nos últimos 500 metros ele ganhou-me uns bons segundos e apesar de eu estar a dar tudo o que ainda tinha percebi que não tinha pernas para ele.

Foto: InfoCosta
Cortei a meta em 2º lugar e o atleta que ganhou abraçou-se a mim e agradeceu-me. Eu também lhe agradeci pois é muito bom ter alguém com quem seguir a ritmos mais altos. Acabei com um tempo oficial de 34m17s para cerca de 10.1/10.2km. Não gosto de entrar nestes preciosismos, só o referi porque depois de desligar o relógio, ele armou-se em brincalhão a dizer que eu tinha batido o meu recorde pessoal aos 10km com 33m40s. Tadinho não sabe do que fala :)

Fonte: Xistarca
Para além do pódio do escalão, tive o prazer de subir ao lugar mais alto do pódio para o 1º lugar do Challenge da Caparica! E ainda subimos ao pódio coletivamente com um excelente 2º lugar por equipas! Para o ano lá estaremos outras vez para tentar reconquistar o lugar mais alto do pódio (o GP do Atlântico de 2015 foi a primeira vitória por equipas do Vale Grande).

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca
Com tantos pódios nem pude dar azo à minha frustração de ter tido a hipótese de bater o meu recorde pessoal aos 10km e tê-lo deixado fugir. Mas é assim que nos motivamos a trabalhar ainda mais a seguir a uma boa prova e o próximo objetivo vem já ai com a Corrida das Lezírias! Até lá!

Resultados: XVIII GP Atlântico / Challenge da Caparica 2017

6 comentários:

  1. Mais uma vez, muitos parabéns por este desafio conquistado com resultados fantásticos. Estás em grande. Sempre!

    Um abraço e boa continuação de óptima época!

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    1. Obrigado João! Correu realmente bem!

      Um abraço e força para Sevilha!

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  2. Enorme Vitor. A mudança do treino a dar frutos e de que maneira. E ainda estamos no inicio. Muitos parabéns. Ca ganda máquina ...
    Abraço

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    1. Obrigado Carlos. Sim é verdade, descansar mais, fazer treinos diferentes e render mais. Tem sido uma ótima experiência!

      Um abraço!

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  3. Parabéns pá!

    É como já foi referido, a mudança de metodologia de treino está a dar frutos, muitos parabéns por isso também.

    É a ver estas fotos que percebo porque o meu RP aos 10km NÃO é na casa dos 30min..

    Continua.

    Abraço

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    1. Obrigado!

      Por acaso nestas provas houve excelentes reportagens fotográficas!

      Um abraço

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