domingo, 16 de fevereiro de 2020

Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto

Como já perceberam esta epoca está a ser diferente. Uma das principais razões para ter ingressado neste desafio do Vitória Futebol Clube, foi ter a oportunidade, coletivamente, para poder correr contra os melhores nas provas em que os mesmos se decidem. E foi assim que ontem fui parar à Figueira da Foz para o Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto.

A minha última prova foi à 3 semanas. Os meus treinos têm-se focado na preparação para a Maratona da Europa, não estando a fazer preparação para as provas que vão acontecendo pelo meio. Os treinos têm estado a correr bem e até iniciei uma série de vlogs sobre o meu caminho para a Maratona. Estão no Facebook e Instagram (IGTV). Mas também no blog! Podem ver: primeiro vídeo e segundo vídeo.

Por coicidiência, a minha última prova foi um corta-mato. Mas se pensam que esse facto me ajudou, enganam-se profundamente. Nada me podia ter preparado para o sofrimento que iria ser esta prova. Quando chegámos à Figueira, já estavam a decorrer provas. Aproveitámos ser ainda cedo e fizémos o reconhecimento à pista e percebemos que havia partes com bastante lama. Mas houve parte que nós não conseguimos perceber em quão mau estado estava. Só quando deu o sinal de partida, é que a batalha começou.

Lama acima do tornozelo. Atletas a cair. Atletas a gritar, a reclamar. Se esta prova era para acabar a matar e acabar a morrer, a matança inicial vai ter de ficar para outro dia. Não me lembro de correr tão devagar e com tanto cuidado há muito tempo. Aliás, nem nunca me lembro de ter passado por tal experiência. A vontade de não querer cair, de não atropelar ninguém e de não pisar e não ser pisado foi maior durante as primeiras dezenas de metros.

Passado o cenário de guerra inicial, a confusão não diminuíu muito. Afinal éramos quase 500 atletas a correr num circuito de 2 quilómetros (a prova tinha duas voltas). Eu para tentar recuperar o tempo perdido, tentava ultrapassar tudo o que me aparecia pela frente por qualquer nesga possível.

Fonte: Paulo Pedro
Era impossível manter um um ritmo vivo. A única vez que tive coragem de olhar para o relógio, este indicava 3:55/km. Não queria saber, o esforço que estava a fazer dava-me a sensação de estar a andar a bem mais.

Mesmo assim aconteceram coisas bastantes curiosas que honestamente me motivaram bastante para contínuar com os pulmões na boca. No meu campo de visão apareceram constantemente atletas que eu em estrada nem consigo ficar perto. E isso deu-me força para os tentar ultrapassar. E ainda foram bastantes.

Fonte: Tiago Godinho
Após muitas curvas e contra curvas, muita lama, finalmente entrei na fase em que já só queria que aquilo acabasse. A última secção com lama desgastou-me de tal forma que já mal conseguia respirar, e ainda tive de sofrer um bocado até finalmente ver a meta.

Foram 4 quilómetros feitos a um ritmo de 3:37/km. Fiquei em 84° dos absolutos masculinos e o Vitória acabou num honroso 12° lugar a nível nacional.

Foi uma experiência incrível que vou tentar esquecer que existiu. Porque se eu a mantiver na memória, acho que nunca mais me meto num corta-mato na vida. Deve ser verdade.

Resultados: Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Análise AfterShokz Air

Este blog além das minhas aventuras no mundo de corrida, já há muito tempo que começou a ser um sítio onde partilho um pouco da minha vida mesmo que por vezes não o faça em muito pormenor. Mas existe algo que já partilhei aqui algumas vezes: tenho uma paixão enorme por tecnologia. Acompanho, leio e por vezes até investigo muitas áreas da área da tecnologia que nos rodeia no dia a dia. E isso faz com que uma das poucas coisas que sou um consumidor a sério, é de tecnologia.

Isto levou há uns quantos meses a adquirir um Garmin Forerunner 945. O meu antigo 630 já me estava a fazer "comichão" embora estivesse em plenas condições (espero que o novo dono esteja bastante contente com ele). Com o 945 ganhei a hipótese de poder ouvir música e podcasts enquanto treino através de Bluetooth e da integração com o Spotify. Dado isto, o meu lado louco por tecnologia começou logo a perceber o que seria a melhor hipótese de uns earphones para treinar.

Existe algo importante a referir: para mim a segurança está em primeiro lugar. Portanto algo que me isolasse do mundo estava à partida logo fora de questão. Cheguei a treinar algumas semanas com um par de earphones meio "rascos" que não me fechavam completamente os ouvidos. Mas estavam sempre a cair, eram desconfortáveis e davam mais trabalho do que algo assim deve dar durante um treino.


Foi assim que cheguei à AfterShokz e em concreto ao modelo Air. Esta marca tem como especialidade fabricar earphones direcionados para desporto. Mas com uma característica muito especial: funciona por condução óssea. Sem entrar em muitos pormenores técnicos, basicamente o som é passado através de mini vibrações através dos ossos. Isto faz com que enquanto estou a treinar esteja sempre completamente consciente de tudo aquilo que nos rodeia (principalmente os nossos amigos automobilistas). Podem ver como funciona aqui.


Para algum audiófilo que esteja a ler este artigo posso já avançar: sim o som não é soberbo. Isso era expectável. Mas a qualidade de som é bastante aceitável mesmo. Superior a muita coisa que se vende por preços superiores. Tipicamente durante os treinos eu nem oiço música (prefiro podcasts), mas por vezes oiço e fico sempre bastante agradado com o nível de experiência sonora que tenho. Isto sempre tendo em consideração que continuamos a ouvir tudo o que nos rodeia.

A nível de conforto não tenho razão nenhuma de queixa. Apesar ter um tamanho único, adapta-se completamente à nossa cabeça, tendo como suporte as orelhas. Já corri por diversas vezes com gorro e até com óculos, e não em incomoda nada. Como vocês sabem eu não corro propriamente devagar e nunca tive que os ajeitar, ou sequer me fizeram confusão. A nível estética, eu pessoalmente gosto e não ficam a dever nada a quaisquer earphones desportivos que estão no mercado.


Como podem ver nas fotos em cima em baixo, possuí controlos de volume (que também serve para emparelhar como relógio, telemóvel, ou o que quiserem que tenha conectividade Bluetooth). Possui também um botão grande e com mais acessibilidade para poder parar, passar à próxima música (ou anterior), atender chamadas se tiver conectado com um telemóvel, etc. A nível de bateria podem esperar 6 horas de uso contínuo, o que é um valor bastante aceitável. Pena é terem carregamento por uma tecnologia ultrapassada como micro-USB ao invés de USB Tipo C.


O preço pode ser um pouco puxado para aquilo que algumas pessoas estão habituadas a dar por um par de earphones. Custaram cerca de 60 euros na Black Friday, o que ajudou à decisão de os comprar face ao preço original. Se preferirem algo mais barato têm o modelo Titanium, ou se preferirem algo com outro nível de som têm um modelo superior (e à prova de água), os Xtrainerz.

Os relógios com Bluetooth e que têm funcionalidades para ouvir música (sem ter que trazer o telemóvel atrás), estão a tornar-se cada vez mais banais, o que faz com que tenham de comprar algo que vos dê segurança nos ouvidos. E estes Aftershokz são os companheiros perfeitos para quem quer companhia para treinar. Valem cada euro gasto se forem usados para aquilo que foram desenhados.

Aspetos positivos
+ Conforto
+ Inovação
+ Bateria
+ Aspeto

Aspetos "assim-assim"
+- Qualidade de som (são bastante bons, mas claro quem quer qualidade sonora, esta não é a solução)
+- Apenas à prova de suor (IP55)
+- Preço (quando adquiridos pelo valor normal)

Aspetos negativos
- Carregamento por micro-USB

Além de uma capa protetora, trazem ainda uns tampões caso queiram mais isolamento!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Aquele Que Gosta de Fazer Vídeos #1

E assim começa uma nova rubrica! Apresento-vos Aquele Que Gosta de Fazer Vídeos!

Está disponível no Facebook e no Instagram (IGTV).


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Campeonato Regional de corta-mato de Setúbal

Em Novembro durante semanas tive as baterias apontadas ao famoso corta-mato da Amora. Treinei, puxei por mim em percursos de treino que apenas servem para dar cabo das pernas (quem mora em Odivelas sabe bem o que é andar às voltas nas Colinas...), e sentia-me em forma para enfrentar o primeiro corta-mato da época. Por questões profissionais acabei por não conseguir estar presente na Amora. Mas desta vez, nada me impediu. E que experiência que foi.

O corta-mato começou logo no dia anterior com uma pergunta pertinente na minha página de Facebook. Como era a primeira vez que ia correr com sapatilhas de bicos, a pergunta era simples: com ou sem meias? As respostas foram praticamente 100% para o lado de correr com meias. Estava também reticente nas consequências de correr com bicos. Mas foi a melhor decisão que tomei. Que sensação!

Cheguei mais que a tempo à zona da prova (Paio Pires), estando já a decorrer há algum tempo provas de outros escalões. Já tinha a boa notícia que o Vitória tinha sido vice-campeão de veteranos. Sem pressão! Este tipo de provas leva aos típicos atrasos, o que permitiu estar mais tempo na conversa com o pessoal da equipa, coisa que para mim se revela importante pelo facto de ainda ser um membro relativamente novo no Vitória. Quase à hora de que deveria ser a nossa prova, fomos aquecer.

O corta-mato é aquele tipo de provas que segue o ritual de primeiro teres que te apresentar na câmara de chamada. Tivémos que esperar que algumas atletas da prova anterior passassem a linha da meta (sempre com muitas palmas) e só depois podemos avançar para a linha de partida. Aqui tivémos o briefing do nosso experiente Jorge Robalo, que acreditem foi muito importante! É incrível o que estamos sempre a aprender mesmo depois de já estarmos há alguns anos nisto.

A partida foi dada e seguiu-se um ritmo... controlado. Deixei-me estar na expectativa. Não quis acompanhar os atletas da frente e preferi tentar primeiro habituar-me ao piso, à confusão de que é correr em espaços tão curtos no meio de tanta gente. Essencialmente, tive calma. Apesar da curta distância, ainda tínhamos 5 voltas pela frente.

Fonte: Paulo Pedro
Segui sempre controlando o grupo da frente: ora deixando-me ficar um bocadinho mais para trás, ora aproximando-me um pouco. Ainda seguia muita gente junta para eu me estar a meter lá no meio. Percebi que estava numa prova em tudo igual aos corta-matos que apenas até hoje vi pela televisão. Estava a assistir e a correr numa prova de tática. Não era segredo nenhum que o Vitória e o Pedro Pessoa eram os candidatos à vitória neste Regional. E o que se estava a assistir era a uma corrida em bloco da nossa parte, sempre com os atletas do Pedro Pessoa a acompanhar-nos.

Durante 2/3 voltas, seguiu-se mais do mesmo. Era incrível até ver o Robalo a deslizar desde a frente do grupo, até praticamente cá atrás onde eu me ia encostando. Por outro lado, eu também estava a ganhar mais confiança. Sentia-me bem e correr com os bicos estava a dar-me excelentes sensações. Porque acreditem: eu sou um coninhas em corta-mato. Tenho medo de escorregar nas curvas, nas descidas, etc. E usar um calçado apropriado muda tudo. Cheguei a fazer curvas completamente lançado com a confiança que mal pusesse o pé no chão para mudar de direção, que não ia parar ao meio do chão.

Fonte: Paulo Pedro
A partir da 3ª volta tudo se alterou. O grupo esticou, os candidatos naturais à vitória seguiram para a frente, e eu também deixei de estar para trás. Passei alguns atletas que ficaram para trás, inclusivé alguns atletas de equipa que estavam em dia não. Mas não pensem que isto foi um mar de rosas. Basicamente a prova transformou-se numa prova de resistência. O meu ritmo não aumentou. até desceu. A minha pulsação estava já bem mais elevada. A força para subir já não era a mesma. Quando passei pela zona da meta para entrarmos na quinta volta, eu já só me apetecia ficar ali.

Mas continuei. Neste momento já não havia grupo, já não havia nada. Já só havia atletas dispersos a tentar manter a passada. O apoio das pessoas que assistiam (uma das belezas do corta-mato) intensificou-se para nos dar alento para as últimas centenas de metro finais. No início da penúltima reta ainda tive um "empurrão" de um atleta a quem estava a dar uma volta de avança. E acreditem que soube bem! Ora reparem lá na cara com que eu já seguia:

Fonte: Paulo Pedro
Acabei por me conseguir colar ao meu colega de equipa Marco Cardoso e deixei-me estar. Já nada mais havia para fazer, mais ninguém para apanhar. Seguimos juntos até à meta já quase numa passada controlada e fiz questão que ele passa-se na minha frente.

Fonte: ?
Para mim este corta-mato foi uma experiência incrível. Correr com estratégia, em equipa, e com atletas deste nível, é uma sensação indescritível. Nem sei em que lugar fiquei ainda (fui o 3º classificado da equipa), mas sei o mais importante. O Vitória Futebol Clube é bicampeão regional de corta-mato. E o resto é conversa.

Fonte: Paulo Pedro

sábado, 11 de janeiro de 2020

Campeonato Nacional de Estrada 2020

O ano passado por opção própria decido não estar presente no Campeonato Nacional de Estrada. Estava completamente focado no treino para a Maratona de Sevilha e sabia que uma prova assim me ia massacrar numa altura que estava a atingir o pico dos treinos longos. Mas esta época é diferente. Apontei para fazer uma maratona numa fase mais adiantada da época (e também para tentar não apanhar nenhuma gripe...), e assim este Campeonato Nacional apanhou-me mesmo no início dos treinos para a maratona.

Vocês sabem que eu gosto de ter competição. Gosto de ser desafiado, gosto de ser puxado ao limite e gosto de correr com os melhores. E para isso, em estrada, não há melhor que o Campeonato Nacional. Aqui é onde é separado o trigo do joio. Atletas como eu que fazem tempos que em algumas provas servem para ficar perto de vencer, aqui levam aquela chapada da realidade. Mas claro, sabem bem que eu sei bem em que posição estou face aos melhores. É por isso que sempre me designei como atleta amador.

A semana que antecedeu esta prova não foi a melhor. Para além de não ter tirado o pé do acelerador nos treinos, estive praticamente a semana toda em trabalho no estrangeiro, o que levou a poucas horas dormidas e mal dormidas por vezes (quando se gosta daquilo em que se trabalha, é assim), e ainda àquelas belas horas em viagens de avião que são ótimas para nos deixar as pernas num fanico. O que é certo é que de qualquer forma, apesar de estar algo preso, sentia-me bem fisicamente.

Fonte: Mário Sobral
 Alinhei na linha de partida no bloco da Elite 2. Eu nem sei como isto poderia ser melhorado, mas já não tinha uma partida assim há muito tempo (talvez desde que fiz a edição de 2018 deste mesmo Campeonato Nacional). Que confusão. Que perigo. Tantas quedas de atletas. E tanto tempo perdido a tentar correr num ritmo mais elevado, a subir passeios, a desviar-me de outros atletas, enfim. Depois de sairmos da zona do Jamor, foi quando finalmente pude correr livremente.

Como sempre neste tipo de provas, se há coisa que não falta é atletas à minha volta. E neste dia em especifico, por causa de uma saída com tanta gente, tinha também muitos atletas para ultrapassar. Foi autenticamente uma prova de trás (embora não estivesse num bloco atrás) para a frente.

Fonte: Mário Sobral
Os primeiros quilómetros foram feitos num bom andamento, o que me estava a deixar satisfeito. Sabia que podia estar a cometer um erro ao ir tão rápido na primeira parte da prova, pois a 2ª parte tinha bem mais inclinação, mas neste tipo de provas não se pode guardar energias: é dar tudo e pronto! 

Apesar da constipação estar quase curada, ainda sinto alguma desidratação extra e vontade de ingerir líquidos quando corro. E pela primeira vez numa prova, não consegui apanhar uma garrafa de água. Não sei se foi falha minha, ou se simplesmente deveria haver mais gente a entregar água. Mas a verdade é que naquele momento teria feito a diferença. Não quis estar a pedir a ninguém (sim fui parvo) e continuei.

A primeira grande subida chegou e a média desceu abruptamente. A força já não estava igual aos primeiros quilómetros, mas ainda havia muito sofrimento pela frente. Seguiram-se alguns quilómetros com uma inclinação mais favorável a ritmos mais altos (voltando a baixar dos 3:20/km), e acreditem ou não ainda continuava a ultrapassar alguns atletas. Contam-se pelos dedos de uma mão os atletas que me passaram. Se calhar tem de existir mais um bloco para os atletas da frente, e talvez possa evitar um pouco o que aconteceu na partida.

Chegou A subida da prova. Em 2018 já a tinha feito e por isso sabia que a mesma era feita basicamente à base de sofrimento. Dei tudo o que ainda restava, e como este ano a prova acabou fora do Estádio Nacional, praticamente acabámos a subir. Mal conseguia respirar quando parei de correr. Acabei a prova com um pico de 193bpm e a 4:09/km, face a uma média de 3:22/km durante a prova.

Ainda não sei a minha classificação mas pouco me importa face aos objetivos desta prova. O meu tempo final de 34m00s (ainda falta saber o oficial) deixa-me um sabor agridoce. Por um lado foi uma boa prestação e talvez acima das minha expectativas. Por outro lado, o meu tempo foi praticamente igual ao de 2018. A rever. O Vitória classificou-se como a 8ª melhor equipa a nível nacional. Ambicionava-mos mais, mas já foi um excelente resultado!

Daqui a duas semanas há mais. Até lá!

Resultados: Campeonato Nacional de Estrada

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Análise Mund Manguitos

Eu sou adepto de minimalismo. Não gosto de ter muita coisa, e o que tenho saber que estou a fazer a melhor compra possível tendo em conta o orçamento. Mas claro, isto não se adapta ao atletismo. Calções, corsários, leggings, tshirts, camisolas, casacos, meias, perneiras, ... E ainda tanta coisa que faltava mencionar! E ainda bem que não pratico trail, se não a lista triplicava! Mas existe uma peça que nunca tive desde que corro: uns manguitos.


Eu já tenho estes manguitos no meu armário de material desde o Verão, e por isso estava bastante curioso para os usar. Logo no meu primeiro treino fiquei maravilhado pela versatilidade que me trouxeram. Eu gosto muito de usar singlets para treinar, principalmente para fazer séries. Agora com o frio a apertar, já pensava duas vezes em apenas usam uma singlet. Uns simples manguitos mudaram o caso de figura.

É óbvio que muito boa gente utiliza isto há anos! Mas para mim foi como descobrir a roda, mesmo sabendo que ela já existia. Nos últimos tempos tenho me dado ao luxo de treinar com temperaturas baixas, de singlet para ter liberdade de movimentos, mas com o apoio dos manguitos da Mund para não ter os braços completamente ao frio.


Apesar de apenas se venderem com tamanho único, adaptaram-se perfeitamente ao meu braço. Por terem um bom grau de compressão (calma, não é uma compressão como umas boas perneiras), podem ser um pouco chatos de vestir as primeiras vezes. Principalmente se tiverem princípios de OCD (Obsessive Compulsive Disorder) como eu e quiserem tudo alinhado e perfeitinho, sendo neste caso as letras que dizem MUND.

Como já indiquei em cima, tenho feitos treinos de séries com eles. Neste tipo de treinos o nosso corpo vai ao limite, aquecendo bastante. Nunca me fez confusão ter os manguitos vestidos (mesmo estes tendo uma malha algo grossa) o que poderia anticipar calor, mas na verdade sempre me senti confortável. Para isto contribui a fibra Nylstar NYLCARE, dando suavidade e respirabilidade ao tecido, e ainda possui ação bacteriostática e anti-odor.


Para terminar tenho de falar do aspecto. Existem manguitos mais bonitos no mercado. Mas é como em tudo, existe equipamento em que se aplica a popular expressão: é apenas "fogo de vista". Este não é o caso. São uns manguitos que até podem passar despercebidos num expositor de uma loja, mas merecem cada euro gasto neles. E como é costume no material da Mund, têm um preço bastante em conta. De qualquer forma, se quiserem cores mais garridas, têm a opção em branco (que acho que vou comprar...) e uma opção em vermelho se realmente se quiserem destacar!



Como já perceberam, estou bastante contente com mais esta peça de equipamento da Mund. Não sendo uma peça de moda extravagante, são uns manguitos com material de confiança, com material super confortável e que realmente cumprem aquilo que prometem. Se estão à procura de algo assim para vos ajudar nos treinos este Inverno, aqui está algo do qual não se vão arrepender.

Pontos Positivos
+ Qualidade material
+ Respirabilidade
+ Compressão

Pontos "assim-assim"
+- Aspeto (não são bonitos... mas também não são feios!)

Pontos Negativos
Honestamente, não encontrei nenhuns!

Onde posso comprar? Na Runsox. Aproveitem que estão em saldos! 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

31ª São Silvestre dos Olivais

Existem dias que o nosso corpo nos surpreende. No domingo foi um desses dias.

Fui passar o Natal a Trás-dos-Montes. Trouxe de lá uma excelente prenda: uma bela de uma constipação. Começou por me dar apenas alguma dor de garganta e expectoração, mas rapidamente me começou a dar algumas dificuldades em respirar e falar, e algumas dores no corpo. Mesmo assim não falhei nenhum treino do plano. Apenas não treinei no dia 25 como era suposto e automaticamente não fiz o dia descanso no sábado. Sabia que não era grave esta mudança, pois os treinos têm estado com uma quilometragem algo baixa (comparando esta altura com o ano passado... ai que os treinos para a maratona estão quase a recomeçar...).

No domingo de manhã até a Johanna me disse que estava com uma cara horrível. Bem, sendo a prova à noite ninguém havia de reparar. Honestamente não estava mesmo com vontade nenhuma de fazer a prova. Fora os sintomas normais da constipação, sentia o corpo moído e doía-me ligeiramente a cabeça. Mas se me tinha aguentado bem nos treinos nos dias anteriores, não ia falhar à minha equipa. Fosse para o que fosse, eu ia lá estar.

Nunca tinha participado na São Silvestre dos Olivais. Sempre ouvi falar maravilhas das suas subidas, tendo ouvido algumas pessoas a dizer que ainda era mais complicada que a Amadora. Honestamente, depois de a fazer, acho que têm razão.

Fui com o carro cheio, juntamente com o meu amigo Rui Martins. Novamente, fiz um aquecimento a custo e sentia as pernas bastante presas. Aqueci quase até ao limite do tempo possível e depois lá me enfiei na partida e pedi para me irem deixando passar até mais perto da linha de partida. A prova começou rápida, com muita gente bem mais rápida do que eu a ir para a frente. As primeiras centenas de metros custaram-me imenso mas pensei "que se lixe, enquanto tiver força vou dar o que tenho".

Com alguma dificuldade em respirar como deve ser, lá fui dando o que podia pelas primeiras subidas da prova. A pouco e pouco comecei a sentir-me mais solto e cerca dos 2km chegou uma boa descida. Já tinha ultrapassado bastantes atletas, mas ainda via tanta gente à minha frente que aproveitei esse estímulo à minha cabeça. Ignorei as consequências físicas da descida que enfrentava (se acham que as subidas são complicadas, experimentem descer a "matar") e acabei a descida com uma média de 3:07/km. E o mais incrível é que apesar da respiração ainda mais deficiente que o habitual, estava mesmo progressivamente a sentir-me mais solto.

A loucura desta prova ainda estava no início. Continuei num sobe e desde durante 1km e depois embarquei em mais 1km sempre a descer até aos 5kms, momento em que apanhei um grupo que iria definir o meu andamento até final da prova. E o que ainda faltava da prova. Que sofrimento.

Subimos durante mais 1km, para tornar a estabilizar num sobre e desce constante. Mas o pior foi dos 7 e picos até aos 8kms. Foi ai que a minha dificuldade em respirar me fez ceder. Tenho pena dos atletas que seguiam comigo, pois bem berros mandei para o ar. O Ricardo Abreu do Pedro Pessoa que o diga. Por esta altura já tinha cedido alguns lugares ao grupo com o qual seguia. Mas não desisti.

Entrámos no 9º km e por esta altura tinha no campo de visão dois atletas. Este último quilómetro é famoso por ser sempre a descer, ótimo para velocidades loucas, coisa que eu não tenho. Mas como estava motivado com a hipótese remota de recuperar lugares perdidos, dei tudo o que podia. Rapidamente recuperei um lugar e neste momento já só tinha a hipótese de me aproximar do já referido Ricardo Abreu. Começámos a aproximar-nos da meta e penso "é agora ou nunca". Percebo que o consigo apanhar, puxo que nem um louco, e consigo passa-lo. Mas ainda faltavam cerca de 150m. Para terem noção, dos 9 as 10kms fiz uma média de 2:55/km, mas nos últimos 140m de prova desci para os 2:34/km... parecia que estava a voar!

Fonte: Junta de Freguesia dos Olivais
Ia tão rápido que até a foto ficou desfocada ehehe
E voei para o 10º lugar da geral e do escalão, contra todas as melhores expectativas que tinha para esta prova nos dias que a antecederam. Terminei com 33m49s, para uma média de 3:20/km, 1 segundo melhor que a São Silvestre do Sado. Que excelente maneira de acabar o ano! E agora é apontar para o Campeonato Nacional de Estrada, que no mínimo gostava de fazer um tempo semelhante. Veremos!

Boas entradas a todos! Que 2020 seja mais e melhor!

Resultados: 31ª São Silvestre dos Olivais