sábado, 27 de maio de 2017

4º Corrida Noturna

Não é fácil escrever sobre esta prova. Existem demasiados sentimentos contraditórios. Momentos para ficar na memória, uns por boas razões, outros pelas piores. 

Uma prova à meia noite. Esta foi uma nova experiência para mim. Como qualquer prova à noite, a minha vontade de participar na mesma era perto de zero. Mas sendo em Odivelas e já tendo participado o ano passado na organização da mesma (este ano a Associação Vale Grande também fazia parte da organização), não podia faltar mesmo tendo uma prova menos de 48h depois.

Marcámos por volta das 23h junto ao Pavilhão Multiusos para distribuir os dorsais. Foi uma uma experiência engraçada, equipar em casa e ir a correr para o local da prova. Um quilómetro apenas, espetáculo! Na distribuição dos dorsais comecei logo a ser surpreendido. Rui Martins: "escolhe o dorsal que quiseres". Eu: "que eu quiser???". Rui: "não há nomes associados aos dorsais...". Bem não era uma situação normal. Mas tudo bem, siga, quero o 89 para honrar a minha data de nascimento!

Mais alguma palheta e seguimos a correr para o Strada Outlet, onde era a partida da prova. Fizemos mais alguns minutos de aquecimento, juntamente com outros atletas que se foram juntando a nós. Logo ali fiquei admirado com a quantidade de pessoas que se estavam para começar uma prova à meia-noite! Ainda por cima numa cidade como a de Odivelas.

Partida dada! Um ritmo bastante vivo no inicio de prova, como se pode ver pelos 3:10/km do 1º km. A presença do Pedro Arsénio na prova fez-se notar e a verdade é que ao fim deste 1º km, já não o conseguia ver pelas curvas da cidade. Seguiam à minha frente outro atleta que acompanhou o Arsénio durante umas boas centenas de metros e o Armando Monteiro, que se a pouco e pouco se ia distanciado de mim.

A prova continuou num ritmo forte, sentia-me bem, mesmo muito bem! Aquela sensação de estar soltinho e com força, estava a aguentar um ritmo bastante alto. Mas foi então que começou o descalabro. Bastante à minha frente vejo o Armando e o outro atleta a curvar à direita numa rotunda. Quando eu chego à rotunda e começo a virar para a mesma saída começo a ouvir gritos, nem sei bem de onde, a dizer que o caminho não era por ali. Pensei logo "OUTRA VEZ!?!?!?". Continuou a correr em frente para o caminho correto, confuso e a tentar perceber se os atletas que seguiam à minha frente voltavam para trás. Vejo o Armando a vir em alta velocidade, completamente chateado como seria de esperar. Continuo a correr num ritmo controlado, a chamar por ele e a forçá-lo a vir comigo. Ele finalmente apanha-me e seguimos os dois num ritmo bastante bom, apesar de estarmos incrédulos com a situação.

E não melhorou. Cada cruzamento, cada rotunda, era uma indecisão. A PSP existia, mas com poucas unidades. Voluntários da prova? ZERO. Zerinho. A PSP podia indicar-nos para onde devíamos ir e não esperar que mandássemos berros a perguntar, mas a verdade é que esse trabalho competia aos voluntários (que não existiam) da prova. Nem setas no chão existiam. NADA.

Continuámos naquela brincadeira até ao quilómetro 5, até que o Armando completamente desgastado psicologicamente, disse-me para seguir sozinho. Tentei que ele me acompanhasse mas em vão. Ganhei-lhe alguns metros de distância na parte mais complicada, em que o declive era positivo.

Estava-me a aproximar do final da prova e sabia que o Armando estava perto. Entrei na nova mini pista de Odivelas ao pé do Pavilhão Multiusos, e enquanto ouvia as palmas comecei a abrandar o ritmo. Cheguei à meta e estanquei antes de passar a fita. O Armando chegou e cortámos os dois a meta. Era ele que merecia o 2º lugar e fiz questão de referir isso a quem estava a apontar os nomes dos 3 primeiros.

Não me interessavam tempos, a partir daquele momento a justiça no resultado estava feita. Muita discussão houve a seguir mas passado um pouco afastei-me e fiquei com a minha mais que tudo que foi ver a minha chegada. Depois de um bom bocado, fui com ela até ao carro para mudar de roupa e até lhe disse para ela ir para casa que ainda deviam demorar a chamar os atletas aos pódios. Quando volto ao recinto, vejo pessoas no pódio. Vejo lá o meu colega de equipa Rui Martins no 3º lugar a representar-me todo encavacado ehehe. Dou uma corrida e subo ao pódio ainda mesmo a tempo das fotografias! Esta prova não podia acabar se mais este momento insólito.

Fonte: Câmara Municipal de Odivelas
Enfim, sinceramente começo a ficar desgastado destas provas na minha cidade. As organizações mudam, a tipologia da prova muda, mas a PSP continua sem a experiência necessária. É verdade que Odivelas não tem uma divisão de trânsito mas não pode ser só essa a desculpa. Mas torno a referir que quem falhou aqui principalmente foi a organização da prova. Foi mau. Mesmo muito mau.

 

2 comentários:

  1. Essa mania de irem com pressa lá na frente e quando não sabem o caminho :o cá atrás no meio do pelotão não me apercebi de nada, eheh! Mas são situações muito desagradáveis sem dúvida. De qualquer forma parabéns pela prova e pelo gesto com o Armando. Só grandes atletas (e grandes pessoas) são capazes destas atitudes! E parabéns a todos os que participaram. Já vi provas em horas mais normais com menos gente :)
    Um abraço

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    1. Eheheh pois lá isso é verdade. Obrigado Edgar!

      Gostei mesmo da aderência à prova! Só falta a organização melhorar, pessoas a aderir Odivelas tem!

      Abraço

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