terça-feira, 26 de setembro de 2017

Global Energy Bimbo 2017

Nos últimos meses tem sido um autêntico conjunto de experiências do outro lado da organização de provas de atletismo. Mas sobre isso, talvez faça um artigo daqui a uns tempos. A minha última experiência foi na Global Energy Bimbo 2017, como pacer/balão/marcador de ritmo (o que lhe quiserem chamar) dos 4:00/km.

Foi um convite com pouco tempo de antecedência e que aceitei praticamente com prontidão. Gosto de experiências novas! Podem dizer que fazer de pacer é só correr uma determinada distância a um certo ritmo mas acho que é bem mais do que isso.

Acompanhado pelo meu amigo e colega de equipa Rui Martins, chegámos cedo à zona da prova. Fizemos 5 quilómetros a um bom ritmo antes de me encontrar com quem me ia dar a bandeira de pacer. Quando me passaram aquilo para a mão percebi que ia ser uma experiência engraçada. O cabo da bandeira estava preso ao colete uma forma arcaica e bastava algum movimento para a bandeira me bater na cara ou na cara de quem tivesse ao meu lado. Havia de correr tudo bem.

Em cima da hora fui para a partida. Um minuto de silêncio pela catástrofe no México e é dado o tiro de partida. Acelero um pouco para ultrapassar a confusão inicial mas rapidamente encontro o ritmo desejado. Primeiro quilómetro a 4:00/km. Impecável! Por esta altura seguia comigo um grupo com muitos atletas. Comecei a brincar com eles, a dizer-lhes para ter cuidado com a bandeira para que não batesse na cabeça de ninguém. Em resposta apenas ouvi a respiração acelerada dos atletas. Não devo ter muito jeito para animar a malta.

Por falar em animar a malta, de realçar que durante o percurso todo apenas três pessoas (juntas) estavam a ver a prova e a bater palmas. Três. Não é preciso dizer mais nada.

Os quilómetros foram passando e o ritmo manteve-se dentro do esperado. O grupo foi diminuindo e fui dando cada vez mais palavras de incentivo, sempre na companhia do Rui. Na viragem aos 5km foi quando grupo partiu completamente e o nosso grupo já contava pelos dedos de uma mão. Íamos ultrapassando (e ficando com) alguns atletas que seguiam à nossa frente mas também íamos perdendo alguns pelo caminho. Um deles chegou-me a dizer: "vais pôr isto no blog não vais?"

Apenas já comigo, com o Rui e outro atleta, estávamos no 8º km e eu disse-lhe que íamos manter o ritmo suposto e no último quilómetro apertávamos mais. O atleta disse-me que não conseguia mais que aquilo. Pois claro que no último quilómetro conseguiu andar bem abaixo dos 4:00/km e ainda acabou à minha frente!

Fonte: Xistarca
Tenho que agradecer ao Carlos Lopes pelo convite! Foi uma excelente experiência e fica uma sensação de dever cumprido ao ter atletas no final a virem ter comigo e agradecerem-me os quilómetros que seguimos juntos. Sinceramente é uma experiência a repetir. Mas numa prova com ainda mais atletas! Talvez um dia.


Resultados: Global Energy Bimbo 2017

 

6 comentários:

  1. Ah! Ultimo km abaixo de 4! Bem vi no teu Strava a média de 3'59''. Não conseguiste resistir, tinhas que ter mais um treino a 3 e tal ao km! ehehe

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    1. ehehe o último quilómetro foi só para motivar o atleta que seguia comigo! Não seja assim :p

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  2. Espectáculo! Deve ser uma experiência bem gira!!! :)

    Um abraço

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    1. É mesmo João! Acredito que também teria capacidade de a fazer exemplarmente!

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  3. Sprint final, claro!
    Em defesa do público - eu que passo a vida a puxar por eles nas provas que faço - deixa-me que te diga que se calhar estava toda a gente na Corrida do Tejo ou a participar ou a assistir.
    Não me parece que sejas mau animador, é apenas fisicamente impossível correr a 4:00m/km e ainda conseguir sequer pensar em dizer uma palavra que seja! Abraço e que a experiência se repita!

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    1. Eu também puxo sempre pelo público, até bati palmas aquelas três pessoas. Mas mesmo assim acho que há em Lisboa muita gente que gosta de desporto mas simplesmente existe a cultura de não sair de casa para ver este tipo de eventos. Exceto futebol claro.

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