domingo, 2 de junho de 2019

15ª Corrida das Pontes

Estes últimos meses têm sido um desastre. Não há outras palavras para descrever tudo o que tem acontecido após a Maratona de Sevilha. Chamem-lhe depressão pós-maratona, chamem-lhe trabalho a mais e sono a menos, chamem-lhe falta de foco, chamem-lhe o que quiserem. A verdade é que hoje deveria ser um ponto de mudança. Mas não foi. Mas também não foi assim tão mau.

Desde sexta que a minha cabeça desligou-se da corrida. A força mental conta muito, principalmente quando vamos enfrentar uma prova com temperaturas perto dos 30º. E a verdade é que só fui aquecer quando faltavam 15 minutos para a prova e durante muitos quilómetros da prova a minha cabeça estava em todo lado menos em cima das famosas pontes. Vamos à prova.

Parti perto da linha de partida, rapidamente se seguiram dois atletas na frente, o João Vaz que na verdade estava a treinar e o Tiago Godinho que finalmente tive o prazer de conhecer fora do mundo dos blogues! Tinha decido encarar Coruche num vai ao racha, e foi isso que fiz logo ao início. Acelerei e pus-me na frente do grupo perseguia estes dois atletas. Lentamente comecei a aproximar-se deles e o Tiago começou a correr ao meu lado. O João ia na frente e o meu colega de equipa Francisco Pedro que se encontrava a correr ao meu lado disse-me que ele só estava a treinar. Não mudava nada.

Posso dizer que nos primeiros quatro quilómetros ainda conseguia controlar a minha cabeça e o meu corpo. Seguia na frente da prova e usava isso para me tentar motivar, não viajando assim nos meus pensamentos. Por esta altura seguia com uma média abaixo dos 3:20/km. Ao 5º quilómetro entrámos em terra batida e as minhas forças parece que começaram a ficar enterradas na areia. Quando entrámos na bonita zona do Rio Sorraia, o corpo já só pedia um mergulho naquelas águas.

À entrada do 7º km, foi quando o desastre anunciado chegou. Já tinha dito e tornei a dizer ao Francisco Pedro para seguir para a frente e ele conseguiu ganhar uns valentes metros de distância do grupo. Depois disto sinceramente pouco mais há a contar. Ao 9º km enfrentámos aquela que é a maior dor nesta prova, uma boa subida que com o calor que estava parecia que nunca mais acabava! Mas sinceramente, fiquei com a sensação que podia ter dado mais na mesma...

O último quilómetro foi disputado com o grande Nuno Rocha (que também tive o prazer de conhecer pessoalmente) e que basicamente me disse que era injusto roubar-me o 2º lugar. Não tenho palavras para descrever esta atitude, grande desportivismo! No entanto, acusei aquelas palavras e dei tudo que podia nas últimas centenas de metros!


Terminei em 2º lugar da geral, 1º do escalão, com uns agradáveis 33m55s. Fica muito aquém daquilo que eu gostava de fazer mas foi o possível. Fico triste quando olho para trás e vejo que há quatro anos fiz pela primeira vez esta prova e na altura bati o meu recorde pessoal com um tempo de 34m08s. Apenas 13 segundos de diferença. Isto já deveria estar bem melhor...

Devo dizer que gosto muito desta prova e não tenho nada a apontar, excepto numa coisa: por favor comecem a prova mais cedo... começar a prova às 9h, 9h30m é o mínimo exigível para esta altura do ano. E não dêem a desculpa do pessoal que vem de fora (eu próprio demorei 1 hora a chegar), olhem para o pessoal do trail e as horas que algumas provas começam, e vejam se os atletas não aparecem à mesma.

E é isto pessoal. Agora é altura de olhar par ao calendário e perceber se ainda há mais alguma coisa que possa fazer esta época. A forma está a melhorar e há que aproveitar!

Resultados: 15ª Corrida das Pontes

1 comentário:

  1. Muitos parabéns Vitor pela excelente prova!

    Quanto à tua frase "Fico triste quando olho para trás e vejo que há quatro anos fiz pela primeira vez esta prova e na altura bati o meu recorde pessoal com um tempo de 34m08s. Apenas 13 segundos de diferença. Isto já deveria estar bem melhor...", merece-me 3 comentários:
    1º Há coisas que não são comparáveis. As condições eram as mesmas que em 2015? Fazia o mesmo calor? Ora sabendo que em condições normais de temperatura 50% do nosso esforço é para arrefecer o corpo e os restantes para a performance, estando o calor que esteve essa relação altera-se com evidente prejuízo da performance. Daí não ser comparável.
    2º Podes treinar muito e bem mas há uma parte fundamental do treino que não estás a respeitar e que é o descanso pois, como referes, estás a dormir de menos.
    3º Por melhor que seja a nossa forma, que até pode ser a melhor de sempre, nada é garantido, há coisas que não se explicam pois fogem à lógica e estudos científicos não conseguem explicar. Uma vez li uma entrevista com o grande maratonista brasileiro Vanderlei Lima onde ele relatava que no seu melhor momento de forma, um dia saiu de manhã para o primeiro dos seus treinos bidiários. Andava a treinar muito bem mas naquela manhã não conseguia correr. Bem tentou mas concluiu que era escusado e regressou a casa, preocupado com o que se passaria consigo para não conseguir correr. No entanto, fez o esquema habitual da sua rotina diária e à tarde saiu, com medo, para tentar o segundo treino do dia. E saiu-lhe um treino espectacular! Como os seguintes que o levaram poucas semanas depois à medalha de bronze na Maratona Olímpica em Atenas 2004, sem se saber se não poderia ter ganho o ouro não fosse aquele louco ex-padre irlandês (que já tinha invadido uma pista durante um grande prémio de Formula 1!) ter ido contra ele quando seguia isolado em primeiro. Explicação para aquele treino falhado onde mal conseguia correr? Não há mas se isso sucede com campeões, mais sucede connosco onde há aqueles dias que a coisa não sai como está ao nosso alcance.
    Este comentário já vai muito longo, apenas queria dizer que acho espectacular o teu tempo, considerando que não és profissional e com o forte calor que se fazia sentir. És um espectáculo!!!

    Grande abraço

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