31ª São Silvestre dos Olivais

Existem dias que o nosso corpo nos surpreende. No domingo foi um desses dias.

Fui passar o Natal a Trás-dos-Montes. Trouxe de lá uma excelente prenda: uma bela de uma constipação. Começou por me dar apenas alguma dor de garganta e expectoração, mas rapidamente me começou a dar algumas dificuldades em respirar e falar, e algumas dores no corpo. Mesmo assim não falhei nenhum treino do plano. Apenas não treinei no dia 25 como era suposto e automaticamente não fiz o dia descanso no sábado. Sabia que não era grave esta mudança, pois os treinos têm estado com uma quilometragem algo baixa (comparando esta altura com o ano passado... ai que os treinos para a maratona estão quase a recomeçar...).

No domingo de manhã até a Johanna me disse que estava com uma cara horrível. Bem, sendo a prova à noite ninguém havia de reparar. Honestamente não estava mesmo com vontade nenhuma de fazer a prova. Fora os sintomas normais da constipação, sentia o corpo moído e doía-me ligeiramente a cabeça. Mas se me tinha aguentado bem nos treinos nos dias anteriores, não ia falhar à minha equipa. Fosse para o que fosse, eu ia lá estar.

Nunca tinha participado na São Silvestre dos Olivais. Sempre ouvi falar maravilhas das suas subidas, tendo ouvido algumas pessoas a dizer que ainda era mais complicada que a Amadora. Honestamente, depois de a fazer, acho que têm razão.

Fui com o carro cheio, juntamente com o meu amigo Rui Martins. Novamente, fiz um aquecimento a custo e sentia as pernas bastante presas. Aqueci quase até ao limite do tempo possível e depois lá me enfiei na partida e pedi para me irem deixando passar até mais perto da linha de partida. A prova começou rápida, com muita gente bem mais rápida do que eu a ir para a frente. As primeiras centenas de metros custaram-me imenso mas pensei "que se lixe, enquanto tiver força vou dar o que tenho".

Com alguma dificuldade em respirar como deve ser, lá fui dando o que podia pelas primeiras subidas da prova. A pouco e pouco comecei a sentir-me mais solto e cerca dos 2km chegou uma boa descida. Já tinha ultrapassado bastantes atletas, mas ainda via tanta gente à minha frente que aproveitei esse estímulo à minha cabeça. Ignorei as consequências físicas da descida que enfrentava (se acham que as subidas são complicadas, experimentem descer a "matar") e acabei a descida com uma média de 3:07/km. E o mais incrível é que apesar da respiração ainda mais deficiente que o habitual, estava mesmo progressivamente a sentir-me mais solto.

A loucura desta prova ainda estava no início. Continuei num sobe e desde durante 1km e depois embarquei em mais 1km sempre a descer até aos 5kms, momento em que apanhei um grupo que iria definir o meu andamento até final da prova. E o que ainda faltava da prova. Que sofrimento.

Subimos durante mais 1km, para tornar a estabilizar num sobre e desce constante. Mas o pior foi dos 7 e picos até aos 8kms. Foi ai que a minha dificuldade em respirar me fez ceder. Tenho pena dos atletas que seguiam comigo, pois bem berros mandei para o ar. O Ricardo Abreu do Pedro Pessoa que o diga. Por esta altura já tinha cedido alguns lugares ao grupo com o qual seguia. Mas não desisti.

Entrámos no 9º km e por esta altura tinha no campo de visão dois atletas. Este último quilómetro é famoso por ser sempre a descer, ótimo para velocidades loucas, coisa que eu não tenho. Mas como estava motivado com a hipótese remota de recuperar lugares perdidos, dei tudo o que podia. Rapidamente recuperei um lugar e neste momento já só tinha a hipótese de me aproximar do já referido Ricardo Abreu. Começámos a aproximar-nos da meta e penso "é agora ou nunca". Percebo que o consigo apanhar, puxo que nem um louco, e consigo passa-lo. Mas ainda faltavam cerca de 150m. Para terem noção, dos 9 as 10kms fiz uma média de 2:55/km, mas nos últimos 140m de prova desci para os 2:34/km... parecia que estava a voar!

Fonte: Junta de Freguesia dos Olivais
Ia tão rápido que até a foto ficou desfocada ehehe
E voei para o 10º lugar da geral e do escalão, contra todas as melhores expectativas que tinha para esta prova nos dias que a antecederam. Terminei com 33m49s, para uma média de 3:20/km, 1 segundo melhor que a São Silvestre do Sado. Que excelente maneira de acabar o ano! E agora é apontar para o Campeonato Nacional de Estrada, que no mínimo gostava de fazer um tempo semelhante. Veremos!

Boas entradas a todos! Que 2020 seja mais e melhor!

Resultados: 31ª São Silvestre dos Olivais

31ª São Silvestre dos Olivais
dezembro 30, 2019
4

Comentários

  1. Muitos parabéns! Com esse problema e esse percurso...
    Será que eu li bem? Andaste a 2.34?!?!? Voaste!
    Um abraço e um excelente 2020 para ti e todos os teus

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    Respostas
    1. Ehehe sim leste bem! Um grande abraço João e um grande 2020!

      Eliminar
  2. Parece que tens de correr mais vezes doente :p
    Excelente prova. Parabéns!
    Um bom ano para ti cheio de conquistas. Um abraço

    ResponderEliminar

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