domingo, 16 de fevereiro de 2020

Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto

Como já perceberam esta epoca está a ser diferente. Uma das principais razões para ter ingressado neste desafio do Vitória Futebol Clube, foi ter a oportunidade, coletivamente, para poder correr contra os melhores nas provas em que os mesmos se decidem. E foi assim que ontem fui parar à Figueira da Foz para o Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto.

A minha última prova foi à 3 semanas. Os meus treinos têm-se focado na preparação para a Maratona da Europa, não estando a fazer preparação para as provas que vão acontecendo pelo meio. Os treinos têm estado a correr bem e até iniciei uma série de vlogs sobre o meu caminho para a Maratona. Estão no Facebook e Instagram (IGTV). Mas também no blog! Podem ver: primeiro vídeo e segundo vídeo.

Por coicidiência, a minha última prova foi um corta-mato. Mas se pensam que esse facto me ajudou, enganam-se profundamente. Nada me podia ter preparado para o sofrimento que iria ser esta prova. Quando chegámos à Figueira, já estavam a decorrer provas. Aproveitámos ser ainda cedo e fizémos o reconhecimento à pista e percebemos que havia partes com bastante lama. Mas houve parte que nós não conseguimos perceber em quão mau estado estava. Só quando deu o sinal de partida, é que a batalha começou.

Lama acima do tornozelo. Atletas a cair. Atletas a gritar, a reclamar. Se esta prova era para acabar a matar e acabar a morrer, a matança inicial vai ter de ficar para outro dia. Não me lembro de correr tão devagar e com tanto cuidado há muito tempo. Aliás, nem nunca me lembro de ter passado por tal experiência. A vontade de não querer cair, de não atropelar ninguém e de não pisar e não ser pisado foi maior durante as primeiras dezenas de metros.

Passado o cenário de guerra inicial, a confusão não diminuíu muito. Afinal éramos quase 500 atletas a correr num circuito de 2 quilómetros (a prova tinha duas voltas). Eu para tentar recuperar o tempo perdido, tentava ultrapassar tudo o que me aparecia pela frente por qualquer nesga possível.

Fonte: Paulo Pedro
Era impossível manter um um ritmo vivo. A única vez que tive coragem de olhar para o relógio, este indicava 3:55/km. Não queria saber, o esforço que estava a fazer dava-me a sensação de estar a andar a bem mais.

Mesmo assim aconteceram coisas bastantes curiosas que honestamente me motivaram bastante para contínuar com os pulmões na boca. No meu campo de visão apareceram constantemente atletas que eu em estrada nem consigo ficar perto. E isso deu-me força para os tentar ultrapassar. E ainda foram bastantes.

Fonte: Tiago Godinho
Após muitas curvas e contra curvas, muita lama, finalmente entrei na fase em que já só queria que aquilo acabasse. A última secção com lama desgastou-me de tal forma que já mal conseguia respirar, e ainda tive de sofrer um bocado até finalmente ver a meta.

Foram 4 quilómetros feitos a um ritmo de 3:37/km. Fiquei em 84° dos absolutos masculinos e o Vitória acabou num honroso 12° lugar a nível nacional.

Foi uma experiência incrível que vou tentar esquecer que existiu. Porque se eu a mantiver na memória, acho que nunca mais me meto num corta-mato na vida. Deve ser verdade.

Resultados: Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto

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