Um fim (precoce) de época

Não pensem que isto é um artigo depressivo. De todo. Não sou nem nunca serei de deprimir por mais de um par de horas porque falhei um objetivo na minha vida. A forma que tenho de encarar a falha, é apenas focar-me em novos objetivos. Se vocês vissem a minha lista de ideias e de projetos... dava para estar muito tempo sem dormir para tentar fazer apenas metade dessa lista.

Todos nós sabemos a época que atravessamos e por isso nem vale a pena falar nisso. Como vocês têm percebido com a minha série de conversas (podem ver aqui), eu não quero mesmo falar sobre isso. Já chega as infinitas horas que a comunicação social dedica ao assunto e os biliões de posts nas redes sociais. Agora não posso negar que nunca na minha vida pensei que no momento em que me inscrevi na Maratona da Europa, que no dia da prova e do meu maior objetivo da época na verdade a foto desse dia iria ser esta:


Eu numa passadeira? Porquê? Então e a maratona? Porquê é que não foste? Estás doido? Isto seriam tudo perguntas possíveis que o "eu" do passado faria ao "eu" do futuro ao ver a foto. De qualquer forma quando percebi para o que todos caminhávamos, percebi que estava na altura de parar de desgastar o meu corpo. Em Março, ainda fiz um bom treino de 32km apesar de ter sofrido bastante no final. É nestas alturas que é bom ter amigos, pois ele fez-me companhia de bicicleta nesse treino e foi essencial para acabar o mesmo. Pensando agora a frio, percebo que foi esse sofrimento que me fez refletir se não estava a ser teimoso e não devia simplesmente de abortar o plano para a Maratona. E assim o fiz.

No último mês, o planeamento tem sido feito numa base semanal. Eu e o André, o meu treinador, optámos por brincar um pouco com a passadeira, percebendo como o meu corpo reagia à mesma e aos potenciais treinos que poderia fazer na mesma. De certa forma tenho gostado bastante de treinar na passadeira. Claro que correr na rua é completamente diferente. Mas para treinos mais curtos ou treinos intervalados, é uma excelente aliada. Penso que foi um excelente investimento para o futuro. Podem ver a análise aqui.

Depois de no início desta semana ter tido uma conversa sobre o futuro com o André, chegámos à conclusão que faria sentido dar esta época por terminada. Independemente se vão ainda haver provas este ano ou não, faz sentido mudar a abordagem de uma época normal. Sendo assim, nas próximas duas semanas irei parar praticamente completamente. Depois disso, voltarei num regime de pré-época e vou-me preparar para o futuro incerto. Mas continuarei a correr e a treinar, que é daquelas coisas que me faz sentir vivo.

Para terminar, fiquem com a minha brincadeira de ontem. Aliando o final de época, à falta de provas, porque não fazer 10km na passadeira a ritmo de prova? Foi exatamente isso que eu fiz, e ficou tudo registo num direto no Facebook e Instagram. Divirtam-se a ver-me a sofrer!


divagações
abril 26, 2020
6

Comentários

  1. O melhor é de facto não ver noticiários... Verdade, várias provas canceladas, outras adiadas. é importante conhecer os limites do nosso corpo e há desafios que fazemos sentido numa altura noutras já não. Desde meados de Março que já não corro. Estava a conseguir a minha "resolução" de 2020 e fazer 10 km por semana e a tentar fazer menos de 1h, mas agora já caiu por terra. O objetivo é retomar devagar sem lesões. As provas já pagas e reagendadas logo se verá. São apenas duas em Julho. Se der para adiar para 2021, assim o farei.

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    1. Honestamente as provas agora não me interessam para nada. Correr com um sentimento de desconfiança e sem saber se o estás a fazer em segurança, anula qualquer prazer em participar numa prova!

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  2. Uma decisão sensata. É ir treinando sem obrigações para manter o corpo e a mente vivas :)
    Abraço

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    1. Exatamente! E amanhã voltarei a sentir-me vivo, pois vou voltar aos treinos!

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  3. É sem dúvida a melhor e mais possível decisão.
    Impressionante ver a tua passada na passadeira. Seja em que piso for, tu voas! :)
    A minha experiência numa passadeira resume-se a uma única vez e não foi nada boa. Quem no início vá também fazendo passadeira, acredito que seja uma alternativa mas para quem corria sempre na rua há 6 anos, como eu na altura, é complicado. Estava em trabalho na Grécia num hotel junto a uma autoestrada, impossibilitado assim de ir para a estrada. Como o hotel tinha um ginásio com uma passadeira, experimentei ir lá fazer 10 km. Pois... nem cheguei aos 5. Habituado que estava a ir vendo o percurso a desfilar nos meus olhos e a sentir o ar na cara, estar sempre no mesmo sítio e sem sentir o ar na cara, foi uma espécie de tortura. Enquanto na estrada olho para o relógio e penso "olha, já se passou mais um km", na passadeira cada minuto demorava uma eternidade a passar. Para quem corre por prazer, aquilo foi o oposto. Parei e fui-me embora. Foi esta a minha experiência em termos de passadeira. Mas claro, só ia estar ali 3 dias, se fossem mais, lá teria que fazer um esforço para ao menos mexer qualquer coisa.
    Regressando a ti, é uma frustração a forma como a época se tornou mas é igual para todos. Há que olhar em frente e saberes que regressarás mais forte quando for o momento. Força!
    Grande abraço

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    1. É mesmo um sacrifício correr numa passadeira. Mas não dúvido que tu tivesses capacidade psicológica para o aguentar caso assim fosse necessário!
      Um grande abraço

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