Campeonato Regional de Estrada 2022


Analisando os últimos anos desta minha vida de atleta wannabe, consigo perceber que houve uma mudança da forma como encaro o atletismo. Passei pela fase normal de fazer todas as provas e mais algumas, para a fase de ser seletivo nas provas que fazia, para a fase de que já só me interessa ir às provas onde realmente posso ir buscar um sentimento de competição real, ou seja, provas onde encontro atletas melhores do que eu. Que me desafiem a ser melhor. Que me “humilhem” por estarem num nível completamente diferente. E é nisso que me tenho focado. Claro que faz parte continuar a ir a provas populares, mas essencialmente são as provas de nível federado que neste momento me interessam.

Depois de Salvaterra, decidi abdicar de ir aos Sinos, que é uma prova que adoro. Mas sendo o meu foco este Campeonato Regional de Estrada, preferi ter um bloco de treinos completamente focado para esta prova, sem distrações pelo meio. E isso incluiu tanto um foco no treino como no campo nutricional. Posso dizer que não me encontrava em tão boa forma talvez desde o Grande Prémio de Natal. Mas a verdade é que nem tudo são rosas. Se até à semana passada me sentia a 100% e sem queixas a nível físico, a semana antes desta prova andei à luta com um início do síndrome da banda ilio-tibial. Não posso dizer que cheguei em perfeitas condições a este sábado, mas tinha noção que mal começasse a correr, a coisa iria "desaparecer".

Tenho três coisas que irei enumerar neste artigo sobre a organização deste Regional. A primeira sem dúvida foi o dia da prova escolhido. Eu sei que o desporto não para (e acho muito bem) em épocas de festas. Mas a verdade é que marcar um Regional que acaba por ser direcionado para atletas amadores (mesmo que federados) num sábado antes da Páscoa (eu nem ligo muito honestamente), com um fim-de-semana prolongando, é estar a pedir que muitos atletas simplesmente não compareçam nesta prova. E atenção que a prova estava inicialmente marcada para domingo de Páscoa. Então ai era a morte do artista. Mas neste primeiro ponto, terei que dar a mão à palmatória (vá as pontas dos dedos apenas), pois até havia uma moldura humana bastante aceitável, embora claro que faltassem algumas caras conhecidas pelas razões já enumeradas (meus conhecidos diretos e não só).

Avançando para o segundo ponto, e começando a falar da prova propriamente dita: a hora da prova. Foi feriado na sexta. Sim não havia forma de adivinhar que iria estar um dia de Verão no sábado. Mas porque não fazer a prova de manhã? Aliás, isto faria também bastante sentido tendo em conta o que já transmiti no primeiro ponto. Resultado, um calor abrasador na hora da prova. Mesmo no aquecimento, que devido à grande recta final do circuito da prova, causou um convívio bastante porreiro entre todos os atletas que estavam a aquecer, já estava um calor que fez qualquer um transpirar e acabar o aquecimento já com bastante sede.

Hora de ir para a partida e aqui todos os atletas da frente têm que agradecer à AAL que permitiu aos atletas posicionarem-se mesmo de lado na partida, evitando congestionamentos desnecessários no bloco (central) da partida. Outra coisa que nunca vi acontecer, foi uma prova começar antes de tempo: exatamente três minutos antes da hora. Compensa aquelas provas que começam 10 minutos depois. Mas já estou farto de escrever e ainda nem comecei a correr! Então vamos lá: o início foi rápido mas controlado. Rapidamente se formou um grupo na frente da corrida que eu consegui integrar graças ao facto do ritmo não ser completamente louco. Seguia distanciado deste grupo um atleta do Povoense que naturalmente acabou por apenas ter gás para algumas centenas de metros.

Depois do primeiro quilómetro a 3:15/km (isto sem qualquer declive negativo), o ritmo aumentou ainda mais mesmo tendo em conta que o declive continuava a aumentar. O segundo quilómetro foi feito a 3:09/km e nesta altura comecei a duvidar se não estaria a abusar da sorte. Mas sentia-me bem! Respiração controlada, passada sem deficiências por cansaço, apenas algum congestionamento nos gémeos talvez devido ao calor. Penso que o efeito de estar a correr em grupo tenha contribuído para o meu desempenho na primeira parte da corrida. Por esta altura, o Bruno Lourenço (que representou o Sintra) decidiu dar um esticão no grupo e ir lançar-se para a frente declarando o seu objetivo de ganhar a prova (adorava ter visto a parte final em que um atleta do Benfica acaba por ganhar a prova). O resto do grupo, que neste momento resumia-se a cerca de 5 atletas, manteve-se junto e seguíamos a bom ritmo.

Depois de mais um quilómetro a 3:15/km, seguiu-se outro já a uns loucos 3:04/km devido ao declive negativo do quarto quilómetro. Foi nesta descida que o grupo se começou a partir, e quando chegámos ao quinto quilómetro que nos levaria novamente à zona da partida, já não existia grupo nenhum. Eu consegui estar por algumas centenas de metros em 4º lugar da geral, mas acabei por pagar a fatura do calor/esforço da primeira volta. Se o primeiro quilómetro do percurso tinha sido feito a 3:15/km, no equivalente da segunda volta, foi feito a 3:30/km. Mas honestamente, foi igual para todos (foram tantos os atletas que desistiram...). Não posso dizer que tenha perdido 10 lugares e que toda a gente me ultrapassou. No meu campo de visão vi toda a gente a abrandar o ritmo e apenas fui ultrapassado por uma atleta veterano da Run Tejo, que mais tarde viria a ultrapassar também o meu colega de equipa Isaías. 


A segunda volta foi feita em modo sofrimento, sempre sozinho, alternando com alguns momentos de bom ritmo e outros completamente sofríveis (cheguei a ver o relógio com ritmos acima dos 4:00/km). Indo para a minha terceira e última crítica desta prova, é o facto de ter sido escolhido este percurso para um Regional de Estrada. Uma circuito de duas voltas, com uma altimetria horrível. A certa altura por volta dos 7km, cheguei ao cúmulo de apanhar o fim do pelotão (nada de mal nisso), tendo que andar a circundar a ambulância e a fazer uma curva de 90º em que passei a escassos centímetros da ambulância e do passeio. Era suposto o quê? Ir pelo lado de fora da ambulância e arriscar-me a levar com um carro do outro lado? Sim porque ainda vi carros que não obedeceram propriamente às regras da PSP. Vá lá AAL, vocês são capazes de melhor. A prova decorreu com um excelente ambiente (na zona da partida /chegada, já o resto foi um deserto), sempre com um clima de festa do atletismo, mas de resto... bastante sofrível.

Deixem-me dizer que nem uma vez olhei para trás nesta prova até ao último quilómetro. E honestamente nem dessa vez consegui ver alguma coisa de jeito e perceber se estaria à vontade. Percebi que tinha 1/2 atletas perto mas nem sabia se eram atletas que iam na primeira volta ou atletas que seguiam no meu encalço. Mesmo assim juntei todas as réstias de força que ainda tinha e puxei até à meta. O resto vocês já sabem.

Passei a meta em 5º da geral e 3º sénior neste Campeonato Regional de Estrada! Isto com um tempo de 32m28s, acabando com uma média de 3:18/km. Mesmo com a quebra da segunda volta, acaba por ser uma média bastante aceitável. Coletivamente, fomos Campeões Regionais por equipas masculinas e femininas (veteranos), e ainda obtemos o 3º lugar por equipas masculinas (absolutos). Brilhante! Eram tantos atletas com a camisola do Belenenses, que até metia impressão.


Agora segue-se um novo e longo bloco de treino, para novos objetivos, completamente diferentes das últimas épocas. Mas mais tarde iremos falar sobre isso.


Campeonato Regional de Estrada
abril 19, 2022
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