Campeonato Regional de Corta-Mato Curto

Eu genuinamente tenho que ir à bruxa. Este 2023 está definitivamente a ser uma das minhas piores fases. Mas ainda esta semana faço um vídeo sobre esta saga. Agora vamos tentar fazer um artigo sobre uma prova que deveria ser de alegria e acabou num autêntico pesadelo.

E alegria porquê? Esta foi a minha primeira prova depois de 3 meses sem competir. Entre preparar a São Silvestre da Amadora (mês de de Dezembro), que descambou numa paragem a menos de 48h da partida, um mês de Janeiro quase metade parado e a segunda metade a recomeçar os treinos, e depois um mês de Fevereiro finalmente a treinar e recomeçar a ter boas sensações (mas sempre limitado…), este corta-mato há muito que estava apontado como o regresso à competição. Como partilhei nas redes sociais, a última vez que tinha competido neste corta-mato de Queluz foi há 10 anos, no meu primeiro ano mais “à seria” de corrida. Portanto, além do regresso à competição, esta prova trazia também um pouco de nostalgia.




Fui cedo para a prova. Há demasiado tempo que não via os meus colegas de equipa, e queria estar um pouco com eles de forma descontraída e aproveitar o facto de até termos a nossa tenda no local da prova. Uns 45 minutos antes do início, fui juntamente com parte da equipa de seniores aquecer pelo percurso. Foram uns bons 30 minutos, descontraídos, com muita palheta e até um reconhecimento de um percurso de prova como nunca tinha feito. Alinhei na partida com a sensação que não poderia estar melhor preparado. Apesar de não ter tirado carga nos dias anteriores, sentia-me bem e confiante que finalmente as coisas estavam a correr bem. Como este desporto consegue enganador.




A partida foi até tranquila. Um ritmo alto, mas sem aquela confusão gigante que às vezes há nos corta-matos. Algumas curvas feitas a medo, mas rapidamente a prova esticou e pude correr livremente. Rapidamente dois atletas se chegaram para a frente. Eu seguia atrás deles cerca de 10 metros, na disputa com um atleta bem mais novo dos Ingleses. Após algumas subidas, em que eu o passava, e descidas, em que ele me passava, finalmente consegui descolar dele e isolar-me completamente em 3º lugar.

Passei a primeira volta de 2.000m confortavelmente em 3º lugar e com alguma energia ainda de reserva. Pensava eu. Esta energia rapidamente se começou a dissipar após a primeira grande subida da primeira parte da segunda volta. E rapidamente comecei a sentir um atleta da Run Tejo a aproximar-se de mim. A cerca de 600m da meta, este atleta passou-me mas mesmo assim fui atrás dele. E aqui começou o caminho para o inferno.

A 200m do final percebi que vinha um atleta do Sporting a sprintar atrás de mim. Foi altura de dar tudo pois não queria perder mais um lugar. Mas perdi-o. Mas naquele espaço de tempo veio ainda outro atleta a sprintar que após meio segundo em que tinha desistido do meu sprint, me obrigou a meter novamente todo a lenha no assador. E foi aqui que senti algo que nunca tinha sentido. Senti uma dor forte nos isquiotibiais da perna direita. E percebi que a minha prova tinha acabado ali. Basicamente a 10 metros da meta. Claro que o tal atleta me passou e depois de ter parado durante uns segundos, caminhei para a meta para não perder mais nenhum lugar e não prejudicar o Belenenses na classificação coletiva.




Terminei 6º da geral e 4º do escalão. Deixem-me dizer-vos que este parece ser o meu lugar maldito nos regionais de corta-mato. Não há forma de conseguir ir a um pódio, mesmo que tenha um desempenho para tal como desta vez. O tempo esse mesmo foram 13m34s, sendo que uns segundos foram da minha paragem e a caminhada penosa até à meta. Mesmo assim deu uma média de 3:22/km que acaba por ser bastante agradável para o parte pernas que a prova era. Ou completamente irrelevante face ao que aconteceu. Uma boa aprendizagem que posso passar daqui, é que nunca desistam até à linha de chegada. Quem sabe não acontece ao vosso adversário o mesmo que me aconteceu a mim? Mesmo assim, fiquei bastante feliz pelo facto de ter contribuído para o segunda posição coletiva do Belenenses! O primeiro lugar ficou a uma boa distância, mas o segundo ficou apenas a três pontos. E se eu não tivesse caminhado para a meta o mais rápido possível, quantos pontos teríamos perdido?




Como curiosidade (de merda mesmo), há 10 anos fiz esta prova como vos disse. Ainda se chamava Corta-Mato Internacional de Queluz. Acabei a prova e tinha uma moínha curiosamente também nos isquios da perna direita. No dia a seguir fiz um treino longo. Os próximos dois meses foi a coxear e quase sempre no estaleiro com uma contratura brutal que acabou por fazer uma inflamação algo grave pois ainda era do tempo em que o juízo era zero e parar era mentira. Mas pronto, percebem se eu no futuro disser que nunca mais participo nesta prova certo?

Agora é recuperar. Foi mais uma experiência (nunca tinha tido uma dor a correr, qualquer toque tive até hoje foi sempre depois de parar de correr) nesta longa caminhada no mundo do atletismo. É cliché dizer isto eu sei, mas esperem por mim, vão ver que vou voltar mais forte!


Campeonato Regional de Corta-Mato Curto
março 12, 2023
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