Grande Prémio do Vale Grande 2023

Ano após ano digo a mesma coisa, acho que já não vale a pena repetir-me. Todos sabem a minha história com a Associação Vale Grande e a quantidade de anos com boas memórias que guardo tanto da equipa de atletismo como da equipa da direção. Mais uma vez fui convidado a participar e com o carinho demonstrado era impossível dizer que não.

Este ano encarei a prova no plano de treinos com tranquilidade. Retirei qualquer pressão de fazer “boa figura” como a época passada em que fui Padrinho da prova, e planeei os meus treinos até para não tirar grande carga para a prova. Também já sabia que a seguir à prova tinha que parar um dia para recuperar da pancada do inferno de percurso que esta prova tem.

A prova este ano foi planeada para começar mais tarde (10h00 e ainda começou uns 15 minutos depois da hora…) e teve o azar, que na verdade era algo óbvio, de estar muito calor. Eu sou da opinião que todas as provas até pelo menos final de Outubro, deveriam começar pelas 09h00. De qualquer forma, aproveitei para acordar mais tarde e ir mais relaxado para a prova. Encontrei o meu amigo e padrinho da prova Rui Martins e fizemos um bom aquecimento juntos, aproveitando para meter a conversa em dia.

Depois de algum tempo à espera que a prova começasse, finalmente foi dado o sinal de partida. Os dois atletas de triatlos presentes, o Rui Martins e outro atleta que honestamente não sei o nome, seguiram para a frente da prova. Eu mantive-me para trás, seguindo num bom grupo composto pelo meu antigo de colega de equipa José Silva (Kikas para os amigos) e diversos atletas da Run Tejo e outros clubes. 



Deixem-me dizer que foi uma primeira parte da prova super divertida. Correr em grupo, principalmente em prova, é algo que trás outro prazer à corrida. Os primeiros quilómetros foram feitos num bom ritmo mas controlado. Fomo-nos aproximando lentamente do dois atletas da frente, mas o primeiro a seguir com o nosso grupo foi o Rui. Disse-lhe para ficar connosco e fiquei contente quando percebi que ele seguia colado a nós.

Um atleta da Run Tejo disse-me “continuamos assim ou vamos buscar o gajo?”. Eu conhecendo já a prova e sabendo que ainda muito havia para contar disse para continuarmos assim. Mais cedo ou mais tarde iríamos apanhá-lo. E foi ainda mais cedo do que pensava. Mal chegámos à entrada do quilómetro 5, com a primeira boa inclinação passámos este atleta e continuámos em grupo até entrarmos na Pontinha. 

Foi aqui que algo estranho se sucedeu. Estou habituado a grupos partirem-se lentamente, mas desta vez em poucos segundos o grupo separou-se completamente e fiquei apenas eu e um atleta da Run Tejo chamado Ismael. Seguimos para fora da Pontinha sempre juntos e começámos o retorno a caminho do famoso inferno que nos leva de volta ao Vale Grande. A única coisa boa desta fase do percurso (fora o declive negativo que sempre dá para respirar) é que apanhamos todos os outros atletas e como reforço sempre nestas provas em Odivelas, o apoio é magnífico. Obrigado!  

Perto dos 7km começa a festa. Tentei avaliar (e muito honestamente ajudar) o Ismael e perguntei- lhe se ele já tinha feito a prova. Como calculei, ele respondeu que não e eu disse-lhe de imediato então para ter calma nos próximos quilómetros. Ele não teve. Em poucos minutos ganhou-me uma distância considerável, o suficiente para em certas alturas desaparecer-me completamente do meu campo de visão. Desta vez a experiência falou mais alto e continuei com a estratégia que tinha seguido até ali, mantive o meu ritmo e não entrei em loucuras. 

À entrada do 9km foi quando senti que a prova podia ainda não ter acabado. Fui vendo o Ismael um pouco mais perto a cada curva e subidas que íamos fazendo. Decidi apostar nas forças que ainda me restavam e arriscar. Havia dois desfechos: ou esta estratégia resultava e passava o Ismael e ele não respondia, ou o Ismael estava a guardar as forças e mal eu aparecesse ao lado dele, ele dava cabo de mim com um sprint que eu não o ia conseguir acompanhar. Vou deixar a foto em baixo expressar aquilo que aconteceu:

Terá sido isto uma das provas mais perfeitas que fiz? Talvez sim, talvez não. O que é certo que acabei por me divertir aliado a um bom resultado. Foi também o segundo ano consecutivo a ganhar a prova organizada por uma equipa que significa tanto no meu passado. O tempo esse foi de 34m21s, nada de extraordinário claro, mas completamente adequado ao percurso da mesma.



Agora? Finalmente estou a conseguir voltar a treinar sem pensar em provas. Daqui a duas semanas falamos nos 10km de Almeirim!  

Resultados: Grande Prémio do Vale Grande 2023

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GP do Vale Grande
outubro 15, 2023
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