100º Campeonato Nacional de Corta-Mato Longo



Esta é daquelas provas que tipicamente nem sei como escrever sobre ela. Como falar de uma prova onde estão os melhores atletas nacionais, onde aqueces ao lado deles, onde estás a equipar-te ao lado deles, onde começas a correr ao lado deles, e quando cruzas a meta, vês os vencedores e vencidos a falar uns com os outros, pois até muitas vezes são companheiros de treino. Bem mas a verdade é que não sou um atleta como eles, sou um atleta de faz de conta ao lado deles que um dia vai contar ao seu filho que esteve a ver o pai ao correr ao lado dos melhores atletas nacionais. Na verdade ele esteve a dormir a prova toda. Mas isso não interessa nada.

Esta foi uma prova difícil de encaixar a nível mental. Há quase dois meses que ando a treinar para a Meia Maratona dos Descobrimentos, o que na verdade é um treino bastante diferente do que seria se tivesse a treinar para distâncias mais curtas. Isso, aliado ao facto dos Descobrimentos serem 7 dias depois do corta-mato... bem é "chato". Mas quando se é atleta federado, temos de perceber que representar o clube seja em Regionais, seja em Nacionais, é praticamente mais importante do que os nossos próprios objetivos pessoais. Porém, o plano de treinos desde há algum tempo que contempla este ciclo de 3 provas seguidas, por isso, é levar as coisas com juízo e tentar ao máximo não arranjar lesões nem toques para conseguir estar na melhor forma física possível em todas as frentes.

Quando cheguei à zona da prova, senti que havia uma maior organização que os anos anteriores. Sei que houve críticas aqui e ali, mas olhando para minha experiência de alguns corta-matos, este foi de longe o que eu senti que estava num nível superior. Se foi por ter sido transmitido na televisão ou se foi por ser a centésima edição dos Nacionais de corta-mato longo... não sei, mas por favor continuem.

Depois de um aquecimento que eu gostaria que tivesse sido melhor, segui com a equipa de séniores do Belenenses para a nossa caixa de partida. Foi aqui que se deu um dos maiores erros que me lembro de ter feito em muitos anos de atletismo. Não me perguntem porquê, mas não tive reação quando se deu o tiro de partida. Parti tão mal mas tão mal, que fui engolido pelo pelotão de atletas, o que me fez com que as primeiras centenas de metros tivessem que ter sido feito com muito cuidado. E mesmo assim não me livrei de por duas vezes quase ter perdido o equilíbrio por ter levado toques nos pés e nas pernas. Mas pronto, este "medo" quase que faz parte da magia do corta-mato.

Estão a ver as duas setas? O Filipe da minha equipa estava ao meu lado na partida... vejam o quão para trás eu fiquei por não ter partido no momento exato.


A partir daqui, a primeira volta foi um fartote de arranques para ultrapassar aglomerados de atletas quando se abria uma nesga que me permitisse passar. Olhando para os splits, obviamente que os 3 primeiros quilómetros foram os mais rápidos da prova. Depois disso, honestamente foi gerir. Eu estava ali para dar o meu melhor, mas isso também significa ser inteligente. Se eu continuasse naquele ritmo louco feito de arranques, sei que facilmente iria dar o "berro" nas últimas voltas. Tentei então manter um ritmo constante que me permitiu estar sempre a ultrapassar outros atletas e ao mesmo tempo gerir o meu próprio desgaste.

A meio da 4ª volta foi quando as coisas mudaram um pouco e estabilizei nos atletas que se encontravam à minha volta. Colei-me a um atleta da Run Tejo e fui seguindo com ele durante algum tempo. Juntos até ultrapassamos alguns atletas, mas obviamente chegou a altura de os dois "decidirmos" quem ficava à frente. Honestamente, ao passar pela minha mulher e pelo meu filho na última volta, parece que foi o boost emocional que precisava, e com um sorriso na cara atirei-me para a frente e fui num ritmo alto até às últimas dezenas de metros.

Na reta que antecede a meta, dei tudo o que ainda tinha e diria que passei uns 5 ou mais atletas. Mas tenho de ser sincero, mesmo naquele esforço, a minha cabeça ainda teve tempo para recuar alguns meses e lembrar-se da micro-rutura que fiz exatamente num sprint para a meta no último corta-mato que tinha feito.



Passei a meta em 68º da geral (já tive bem mais abaixo da tabela, pelos vistos está a haver acertos) com um tempo de 30m13s. Ainda cheguei a comparar este tempo com o ano passado, mas embora semelhantes, o percurso deste ano perecia estar algo encurtado, o que levou a ter menos uns 700 metros que no anterior. Por equipas, a nível absoluto ficámos num honroso 17º lugar!



Agora é recuperar, que os meus gémeos ainda se está a queixar da pancada. No próximo domingo será o primeiro objetivo da época e esperemos que consiga pôr no asfalto tudo aquilo que tenho treinado nos últimos meses.

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Resultados: 100ºs Campeonatos Nacionais de Corta-Mato Longo

Campeonato Nacional de Corta-Mato
novembro 28, 2023
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