10KM de Cascais 2026

Um ano desde que o calvário da pubalgia começou. Muito se passou, muito se tem passado, e por muito irei passar. Mas hoje não é para isso que aqui estamos. No último domingo foi o dia de fazer uma prova que me ficou "entalada" por não a conseguir fazer o ano passado.

No ano passado, mesmo estando completamente condicionado (nem eu sabia o quanto ainda), estava em infinita melhor forma. Neste momento sinto que sou o atleta que era há 7-8 anos atrás, apenas com algumas melhorias, mas com os mesmos resultados. E para terminar já o parágrafo das lamentações deste artigo: estou longe de estar em forma, tenho 5kg a mais, fui para a prova completamente engripado (3 dias a Brufen, eu que é raro tomar drogas), noites e noites sem dormir como deve ser (não tivesses filhos 😏), e claro está, a pubalgia ainda está longe de estar recuperada. Já chega? Já. Vamos prosseguir.

Tendo em conta todos os avisos de mau tempo, a manhã da prova foi amiga dos atletas. Pouca ou nenhuma chuva, algum vento e muita humidade. Com o período de mau tempo que Portugal está a passar, foi muito bom. A prova de 10km era relativamente cedo (por mim todas as provas começavam no máximo às 9h, por isso excelente HMS), e chegando um pouco em cima das 8h com a prova a começar às 8h30, só tive tempo de ir buscar o dorsal com a responsável da equipa, dar um dedo de conversa, e preparar para aquecer. Foi aqui que começou algum stress, porque quando reparei vi que o dorsal estava para o bloco +60 minutos. Entre aquecer 5 minutos, ir mudar para os ténis de competição (não usava carbono desde 2024), e ir para a zona de partida para resolver este problema, praticamente não deu tempo para mais nada. Um grande obrigado ao meu segundo "chefe", Ernesto Ferreira, que falou com a organização para tentar facilitar a correção do meu dorsal na hora. 

Confesso que senti quase alguma pressão pelo que aconteceu, sabendo que não estava minimamente preparado para correr contra os atletas que apresentavam ao meu lado. Sem direito a retas nem nada, deu-se o tiro de partida. Foi um início controlado em que até parecia que iria dar para ir "atrás deles". Mas se na avenida do Marechal Carmona ainda consegui enganar-me a mim mesmo, mal passamos o hipódromo e começa a subir... percebi que iria ser um dia não. Mal conseguia respirar de forma controlada, as pernas pareciam bem, mas a caixa (derivado à gripe?) mal me deixava respirar como deve ser. E se era assim no 1ºkm, imaginem como seria o resto.



Mas não desisti. Aproveitei a bolei de um atleta durante um bocado, ele próprio me disse para me meter atrás dele. Foram apenas umas centenas de metros, mas deu para não morrer logo na parte inicial da prova. Deixei-o ir embora e a partir daqui, foi uma luta que se conta entre as minhas pernas, os meus pulmões e a minha mente. Na parte da prova que devia ter andado mais rápido, parecia que o corpo não se queria mexer. Até à viragem, quando a média deveria ser em tudo mais baixa do que o resto da prova (tendo em conta os 2km a descer), a verdade é que só quando virei é que me comecei a sentir bem e a sentir uma passada mais solta. Talvez se não tivesse sozinho...



A seguir à viragem, ali pelo 7ºkm, deu-se um daqueles momentos insólitos. Sendo uma prova de "ir e voltar" e tendo 3500 atletas, é normal que a zona do pelotão "engarrafe" e possa estar na zona de passagem dos atletas que já estão a voltar. O que não entendo é porque é que havia atletas a atravessar-se à nossa frente a ir buscar as águas ao "nosso" lado e a potencialmente causar ali uma situação que nos podíamos magoar. Quando me cansei de estar quase a travar para não bater em ninguém, mandei um berro para me saírem da frente. E foi aqui que um artista me berrou "vai mais devagar!". Como? Mais devagar? A correr? Numa prova? Desculpem os mais sensíveis e quem me tem em boa conta, mas naquele momento com toda a luta mental que estava a ter, a única coisa que me saiu foi um "vai para a con* da tua mãe". Mais uma vez, desculpem. Mas apenas por terem lido isto, porque quem me disse aquilo merecia ainda mais.



Só fui capaz de fazer ritmos interessantes nos últimos 2km da prova (3:21 e 3:16), mesmo com aquelas curvas manhosas de empedrado para entrar na zona da marina, onde acabou a prova. Acabei por cortar a meta em 8º da geral, 1º do escalão dos velhotes M35 e com um tempo 34m42s. O que ainda me deixa mais apreensivo é o facto de ter tirado um fantástico 1 segundo ao tempo que fiz há 2 meses atrás. Parece que andei a trabalhar para o boneco. Mas enfim, tenho que aceitar e perceber todas as condicionantes.

Obrigado a todos os gritos de apoio que recebi, da minha equipa, dos ouvintes do podcast e essencialmente de quem já acompanha este blogue há 10 anos. Tenho a certeza que me espera tempos melhores. 

Resultados: 10KM de Cascais 2026

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10KM de Cascais
fevereiro 5, 2026
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