sábado, 26 de maio de 2018

5ª Corrida Noturna de Odivelas

Não gosto de correr à noite. Implica uma logística estranha, implica fazer malabarismos com refeições, implica tirar tempo à família e tira-me a sanidade mental. Mas existem provas em que abro a exceção à regra como São Silvestre da Amadora ou a Corrida das Fogueiras. Mas para a minha cidade quebro todas as regras.

Sexta foi então mais uma vez aquele dia louco de sair de casa depois das 22h para ir correr. Tal como o ano passado, fui a pé para a meta ter com o Rui Martins que este ano fazia parte da organização da prova. Depois de muita palheta em que o principal tema de conversa foi a abertura do dia seguinte do Centro de Marcha e Corrida de Odivelas (já se inscreveram?), fui-me equipar e fui a correr para a meta que mais uma vez era ao lado do Strada Outlet.

Fiz um aquecimento quase até ao último minuto e fui para a partida. Com um sinal algo estranho de partida, de repente centenas de atletas começaram a correr para inundarem as ruas de Odivelas. Durante o aquecimento tinha visto o vencedor do ano passado, o Pedro Arsénio. E nesse momento tomei a decisão de ir atrás dele. Sabia que ganhar era impossível mas queria aguentar o máximo que conseguisse ao lado dele. Ora bem, isso durou... 200 metros? Bastou o Pedro aumentar o ritmo para perder largos metros para ele. E para terem noção fiz o primeiro quilómetro a 3:11/km...

Mesmo assim não abrandei e mesmo que quisesse um atleta que seguiu ao meu lado não deixou. Durante dois quilómetros seguimos num excelente ritmo e só quando apanhamos uma ligeira subida mais comprida é que eu forcei o andamento e ele não me conseguiu acompanhar. Acabei assim por ficar isolado e como me mantive fiel à minha ideia de nunca abrandar o ritmo, nunca me preocupei a olhar para trás para perceber a vantagem que tinha para os outros atletas.

Entrando na zona de Olival de Basto começou a festa da falta orientação. Se por um lado tenho que dar os parabéns à PSP de Odivelas que está a evoluir de prova para prova e não detetei (pelo menos à minha passagem) qualquer falha, houve por algumas vezes que tive de perguntar às pessoas que estavam na rua (e a alguns polícias embora não seja a missão deles) por onde seguir. Aliás, tenho praticamente a certeza que na rotunda do Lidl e Pingo Doce da Póvoa de Santo Adrião (junto à BP), muita gente não fez a rotunda por fora. Posso ter perdido alguns segundos mas fiquei de consciência tranquila que fiz a rotunda como mandam as regras. Nem UMA pessoa da organização havia do percurso todo. Juro mesmo que não entendo como é possível organizar uma prova assim.

A partir do 5º quilómetro começou o sofrimento com a cidade de Odivelas a dar a mostrar as suas belas subidas. O ritmo baixou para a casa dos 3:40/km e as pernas começaram a mostrar o desgaste de ter passado os últimos quilómetros num ritmo diferente do meu normal de prova. Só quando fiz a última rotunda a caminho do multiusos de Odivelas é que resolvi olhar para trás. Mas como às vezes devo muito à inteligência, fui olhar num momento em que não tinha qualquer luz artificial e portanto mesmo que tivesse algum atleta a poucos metros de mim, praticamente não o conseguiria ver.

Mas acabei por entrar na pista completamente isolado e cruzando a meta em 2º lugar da geral, orgulhoso por o fazer na minha cidade e por tendo honrado um clube da terra. Tenho que agradecer novamente todo o apoio que recebi de outros atletas. O vosso apoio e carinho é essencial para me dar força!


E agora? Agora vem um período de calma... tanta calma que vou parar uma semana para ir de férias! Mas depois quando voltar vão ser 4 semanas loucas com 3 provas, duas do Troféu de Loures e no dia 30 de Junho, se tudo correr bem, finalmente irei acabar a época em beleza com a Corrida das Fogueiras em Peniche. Mal posso esperar para voltar a correr com aquele público fantástico!

2 comentários:

  1. Ca bruto! Essa cena de teres que perguntar o caminho é ridicula.. Ainda por cima numa prova tão pequena. Boas férias!

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    1. É mesmo ridiculo... O que mais me chateia é que parece que não aprendem. Enfim.

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