Corrida das Lezírias 2022

As Lezírias devem estar no top 3 das provas que eu já participei mais vezes. Não porque morra de amores pela prova em si, nem porque me dê alguma espécie de jeito a nível de localização. Simplesmente acabou por ser uma prova que a nível de calendário sempre se encaixou nas equipas pelas quais já passei. Mas a verdade é que cada vez menos gosto desta prova. 

Depois de mais uma semana a meter carga, sabia que não estava a 100%, mas estava confiante num bom desempenho nas Lezírias. A semana correu-me bem, e sei que fiz excelentes treinos, mesmo depois de ainda me ter sentido algo massacrado do corta-mato no passado domingo. Confiante, segui a horas decentes para Vila Franca de Xira. Mal cheguei, fui ter com a minha equipa para recolher o dorsal. Após alguma conversa, fui-me equipar e começar a aquecer. Algumas caras conhecidas, e pôr a conversa em dia com aquelas pessoas que praticamente só vejo em provas. É engraçado como acaba por ser este mundo da corrida.

Dois minutos antes das 10h, lá fui para a linha de partida. Algo que já não tinha saudades: do atraso no começo das provas. Muita conversa da organização, dar valor ao João Pereira do Benfica estar aqui (mais à frente explico o facto de estar a referir isto), e já passavam mais de 5 minutos da hora quando foi dado o sinal de partida. Os cavalões foram para frente, e eu deixei-me ir no meu ritmo. Já me conheço, já conheço provas acima dos 10 quilómetros, não vale a pena entrar em exageros. Mas não deixou de ser engraçado ver o meu amigo Rui Martins andar bem à minha frente durante um quilómetro :)

Mesmo assim, e como quase não poderia deixar de ser, os dois primeiros quilómetros foram feitos abaixo dos 3:20/km. Para isso também ajudou o facto de ainda estarmos dentro da cidade, pois mal entramos na ponte a conversa (e o ritmo) muda logo de conversa. Por esta altura já perseguia o grupo no qual me iria manter durante uns bons quilómetros. E tal como seria de esperar, mal começamos a subir, o ritmo foi para cima de 3:30/km. Naturalmente o ritmo acabou por novamente descer na descida (duuh!) que nos levaria até às famosas lezírias. E ai a prova entrou noutro nível.

Por esta altura, seguíamos dois atletas do Belenenses e dois atletas do Vitória Futebol Clube (para quem não sabe, a minha antiga equipa). Alguma conversa à mistura, brincadeiras com o Marco Miguel, e assim nos continuamos a ajudar uns aos outros. O ritmo não era altíssimo, mas era o possível naqueles estradões. Foi quando começamos a sair dos estradões, e entramos naquele relvado "maravilhoso", que foi separado o trigo do joio. O Marco Miguel seguiu para a minha frente e começou a acelerar. Eu fui o máximo de tempo que consegui com ele, mas naturalmente tive que o deixar ir. E como já estão fartos de me ouvir dizer, sabem onde fiquei? Em terra de ninguém. 


Os gémeos pesavam-me a correr naquele piso que nem sei bem dizer o que é. Relva, terra mole, e uma recta que nunca mais acabava. Naturalmente deixei-me acomodar a um ritmo que não queria. A única motivação era continuar a ver o Marco Miguel e um outro atleta lá longe à minha frente. Isso e o facto de realmente querer conseguir um bom resultado para um possível pódio coletivamente.

Mas sabem? Não há muito mais a contar. Foram vários quilómetros de algum sofrimento. Não estava feliz a correr, os gémeos pesavam-me, faltava-me aquela companhia competitiva que apenas uma prova pode dar, e tive que arranjar forças para enfrentar aquela maldita ponte. A partir dai foi entrar em modo sofrimento plus, e deixar-me embalar pelas pessoas que estavam na rua.

Passei a meta em 8º da geral e 7º do escalão. O tempo esse foi o pior que já tive nesta prova: 53m50s. Simplesmente nada a dizer. Sei que sou melhor do que isto e sei que consigo melhor do que isto. Infelizmente nem coletivamente tivemos "sorte", ficando o Belenenses no 4º lugar, fora do pódio. Analisando mais a frio, percebo que não tirei carga nenhuma para esta prova, isto depois de ter feito uma prova na semana anterior. Por isso, não podia pedir mais infelizmente. 

E para terminar, segue uma pequena história: lembram-se quando disse que o João Pereira do Benfica estava presente? Quando anunciaram os resultados coletivos, estranhamos o Alhandra ter ficado em terceiro e fomos ver a pontuação dos seus atletas. E claro, já estão a adivinhar: o João Pereira estava inscrito pelo Alhandra. A organização repetiu 50 vezes que o atleta do Benfica estava presente. Ele estava com o equipamento do Benfica. E no entanto na classificação estava pelo Alhandra. Houve muito barulho e muita reclamação, e parece que pelo menos a justiça foi reposta. A classificação está corrigida no site da Xistarca. E é isto. Ilegal esta situação provavelmente não era, mas é só triste fazerem estas coisas, pois isto infelizmente não foi nenhum engano.

De qualquer forma, agora finalmente duas semanas para treinar! E depois disso, mais uma prova que está de regresso ao meu calendário. Até Salvaterra de Magos!

Gostaram do artigo? Apoiem o blog comprando aqui o vosso material desportivo.

Resultados: Corrida das Lezírias 2022

Corrida das Lezírias
março 14, 2022
0

Comentários

Search

Popular Posts

Comprei um telemóvel para levar nos treinos

Sim eu sei isto é um artigo com um título no mínimo estranho. Mas acredito que…

Parei um treino a meio e estou bem com isso

Nós atletas somos obcecados. Ora seja com tempos, com horários de treino, com a…

Zurich Maratón de Sevilla 2019

Há momentos na vida em que temos de decidir aquilo que nos define. Eu felizment…

Corrida da Árvore 2015

Sabem uma coisa? Já andava ressacado com falta de provas. Apesar de ter ido aos…

Grande Prémio de Natal 2021

Nem sei por onde começar. Por um lado o resultado final ultrapassou completam…

Contact Me