Depois de ter abortado fazer a prova na Corrida do Tejo (ajudei a equipa fazendo de pacer), o treino foi direcionado para a Corrida do Bimbo, sabendo que mesmo assim os treinos não estavam a dar nenhum tipo de indicação sobre de como eu estava fisicamente. Para perceberem, nos últimos três meses, fiz apenas um verdadeiro treino de Z5 (12x400m). O resto foi Z3 e Z4, sempre com resultados algo estranhos: basicamente as minhas séries de Z4 raramente não tocavam na Z5 a nível de pulsação. E a nível de ritmo só nas últimas duas semanas começamos a andar entre os 3:30 e os 3:35, e lá está, sempre com a pulsação a indicar que estava muito em esforço.
Portanto foi sem qualquer expectativa que no último domingo me alinhei na linha de partida ao lado dos meus colegas de equipa Luís Machado e Roberto Ladeiras. A única coisa positiva é que sentia-me realmente bem, parecia solto, e tirando sempre uma pequena moinha no calcanhar, sem dores nenhumas. E o descanso nas noites anteriores tinham sido bastante sofríveis, com noites péssimas patrocinadas pela minha bebé mais nova.
O meu plano era ir tentar o máximo de tempo possível atrás do meu amigo e colega de podcast, Luís Machado. Ele está numa excelente forma e sabia que seria muito complicado fazer a prova toda com ele. A prova saiu rápida, o grupo dos três primeiros ficou definido, um ou outro atleta atrás deles, e outro grupo grande que seguia a ritmos de 3:10/km. Como eu sei que ainda não tenho velocidade para isso, deixei-me ir controlado no meu ritmo. Mesmo assim fico surpreendido porque o primeiro quilómetro saiu para 3:13 e o segundo para 3:17. Foi aqui que consegui colar definitivamente no grupo que me parecia ir mesmo assim rápido demais para mim.
Já com um ritmo estabilizado entre os 3:20 e 3:23, os quilómetros seguintes seguiram-se em esforço mas com relativa naturalidade. Não estou a dizer que estava fácil! O que quero dizer é que cada minuto que passava, era um crescendo na minha surpresa ao aguentar aqueles ritmos, principalmente sabendo que em treino já não andava assim desde janeiro de 2025. O problema estava a surgir atrás de mim: o Luís tinha perdido o grupo e estava em claras dificuldades. Foi então que uma decisão se começou a desenhar na minha cabeça: no último retorno (pelos 7.2km) eu ia abrandar e esperar para puxar pelo Luís.
A minha prova estava feita, não ia ganhar nada, percebi que estava bem e que o nosso corpo é uma caixinha de surpresas. Por isso abrandei, gritei pelo Luís, vi que ele ficou autenticamente chateado comigo por abdicar da minha prova, mas passou-lhe e começou a acelerar para vir ter comigo. E foi assim que a puxar por ele (e ele por mim claro), passámos de 3:37, para 3:26, e o último quilómetro a 3:19. E o Luís bateu assim o seu recorde pessoal por 7 segundos.
Passámos a meta com 1 segundo de diferença, terminando assim num honroso 11º lugar da geral, como 33m42s. Felizmente o meu treinador ficou tão satisfeito como eu, e não me lixou a cabeça pelo que fiz.

Segue a próxima daqui a 3 semanas! Até lá!

Segue a próxima daqui a 3 semanas! Até lá!
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