segunda-feira, 20 de março de 2017

Meia Maratona de Lisboa 2017

Escrever sobre uma prova em que atingimos os nossos objetivos pode ser frustrante. Por onde começar? O que dizer? Como conseguir explicar o que 44 segundos significam para nós?

Começando pelos dias pré-prova. A minha vida, e praticamente de toda a gente neste nosso cantinho da blogosfera, não gira em torno da corrida. Posso ser-lhe bastante dedicado mas praticamente tudo o resto é mais importante. Nas últimas semanas a minha cabeça tem andado a mil à hora e com assuntos que nada têm haver com o desporto. Os treinos não foram afetados, mas mesmo nestes dava por mim muitas vezes com a cabeça noutro lugar, longe do esforço e da respiração acelerada que a corrida nos provoca. Só neste domingo, praticamente sob a linha da partida, à espera do sinal de partida, é que o coração acelerou com o nervosismo.

Bem e vamos já desmistificar um facto. Vocês já estão fartos de me ouvir dizer que nunca mais fazia esta prova. O que mudou este ano? Deram-me um dorsal VIP. Ah mas VIP dos pequeninos porque a única coisa que tinha direito era em ir para o bloco da frente da prova :) vá e a outra vantagem é que a fila para as casas de banho é mais pequena eheheh. Portanto mais um ano em que fiz o caminho religioso de autocarro e comboio até estar finalmente na zona da partida. E mais um ano em que arrastei os meus pais para estas aventuras :)

Por muito cedo que cheguemos à zona da prova, o tempo acaba por passado a correr. Muita conversa, aquecimento e quando damos por nós, tiro de partida. Pela primeira vez tive a sensação de estar a correr livremente pela ponte, com poucos atletas pela frente e sem sentir que estava a correr dentro de uma lata de sardinhas mal fechada. Mas verdade seja dita, nem uma vez olhei para os lados para ver a vista que estar em cima da ponte nos proporciona. 

Fonte: A Natureza Ensina
O ritmo começou alto mas não demasiado alto, o que é habitual numa meia maratona. Fiquei integrado num segundo grupo, não me passando pela cabeça em tentar apanhar o grupo da frente. Quando começamos a descer, aproveitei para abrir a passada e tentar descontrair mantendo o ritmo alto. Ainda havia muita prova pela frente.

Quando acabámos de descer, levamos com o apoio do público que é sempre um bom motivador depois de 5 quilómetros sem ver outra coisa que não atletas. Para mim foi muito importante este apoio pois entrei mais uma vez naquela fase das minhas provas em que fico completamente isolado. Devo cheirar mal só pode.

Esta fase manteve-se durante alguns quilómetros. Após a viragem nos Cais do Sodré, aproveitei novamente o empurrão do público para não diminuir o andamento. Tenho que agradecer ao público espanhol que continua a confundir as cores do Vale Grande como sendo espanholas eheh. Passei aos 10kms abaixo dos 34 minutos. Nessa altura passou-me tudo pela cabeça. Nunca pensei numa meia passar aos 10kms com um tempo tão baixo.

A partir daqui começámos a apanhar os atletas que ainda iam em direção ao Cais do Sodré. E começou a festa dos atletas que não sabem correr na parte da estrada que lhes é destinada. Lá tive que mandar uns berros e pregar uns quantos sustos pois eu não me afastei um centímetro quando via alguém a correr na minha direção. Mas para não pensarem que eu só sei dizer mal, só tenho a dizer uma palavra do fundo do coração: obrigado a todos pelo vosso apoio. Tanta gente que gritou o meu nome. Houve uma parte do percurso que foi tanta gente ao mesmo tempo a gritar por mim que me arrepiei. Obrigado! 

Fonte: Luís Duarte Clara
Foi durante os quilómetros que se seguiram, decidi aquilo que poderá ter sido o meu único erro na abordagem da prova. Levava um gel comigo mas decidi não o tomar. Talvez tenha sido um erro mas nunca o irei saber. Durante 2/3 quilómetros, ultrapassei alguns atletas até me aproximar de um grupo em que seguia o António Sousa. Consegui imprimir um bom ritmo para chegar a esse grupo e quando dei por mim já me tinha distanciado do grupo. Mas felizmente para o que restava da prova, o António Sousa veio comigo.

Até ao quilómetro 17 não houve mais história, apenas um atleta que seguia na nossa frente penso que alemão, e depois de passar por um grupo de apoiantes do mesmo, para me motivar psicologicamente, tentei ter sentimentos nacionalistas e apenas pensava que o tinha de ultrapassar. Isso acabou por acontecer. Chegámos então à viragem, no famoso quilómetro 17.

Fonte: Luís Duarte Clara
A partir da viragem começou o verdadeiro sofrimento. Apesar da caixa estar boa, comecei a sentir as pernas presas e não conseguia imprimir o mesmo ritmo com que estava antes da viragem. Para terem noção, estava a andar por volta de <3:25\km e o ritmo passou para >3:30\km. Algum vento contra também não terá ajudado mas as desculpas não me interessam. Com esta quebra perdi a hipótese de bater o meu objetivo real para esta prova.

Não há muito mais para contar. No último quilómetro ainda consegui baixar um pouco o ritmo mas mesmo assim nem cheguei perto da média antes da viragem. Apenas serviu para conseguir acabar à frente do António Sousa.

Fonte: Correr Lisboa
Como muitos de vocês já sabem, passei a meta com o tempo de 01h12m31s, quebrando assim o meu recorde pessoal com por 44 segundos! Tenho a certeza absoluta que se não fosse a quebra final, teria conseguido o meu derradeiro objetivo de terminar com menos 1 minuto que o meu melhor tempo de 01h13m15s feito na Meia Maratona dos Descobrimentos em 2015.

Claro que gostei de saber que fiquei em 40º da geral e em 15º entre os portugueses em prova. Já sei que há alguns anos atrás nem nos primeiros 100 ficava, mas infelizmente o atletismo não caminha para melhor a nível profissional.

Tenho apenas a agradecer outra vez todo o vosso apoio, aos inúmeros comentários que me fizeram e dedicar este recorde pessoal ao meu pai, tal como já o tinha feito na página do Facebook. E claro não posso deixar de dar um agradecimento especial ao André Filipe por todo o trabalho que tem feito comigo. Esta prova é o exemplo real disso!

E agora? Descanso!!! Uma semaninha calminha, de recuperação para o resto da época. Acho que mereço não? :) Até já!

Resultados: EDP Meia Maratona de Lisboa 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

Análise - Mund Running

O quê? Uma análise a umas meias? Mas isso é uma coisa possível de ser analisada? Sim é!

Desde que comecei a fazer da corrida um modo de vida, o equipamento que uso para a prática da mesma tem vindo a subir de nível. Se antes treinava com uns ténis de 20€ da Kalenji, agora considero imprescindível utilizar ténis que se adaptem realmente ao meu estilo de passada. Se antes treinava com uma tshirt qualquer, agora, bem, essa parte ainda agora continua igual :)

Mas e em relação às meias? Comecei por correr com aqueles packs mais baratos que se vendem da Kalenji. Mas fui evoluindo, até aos dias de hoje em que uso alguns pares de linha intermédia para treinar e tenho 1/2 pares para os dias de prova. Recentemente tive o prazer de experimentar umas meias de competição "à séria". Estou a falar das Mund Running.


Que é que estas meias têm de especial? Para começar, apesar de ser uma opinião pessoal, são mesmo muito bonitas. Acho que têm um excelente design, mesmo tendo consciência que estamos a falar de meias. O laranja deste modelo salta logo à vista. Sim, vocês que adoram fotos das provas, estas meias são para vocês!

Fonte: Xistarca
Mas é no que realmente é importante que estas meias se destingem. Têm uma tecnologia proprietária Drytex® Comfort que garantem que os nossos pés estão sempre frescos, quer esteja verão ou inverno. E acreditem que é verdade. O tecido tem qualquer coisa de especial que faz com que os nossos pés não aqueçam em demasia mas também com que não fiquem nada frios! Embora eu não tenha tendência para isso, estas propriedades fazem com que seja ideal para os pés não terem bolhas.


Praticamente não tem costuras o que as torna ainda mais confortáveis e como cada meia tem especificação para pé direito e esquerdo, acabam por assentar como uma luva. Por último, o tecido também fornece uma sensação de compressão bastante agradável, tal como se uma segunda camada de pele se tratasse. Não estou a usar frases bonitas só porque sim, são mesmo agradáveis de calçar. Não me importava de ter um par para todos os treinos!

As meias são por vezes um ponto desprezado dos atletas mas isto está errado. Quanto mais um atleta evolui nos seus treinos e a velocidade e duração dos mesmos aumentam, umas boas meias fazem toda a diferença. E estas Mund Running são uma aposta ganha.

Onde é que podem adquirir estas belezas? Aqui: http://www.runsox.eu/mund-running



sábado, 11 de março de 2017

O dia em que parecia um atleta a sério

Já o ano passado a Corrida das Lezírias tinha tido uma excelente reportagem. Mas este ano com a falta de atletas de outro nível foi aquele que gosta de correr que teve bastante destaque devido ao 2º lugar. Vejam em baixo a reportagem completa, que entretanto já foi exibida na RTP 2.


Destaque também para a quantidade de atletas do Vale Grande que estão sempre em destaque nestes vídeos. Somos grandes pessoal :)

E aqui a entrevista à jogador de futebol no final da prova.


Agora fora de brincadeiras, obrigado a todos os que me apoiam. É mesmo muito importante para mim!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Corrida das Lezírias 2017

Com mais um objetivo da época a aproximar-se, o treino tem aumentado para níveis que nunca pensei serem possíveis. Mas a verdade é que o meu corpo tem respondido da melhor forma e esta Corrida das Lezírias, mesmo com todas as condicionantes, demonstrou-me isso mesmo.

As últimas provas que tenho feito têm sido abençoadas por quem manda na meteorologia lá em cima. Mas como nunca podemos ter tudo, durante a prova fomos uma vez mais abençoados sem chuva e com uma temperatura espetacular, mas o facto de ter chovido durante toda a noite estragou por completo aquilo que poderia ter sido uma prova memorável a nível pessoal.

Cheguei a Vila Franca de Xira mais que a horas, acompanhado com a minha mais que tudo e a minha sogra. Sinceramente não sei o que se passou, com a distribuição dos dorsais pelo pessoal da equipa e pouco mais, o tempo passou a correr e mesmo o aquecimento não foi o desejado. Com as pessoas a começarem a amontoar-se na partida, fui mais cedo que o normal para a mesma. Não gosto de me pôr à frente de ninguém mas é bom sentir que me deixam passar à frente sem reclamarem comigo e até há atletas que me dão o lugar mesmo. Obrigado!


Fonte: Xistarca
Partida dada. Segui num bom ritmo num grupo de atletas que seguiam atrás do atleta André Costa da UFC Indústria Atletismo que depressa tomou a liderança da prova. Os primeiros quilómetros foram sempre na frente deste grupo acompanhado por outro atleta da UFC Indústria Atletismo.

Com a subida da ponte aproveitei para aumentar o ritmo para perceber se alguém me iria acompanhar. Com isto o grupo acabou por partir, ficando assim isolando na segunda posição da geral. Com a entrada no estradão, e apesar das poças, o ritmo manteve-se estável e lentamente deixei de ouvir as passadas dos atletas que seguiam atrás de mim. Como continuava com o primeiro atleta no meu campo de visão, foquei-me e disse a mim mesmo que apenas nos últimos quilómetros iria olhar para trás e perceber se tinha que me preocupar.

Mas foi ai que começou outro tipo de prova. Com a chuva que caiu nos últimos dias a parte do percurso mais propícia a lama ficou num estado terrível. Foram cerca 1.5km com um ritmo muito mais baixo que o resto da prova. A cada passada o risco de escorregar e cair era enorme. Estava sempre a sentir os meus adutores a queixarem-se dos constantes esticões das escorregadelas. A minha pulsação/respiração aumentou bastante, mesmo estando num ritmo mais baixo. Para ajudar à festa, até de patos/gansos tive que me desviar. A única parte curiosa desta fase da prova foi que estive bastante próximo do líder da prova, mas tudo não passou de um puro engano.

Fonte: Xistarca
Quando deixámos de brincar ao trail, entrámos finalmente alcatrão mas ai percebi que já não conseguia imprimir o mesmo andamento que fiz nos primeiros quilómetros da prova. Comecei a ver o 1º atleta cada vez mais longe. Quando começámos o caminho de volta na ponte, com o 1º lugar perdido, olhei finalmente para trás e percebi que estava completamente isolado. Mas não desisti. Pensei que tinha de continuar a dar tudo pois nunca se sabe o que pode acontecer.

Fonte: Xistarca
Mas não aconteceu nenhum imprevisto. Passei a meta a 2º lugar da geral e do escalão, com um tempo de 53m03s. Fiquei a cerca de 30 segundos 1º lugar e com 1m30s de diferença para o 3º. Face ao ano passado melhorei apenas 12 segundos. Com humildade, com condições normais sinceramente teria batido o meu recorde pessoal aos 15km. Assim fica um certo amargo de boca apesar do bom resultado na classificação.

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca


Em termos coletivos conquistámos o 1º lugar por equipas! Mas a organização estava com tanta pressa na entrega dos prémios que nem consegui estar presente no pódio coletivo. Aliás para o pódio do escalão tive que ir a correr para o palco. É bom ter uma entrega de prémios rápida mas tem que haver bom senso e não fazer as coisas a despachar. Mas pior que tudo é ter em atenção nas próximas edições com a questão do estado do piso. Isto é uma prova de estrada. Repito. Uma prova de estrada.

O melhor troféu no final :)
Daqui a duas semanas estarei na Meia Maratona da Ponte 25 de Abril. Duas semanas para afinar a máquina! Até lá!

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Grande Prémio Associação Vale Grande - Subida às Colinas de Odivelas


Após alguns meses a arquiteturar a ideia, é um prazer finalmente poder divulgá-la! Tenho o prazer de vos apresentar o Grande Prémio da Associação Vale Grande, sendo a premissa a Subida às Colinas de Odivelas.

No que é que consiste esta prova? Pois bem, quisemos fugir ao padrão das provas de 10km e organizamos uma prova de 20km por estafetas. Cada percurso será de 5km, sendo necessário equipas de 4 elementos.

Porquê o nome de Subida às Colinas de Odivelas? Porque quem conhece Odivelas, sabe que não é uma cidade plana e por isso os percursos serão desafiantes e sem grandes facilidades. Mas não se assustem, não é nenhuma prova de trail :)

A prova será dia 7 de Maio às 9:30. Sabemos que já falta pouco tempo mas contamos com a presença de quem gosta de uma prova diferente!

Muitas novidades ainda terei para dar, algumas surpresas, sendo que algumas já poderão encontrar no site da prova. Ficam aqui os links para os principais pontos de informação sobre a prova:
Fiquem atentos, principalmente à página do evento no Facebook. Venham correr a Odivelas e ajudem a tornar esta prova um sucesso!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

As recordações que ficaram do Challenge da Caparica

Poderia dizer muita coisa sobre esta experiência mas há imagens que transmitem muito mais do que simples palavras.

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: InfoCosta
Fonte: Xistarca


Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca
PS: Sim eu afinal no primeiro dia não fui apenas ao pódio com o equipamento ao contrário. Eu fiz mesmo a prova com ele ao contrário. Urso.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

19º Corta-mato de Santo António dos Cavaleiros

Uma semana depois do primeiro corta-mato da minha temporada, hoje foi dia de fazer o segundo. Tinha hipótese de fazer dois corta-matos hoje, o de Rio de Mouro da Troféu Sintra a Correr e este em Santo António dos Cavaleiros do Troféu das Coletividades de Loures. Acabei por optar apenas ontem à noite por o último.

O meu objetivo hoje passava por fazer uma prova que me substituísse o já normal treino de séries longas/circuitos que costumo fazer ao fim de semana. Apenas quatro quilómetros serviam perfeitamente para o que eu queria. Cheguei menos de uma hora antes ao circuito de manutenção da Cidade Nova, mas a tempo de me juntar ao pessoal da minha equipa para começar o aquecimento com eles. Acabei por fazer 30 minutos em ritmo mais alto que um simples aquecimento, pois faz-me confusão fazer estas provas tão pequenas :)

A 3 minutos da hora de partida ainda estava a ir ao carro para pôr o equipamento para a prova e a minha sorte e que a prova das senhoras ainda não tinha acabado, se não cheira-me que tinha chegado à partida sem ninguém lá eheheh. Poucos minutos depois chamaram-nos para a linha de partida e começa a festa. Fez-me confusão as primeiras centenas de metros pois como não havia muito espaço para correr estávamos todos uns em cima dos outros.

Puxei um bocado para passar alguns atletas e quando acabamos a 1ª volta (1km) tinha um grupo de seis atletas uns bons metros à minha frente. Pensei na altura que a prova deveria ficar assim. Os miúdos que participam nestas provas são mesmo muito rápidos e talhados para provas curtas. De referir que corri na prova só com juniores e seniores, sendo que a prova dos veteranos se disputou a seguir.

Fonte: José Silva
Mas não desisti. Continuei a puxar, sempre perto do limite, e fui recompensado. O grupo da frente começou a alargar e lentamente comecei-me a aproximar e a ultrapassar um por um até entrar na 3ª volta, posicionando-me na altura já no 4º lugar. Percebi que tinha hipóteses de apanhar o atleta à minha frente e não poupei forças. Continuei a puxar, principalmente quando começámos a subir.

Consegui ultrapassá-lo e sabia que não podia abrandar sob o rico de ele me apanhar. Entrei na última volta completamente focado em manter o 3º lugar. Os atletas à minha frente estavam num mundo à parte. Quando faltavam poucas centenas de metros percebi que já estava com uma boa vantagem mas se entrei para a prova com o espírito de quem estava a fazer um treino de séries, não era agora que o ia deixar e portanto puxei como se tivesse na última série.


Fonte: José Silva
Passei a meta em 3º lugar com 13m32s para 4.1km. Mas não foi o pódio que me deixou contente. O que me deixou extasiado por dentro foi o facto de olhar para o relógio no final da prova e ver que tinha feito uma média de 3:16/km. Até fiquei parvo. E assim termino pois a minha vontade é sair para ir treinar e continuar a melhorar para conseguir bater os meus objetivos!

Fonte: José Silva
Resultados: 19º Corta-mato de Santo António dos Cavaleiros

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Challenge da Caparica - XVIII Grande Prémio do Atlântico

Tantos dias a pensar na loucura que seria fazer o Challenge da Caparica, tanto tempo a pensar nos desafios que este me proporcionaria e sem dar por isso cheguei ao último dia. O último desafio era integrado no GP do Atlântico, prova já com algum histórico mas que eu nunca tinha feito. O meu objetivo inicial era dar o melhor do que ainda restava das minhas energias para ajudar a minha equipa a subir ao lugar mais alto do pódio.

Tal como em todos os relatos sobre provas no domingo passado por essa Internet fora, o tempo assustou e de que maneira. Belo temporal a caminho da Costa da Caparica, e chuva que nunca mais acabava enquanto me ia encontrando com o resto do pessoal do Vale Grande. Fomos equipar com o tempo ainda meio farrusco e sem dar por isso foi-se instalando um sol tímido. Fizemos um bom aquecimento em equipa, com a palhaçada do costume e foi tempo de ir para a partida.

Os atletas presentes nesta prova eram bem mais fortes que nas duas provas anteriores do challenge. Nenhuma surpresa. Sentia-me bem, claro que tinha os músculos um pouco doridos principalmente do piso do corta-mato do dia anterior mas estava confiante que poderia fazer um tempo simpático para conseguir um bom resultado para a equipa. Partida dada.

A prova começou num ritmo mais baixo que o normal, o que me permitiu conseguir acompanhar facilmente os atletas que queriam liderar a prova. Ainda se ouviram algumas piadas de pessoal que seguia atrás de mim "aperta com eles Vitor, faz-os andar mais rápido". Ri-me e respondi que eles é que davam cabo de mim depois. Mas viria-me a arrepender de não o ter feito.

O ritmo aumentou um pouco e formou-se um grupo na frente de quatro atletas. Eu seguia mais atrás com outro atleta, enquanto os outros dois atletas seguiam 2/3 metros mais à frente. Seguíamos num ritmo estável (2º e 3º km a 3:22/km) e estava a ficar surpreendido como o meu corpo estava a reagir tão bem após as provas de sexta e sábado. Entrámos na rua que nos levaria ao paredão e eu aproveitei que era a subir para puxar um pouco e ultrapassei os atletas que seguiam na frente mas ao chegar a uma pequena rotunda que não tinha qualquer controlo, comecei a contorná-la quando oiço um dos atletas a gritar "é por aqui!". Fiquei lixado. Muito mesmo. Naquela estava-me a preparar para ir para a frente da prova e de repente tive que dar meia volta e puxar mais do que era suposto para ir atrás dos outros 3 atletas.

Fonte: Xistarca
Juntado-me outra vez ao grupo, o ritmo tornou a abrandar um pouco, também por culpa do mau piso do paredão. Quando saímos do paredão o ritmo aumentou bastante (para terem noção, de 3:28/km saltou para 3:19/km) e o grupo desmembrou-se. Consegui seguir na frente com um atleta da Marinha pelo sempre desagradável piso de terra batida molhado da chuva que tinha caído durante toda a noite.

Foi por esta altura que comecei a perceber a prova que estava a fazer. Esta prova era praticamente plana, sem nenhuma inclinação relevante e o tempo estava ótimo. Apesar das provas nos dias anteriores, sentia-me muito bem. E foi assim que percebi que se tivesse apostado desde início, tinha saído desta prova com um recorde pessoal. Mas não valia a pena chorar sob leite derramado. Naquele momento estava a disputar a vitória da prova e a vitória do Challenge estava mais que assegurada.

Fonte: Xistarca
Segui durante os últimos quilómetros com o atleta da Marinha (o clube rival do Vale Grande nesta prova) e nos últimos 2 quilómetros o ritmo aumentou (3:17\km). Troquei umas palavras com o outro atleta e disse-lhe que já não tinha uma mudança abaixo para seguir com ele. Ele disse-me o mesmo mas provavelmente ainda o motivei e nos últimos 500 metros ele ganhou-me uns bons segundos e apesar de eu estar a dar tudo o que ainda tinha percebi que não tinha pernas para ele.

Foto: InfoCosta
Cortei a meta em 2º lugar e o atleta que ganhou abraçou-se a mim e agradeceu-me. Eu também lhe agradeci pois é muito bom ter alguém com quem seguir a ritmos mais altos. Acabei com um tempo oficial de 34m17s para cerca de 10.1/10.2km. Não gosto de entrar nestes preciosismos, só o referi porque depois de desligar o relógio, ele armou-se em brincalhão a dizer que eu tinha batido o meu recorde pessoal aos 10km com 33m40s. Tadinho não sabe do que fala :)

Fonte: Xistarca
Para além do pódio do escalão, tive o prazer de subir ao lugar mais alto do pódio para o 1º lugar do Challenge da Caparica! E ainda subimos ao pódio coletivamente com um excelente 2º lugar por equipas! Para o ano lá estaremos outras vez para tentar reconquistar o lugar mais alto do pódio (o GP do Atlântico de 2015 foi a primeira vitória por equipas do Vale Grande).

Fonte: Xistarca

Fonte: Xistarca
Com tantos pódios nem pude dar azo à minha frustração de ter tido a hipótese de bater o meu recorde pessoal aos 10km e tê-lo deixado fugir. Mas é assim que nos motivamos a trabalhar ainda mais a seguir a uma boa prova e o próximo objetivo vem já ai com a Corrida das Lezírias! Até lá!

Resultados: XVIII GP Atlântico / Challenge da Caparica 2017