segunda-feira, 4 de março de 2019

Corrida das Lezírias 2019

As últimas duas semanas foram de muita precaução. Se na semana a seguir à maratona fiz quatro treinos totalizando 1h30m e 20km percorridos, a semana seguinte não foi muito melhor com 3h de treino e pouco mais de 40km nas pernas. Ainda falta muito para a época terminar e quem sabe muitos objetivos para atingir!

Em sintonia com o meu treinador, apostei em fazer a surpresa à minha equipa e arriscar ir à Corrida das Lezírias e ajudar a conseguir um bom resultado coletivo. Digo a surpresa porque os meus queridos colegas não paravam de insistir para eu ir mas eu sempre apostei na defensiva a dizer que poderia não estar em condições. Confesso que as pernas têm vindo a recuperar bastante bem (os primeiros cinco dias pós maratona foram muito maus...) mas dei-me ao luxo de me distrair um pouco à mesa e claro que isso se refletiu na balança. Se há coisa que eu gosto é de comer e comer bem, e os últimos meses foram um pouco controlados nesse aspeto. Esse era o meu maior receio nas Lezírias, que o peso a mais prejudica-se o meu desempenho.

Fosse como fosse, domingo de manhã apresentei-me mais uma vez na linha de partida pronto para dar aquilo que podia. O nosso objetivo era alcançar o pódio mas percebemos que poderia não ser tarefa fácil pois havia muitos e bons atletas este ano que iriam atacar a linha da frente. Sinal de partida e as feras foram para a frente. Não estava à espera de uma partida tão rápida e a medo nem tentei acompanhar os da frente. Claro que 3:19/km no primeiro quilómetro foi rápido mas mesmo assim não foi nenhuma loucura.

Ao 3º quilómetro já estava a um ritmo estável e corria ao lado daquele que seria o meu companheiro praticamente até ao resto da prova. Se não fosse o João Vaz (Alvitejo), nunca teria feito a prova que fiz ontem. Obrigado! foi por esta altura, enquanto descíamos a Ponte Marechal Carmona, que disse ao João que não me lembrava de nos últimos anos ter tanta gente à minha frente nesta prova. Aliás, eu praticamente nem me lembro de ter atletas à minha frente!

Fonte: Irene Inácio
Querem que vos diga uma coisa? Não há grande coisa a contar durante bastantes quilómetros. Seguimos juntos sempre num bom ritmo, só quebrando um pouco na zona da prova que mais parece um corta-mato... Avançando para os 13km, quando subimos novamente a ponte, disse ao João para ir embora que eu não tinha pernas para mais. Estava a sentir-me a fraquejar a nível muscular! Mas passado umas centenas de metros o psicológico entrou em jogo. O João puxou por mim e disse-me para ir tentar apanhar os da frente (seguiam dois atletas no nosso campo de visão). E sabem que mais? Eu fui atrás deles.

Dei tudo aquilo que tinha e consegui ultrapassá-los! Mas ainda havia mais de um quilómetro pela frente... E aguentei. E fiquei bastante contente ao perceber que pouquíssimos segundos depois de mim cortou a meta o João que tinha conseguido puxar dos galões e passar os outros atletas também.

Passei a meta em 4º lugar da geral e 3º do escalão sénior, com 52m54s o meu melhor tempo nas Lezírias! É disto que eu gosto, ter provas competitivas em que tenhas atletas com todo o tipo de andamentos para conseguir elevar o teu nível!

Fonte: Xistarca
Os resultados coletivos acabaram por ser uma história engraçada. Estávamos à espera da entrega dos prémios dos escalões, quando de repente anunciam a Associação Vale Grande como vencedores coletivos. Fizemos uma festa! Fomos entrevistados para o Modalidades.net como podem ver na foto em baixo. O pior veio quando afinal quando nos chamam para ir ao pódio e afinal tínhamos ficado em 2º apenas a 4 pontos do Setúbal... paciência. Por pouco se ganha, por pouco se perde! Foi um excelente resultado na mesma!


Fonte: Xistarca
Agora é tempo de voltar aos treinos. Próximos objetivos... veremos!

Resultados: Corrida das Lezírias 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Análise New Balance 1400v6

Durante a minha caminhada para a maratona, chegou aquele momento em que pensei: com que ténis vou correr a maratona? Fiz então uma revisão dos meus pares de ténis atuais: Saucony Kinvara 8 e 9 - demasiado pesados. Asics Flame Racer (podem ver aqui a análise) - sem o amortecimento necessário. Salomon X-Scream 3D - piada, ténis de trail que utilizei meia dúzia de vezes. Portanto, tinha obrigatoriamente que adquirir algum modelo que fizesse sentido para a maratona e juntando o útil ao agradável, algo que me permitisse fazer treinos intervalados. Amo-te Google.

Vi de tudo. Modelos demasiado (mesmo muito) caros, modelos demasiado pesados e marcas que nem conhecia. Até que vi sugeridos um modelo que nunca tinha ouvido falar: New Balance 1400v6. Pesquisei mais aprofundadamente e pareciam mesmo aquilo que eu estava à procura! Fui ver o preço... menos de 60€? Sim, estavam em promoção (ainda considerei comprar a versão especial da NYC Marathon mas por mais 20€... não) mas mesmo assim, correr a minha primeira maratona com um modelo que não conhecia, com uma marca que nunca tinha experimentado e por este preço? Como dizem as gerações mais novas, YOLO (You only live once = Só se vive uma vez).


Devo dizer, que apesar de terem uma aparência simples, gostei imediatamente deles quando os recebi. Existe sempre aquele momento em que gostamos de conjugar as cores com que corremos. Digam lá que os ténis não combina na perfeição com as cores do Vale Grande? Foram uma aposta ganha!


Tal como estava à espera, são bem mais pesados que os meus Asics Flame Race com cerca de 200gr (número 42). Nada que me preocupe minimamente, pois a sensação que eles dão é de ser bastante leves. O drop é bem mais elevado do que os modelos que referi anteriormente, tendo 10mm. Sinceramente, na passada não sinto nenhuma diferença e por isso não me incomodou nada.


Estes New Balance e conforto são duas palavras que combinam muito bem. Claro que não têm um amortecimento como uns Kinvara da Saucony ou uns DS Trainer da Asics (e já me estou a referir a modelos para andamentos mais rápidos) mas o amortecimento está lá! Eu nos treinos para maratona cheguei a fazer aquecimentos para os treinos intervalados de 30 minutos e nunca senti falta de apoio. A fazer séries nunca me desiludiram e mostraram-se sempre responsivos e nunca tive nenhuma sensação de pé quente nem nada semelhante. Utilizei-os em alguns treinos de corrida contínua (também para me habituar a eles para a maratona) e senti-me sempre bem. O melhor elogio que lhes posso fazer é que me veria a utilizar estes ténis em qualquer tipo de treino no meu dia a dia.

Quanto à sola parece-me ser do melhor que experimentei nos tempos mais recentes. Corri com tempo seco, com tempo húmido e com chuva. Nunca senti qualquer tipo medo a curvar ou simplesmente a pôr o pé no chão. Nota 20 na aderência! A durabilidade da sola parece-me aceitável, apenas na ponta se nota algum desgaste. Isso e a sujidade que eles já têm como se vê na imagem em baixo.


Voltando ao conforto, tenho que admitir que mesmo assim existem alguns sentimentos contraditórios. Se por um lado a planta do pé não se queixa de nada após um intervalado longo e intensivo (ao contrário do que me acontecia com os meus Asics Tarther 2), existe uma dor que me aparece de vez em quando que penso que é causada por estes 1400v6. A dor em questão é na zona que faz a flexão plantar e só me aparece no pé direito. Poderá ser um defeito de fabrico do meu pé e que é apenas aliviado com um cuidado extra quando aperto os atacadores.

Como perceberam, fiquei encantado com a minha primeira experiência com uns ténis da New Balance. Estes 1400v6 são claramente desenhados para competição mas conseguem com as suas características adaptar-se facilmente a qualquer tipo de treino desde que imponha algum andamento (podem experimentar um andamento lento mas não deverá ser a melhor experiência). Nas lojas nacionais, mesmo naquelas que disponibilizam mais modelos, não encontrei à venda. Nas lojas internacionais facilmente se encontra à venda e por preços bastantes acessíveis face a outros modelos de competição. Arrisquem, não se vão arrepender!

Pontos Positivos
++ Preço
+ Aspeto
+ Amortecimento
+ Peso
+ Conforto
+ Respirabilidade
+ Drop

Pontos "assim-assim"
+- Conforto
+- Durabilidade

Pontos Negativos
- Disponibilidade no mercado nacional




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Zurich Maratón de Sevilla 2019

Há momentos na vida em que temos de decidir aquilo que nos define. Eu felizmente já decidi isso há uns quantos anos. Sei aquilo que quero, sei aquilo que sou e sei aquilo que me define. Por isso, posso dizer: a maratona não mudou nada em mim. A maneira como eu enfrento a vida é que me ajudou a acabar a prova mais difícil que eu enfrentei até hoje.

Fui para Sevilha na sexta feira à tarde depois de trabalhar até ao último minuto. Ainda com a cabeça a mil, cheguei com a Johanna e a minha sogra a Sevilha por volta das 21h30 e apenas sobrou tempo para fazer algo para jantar e dormir. No dia a seguir, o treino pré prova da praxe correu com a sensação esperada: pernas pesadas, presas e sem vontade de correr. Nada que não se tivesse à espera depois de quase 5 horas a conduzir no dia anterior. Fomos até à feira da maratona para levantar o dorsal e claro foi incrível ver e ouvir tanto português. Pela primeira vez, fui a uma pasta party. Sou uma pessoa que gosta de comer bem mas também sei dar valor à relação qualidade/preço. Para o valor que se paga (acompanhantes, atletas não pagam), acho que é justo.

Ainda passeei bastante à tarde pois se escolhi fazer uma maratona fora de Portugal, não foi para ficar fechado em casa! De qualquer forma, tentei deitar-me cedo. Não dá. Sou uma pessoa bastante rotineira e estou habituado a deitar-me entre as 23h30 e a 00h. Portanto deitar-me às 22h30 (hora espanhola), foi o mesmo que nada. Acho que era 00h e ainda estava desperto, e o relógio estava para as 5h20... Outra aventura foi o transporte. Mas acabou por não ser aventura nenhuma porque estava a entrar em parafuso de tal forma a tentar perceber os autocarros que acabei a chamar um Uber. Resultado: até chegámos cedo demais!

Mas claro, tanto tempo deu em merda. Não conhecia bem a zona e acabei a não conseguir aquecer praticamente de jeito. Mas pronto não stressei com isso. Faltam pouco mais de 3/4 minutos quando fui para o bloco de partida. Fiquei no bloco de partida <2h45m o que me permitiu partir bem perto da linha de partida. O nervoso miudinho finalmente chegou e o silêncio da contagem decrescente começou. Sinal de partida! Começa a tocar o Highway to Hell dos AC/DC. Nem eu sabia o quanto o essa música ia representar a minha prova.

Comecei de forma desconfiada. Percebi que estava bem, que estava fresco e solto. Olhava para todo o lado, para o público, para os atletas completamente desconhecidos para mim e até para a paisagem que era a única coisa que não era completamente desconhecida por já ter corrido na zona no dia anterior. Os primeiros 2/3km foram feitos a apalpar terreno, sem me agarrar a ninguém. Seguia a um ritmo de 3:30/km, bastante tranquilo e sem me sentir em grande esforço. Afinal, foi para isto que eu treinei durante meses.

Lentamente, foi-se formando um excelente grupo. Todos seguíamos ao mesmo ritmo e os quilómetros por esta altura passavam quase sem dar por isso. Lembro-me perfeitamente de ter uma sensação quase de alegria: nunca tinha corrido num grupo tão grande a um ritmo tão alto. Era incrível ouvir os pés a bater no chão. Éramos tantos e por isso não eram batidas coordenadas mas havia algo de belo naquele som.

No primeiro quarto da prova em que andamos na outra margem do rio, apanhamos bastante público nas ruas mas eu até estava algo desiludido. Naquela altura ainda não precisava do incentivo psicológico mas onde estava o público prometido? Quando passámos para a margem onde os restantes 30kms se iam desenrolar, foi ai que eu percebi o mar de gente que nos ia acompanhar. Que coisa maravilhosa! E isto era só o princípio! 

A primeira meia maratona foi feita num ritmo extremamente regular o que resultou numa média de aproximadamente 3:31/km. Estava-me a sentir bem mas a minha cabeça começou logo a funcionar. Estaria a fazer bem apostando neste ritmo? O André tinha-me dito para apostar num ritmo acima dos 3:35/km na primeira meia mas eu ambicioso como sou estava a ir para o ritmo que permitia cumprir o meu tempo de sonho.


Notei que passado umas centenas de metros o ritmo do grupo aumentou ligeiramente. Estava assustado em ir com eles mas era o que fazia sentido. Uma das regras primordiais da maratona é fazer a segunda parte mais rápida do que a primeira. Continuei com eles, a fadiga começava a aparecer mas não era nada de preocupante. Pensava eu.

Uma nota para os abastecimentos de água. A parte positiva é que eram muitos! E com muitos voluntários! Agora a parte negativa. Quem me conhece, sabe que eu sou uma pessoa bastante ecológica. Não sou perfeito nem sou de extremos mas penso bastante no ambiente. Por isso percebo a opção pelos copos de papel na distribuição das águas e isotônicos. Mas a verdade é que não funciona. O que eu vi foi voluntários permanentemente a ficarem encharcados pois quando os atletas agarravam nos copos metade da água ia para cima deles. Depois mais um bocado ia para o chão e se ficasse 1/4 no copo era uma sorte! Eu ao início, num abastecimento cheguei a agarrar em três copos para conseguir beber alguma coisa! Enfim, percebo o facto não darem garrafas mas tenho sentimentos mistos em relação a isto...

Obrigado João Lima!
Tinha tomado o primeiro gel aos 16km e tomei o segundo aos 27km. Por esta altura comecei a sentir a perna esquerda, o gémeo principalmente, a começar a queixar-se. Sentia o gémeo ligeiramente contraido mas ignorei. A perna direita parecia estar fresca e na verdade o que me passou pela cabeça foi: agora sim está a começar a maratona. Que viessem as dores, eu estava preparado. Ah! Já lá dizia a outra: You Know Nothing, Vitor Oliveira!

O grupo por esta altura já se tinha começado a partir. Eu ainda conseguia ir com os atletas mais rápidos mas já estava a começar a ficar para atrás deles. Lentamente as duas pernas começaram a acusar o esforço e sentia os músculos a querer prender, e às tantas até já os braços sentia a entrar numa espécie de espasmo. Tomei o terceiro gel aos 30 e poucos quilómetros mas por esta altura já tinha noção que ia em total quebra.

E foi verdadeiramente aos 35km que, tal como os AC/DC estavam a prever no início da corrida, cheguei ao inferno. Sentia que tinha força, sentia que a respiração estava mesmo muito longe de estar ofegante, o coração parecia estar controlado (tenho de fazer uma atualização ao meu Garmin, quero algo com controlo de pulsação no pulso para perceber o desempenho em prova) mas as pernas meus amigos... as pernas estavam-me a trair! Os gémeos e os quadriceps estavam contrair cada vez mais. Os quilómetros que antes estavam a passar como segundos, estavam agora a parecer horas!

O ritmo baixou daquela média fantástica para uns "terríveis" 3:46/km, 3:49/km, 3:56/km, 3:58/km... Enfim um desastre completo. Estava com uma raiva dentro de mim que era capaz de matar alguém! Foi preciso muito jogo psicológico para vencer a vontade das minhas pernas querem parar. Mas não estava ali para desistir. Alguns atletas que tinham ficado para trás estavam agora a passar-me e eu cada vez mais estava focado apenas em acabar fosse de que maneira fosse. Os milhares de pessoas que havia na rua a apoiar a certa altura já me estava a fazer confusão.


O último quilómetro que pensei que fosse o maior momento de alegria numa maratona foi para mim um abismo completo. Tentei acelerar mas pouco mais conseguia fazer. Ao chegar à meta estava a Johanna e a minha sogra aos gritos por mim. Mais tarde vi a filmagem e percebi o quão descoordenada estava a minha passada. Passei a meta. Parei. Dei uns passos e lembrei-me de parar o relógio. Senti-me tonto mas percebi que não era grave e que era só do esforço. Passei por um placard de publicidade com uma grade por trás e mandei-lhe uns murros até sentir que já chegava. Sim ainda tenho um dedo dorido à conta dessa parvoíce.

Mas o sofrimento ainda não tinha acabado. Fui à zona da fisioterapia e massagens. Subi para uma marquesa de madeira (?) e de forma quase instantânea dá-me a pior câimbra no gémeo esquerdo de que alguma vez me lembro. Mandei murros na marquesa, berrei e sofri a bom sofrer. Foram precisos uns bons minutos com um rapaz a esticar-me o gémeo até aquilo parar. Durante a restante massagem ainda foi uma festa com os pés também a darem-me cãibras e os isquiotibiais.

O tempo? Já toda a gente sabe: 2h32m12s e 67º da geral. É um tempo que eu passado umas horas tive que dar a mão à palmatória e orgulhar-me. Foi longe do objetivo que impus a mim mesmo mas há que ver o copo meio cheio: existe margem para melhorar! Facilmente dá para perceber fizer uma prova mais controlada na primeira parte e ter forças para acelerar na segunda parte, vai ser suficiente para baixar das 2h30m.

Este artigo já vai demasiado longo. Mas claro falta referir algo que também já toda a gente sabe. Ao final da noite veio aquela notícia que aumenta ainda mais o carrocel de emoções que estava a ser este dia: tinha sido o melhor português na Maratona de Sevilha.


Obrigado a todo o apoio dos portugueses durante a prova. Obrigado às centenas e centenas de mensagens e comentários que recebi e ainda tenho recebido. Nunca imaginei sentir tal apoio e reconhecimento na vida, acreditem! Obrigado ao meu treinador. Obrigado ao Paulo Monteiro que me ajudou sempre com as minhas mazelas. Obrigado à minha futura mulher que teve paciência durante estes meses todos com tantas horas fora de casa. Obrigado aos meus colegas de equipa da Associação Vale Grande. E tantos agradecimentos que ficam por dizer. Obrigado!

Resultados: Zurich Maratón de Sevilla 2019

domingo, 10 de fevereiro de 2019

O meu caminho até Sevilha

Nunca me dediquei tanto. Nunca tive um treino tão específico. Nunca tive um plano de treinos tão longo. Nunca uma gripe me chateou me deitou tanto abaixo. Nem nunca sequer tive tanto tempo sem publicar nada aqui. Isto tudo por causa de um único objetivo: a Maratona.

Tudo começou no Verão do ano passado. Eu e o André Filipe, o meu treinador, definimos que o plano começava logo a seguir à minha paragem para descansar. O plano de ataque? Primeiras semanas com poucos treinos, curtos e lentos. Lentamente, a carga foi aumentando. Mais dias de treino, treinos com maior duração mas tudo era apenas uma pequena amostra daquilo que me esperava nos próximos meses.

Sigam-me no Strava para ver todos os treinos: strava.com/athletes/voliveira89 

Para terem uma noção, comecei a treinar na semana de 16 de Julho e fiz 45.2km. Passados dois meses na semana de 17 de Setembro já estava com 106.9km. Mas já sei como isto funciona, por isso vamos a números:

Desde o dia 1 de Outubro:

  • Média de quilómetros: 107.5km
  • Semana com mais quilómetros: 135km (7-13 Janeiro)
  • Semana com menos quilómetros: 72.5km (21-27 Janeiro, semana da gripe...)
  • Total de quilómetros: 2021.1km

Nas épocas passadas o meu número de quilómetros semanal variava sempre entre os 80km e 90km, tendo picos ocasionais de 100km. Durante os últimos meses houve semanas em que durante a semana cheguei a fazer treinos de 1h45m, enquanto nas épocas anteriores um treino normal era entre os 45 e 50 minutos. Um salto gigante que me obrigou a fazer uma ginástica na minha vida diária e também um compromisso a nível pessoal e familiar pois o tempo que tive que dedicar à corrida durante estes meses foi incomparavelmente superior ao que estava habituado.

A estrutura dos meus treinos não mudou. Essencialmente: corrida continua na terça, séries na quarta, corrida continua na quinta, séries no sábado e longo no domingo. Descanso na segunda e na sexta. Apenas neste mês de janeiro tive bi diários à terça feira para poder aguentar melhor a carga. Este esquema apenas foi alterado em situações excepcionais como nas últimas três semanas. Na semana de 21 a 27 de Janeiro estive com uma gripe que me deitou completamente abaixo. Vários dias com febre, dores no corpo, dores de garganta daquelas que parece que temos uma lâmina presa no esôfago.

Não vou mentir e dizer que mantive sempre espírito positivo! Houve ali 2/3 dias que pensei mesmo que a maratona tinha ido à vida. Falhei 2/3 dias de treinos e tive uma semana até me sentir novamente confortável a treinar. O antibiótico (e restantes drogas...) deixou-me de rastos a nível muscular e a recuperação estava completamente hipotecada (obrigado Paulo Monteiro pela paciência!). As últimas duas semanas foram longas, tive dias com o André em que o treino era definido dia a dia e sinto que consegui recuperar a forma que tinha antes da gripe. Para trás fica apenas o medo de não ter feito aquele treino que dá a estaleca para a maratona: o treino de 35kms.

Voltando à abordagem que fiz/fizemos (o trabalho é tanto meu como do meu treinador!), existe uma coisa que foi completamente diferente das outras épocas: a definição do ritmo de treinos. Esta época pela primeira vez treinei tendo por base os batimentos cardíacos. No início da época correu tudo bem, a coisa só descambou quando começámos a introduzir os treinos intervalados. Nunca conseguia atingir o que o André me passava como zona pretendida e portanto a abordagem teve que se mudar. Os treinos de corrida contínua continuaram por bpms e os treinos intervalados voltaram a ter ritmos definidos. Impecável!

Como perceberam ao longo dos últimos meses, desliguei-me praticamente do mundo das provas e dediquei-me apenas ao treino. Confesso que é isto que me dá gozo! Treinar é aquilo que eu gosto de fazer, é aquilo que me faz distrair da minha vida quotidiana e dar-me outros objetivos na vida que não apenas os profissionais e familiares. As provas são apenas um apêndice que por vezes até nos deixam mais chateados do que motivados. Portanto, apenas fiz três provas com chip de competição ligado e uma apenas em treino.

Provas feitas:

Fonte: RUN 4 FFWPU
O mais interessante é que no meio disto ainda fiz uma excelente prova nos 20kms de Almeirim, vingando assim 2017, obtive o 2º lugar na Corrida Dom Dinis (na minha cidade!) e bati o meu recorde pessoal aos 10km na São Silvestre da Amadora! Saldo bastante positivo para quem apenas se concentrou na maratona desde o início da época.

Ainda muito mais havia por dizer e cá para mim só meia-dúzia de pessoas é que chegaram a este parágrafo. Fica prometido pelo menos um artigo de pequenas coisas no equipamento que me acompanharam neste longo caminho.

Podia apenas ter escrito este artigo após a maratona. Mas depois o que é que interessa? Em Sevilha tudo pode correr bem, como tudo pode correr mal. Não sei o que me espera, são muitos quilómetros, é uma experiência completamente nova e embora acredite que fisicamente e psicologicamente esteja preparado, não sei vou conseguir cumprir os meus objetivos. Já sabem como eu funciono, o meu objetivo nunca se prende apenas por acabar uma prova. Se me dediquei, se me esforcei, se abdiquei de muita coisa, tenho que chegar lá e dar tudo o que tenho. E se falhar... prefiro nem pensar nisso!

Obrigado a todos por toda a força durante este caminho! No próximo domingo, é com ela que vou rebentar com tudo em Sevilha! 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

44ª São Silvestre da Amadora

Já o disse no Facebook, já o disse no Instagram, já o disse a dezenas de pessoas pessoalmente: vou fazer a Maratona de Sevilha! Mas porque é que isso está relacionado com a São Silvestre da Amadora? Neste momento, tudo.

Já não estava fácil manter o segredo. Quem vê os meus treinos no Strava (e no Garmin Connect), começou a perceber que a minha carga diária e semanal andava bem acima do que seria expectável. Sobre a metodologia e treino especifico para a maratona, falarei num artigo mais tarde. O que se tem de reter da carga que ando a ter nos treinos para a maratona, é o quanto eu pensei que isto me prejudicaria numa prova de 10km. Isto e a já habitual catrefada de doces da época natalícia.

Como estava de férias, aproveitei para chegar um pouco mais cedo à zona da prova. Fui entregar dorsais a colegas de equipa e aproveitei um pouco do ambiente que se vive nesta São Silvestre. Não há como negar, esta é a prova com melhor ambiente da zona da grande Lisboa e sem dúvida a melhor São Silvestre de Portugal (continental pelo menos). A juntar ao ambiente maravilhoso, tenho de citar o que o grande Paulo Ramos me disse na prova: "os campeões vêm à Amadora". E tenho que concordar com ele pois essa é uma das razões pela qual adoro esta prova: poder correr com os melhores.

Fiz um bom aquecimento e senti algo que já não sentia há muito tempo: estava solto! O facto de ter tido um dia descanso e apenas um treino de 45 minutos no dia anterior ajudaram a recuperar as pernas depois de uma semana com uma carga bastante alta (5x3km, 1h45 de corrida contínua, etc). Isso e claro uma excelente massagem como mandam as regras. Com as sensações do aquecimento comecei a pensar que poderia fazer uma boa prova mas claro sem pensar em tempos e classificação.

Quando segui para o bloco de partida percebi que era demasiado tarde. Este ano reservaram o bloco da frente nem eu sei bem para quem (atletas de elite convidados?) e tive que entrar bem cá atrás. A minha sorte é que encontrei o Paulo Ramos novamente e com a sua experiência fomos furando e pedindo para nos chegarmos o mais à frente possível. Com isso praticamente começámos junto à linha de partida. E a loucura começou!

Fonte: Orlando Duarte
Como manda a tradição, foram logo cerca mais de 2 kms sempre a subir para abrir as hostilidades! O 1º km foi feito com toda a adrenalina no corpo mas o 2º foi feito de uma forma mais controlada. Independentemente disto, consegui ultrapassar logo bastantes atletas nesta parte da prova. Seguiu-se quase 1 km com decline negativo onde fui encontrando vários atletas mas decidi que não era dia de seguir com ninguém. Iria fazer a minha prova até onde o corpo me permitisse.

Mais uma subida, mais uma descida, sempre com muito público na rua a bater palmas e a incentivar! Fantástico! Chegou a louca subida dos Comandos, curta mas cruel. O maior problema é ganhar o folgo quando a inclinação acaba e recuperar as forças para voltar a imprimir um ritmo decente. Mas é nesta altura que se tem de colocar todas as cartas na mesa pois é ai que é separado o trigo do joio.

Por esta altura juntei-me a um atleta chamado Aricson Gomes (bem mais novo) e seguimos juntos a um excelente ritmo e aproveitamos o embalo para ultrapassarmos alguns atletas. Um dos atletas que ultrapassamos foi o Leonardo Aniceto que passado 1 km nos tornou a passar a alta velocidade, sendo o único atleta que eu me lembro de me ter passado durante a prova toda.

Num dos últimos cruzamentos, tive uma visão magnifica ao ver um aglomerado fantástico de pessoas a assistir. Sabem que eu tenho aquela mania de puxar pelo público e quando passo por estas pessoas e só ouvi algumas palmas tímidas, "pedi" mais barulho e acreditem... foi incrível! Parecia que tinha entrado num estádio com toda a gente aos berros!

A juntar ao público houve outra situação que pôs o meu lado competitivo nos píncaros. A pouco mais de 1 km do final alguém amigo (treinador?) do Aricson, que por esta altura seguia ligeiramente atrás de mim, começou a puxar por ele e a dizer que eu e mais outro atleta que seguia uns 20 metros à nossa frente "eram dele". Deve ter corrido algum tempo com ele, pois continuei a ouvir a voz dele durante mais umas centenas de metros. Isso despertou em mim aquele bichinho competitivo e pus em jogo todas as forças que tinha para não deixar isso acontecer.

Fonte: Orlando Duarte
Para terem a noção por esta altura seguia há mais de 1km abaixo dos 3:10/km. O atleta que seguia à nossa frente na penúltima rotunda era o Plácido Jesus e "utilizei-o" para reforçar a minha vontade em dar tudo o que tinha. Percebi que tinha hipótese de o apanhar naqueles últimos 300 metros. Pelo que vejo do Strava, andei a ritmos abaixo dos 2:50/km... e na último rotunda consegui ultrapassá-lo. Em menos de 50 metros consegui ainda ganhar-lhe alguma distância. Acabei o ano com um quilómetro a 3:00/km...

Trinta e três minutos e catorze segundos. Recorde pessoal aos 10 km. Na São Silvestre da Amadora. 21º da geral e 14º do escalão. Que é que eu posso pedir mais? Passei a meta, fiquei à espera do Plácido Jesus, cumprimentei-o e pedi-lhe desculpa porque não gosto de ultrapassar ninguém nos últimos metros. A seguir fui para trás das tendas da organização, sentei-me e fiquei a assimilar o que tinha acabado de fazer. 

2019 promete ser um ano memorável com a minha primeira maratona. Conto com vocês para continuarem desse lado a acompanhar-me. Obrigado!

Resultados: 44ª São Silvestre da Amadora

domingo, 9 de dezembro de 2018

34º Troféu "Corrida das Coletividades do Concelho de Loures" - Conclusão

Este artigo é um novo recorde. Vou falar sobre um evento que ocorreu há um mês. Na verdade até foi um evento no qual eu nem sequer estive presente. Estou a falar Festa do Atletismo 2018 de Loures e da entrega de prémios do 34º Troféu “Corrida das Coletividades do Concelho de Loures”.

Quem me acompanha sabe que na época passada foquei-me completamente no Troféu de Loures. Talvez até demais pois tive muitas vezes que abdicar de outras provas ou mesmo fazer provas em fins-de-semana seguidos (nada contra quem faz isso mas para mim não faz sentido). Mas acham que me arrependo? Claro que não.

Todas as provas tinham características diferentes, desafios diferentes e até auras diferentes. Foram corta-matos curtos, corta-matos longos, milhas (em cidade e em parque fechado), provas de estrada curtas, longas, com subidas loucas, com terra batida, enfim. Uma panóplia de experiências que desafia qualquer atleta que faça todas as provas.

Como o João Campos diz, a vida não é só corrida. O dia da Festa de Atletismo de Loures foi o dia do BarcampLx, um evento de IT do qual eu sou organizador e co-fundador. Era completamente impossível estar presente e para colmatar a minha presença pude contar com o Rui Martins e João Tomás, o diretor de equipa e presidente da Associação Vale Grande, respetivamente. O meu muito obrigado mais uma vez!

Já estou farto de escrever e só agora percebi que ainda não disse o porquê de ter de estar presente na entrega de prémios do Troféu de Loures. Graças à minha consistência no troféu, quer em relação à presença nas provas quer nos resultados, terminei em 1° lugar dos escalão sénior com 120 pontos. A diferença para o segundo lugar do pódio ainda foi de 51 pontos, o que apenas realça que o facto de ser consistente, por exemplo estar presente em todas as provas, é das coisas mais importantes nestes troféus.


Para terminar deixo aqui todas as provas do troféu e classificação, para poderem ver esta minha aventura ao longo da época 2017/2018:

    18º Circuito do Centenário da Cooperativa "A Sacavenense" - 7º classificado
    20º Corta-mato de Santo António dos Cavaleiros - 2º classificado
    4º Corta-mato do Catujal - 5º classificado
    7º Corta-mato do C.A. Vale de Figueira - 4º classificado
    20ª Milha Urbana de Moscavide - 4º classificado
    19ª Milha Urbana “Fonte das Almoínhas” - 4º classificado
    7ª Corrida “Rota do Queijo” de Lousa - 1º classificado
    7ª Corrida Bucelas Capital do Arinto - 2º classificado
    Rampa do Moinho 2018 - 2º classificado
    3ª Corrida Freguesia de Loures / Infantado - 1º classificado
    2ª Corrida das Festas de Loures - 10º classificado

Este ano os objetivos são outros por isso não devo participar em nenhum troféu. Objetivos mais ambiciosos me esperam!

Fonte: RUN 4 FFWPU
Uma daquelas fotos que me vai ficar sempre na memória deste troféu...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Meia Maratona dos Descobrimentos 2018

Cada vez mais me convenço que uma das melhores formas de treinar e de nos transcendermos é treinar em prova. Aquele limite do "estou apenas a treinar..." mistura-se de uma forma perfeita com o factor psicológico de estarmos num ambiente competitivo. E no domingo não foi exceção.

São casados? Não? Então deixem-se estar quietos. Estou a brincar (ou não)! De sábado para domingo dormi umas 4/5 horas pois estive de volta de coisas relacionadas com o meu casamento e é óbvio que na manhã de domingo não estava propriamente bem tratado. O meu treinador tinha-me tinha dito para ir apenas treinar aos Descobrimentos (para me convencer disso ainda me pôs 30m + 8x1km no dia anterior...) e depois de tão poucas horas dormidas fiquei convencido que não podia arriscar a fazer a prova para competir.

Mesmo assim cheguei cedo a Belém, reuni-me com as tropas do Vale Grande e fiz um pouco do aquecimento com eles. Depois parti para 4km a um ritmo de 4:00/km por ordem do meu treinador. Situação caricata: só a certa altura desta parte do treino é que me apercebi que ia no meio da prova dos 10km! Digamos que deixei algumas pessoas confusas pois toda a gente sabia que eu ia à Meia Maratona.

A partida da prova foi tranquila. Demasiado tranquila até. Sabia que havia alguns atletas que iriam estar seguramente nos 5 primeiros lugares mas estava a estranhar aquele ritmo calmo. Mas sabia que estava numa meia e que mais tarde ou mais cedo alguém ia disparar. Dito e feito, aos 5km o grande grupo que seguia na frente abriu completamente e começou-se a separar o trigo do joio. Mesmo assim foi agradável ver no final que os 10 primeiros lugares foi abaixo da 1h14m. Como podem ver aqui e aqui, já fiz duas vezes abaixo da 1h14m e sempre nos primeiros 5 lugares. Portanto a prova está-se a tornar mais interessante para os atletas da frente, o que me agrada pois esta é sem dúvida a melhor Meia Maratona que Lisboa tem para oferecer.

O bom de ir a treinar numa prova é poder focar-me em apanhar um bom grupo para conseguir ir motivado. E se apanhei um bom grupo! Até aos ~12km fomos sempre um grupo agradável de 5/6 atletas (onde se incluía o meu colega de equipa Kikas que tentei puxar até ele ter uma quebra), em que íamos puxando o grupo à vez. Como ia só a treinar fui com gosto mais vezes para a frente para ajudar o pessoal que seguia no grupo.

Fonte: Fernanda Silva
Outra coisa fantástica foi ter energias para conseguir responder a quase todos os incentivos que fui recebendo ao longo da prova. E foram tantos... Acabei esta prova de coração cheio. Não me canso de agradecer o vosso apoio. Sou apenas um atleta que leva um hobbie demasiado a sério e o facto de receber a admiração e apoio de outras pessoas é soberbo. Obrigado!

Aos 13km já só seguia com mais dois atletas que viriam a ser a minha companhia até final da prova, o Pedro Machado e Rui Cabeças. Foram uma excelente companhia e até deu mesmo para conversar com o Pedro sobre os meus planos para o futuro. No meio disto ainda houve situações engraçadas tal como eu e o Pedro distrairmos-nos com a conversa e termos uma quebra no ritmo e o Rui não vai de modas e "manda-nos" calar e continuar a puxar! Nos últimos quilómetros o Rui que nos tinha pedido para o puxar ainda nos picou mais umas vezes para andarmos mais rápido!

Fonte: Diogo Baena
Deu para no final ainda apostar numa mudança de ritmo e acabar mais rápido e solto do que em qualquer treino. Terminei a meia maratona com 1h16m09s e mesmo assim ainda deu para um 14º lugar da geral e 10º do escalão.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Tenho tantos artigos para escrever que nem vos passa pela cabeça. Mas infelizmente (ou felizmente!) ando completamente sem tempo pois a vida pessoal e profissional consomem grande parte do meu tempo. Dar para treinar quase todos os dias já é uma sorte! Mas fiquem desse lado e continuem a acompanhar o meu cantinho que eu prometo não me esquecer de vocês!

Resultados: http://xistarca.pt/resultados/meia-maratona-dos-descobrimentos

domingo, 25 de novembro de 2018

Orgulho.

Num dia em que toda a gente estava preocupada com a black friday,  realizou-se a Gala do Desporto, Juventude e Cultura 2018 da Pontinha e Famões. Estão a ver os Laureus? Não tem nada a ver. Brincadeiras à parte, é gratificante viver numa cidade que reconhece aqueles que contribuem para o desporto dentro das suas fronteiras.

É já o 3º ano seguido que estou presente neste gala e verdade seja dita tem subido de qualidade. O que eu não contava era ser chamado ao palco para ser homenageado juntamente com o monstro das 48h europeu, o meu amigo Rui Martins.


Todos sabiam que eu ia ser homenageado menos eu. Mas para compensar o Rui Martins também não sabia que ele próprio ia ser chamado. O que vale é que isto já quase que é rotina para ele, não é amigo? Mas o melhor ainda estava para vir.


O que nem eu, nem o Rui Martins, nem o João Tomás (presidente da Associação Vale Grande) estávamos à espera, era de ouvir o nome do Vale Grande ser chamado uma segunda vez ao palco naquela noite. E porque foi chamado? O Grande Prémio do Vale Grande foi considerado a prova desportiva do ano da Freguesia. 

E isto sim foi motivo de orgulho. Foi uma prova que nos saiu do corpo, da cabeça, da família e dos amigos. E vê-la ser reconhecida perante tanta gente foi sem dúvida um ponto de orgulho. E uma coisa é certa. No próximo ano a prova vai ser ainda melhor. Esperem e vejam.