terça-feira, 3 de julho de 2018

39ª Corrida das Fogueiras

Sim eu sei, já prometi este artigo no domingo e só agora estou a publicá-lo. Já disse que entrei de férias da corrida? Por isso deixou de me apetecer escrever aqui e esquecer a corrida por completo. Ou então estou a dizer só asneiras. Como esquecer a corrida? Aliás, estou tão de férias que ainda hoje de manhã fui ao treino do Centro de Marcha e Corrida de Odivelas. Bem vamos lá à Corrida das Fogueiras.

Tal como aconteceu no ano passado, consegui juntar a minha claque privada toda e seguimos de carro cheio para Peniche. Este ano devido ao trabalho da minha mãe e da minha mais que tudo, saímos mais tarde, chegando apenas depois das 20h a Peniche. Com os dorsais já levantados pela minha equipa, foi tempo de nos encontrarmos para distribuição dos dorsais que faltavam. A tarefa foi algo complicada por causa do jogo da seleção e também não ajudou o facto de eu estar a stressar porque estava convencido que a prova começava às 21:15 pois era o que estava no site da Xistarca.

Já equipado, fui aquecer sozinho e com "fogo no cu". Curiosamente foi no aquecimento que fiquei a perceber que me sentia bastante bem a nível físico. E porque faço questão de referir isto? Voltando ao dia anterior, tinha no menu um treino de 40 minutos moderado. Nos primeiros minutos desse treino percebi logo que estava completamente derrotado e que me sentia sem força e pesado. O meu pensamento imediato foi que tudo estava encaminhado para fechar a época com uma péssima prova. Mas às vezes o nosso corpo brinca connosco.

A poucos minutos do que eu pensava ser o início da prova, fui para a zona da partida. Foi então que ouvi o speaker a dizer que ainda faltavam mais de 15 minutos para o início da prova... urso. Fui continuando a aquecer, fazendo várias paragens para falar com o pessoal que ia encontrando na zona da partida. Quase 10 minutos antes da partida fui para o meu bloco e percebi que tinha sido uma boa decisão pois em 2 minutos o bloco encheu por completo. A partida estava iminente, sabia que esta era a minha última prova da época e por isso iria dar tudo o que podia.

A partida foi rápida mas estável. Um bom grupo de atletas instalou-se na frente e eu segui no encalço deles. Consegui colar-me ao grupo e durante os primeiros 3 quilómetros consegui acompanhá-los. Depois aconteceu o esperado e lentamente comecei a ficar para trás, ficando completamente isolado. Este facto iria manter-se durante grande parte da prova.

Lá estou eu sozinho e abandonado...
Dado o fantástico/incrível/suberbo público de Peniche, na verdade, nunca me senti sozinho. Aliás só tinha razões para me sentir motivado, pois cada vez que passava por pessoas as palmas e palavras de força eram só para mim! Isto até me afetou entre o quilómetro 4 e 5 (quando passamos na marina perto da meta) uma zona cheia de público estava a bater palmas e eu ainda comecei a incentivá-los, puxando por eles e pedindo mais barulho. Claro que eles responderam em alto e bom som, o que só me deu energia para as primeiras subidas da prova.

Com as subidas o ritmo também desceu naturalmente mas nunca parei de forçar o andamento. Sabia que não podia desistir mesmo seguindo sozinho. Na zona das fogueiras, o vento não ajudava e o pior ainda estava para vir. De mansinho começou a cair alguma chuva miudinha o que por um lado serviu para arrefecer o corpo (mesmo com temperaturas "baixas" estava a transpirar bastante, coisa que não é normal) mas por outro tornou o chão bastante escorregadio, começando a sentir os pés a não agarrarem totalmente ao asfalto.

Por esta altura começo a ver um atleta no meu campo de visão e percebo que em algumas centenas de metros o poderia alcançar. Dito e feito. Ele não se deixou esmorecer e seguiu comigo. Juntos enfrentámos as piores partes da prova, aquelas últimas boas subidas, com chuva e vento contra a atirar para o forte.

Foi por volta do 11º quilómetro que começou a parte desagradável desta prova e que me conseguiu deixar chateado. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa calma e até me esforço para não me meter em confusões. Às vezes reclamo das coisas mas tento controlar-me ao máximo e tento "passar ao lado" de certas situações. Se há coisa que eu faço durante a prova, é tentar ser cuidadoso e tentar agir de forma que não prejudique ninguém. Por exemplo, se há coisa que eu não gosto é de nas curvas apertadas fechar o espaço aos atletas que vão atrás de mim para minimizar o risco de quedas.

Ora bem, esta prova não foi diferente. Com o chão bastante escorregadio e seguindo um atleta atrás de mim, estava a ser bastante cuidadoso na minha abordagem às curvas e algumas parte do piso mais acidentado. A certa altura o atleta passa para a minha frente e numa rotunda bastante apertada, ele fecha-me completamente o caminho. Nessa altura fiquei a pensar "pronto ok, está com medo que o ultrapasse por dentro, tranquilo..." mas também fiquei a pensar que foi a primeira vez que tal me sucedeu. Sim, até hoje nunca ninguém me tinha fechado o caminho como ele fez.

Tornei a passar para a frente dele e foi quando a festa começou. Ele ia como se diz na gíria "à mama" aproveitando o facto de eu ir na frente e estar a cortar o vento. Toca-me uma vez no pé. Toca-me uma segunda vez no pé. E torna a repetir a brincadeira mais umas duas/três vezes. Se ele fez de propósito? Acredito que não. Mas na situação dele, para mim bastava acontecer-me uma vez. Passava imediatamente para o lado e deixava de andar "à mama". Um toque destes é o suficiente para causar uma bruta queda, isto tendo em conta a velocidade a que nós seguíamos. Mas a festa não tinha acabado.

A menos de 2 quilómetros do final, ele adicionou a cereja no topo do bolo. Ele seguia ligeiramente atrás de mim, fazemos uma curva apertada à direita e que tinha um bom passeio. Que é que ele faz? Toca de cortar a curva toda seguindo por cima do passeio, acabando a curva ao meu lado. Isso já não tolero. Saiu-me logo "foda-se, que é essa merda pá?!". Decidi nesse momento que me ia esfarrapar todo para que ele não acabasse à minha frente.

Seguimos mais algumas centenas de metros juntos mas à entrada para o último quilómetro e correndo o risco de ser muito cedo pois sabia que ainda faltava a boa subida que nos leva para a meta, comecei a atacar com tudo aquilo que ainda tinha. Ele que viesse comigo se conseguisse. E tentou.



Como podem ver pelo vídeo acima e pela foto em baixo já na meta, a distância que nos separou não foi assim tanta. Naqueles últimos 200/300 metros olhei para mais vezes para trás do que na prova toda. Bem, em boa verdade durante o resto da prova não olhei nem uma única vez para trás. E tenho que ser sincero. Senti-me tão chateado com a situação, que nem fiquei na zona de chegada. Em qualquer outra situação, um despique final assim com um atleta, ganhasse ou perdesse esse despique, tinha cumprimentado o atleta com grande desportivismo. Agora nesta situação, desculpem a minha atitude, mas preferi nem encarar o atleta. Não consigo respeitar as coisas que ele fez. 

Fonte: RUN 4 FFWPU
Acabei a prova em 12º da geral e naquele agridoce 6º lugar do escalão, ficando a um lugar de finalmente ter um troféu desta maravilhosa prova. O meu tempo oficial foram uns agradáveis 51m58s, tempo que sei que é possível melhorar mas que está de acordo com o que foi esta época e também com as condições desta prova.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Obrigado pela maravilhosa foto!
Para terminar a noite em beleza, foi tempo da bela da sardinhada com aquelas pessoas que me apoiam incondicionalmente nestas minhas maluqueiras da corrida. E agora? Agora quero é sopas e descanso! Bem, sopas talvez não. Se vou ficar de "baixa" duas semanas é para fazer de tudo menos comer sopinha. Desejem-me umas boas férias da corrida!

Resultados: 39ª Corrida das Fogueiras

segunda-feira, 25 de junho de 2018

3ª Corrida Freguesia de Loures / Infantado

A época aproxima-se a passos largos do final. E na verdade já não era tempo. Estão a acontecer demasiadas coisas na minha vida e preciso de algum descanso da parte competitiva da corrida. Para quem leva este desporto a sério, é sempre preciso uma boa paragem para recarregar baterias físicas e mentais.

Mas a verdade é que esta época ainda não acabou e este domingo foi dia de mais uma prova perto de casa e num local habitual de treino. Mesmo assim rumei com tempo para a prova para perceber bem onde era a partida e para fazer um bom aquecimento, algo que é essencial para nestas provas curtas. Comecei o aquecimento sozinho mas rapidamente me juntei ao pessoal que me tem feito companhia neste troféu.

Tempo de ir para a partida e pela primeira vez em muito tempo senti algum nervosismo. A minha péssima partida da semana anterior deixou algumas marcas mas sabia que bastava o sinal de partida para tudo isso se dissipar. A partida foi rápida (tão rápida que até o meu relógio perdeu o sinal) e quando dei por mim estava a tentar a colar-me ao grupo da frente.

Rapidamente consegui perceber que a luta iria ser renhida, principalmente com os veteranos de grande nível que estavam presentes. O atleta Jorge Robalo (que eu não conhecia) à entrada do 2º quilómetro deu um grande esticão e distanciou-se de nós. Por esta altura corríamos na zona dos prédios o que nos conferia alguma vantagem sob o calor abrasador que se fazia sentir (11h da manhã quase no final de Junho?!) mas entrando na zona de lezíria as sombras dissipavam-se completamente.

Nesta fase mesmo a subir ainda haviam pernas para manter o ritmo alto. À entrada para a segunda volta voltámos a colar no Jorge Robalo e apesar do grupo já ser bem mais pequeno, ainda seguíamos na frente cerca de 4/5 atletas. Com o declive do piso favorável o ritmo tornou a subir e quando entrámos novamente na zona da lezíria foi quando a prova se começou a decidir. O Robalo atacou novamente e a frente partiu completamente, seguindo outra atleta atrás dele e eu fui atrás. Na fase crítica da subida senti as pernas a quererem parar mas ainda não tinha chegado a hora.

Entrei nas últimas centenas de metros com o atleta Pedro Gomes "à perna" e na última reta em que cheguei a atingir um pico de 2:30/km, olhei uma, duas, três vezes para trás para ter a certeza que iria conseguir segurar a minha posição.

Como é fácil perceber, passei a meta em 3º da geral e 1º do escalão sénior! O tempo foram uns agradáveis 17m02s, para cerca de 5.2km. Não era um percurso fácil e com o calor que se fazia sentir, considero que não foi um mau resultado. Torno a reforçar a minha posição (e de todos os atletas presentes...): não é admissível porem uma prova destas às 11h da manhã no final de mês de Junho. Tudo esteve impecável na organização mas a hora de partida não pode ser esta.

Ultimamente não tenho fotos em plena prova que miséria...
E agora é uma questão de dias até enfrentar aquela que vai ser a minha última prova da época: a grandiosa Corrida das Fogueiras! Finalmente (oxalá não me aconteça nada...) vou poder enfrentá-la sem estar em recuperação ou lesionado. As sardinhas que me esperem!

Resultados: 3ª Corrida Freguesia de Loures / Infantado (equipas)

sábado, 23 de junho de 2018

Análise Asics Flame Racer

Há muito que prometi uma análise às minhas novas pantufas de competição. Agora que contabilizam mais de 200km, penso que finalmente tenho uma opinião formada sobre as mesmas.

Primeiro que tudo deixo uma pergunta à Asics: de onde vieram estes Flame Racer? A pouca coisa que existe na Internet sobre a Flame Series é esta comunicação de imprensa da Asics. Basicamente, a Flame Series foi uma gama especial lançada pela Asics lançada em Junho de 2016, gama essa direcionada para a competição nos diversos desportos. Gostaram deste bocado de informação inútil? 

Vamos lá esmiuçar um pouco os Flame Racer. Embora não encontre nada que me diga se são ou não o mesmo modelo, para mim os Flame Racer são uns Asics Piranha com uns ligeiros retoques. A cor é o que diferencia esta gama Flame, sendo praticamente azuis com um degradê que transporta o azul para tons de vermelho, laranja e amarelo. Basicamente, foram paixão à primeira vista

Fonte: Asics
A primeira sensação é que são leves. Muito leves. E têm a sola muito fininha mesmo. Baseando-me nos dados dos Asics Piranha, o drop é de 4.5mm e um cerca de 100g de peso. Quando os calcei pela primeira vez, a primeira sensação foi de surpresa. Não é que são bastante confortáveis? Mesmo com a sua sola minúscula, dão um andar bastante confortável e até uma ligeira sensação de amortecimento.

E a correr? Fantásticos. Não há como negar: estes ténis são feitos para correr e para correr rápido! A passada rápida sai naturalmente e não notei qualquer falta de amortecimento. Mas também afirmo o contrário: se for para correr de forma mais lenta, por exemplo 5:00/km - 6:00/km, sente-se e bastante a falta de amortecimento. É penoso fazer o aquecimento nas provas com eles. 


Outro pormenor importante é a respirabilidade. E neste campo também nada a apontar. Na parte da frente os ténis têm uma espécie de uma rede que chega e sobra para nunca sentirmos os nossos pés a assar. No campo da aderência da sola, o desempenho é apenas satisfatório. Não são os piores nem os melhores que já utilizei. 

O ponto negativo a destacar é a durabilidade. Está a acontecer algo que não me passaria pela cabeça: a zona do dedo do pé grande está a ameaçar romper, como podem ver na fotografia em baixo. Eu sei que são ténis de competição mas nunca pensei que isto pudesse acontecer. Pensei que a sola fosse o que tivesse menos duração mas até nesse ponto se está a demonstrar impecável. Veremos o que é que os próximos quilómetros me reservam.


Concluindo, escusado será dizer que estou apaixonado por estes Flame Racer. Não me canso do aspeto deles e as sensações a correr são sempre as melhores. Pelo preço que foram (cerca de 50€) acho não encontrava melhor para competição. Não sei como é que eles evoluirão em relação à durabilidade dos materiais mas espero que se aguentem. Ficaram interessados? Pois, o problema é mesmo encontrá-los à venda. Onde fiz este achado foi na nossa conhecida SportsShoes. A nível nacional acho que será impossível encontrá-los à venda. Infelizmente.

Pontos Positivos
++ Preço
+ Exclusividade
+ Aspeto
+ Amortecimento
+ Peso
+ Conforto
+ Respirabilidade
+ Drop

Pontos "assim-assim"
+- Aderência

Pontos Negativos
- Disponibilidade no mercado nacional e internacional
- Durabilidade






segunda-feira, 18 de junho de 2018

Rampa do Moinho 2018

Ontem tive um abre olhos. Percebi que a reta final desta época vai ser bastante complicada. Estive parado uma semana de férias e isso reflectiu-se na minha forma. A força muscular está lá mas obviamente que o peso não é o mesmo (nem me atrevi a pesar). Para ajudar à festa, resolvi ficar constipado. Outra vez.

E foi assim que ontem me apresentei na Apelação para fazer a famosa Rampa do Moinho. Sinceramente depois de ver que a prova tinha 4.000 metros fiquei a pensar que a não ser que a prova fosse inteiramente a subir, não podia bater o grau de dificuldade, por exemplo, de uma prova na Lousa. E claro que tinha razão. Simplesmente há um mês não me passaria pela cabeça estar neste estado físico.

Quando estava a fazer o aquecimento estava com aquela sensação de músculos presos, sensação própria de quem não está nas melhores condições físicas. Mesmo a nível de estômago não me sentia bem. Sou um bruta montes a comer mas depois coisas simples como Strepsils dão-me volta à barriga. Isto tudo, juntando a garganta toda lixada e toda a expectoração que tinha, percebi que qualquer resultado naquela manhã seria ótimo.

A minha partida foi das piores que me lembro nos últimos tempos. Toda a gente partiu a uma velocidade incrível e eu simplesmente não os consegui acompanhar. Fiquei bastante para trás e só passado umas centenas de metros consegui dar um esticão e ultrapassar alguns atletas. O primeiro quilómetro ainda deu uma média interessante de 3:15/km mas o segundo foi para o descalabro dos 3:29/km. Estes dois primeiros quilómetros foram ligeiramente irregulares mas sem subidas de grande dificuldade e que em qualquer outro dia teria-os enfrentado de outra forma. Mas ontem não era esse dia.


Ao terceiro quilómetro iniciava-se a famosa rampa. Seguia sozinho com um grupo de três atletas no meu campo de visão. Dois veteranos e um sénior, o Tiago Graça, que pela primeira vez seguia à minha frente numa prova do torneio. E acho que foi por esta razão que eu não me deixei vencer pela minha própria respiração ofegante durante este quilómetro que tinha uns incríveis 44 metros de desnível positivo.
Nunca estive remotamente perto de alcançar o grupo que seguia à minha frente. Mesmo no quarto quilómetro, com uns também impressionantes 57 metros de desnível negativo, em que me libertei completamente e por raros momentos o meu corpo travava com medo de cair, nunca consegui aproximar-me realmente deles. Apenas me dei por vencido na curva para a meta em que deixei o corpo abrandar e me dei por vencido.

Passei a meta em 2º do escalão sénior e, sem grande certeza, em 7º da geral. O tempo foi de 13m43s o que revela bem a dificuldade da prova. Os meus parabéns à organização da prova, pelo que vi, esteve impecável e apesar de não haver troféus para os escalões, havia uns medalhões muito bonitos, maiores que muitos troféus de acrílico que tenho lá por casa...


Agora é continuar a treinar pois no próximo domingo temos a Corrida do Infantado, também conhecida por Légua Infantado. Portanto, mais uma prova onde a velocidade irá imperar!

Resultados: Rampa do Moinho 2018 (equipas)

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Quando o maior maluco do Vale Grande vai ao Maluco Beleza

Todos sabem que este blog é essencialmente sobre as minhas aventuras no mundo do atletismo. Mas quando tens um amigo e colega de equipa que corre 48 horas em Inglaterra, fica em 2º lugar e ainda vai parar a um dos projetos preferidos como é o Maluco Beleza, não há hipótese de não lhe dar destaque neste meu cantinho da internet.

Vejam e revejam a entrevista do grande Rui Martins ao grande Rui Unas.

sábado, 26 de maio de 2018

5ª Corrida Noturna de Odivelas

Não gosto de correr à noite. Implica uma logística estranha, implica fazer malabarismos com refeições, implica tirar tempo à família e tira-me a sanidade mental. Mas existem provas em que abro a exceção à regra como São Silvestre da Amadora ou a Corrida das Fogueiras. Mas para a minha cidade quebro todas as regras.

Sexta foi então mais uma vez aquele dia louco de sair de casa depois das 22h para ir correr. Tal como o ano passado, fui a pé para a meta ter com o Rui Martins que este ano fazia parte da organização da prova. Depois de muita palheta em que o principal tema de conversa foi a abertura do dia seguinte do Centro de Marcha e Corrida de Odivelas (já se inscreveram?), fui-me equipar e fui a correr para a meta que mais uma vez era ao lado do Strada Outlet.

Fiz um aquecimento quase até ao último minuto e fui para a partida. Com um sinal algo estranho de partida, de repente centenas de atletas começaram a correr para inundarem as ruas de Odivelas. Durante o aquecimento tinha visto o vencedor do ano passado, o Pedro Arsénio. E nesse momento tomei a decisão de ir atrás dele. Sabia que ganhar era impossível mas queria aguentar o máximo que conseguisse ao lado dele. Ora bem, isso durou... 200 metros? Bastou o Pedro aumentar o ritmo para perder largos metros para ele. E para terem noção fiz o primeiro quilómetro a 3:11/km...

Mesmo assim não abrandei e mesmo que quisesse um atleta que seguiu ao meu lado não deixou. Durante dois quilómetros seguimos num excelente ritmo e só quando apanhamos uma ligeira subida mais comprida é que eu forcei o andamento e ele não me conseguiu acompanhar. Acabei assim por ficar isolado e como me mantive fiel à minha ideia de nunca abrandar o ritmo, nunca me preocupei a olhar para trás para perceber a vantagem que tinha para os outros atletas.

Entrando na zona de Olival de Basto começou a festa da falta orientação. Se por um lado tenho que dar os parabéns à PSP de Odivelas que está a evoluir de prova para prova e não detetei (pelo menos à minha passagem) qualquer falha, houve por algumas vezes que tive de perguntar às pessoas que estavam na rua (e a alguns polícias embora não seja a missão deles) por onde seguir. Aliás, tenho praticamente a certeza que na rotunda do Lidl e Pingo Doce da Póvoa de Santo Adrião (junto à BP), muita gente não fez a rotunda por fora. Posso ter perdido alguns segundos mas fiquei de consciência tranquila que fiz a rotunda como mandam as regras. Nem UMA pessoa da organização havia do percurso todo. Juro mesmo que não entendo como é possível organizar uma prova assim.

A partir do 5º quilómetro começou o sofrimento com a cidade de Odivelas a dar a mostrar as suas belas subidas. O ritmo baixou para a casa dos 3:40/km e as pernas começaram a mostrar o desgaste de ter passado os últimos quilómetros num ritmo diferente do meu normal de prova. Só quando fiz a última rotunda a caminho do multiusos de Odivelas é que resolvi olhar para trás. Mas como às vezes devo muito à inteligência, fui olhar num momento em que não tinha qualquer luz artificial e portanto mesmo que tivesse algum atleta a poucos metros de mim, praticamente não o conseguiria ver.

Mas acabei por entrar na pista completamente isolado e cruzando a meta em 2º lugar da geral, orgulhoso por o fazer na minha cidade e por tendo honrado um clube da terra. Tenho que agradecer novamente todo o apoio que recebi de outros atletas. O vosso apoio e carinho é essencial para me dar força!


E agora? Agora vem um período de calma... tanta calma que vou parar uma semana para ir de férias! Mas depois quando voltar vão ser 4 semanas loucas com 3 provas, duas do Troféu de Loures e no dia 30 de Junho, se tudo correr bem, finalmente irei acabar a época em beleza com a Corrida das Fogueiras em Peniche. Mal posso esperar para voltar a correr com aquele público fantástico!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

7ª Corrida Bucelas Capital do Arinto

Uma das coisas que me está a dar mais prazer esta época é estar participar no Troféu Corrida das Coletividades de Loures. Mas com a tareia que levei há duas semanas, estava receoso com esta prova de Bucelas. Até tinha razão em estar receoso mas a tareia acabou por nem ser assim tão grande.

Uma coisa que eu gosto nestas provas dos Troféus é o facto de já termos o dorsal. Portanto é basicamente chegar e correr. E vencer. Ah espera ainda não ganhei uma única prova no torneio. Por este andar nem vou ganhar nenhuma. Mas isso não interessa para nada. Quando cheguei, fui logo aquecer e depois tive a boa surpresa de encontrar os meus companheiros destas andanças (Rui Henriques, Paulo Alves, entre outros) que nem sabia que iam à prova.

Avisaram-me logo que a prova estava atrasada e depois de um segundo aquecimento seguimos para partida. A prova começou às 10:30. 30 minutos depois do previsto. Adoro. Mas isto era só o início. A partida foi rápida graças a alguns atletas mais jovens que foram para a frente e que possuem uma velocidade que eu não tenho. Mesmo assim sai atrás deles e não me dei por vencido.

Os dois primeiros quilómetros foram feitos a um bom ritmo, mesmo sendo um percurso irregular em termos de declive. À entrada do 3º quilómetro, alcancei o 3º lugar depois de ter ultrapassado dois atletas da Fundação CEBI. Mas não estava preparado para o que vinha a seguir. Parecia que tinha voltado à Lousa. Sai 1 km com 36m de declive a 3:44/km! Entre o sofrimento desta subida e consequente descida, seguia completamente sozinho. Passei por N cruzamentos dentro de um bairro e embora houvesse algumas setas no chão, não havia NINGUÉM a controlar rigorosamente NADA. Portanto, venham de lá esses carros contra os atletas e venham de lá esses enganos. Bendita população que andava na rua e que respondeu sempre que eu perguntava por onde era o caminho.

Voltámos ao centro de Bucelas e por esta altura o atleta que seguia à minha frente da Juventude Vidigalense era quase uma miragem. Seguia a cerca de 100/200m de mim e não dava perspectivas de abrandar, quer fosse a subir, quer fosse a descer. Continuámos durante mais uns quilómetros quase sempre a subir, até entrarmos num novo bairro com uma nova subida de morte (andei em ritmos a rondar os 4:30/km...). E voltou a festa com carros a aparecerem-me em curvas de surpresa e mais uma vez a ter que perguntar às pessoas na rua se estava a seguir na direção certa. 

Pouco de valeu fazer o 8º km a 3:11/km pois o jovem atleta que seguia à minha frente nunca deu sinais de estar a quebrar. No máximo consegui recuperar alguns metros. Agradeço a toda a gente que me deu força nestes últimos 1/2 quilómetros, foram mesmo muito importantes para não desistir logo naquele momento de atacar algo mais.

Foi assim sem surpresa que passei a meta em 3º lugar da geral e 2º do escalão. Em 1º lugar ficou um rapaz júnior do Benfica que pelos vistos é um atleta do caraças! Mesmo assim foi uma boa prova para amealhar pontos preciosos para as contas do troféu. Deixando um pouco a humildade de parte, já que estou a apostar no troféu, é para vencer!

No entanto, não posso deixar de ficar triste com a organização da prova. Foi péssima a vários níveis como já viram ao longo do meu relato. Não tenho tido grande razão de queixa ao longo das provas do Troféu de Loures mas esta apenas me vai deixar más memórias.


E na próxima sexta conto estar presente novamente na Corrida Noturna de Odivelas! Há meia-noite em ponto lá estarão umas centenas de malucos(as) a correr pela minha cidade!

Resultados: Brevemente

sábado, 12 de maio de 2018

7ª Corrida “Rota do Queijo” de Lousa

Sabem uma coisa? Ainda hoje, uma semana depois, tenho as pernas feitas "num 8". Eu já sabia que esta prova seria difícil mas não estava à espera deste parte pernas. Mas as provas são para se fazer. Se fosse fácil, para que é que ia sair de casa?

As minhas últimas semanas foram uma completa roda vida: estudo, muito estudo para um exame, trabalhar, organização de um evento e bastantes treinos intensos. Fora tudo o resto, a isto simplesmente se chama vida. A vida simplesmente não pára. É possível fazer tudo aquilo que queremos mas às vezes de abdicar de algumas coisas e a primeira que cai logo são as horas que passamos na cama. Não foi fácil, muita gente via o cansaço na minha cara mas finalmente as coisas estão mais calmas.

O que não dá descanso é este Troféu Corrida das Coletividades de Loures e desta vez a paragem foi em Lousa. Uma terra completamente desconhecida para mim mas que na manhã de domingo se preparou para a sétima edição desta prova de estrada. Já sabia mais ou menos que é que me esperava, tive muitos avisos que os primeiros quilómetros eram duros. Durante o aquecimento foi fácil perceber isso: ia para uma ponta da vila e começava a subir, ia para a outra ponta começava a subir. Bem, não ia haver escapatória.

E sem dar o tempo passar, já estava em prova! A partida foi controlada. Todos os atletas sabiam o que ai vinha. Mesmo assim houve um ou dois atletas que se atiraram para a frente por várias vezes durante os primeiros 1, 2 quilómetros. Mantive a cabeça no lugar e apostei na contenção. Sabia que a prova podia não ser longa (sensivelmente 8km) mas que iria ter tanto sofrimento que ia penar para a acabar.

Continuamos a subir e lentamente acabámos por ficar apenas 3 atletas na frente. Curiosamente, tirando o Pedro Gomes da Odimarq que não estava presente, parecia que estava na Corrida das Lezírias pois seguia acompanhado do Hugo Rodrigues do Povoense e do Francisco Pedro da Odimarq. Seguíamos a um ritmo que implicava um bom esforço tendo em conta a inclinação mas na verdade íamos tão isolado que sinto que nos estávamos a segurar demasiado. Lembro-me que ao 3º km a certa altura seguíamos acima dos 4:30/km e para terem noção nos 3 primeiros quilómetros enfrentámos um desnível positivo de 14m, 71m e 45m, respectivamente.

Ao 4º quilómetro depois de subirmos mais um pouco começou a festa. Começámos a descer a um bom ritmo e à entrada para o 5º quilómetro para minha surpresa entramos em terra batida. Sou sincero: se eu soubesse deste pormenor provavelmente tinha utilizado outro calçado. A terra batida era um simples estradão, mas os meus ténis têm uma sola demasiado fina para lidar com tanta pedra. Mas o pior estava para vir.

Tinham-me avisado que lá para os 5 quilómetros ainda tinha uma boa parede e que fazia muitos atletas andar. Quando oiço estas coisas rio-me sempre e quase que "ignoro". Mas não me enganaram. Por esta altura o Hugo e o Francisco já seguiam à minha frente com alguns metros de vantagem (memórias das Lezírias...) e quando olho para o relógio já seguia acima de 6:00/km. Sim, leram bem. Para terem uma noção, iria acabar esta prova a menos de metade deste deste ritmo.

Para minha surpresa, foi nesta authêntica parede de terra batida que comecei a recuperar metros e quando dei por mim tinha passado o Hugo e seguia ao lado do Franscisco Pedro. E assim foi durante o resto da prova. Seguimos a subir no asfalto e já de forma não tão acentuada, até entrarmos nos derradeiros dois últimos quilómetros.

E que loucura meus amigos! Eu e o Francisco Pedro (que é um atleta M45!) seguimos lado a lado durante 1 quilómetro a um ritmo médio de 3:04/km. Mas ainda faltava mais um quilómetro louco! E ai o Francisco não me deu hipótese! O ritmo deste quilómetro foi de 2:52/km e mesmo assim o Francisco deixou-me a uns bons metros de distância...

Fonte: Ana Filipa
Acabei por cortar a meta de forma previsível e justa na 2ª posição da geral mas alcançando um importante 1ª lugar no escalão que é o mais importante para as contas do torneio. O tempo esse foram uns estranhos 29m39s para uma média de 3:39/km (!). A próxima prova do torneio é a famosa prova de Bucelas. Estou com bastante curiosidade para ver o que me espera!

Fonte: Sérgio Fernandes
Nesta semana, acabei por ter uma boa surpresa. pedi à FIT Sportbalsem Portugal para experimentar os produtos deles e com toda a amabilidade acederam ao meu pedido. No meio de tanta dor e sofrimento que tive nos treinos esta semana, com a ajuda do creme FIT Sportbalsem tive sempre um bom alívio e uma frescura QB após os treinos. E verdade seja dita, cumprem com o que dizem: não deixa resíduos nenhuns! Recomendado pessoal! Podem encontrá-los no Instagram e no Facebook.


Resultados:  7ª Corrida “Rota do Queijo” de Lousa (equipas)