sábado, 3 de fevereiro de 2018

A privacidade e o sensacionalismo jornalístico

No meio de milhares noticias que na última semana se tornam virais por essa Internet fora, houve uma que saltou aos olhos da comunidade da corrida. O Strava lançou uma atualização ao seu Global Heatmap que basicamente é um agregado de milhões de atividades que os atletas fizeram upload para a plataforma e que forma um mapa global de todos os locais, caminhos, estradas, etc, que alguém já percorreu numa atividade e fez upload para o Strava.

Disclaimer: para quem não sabe a minha área é informática. Um dos meus fascínios por esta iniciativa prende-se com o facto de na minha tese de mestrado ter sido sobre o estudo dos movimentos humanos com base nas suas movimentações diárias. 

Heatmap de Portugal
Na minha opinião, este projeto é qualquer coisa de fantástico. Utiliza dados que os utilizadores do Strava tornaram públicos deliberadamente e permite observar as regiões mais ativa do planeta, país, cidade ou até se nosso bairro anda alguém a correr, a andar de bicicleta, a caminhar ou outro qualquer tipo de atividade.

Então e qual é o problema disto? Na minha opinião, nenhum. Cada um é responsável por aquilo que faz e ao tornar pública informação por onde se desloca, quer seja no Strava, Garmin Connect, Nike+ Run Club, serviços da Google no nosso telemóvel ou outra qualquer aplicação de tracking, sabe que a informação pode ser utilizada para um sem número de fins, lícitos ou ilícitos.

Heatmap de Lisboa
A polémica instalou-se devido a uns quantos soldados norte-americanos que expuseram as suas bases no Afeganistão (isto até me faz lembrar aquela história do espião português que fazia posts com a sua localização no Facebook). As aplicações têm claramente os seus objetivos definidos, têm definições de privacidade que nunca mais acabam (no caso do Strava até são bastante claras e objetivas, na minha opinião) e a culpa não é dos utilizadores?

Nos dias que se seguiram a esta descoberta ter sido tornada pública, houve pessoas que se dedicaram a explorar o tipo de informação que se podia ver no tracking de uma atividade dos utilizadores. Então se uma pessoa faz um treino, faz upload para a plataforma, a seguir o que é que as pessoas esperavam que se visse na plataforma? Um quadro preto em vez do mapa com o percurso feito no treino?

Heatmap do Porto
Se querem proteger os vossos dados nestas plataformas, explorem as definições, principalmente as de privacidade. Neste momento as regras de privacidade já são tão rígidas que provavelmente encontram lá o que pretendem. No caso do Strava, sabiam que é possível pôr uma atividade privada? Sabiam que podem criar uma zona privada (uma espécie de caixa preta) para nunca aparecer nos vossos treinos quando as pessoas vêm? Por exemplo, ter a zona da vossa casa como privada, escolher um raio grande e mesmo que quando saem da porta da vossa casa liguem logo o relógio/telemóvel e comecem a treinar, o tracking do treino só vai aparecer bastante depois aos olhos dos outros utilizadores (apenas quando saem do circulo definido).

Se isto é uma preocupação para vocês (e acho muito bem que o seja), podem ler este artigo sobre as opções de privacidade do Strava (em Português): https://blog.strava.com/pt/privacy-14288/

Heatmap de Odivelas
Concluindo, tenho que reforçar a ideia que não sou contra a privacidade. Aliás sou bastante a favor e tipicamente controlo ao pormenor as definições de privacidade das minhas redes sociais e outras aplicações que utilizo. Agora quando criticam uma plataforma e vejo tão mau jornalismo apenas em prol de notícias sensacionalistas... simplesmente irrita-me.

Corram e divirtam-se a fazê-lo Apenas tenham cuidado com aquilo que partilham.

PS: Mais uma notícia engraçada: Mapa do Strava revela actividade perto de navio naufragado com 1.5T de bombas

Fontes: 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

18º Circuito do Centenário da Cooperativa "A Sacavenense"

Eis que começa finalmente um dos meus objetivos de 2018: o Troféu “Corrida das Coletividades do Concelho de Loures”. Sinceramente já não é a primeira vez que inicio um troféu e penso "agora é que é, vou fazer isto a sério!". Desta vez a determinação é diferente e sinceramente não pensem que tenho alguma motivação ou sinal do universo para querer fazer o troféu até ao fim. É um objetivo e simplesmente quero cumpri-lo.

Como sempre, a primeira prova do troféu é em Sacavém com o Circuito do Centenário da Cooperativa "A Sacavenense". Foi a terceira vez que participei na prova e foi a primeira vez que não senti medo da prova. Sim tem umas boas subidas, sim é uma prova rápida e curta, mas na verdade não é nenhum bicho papão.

Cheguei cedo com o Rui Martins a Sacavém, fomos levantar os dorsais de toda a equipa e depois de muita conversa, fomos equipar-nos para dar início a um bom aquecimento pois o Rui precisava de meter quilómetros (outros objetivos...). Esta prova é bem reputada e tem prémios monetários, o que trás muitas caras conhecidas da "gama alta" dos atletas amadores para a prova. A poucos minutos do início fui para a partida e em pouco tempo estava a fazer a terminar o primeiro quilómetro com uma média de 3:12/km. Poderia ter sido mais rápido mas a confusão inicial não deixou.


Segui com um grupo com cerca de 4 atletas durante mais um quilómetro e depois percebi que me estava a retrair. Meti "uma abaixo" e passei o grupo sem que eles me seguissem. Até ao final da primeira volta (são duas voltas com sensivelmente 3 quilómetros) ainda ultrapassei alguns atletas. Passámos outra vez pela avenida principal o que dá uma injeção de energia extra pois está muita gente na rua a apoiar, mesmo que essas pessoas sejam praticamente todas treinadores e outros atletas que fizeram as provas dos escalões mais baixos.

A primeira volta passou tão depressa que percebi que teria de apostar tudo o que tinha na segunda volta ou então não me ia sentir satisfeito no final da prova. Sinceramente já nem me lembro quantos atletas ultrapassei! 3? 4? 5? Não me lembro! Estou a ficar velho!


Sei perfeitamente aquilo que assisti à entrada do último quilómetro. Um assunto mais que esmifrado por essas redes sociais é o facto de alguns atletas atalharem pelos passeios. A situação a que assisti foi a dois atletas veteranos que seguiam juntos (um mais à frente que o outro) com uma boa distância de mim. O atleta que ia um pouco mais atrás cortou uma curva de 90º pelo passeio e quando eu faço essa curva observo que esse atleta já seguia à frente do outro. Passado 200 metros já seguia um ao lado do outro mas o que é certo é que no final o atleta que atalhou pelo passeio ficou à frente do outro por muito pouco. Palavras para quê? Ainda falei com o atleta penalizado no final da prova mas ele não se demonstrou preocupado por isso não vou ser eu a preocupar-me. Se acontecesse comigo não sei qual seria a minha reação.

Segundo o público presente terminei em 12º da geral e para efeitos de classificação oficial terminei em 7º do escalão sénior. O tempo foram uns agradáveis 21m21s para cerca de 6.5km, o que dá uma média de 3:18/km segundo o Strava/Garmin. Face a este resultado tenho que estar mais que satisfeito! Olho para o tempo do ano passado e vejo que melhorei 2 segundos, o que basicamente é irrelevante. Sei que poderia ter feito melhor na primeira volta mas paciência!

Esta foi a última paragem deste mês de janeiro e terceira prova em fins de semana seguidos. Já te chega não? Sim chega, por isso agora é voltar a treinar forte e feio para dia 18 de Fevereiro voltar à competição com a 2ª prova do Troféu de Loures!

Resultados: 18º Circuito do Centenário da Cooperativa "A Sacavenense" (equipas)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

35º GPA do Camarnal

A primeira conversa que tive com o meu treinador após o Campeonato Nacional, foi dizer-lhe que até ao final do mês queria fazer mais duas provas. Ele nem estrebuchou muito e lá me fez a vontade. Dois anos depois, foi então tempo de voltar ao Camarnal e ao seu Grande Prémio de Atletismo.

A semana entre o Nacional de Estrada e esta prova foi tranquila em termos de treinos. Mantiveram-se os bidiários mas não houve treinos de séries. Por outro lado, esta prova no plano de treinos era encarada como sendo o treino rápido da semana, tendo um treino longo a um ritmo tranquilo no dia anterior à prova.

Cheguei a Camarnal uma hora e meia antes da prova (a partida foi às 10:30) e pouco tempo depois estava a equipa toda completa. O bom destas provas locais é a calma que transmitem. Deu para estarmos descansados a meter a conversa em dia, deu para um bom aquecimento e deu para ir tranquilamente para a partida sem grandes pressas.

No bloco de partida deu para perceber que tinha alguns atletas de nível presentes e bastantes equipas para dar luta ao Vale Grande. Ótimo! Quem não gosta de competição? O início da prova tem a particularidade de ser a subir e com algumas curvas, o que origina um andamento mais controlado por parte de quem vai na frente. No entanto isso não impediu que aquele que viria a ser o primeiro da geral, José Gaspar (juntamente com outro atleta que foi ficando para trás), se fosse distanciado do grupo que seguia na frente e no qual eu me inseria.

A prova consiste em duas voltas de 5 quilómetros e dado que eu já estive presente nesta prova em 2016, sabia com o que contar. Os primeiros 3 quilómetros que não têm grande dificuldade foram feitos num ritmo confortável. Seguia com outros atletas e tentei ter juízo no andamento. No final do terceiro quilómetro é feito um retorno e senti que estava mais rápido que o resto do grupo, então decidi ir para a frente. Isto colocou-me numa posição complicada.

Durante praticamente dois quilómetros segui à frente do grupo e só me passava pela cabeça: vou-me lixar. Com alguma experiência que já tenho acumulada, sei que puxar tanto tempo por um grupo resulta mal, pois nos últimos quilómetros quem se lixa é quem esteve a puxar o grupo e acaba sempre por ficar para trás. Mas desta vez não aconteceu. Quando comecei a descer no início da segunda volta, já estava a ganhar alguns metros de distância aos restantes atletas do grupo.

Mesmo seguindo sozinho (que em termos de motivação é complicado), decidi continuar a dar o melhor que podia, focando-me no barulho da passada dos atletas que ainda seguiam atrás de mim. O objetivo naquele momento era deixar de os ouvir! Continuei focado, sem olhar para trás e quando cheguei ao retorno dos ~8km consegui avaliar a distância que estava deles. Estava longe de ser uma distância confortável.

Então mesmo com algum vento contra, mantive o ritmo forte e contei com o apoio que ia recebendo dos atletas que seguiam em direção ao retorno. Ao entrar no último quilómetro, os atletas que seguiam no lado contrário diziam-me que ia à vontade e que o 2º lugar estava garantido. Mesmo assim e com inclinação positiva, eu continuava a puxar.

Acabou por correr tudo pelo melhor e cortei a meta em 2º da geral e em 1º do escalão sénior com o tempo de 34m06s. É caso para dizer que não poderia ter ficado mais satisfeito. Se tivesse tido mais companhia na 2ª volta, não dúvido que o tempo teria ficado na casa dos 33 minutos. Para ajudar à festa, e após uma luta renhida com o 2º lugar, a Associação Vale Grande conquistou o lugar mais alto do pódio!


Para a semana inicia-se o Troféu das Coletividades de Loures. E sobre esse assunto falarei mais tarde! Até lá!

Resultados: Brevemente

domingo, 14 de janeiro de 2018

Campeonato Nacional de Estrada 2018

Está feita a primeira aventura de 2018! Desde 2013 que não participava em nenhuma como federado e provavelmente desde essa altura que não estava na presença de centenas de atletas de qualidade tão elevada.

Nos dias que antecederam esta prova tive muitos fatores de distração mas confesso que estava um pouco ansioso. Fora as provas maiores de Lisboa, o nível de competição tende a ser moderado ou por vezes baixo. Não estou de qualquer forma a desvalorizar os atletas (nos quais eu me incluo) que vão a essas provas, simplesmente é a verdade. Fui ver a classificação do ano passado do Nacional de Estrada e ri-me sozinho pois percebi que tinha muito que "dar ao chinelo" se quisesse ficar pelo menos nos 100 primeiros seniores masculinos. Sim 100 primeiros.

A verdade é que com colegas de equipa tudo fica mais fácil antes de uma prova e foi graças a esses que cheguei à linha de partida sem qualquer tipo de nervosismo. O bloco de partida para atletas federados estava mesmo com muita gente mas os blocos atrás de nós eram ainda piores! Portanto já se sabe, a partida foi uma confusão. Parti a medo pois foram ali uns 50 metros em que apesar de dar para correr, existiam demasiadas pessoas à minha volta e o risco de alguém cair era muito elevado.

Fonte: A Natureza Ensina
Sendo o primeiro quilómetro a grande descida da prova teria de ser feito a um ritmo elevado. Juntamente com o segundo quilómetro, foi a fase em que mais atletas ultrapassei, apesar de irem todos a um excelente ritmo. Dado o nível de qualidade de atletas presentes neste Nacional de Estrada, nunca me senti sozinho ao contrário das outras provas. Tive quase sempre alguém com quem ir, o que me ajudou a manter ritmos elevados. Mas também verdade seja dita que ao longo de toda a prova continuei a ultrapassar atletas (e alguns a ultrapassarem-me a mim!).

Uma pequena subida ao quarto quilómetro foi um aviso para o que viria a ser o verdadeiro teste no sexto quilómetro. Eu juro que não entendo como é que há atletas que com percursos com subidas destas conseguem fazer abaixo dos 30 minutos aos 10km. O meu ritmo nestas subidas consegue descer quase para a casa dos 4:00/km. Treinasses.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Seguiram-se dois quilómetros a um excelente ritmo, sempre focado em não abrandar e usando o velho truque de focar um atleta mais à frente e marcar como objetivo ultrapassá-lo. É velho mas funciona. Mas havia uma coisa que não me saia da cabeça e que sabia que era o que me podia estragar qualquer tipo de recorde pessoal: a subida final com cerca de um quilómetro.

Quando iniciei esta subida do diabo ainda olhei algumas vezes para o relógio. O ritmo estava agradável mas rapidamente começou a descer vertiginosamente. Percebi que não ia conseguir o tempo oficial que queria. Mas não me deixei abater e continuei a dar tudo o que tinha e entrei na pista encarando aqueles 100/200 metros como se estivesse no despique para decidir um lugar no pódio.

Fonte: Rogério Machado
Passei a linha final com 33m58s, classificando-me em 93º Sénior Masculino. Para o Campeonato Nacional não existe classificação geral, só havendo a mesma na prova aberta. Se eu tenho um melhor registo numa prova de 10km? Sim tenho. Se tenho motivos para ficar chateado? Não. Segundo o relógio fiz uma média de 3:20/km (penso que a prova mais rápida de 10km que fiz até hoje), sendo que a prova tinha 10.1km e o relógio (e já agora o Strava também) avisou-me que tinha batido o meu recorde pessoal aos 10km com 33m21s. Portanto, o próximo objetivo é fazer este tempo de forma oficial!

Obrigado a todos os que gritaram por mim! Hoje não consegui responder a ninguém, estava demasiado focado e demasiado deslumbrado com a qualidade à minha volta.


Foi o meu regresso a provas federadas e com certeza que é para continuar.

Resultados: Campeonato Nacional de Estrada 2018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Blasfémia! O ano em que não participei em nenhuma São Silvestre! E o mês que comecei a fazer bidiários. Entre outras coisas.

Provavelmente o maior título de sempre de um artigo neste blog.

Tal como no último artigo, venho falar novamente de uma primeira vez: este ano foi a primeira vez em que não participei em nenhuma São Silvestre desde que comecei a correr.


No início do mês de dezembro fiz os 10Km da Meia Maratona dos Descobrimentos e fiquei bastante contente com o meu resultado. Foi então tempo de refletir juntamente com o meu treinador qual era o plano de ataque para o mês das São Silvestre e início de 2018. Uma ideia que ficou logo assente era a vontade de participar no Campeonato Nacional de Estrada no próximo dia 13 de janeiro. Antes disso acabámos por decidir que não valia a pena o desgaste em mais nenhuma prova.

Fonte: Aleteia
Até a cara do São Silvestre parece chocada.
Pondo os pontos nos i's: é óbvio que eu gosto das São Silvestres. Existem demasiadas mas isso era outra conversa. A São Silvestre da Amadora é provavelmente a minha prova preferida até hoje. Mas a verdade é que este ano quis desfrutar da época sem pressão da competição e com todas as restrições que isso implica. "Tu és é um preguiçoso! Queres aproveitar para enfardar e desleixares-te nos treinos!". Ok. Sim e são. Sim enfardei muito mais do que seria suposto/expectável/saudável (como sempre) mas não deixei de treinar. Aliás, nunca treinei em tanta quantidade e qualidade como no último mês.

Isto deve-se ao facto de no mês de Dezembro ter começado a fazer bidiários. Calma, não comecei a treinar duas vezes todos os dias. O meu esquema de treinos continua bastante semelhante ao que era: 5 dias de treino e 2 dias de descanso. Dos cinco dias de treino, dois (normalmente à terça e quinta) passei a correr de manhã e à tarde. Obviamente que o número de quilómetros semanais aumentou mas não subiu para números absurdos (só estas últimas duas semanas é que passei os 100km semanais).

Pesquisei "running doubles" que é praticamente a tradução literal de "correr bidiários" e apareceu-me esta imagem.
Pareceu-me apropriado.
Um mês depois posso dizer que fisicamente sinto-me bem. Não sinto cansaço acumulado, sinto que o corpo já assimilou a carga a que está sujeito e sinto-me bem mesmo no final do segundo treino do dia. Em relação aos tipos de treinos que faço nesses dias, são de corrida contínua, variando a duração e intensidade, fazendo com que se mantenha sempre interessante qualquer um dos treinos.

A nível pessoal e psicológico tem sido um desafio interessante. Não vou dizer que não me rouba tempo mas também não sinto esteja a prejudicar de nenhuma forma a minha vida diária. Para começar são só dois dias por semana e quando se está disponível para fazer muito ginástica para fazer as coisas funcionarem, quase tudo se torna possível. Acreditem nesta época natalícia, com jantares de Natal de amigos e empresa e afins, foi mesmo preciso fazer muita ginástica!

Voltando ao Campeonato Nacional de Estrada, tenho a anunciar que finalmente estou federado! E que vou correr mesmo no Campeonato Nacional de Estrada e não na prova integrada, a Corrida com os Campeões. Dado que fiz grande parte do processo de registo do clube e respetiva filiação, tal como a filiação de atletas, devo dizer que se trata de um processo algo moroso e chato. E essencialmente confuso. Para o ano com a experiência vai ser bastante mais fácil mas para quem nunca fez isto e tem de fazer tudo de início (e praticamente não existe nenhum guia com informação do processo), torna-se bastante complicado e até desmoralizador. Isto de ser atleta e seccionista tem as suas partes chatas!

O artigo já vai longo mas já agora queria deixar uma atualização sobre o meu último artigo. Estou melhor mas ainda não estou a 100% da história das bolhas. Tive que andar a fazer testes com os ténis e tenho a certeza que os culpados são os meus Hoka. As razões depois falarei num artigo mais tarde mas devo dizer que estou algo desapontado com eles.

Espero sinceramente que todos os que leem aqui o meu cantinho tenham um excelente 2018! Que seja um ano de muito sucesso e que consigam atingir os vossos objetivos!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Quando o maior problema são... bolhas

Até hoje tinha a bonita história para contar que nunca tinha tido bolhas nos pés. Existe uma primeira vez para tudo. Ontem mal conseguia andar direito.

Sim, sim eu sei ando desaparecido do blog. Provavelmente esta até será o meu último artigo do ano. Que raio de assunto para falar. A verdade é que até tenho muita coisa para escrever em alguns artigos (apesar de não andar a participar em provas) mas esta altura do ano torna complicado arranjar tempo para tudo. Nem é a desculpa de não haver vontade por ser Natal e afins, é puramente falta de tempo.

E no meio desta falta de tempo, que coisa fantástica para arranjar se não que umas maravilhosas bolhas nos pés? Duas bem grandes no pé esquerdo e outra no pé direito. Uma delas até me fez acordar a meio da noite com as dores. Mas claro como sou teimoso ainda fui treinar.

O que é causa as bolhas nos pés? Uma mistura de 4 componentes: o tipo de pele (mais sensível ou não), pressão e fricção, movimento do osso e repetição. Claro que existe depois toda uma panóplia de razões tal como o tipo de meia que estamos a usar, calçado novo, temperatura, entre outros.
Fonte: Blister Prevention
No meu caso nem sei bem o que me causou as bolhas. Eu ando a utilizar dois pares de ténis relativamente novos, os Hoka One One Clifton 4 e os Saucony Kinvara 7, e ainda os Sketchers Go Run Ride 5 (já só uso para treinos estruturados). As bolhas apareceram depois de um treino de 80 minutos (que deu uma bela de uma meia maratona) no dia 24. No dia 25 já me estava a custar pôr o pé no chão. Armado em campeão cortei as bolhas e com os dois treinos de terça feira tornaram-me a aparecer bolhas sobre as antigas bolhas. Que fixe.

Portanto escusado será dizer que tem sido uma semana bastante agreste para treinar. E os bi-diários não ajudam a dar tempo para isto sarar. Já vos tinha dito que agora faço bi-diários? Isso será assunto de um próximo artigo. Isso e o facto de não participar em nenhuma São Silvestre este ano. Blasfémia!

Até hoje na natação isto me doía quando batia com os pés na água. Enfim. Bem desejem-me as melhoras porque esta porra dói como o #$%&%&!

PS: Ainda pensei em pôr aqui uma foto com as minhas bolhas mas tive pena de vocês.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Meia Maratona dos Descobrimentos - 10Km

295 dias. Quase 10 meses sem fazer uma prova de 10km. 190 dias. Quase 6 meses sem fazer uma prova com uma preparação real. É incrível o que uma lesão nos pode fazer a nível competitivo. Mas na realidade não se resume apenas a isso. Esta época já fiz os 20km de Almeirim e a Meia Maratona de Abrantes mas na verdade essas provas nunca deveriam ter constado do meu plano. Foi casmurrice minha ir a essas provas mesmo sabendo que não tinha a preparação adequada. Mas desta vez foi diferente.

A minha preparação nas últimas semanas tem sido direcionada para provas mais curtas. A lesão no adutor já começa a ficar para trás e o corpo finalmente começa a assimilar os treinos e a conseguir atingir os ritmos com que estava antes da lesão. O objetivo destes 10kms englobados na Meia Maratona dos Descobrimentos era testar exatamente como é que eu estava a nível competitivo.

Ao contrário do ano passado em que estava um grande temporal, este domingo havia um sol fantástico tal como um frio desgraçado. Nada como fazer o aquecimento de fato de treino e de luvas não resolva. Problema? Gerir o tempo do aquecimento. Faltavam cinco minutos para a prova começar e eu ainda tinha de ir do CCB ao parque de estacionamento do Estádio do Restelo para me despir e ir para a partida. Como ainda tinha o relógio ligado, cheguei a ver o ritmo a 3:40/km. Bom aquecimento.

Cheguei ao bloco de partida faltava menos de um minuto para a partida. O problema é que eu pensava que a partida era às 9:30 quando na verdade era às 9:35. Esperto. Senti o nervosismo a passar-me nos músculos como já há meses que não sentia. Pensava que estava com os músculos tensos, ia fazendo alongamentos dinâmicos mas era tudo nervosismo a falar. Sinal de partida e tudo ficou para trás.

Primeiras centenas de metros com muita gente a ir para a frente. Arrisquei num ritmo alto mas controlado. Percebi que tinha vindo gente mais forte aos 10km do que à meia maratona e que não valia a pena pensar na classificação. Naquele momento o que interessava era o ritmo. Aos 2 quilómetros fizemos uma viragem e percebi que o jogo mudava: vento contra.

Fonte: A Minha Corrida
Por esta altura já seguia sozinho e só mais tarde iria conseguir ultrapassar alguns atletas. O 3º e 4º quilómetro foram feitos no ritmo que estava à espera. Mas a partir desse momento comecei a decair. Ainda consegui passar aos 5km com 17m03s, conseguindo fazer o me foi pedido pelo meu treinador (passar entre os 17m00s e 17m05s). Mas a partir dai decai para a casa dos 3:30/km e mesmo forçando o ritmo, não estava a conseguir ir ao ritmo que desejava.

Nova viragem e de repente silêncio. Deixei de ouvir o vento a soprar nos ouvidos e usei isso com alento. A partir desse momento o jogo mudou, outra vez. O ritmo aumentou logo e comecei a aproximar-me rapidamente de atletas que seguiam à minha frente. Ultrapassei 2/3 atletas e quando dei por mim já estava a entrar no último quilómetro. Ainda seguia no meu campo de visão um atleta do Belém Runners e utilizei isso como incentivo. O 10º quilómetro foi feito a 3:09/km e os últimos 100m a 3:02/km...

Fonte: A Minha Corrida
Terminei a prova em 7º da geral e 5º sénior, com o tempo de 34m14s. E a média? 3:23/km. Objetivo cumprido. Se gostava de ter ido ao pódio? Gostava. Mas foi uma prova em que estiveram presentes bons atletas e isso também contribuiu para alcançar os meus principais objetivos.

Saio desta prova com espírito renovado. Se a Meia Maratona de Abrantes já me tinha aumentado a moral, a partir de agora vou finalmente enfrentar o que ainda há de vir esta época com outros olhos. Vamos lá a isso!


Resultados: Meia Maratona dos Descobrimentos 2017 - 10Km / Meia Maratona dos Descobrimentos 2017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Meia Maratona de Abrantes

Apenas três semanas passaram desde os 20k de Almeirim mas muito aconteceu na minha vida. Quem anda nestas coisas do desporto e leva a coisa minimamente a sério, sabe como a nossa vida pessoal pode afetar a nossa cabeça psicologicamente no que ao desporto diz respeito. Era esse o meu grande medo quando foi dado o sinal de partida em Abrantes. Mas felizmente isso não aconteceu.

Pela primeira vez pernoitar a uma localidade com o objetivo de fazer uma prova na mesma no dia seguinte. Agradeço aqui publicamente ao meu amigo Rui Martins e à família por me receberem! Até tive o luxo de ir fazer o reconhecimento do circuito da prova na noite anterior e podem crer que me ajudou na prova. Percebemos que tínhamos de gerir a nossa prova nos primeiros 7 quilómetros por causa das muitas subidas que o percurso tinha e depois desses 7 quilómetros a prova entrava numa fase mais tranquila. Mas foi apenas o que pareceu dentro do carro.

De manhã foi tudo muito tranquilo pois estávamos quase ao lado da partida. Tivemos tempos de ir buscar os dorsais, voltar a casa, equipar de forma bem descontraída e ir a aquecer para o local da prova. Poucos minutos para o arranque e lá fomos nós para a linha de partida. O arranque da prova foi rápido mas controlado. Depois de Almeirim não iria repetir o mesmo erro. Sei que uma das minhas poucas qualidades na corrida é ter um início controlado e conseguir manter e até ir aumentado a intensidade gradualmente.

Na frente formou-se um bom grupo de atletas, havendo alguns atletas depois que seguiam sozinhos e logo a seguir ia eu num grupo de atletas que seguiam num bom ritmo. Durante muitos quilómetros consegui ir com eles, indo alternando entre a frente e a parte de trás do grupo. Os tais primeiros 7 quilómetros passaram num instante e na verdade nem custaram assim tanto. O problema foi o que veio depois.


Tudo parecia encaminhado para me manter com aquele grupo mas a partir dos 10 quilómetros alguma coisa mudou. Foi por esta altura que tomei o gel que levava comigo. Não tenho por hábito tomar nada em provas mas em distâncias mais longas mais vale não arriscar. E depois de Almeirim não queria falhar em nada. Passado algumas centenas de metros, comecei a não conseguir acompanhar o grupo onde estava. Não desanimei mas também estava contente com o que estava a acontecer.

Por esta altura a prova entrava numa fase de curva contra curva, sobe e desce constante. Isto foi assim até ao retorno nos 15 quilómetros. Mas tal como o próprio nome indica é um retorno portanto mais curva contra curva, mais sobe e desce constante. Porra, na noite anterior parecia tudo plano!

Na verdade esta parte é a mais bonita da prova, com uma bonita paisagem com o Rio Tejo a apresentar-se em todo o seu esplendor. O grupo mantinha-se a uma distância controlada e não demonstrava sinais de querer abrandar. Mas era agora ou nunca. Sentia os meus quadríceps a querem fraquejar, o meu ritmo a diminuir, mas sentia-me efetivamente melhor que na desgraça de Almeirim. Era altura de apertar comigo.

Dei aquilo que podia e senti que podia apanhar o grupo que seguia já um pouco desmembrado à minha frente. O 19º quilómetro foi o meu quilómetro mais lento da prova (3:44/km) mas parecia que ia a velocidade de cruzeiro! Consegui ultrapassar dois atletas e ganhar forças para entrar no 20º quilómetro a ultrapassar um terceiro atleta. Depois foi aguentar o ritmo e nos últimos 780 metros fiz um ritmo de 3:20/km tendo conseguido manter as posições que tinha ganho.

Passei a meta com 1h13m36s, no 11º lugar da geral e um 5º lugar do escalão. O que me deixou realmente satisfeito foi ter conseguido uma boa média, 3:32/km, num percurso algo complicado. A desgraça de Almeirim e os problemas pessoais ficaram para trás e nem mesmo o facto de ter ficado a um lugar dos prémios monetários (10 primeiros da geral) me conseguiu esmorecer.

A prova acabou com 20,780 km. Não vou argumentar se lhe faltam 300 metros, são demasiadas curvas para uma marcação perfeita do GPS. Mas mesmo assim são muitos metros de erro... De resto boa organização, nada a apontar. E ainda tivemos direito a um almoço antes de nos fazermos à estrada. Por 5€, é um trabalho fantástico. Corrijam o problema da distância e têm uma prova para muitos anos!

Muitos parabéns aos meus colegas de equipa, principalmente à Carmen Ferreira que mesmo lesionada consegui um excelente 6º lugar feminino e 2º F45!

Agora é recuperar forças, daqui a duas semanas a distância diminui mas a intensidade vai aumentar. Até aos Descobrimentos!

Resultados: Meia Maratona de Abrantes