segunda-feira, 29 de outubro de 2018

32ª 20 KMs de Almeirim

Estamos no final de Outubro. Existem alguns atletas que já fizeram mais de 10 provas esta época. Eu para variar até ontem ainda não tinha feito nenhuma. Mas verdade seja dita: nem eu tinha noção das saudades que estava disto.

Eu e Almeirim tínhamos contas a ajustar. O ano passado fiz provavelmente a pior prova da minha curta carreira e foi talvez a única vez que tive realmente vontade de desistir. Foi a única vez em que passei a linha de meta e deitei-me no chão completamente rebentado. Este ano teria obrigatoriamente que ter uma desforra. E voltar a comer sopa da pedra que estas pernas não andam a ar.

Fonte: Luís Duarte Clara
Cheguei com o Rui Martins cedo a Almeirim e levantámos os dorsais da equipa sem confusão. Na altura de despir para equipar, o frio apertava que era uma coisa parva. Mas entre o frio e o calor que se sentia o ano passado, venha de lá esse frio. O problema era o vento...

Depois de um bom aquecimento, foi tempo de seguir para a partida. Já há muito tempo que não me sentia como uma sardinha em lata mas pronto, ossos do ofício. Partida dada e foi tempo de fazer alguns zigzags e colar-me a um grande um grupo que seguia na frente. Lentamente o grupo desfez-se: 2/3 atletas seguiram para a frente, um segundo grupo seguia atrás deles a bom ritmo e um terceiro grupo seguia mais atrás no qual eu me inseria.

Fonte: Luís Duarte Clara
Seguíamos nesta altura sempre abaixo dos 3:25/km. Sabia que era um ritmo perigoso pois ainda tínhamos muitos quilómetros pela frente e sabia que o meu ritmo final nunca seria aquele. Entre os 7/8 quilómetros saímos do centro de Almeirim e começou a verdadeira prova. Porquê? Porque embora seguíssemos com um declive praticamente nulo, tínhamos vento bastante forte vindo de frente.

Pensei sempre em não apostar em erros do passado mas desta vez não aguentei. Mesmo com o vento de frente, não aguentei estar muito tempo resguardado no grupo. Fiz uma manobra à direita e siga para a frente do grupo. Mesmo com vento de frente sentia-me bem e com força. Fui forçando o grupo, juntamente com outros atletas que se iam chegando à frente e juntos conseguimos apanhar o 2º grupo que seguia à nossa frente. Foi uma sensação excelente correr com tanta gente a um ritmo elevado.

Sempre com vento a soprar de frente, foram 3 kms a roçar os 3:40/km culminando num 12º quilómetro a 3:49/km na Ponte D. Luís I em que o vento (meio lateral) era tanto que a certa altura pensei que o dorsal fosse embora. Chegando ao ponto de retorno, demos a volta à rotunda e a palavra que mais se ouviu foi "fod*-se..." de alívio. Parecia que tinham desligado as colunas e de repente só ouvíamos silêncio: passado quase 13 kms tínhamos finalmente o vento estava a favor.

Fonte: Luís Duarte Clara
Seguiram-se uma sucessão de quilómetros muito rápidos (sempre abaixo dos 3:25/km) em que grupo se partiu por completo. Segui acompanhado com o Tiago Nuno e Luis Baço da União de Tomar e Vitória de Setúbal, respectivamente. Foram uma companhia espectacular, se não fossem eles nunca aqueles últimos quilómetros teriam tido um ritmo tão vivo e intenso. Quando já estávamos de volta ao centro de Almeirim consegui arrancar e afastar-me alguns metros. O Luis gritou-me para me dar força e seguir para um ritmo alucinante do último quilómetro (3:17/km depois de 20km...). Não iria ser ali que ia perder uma mera posição por pouca diferença que isso fizesse.

Foi uma sensação fantástica e até libertadora terminar esta prova com força e com vontade de ainda correr mais quilómetros se assim fosse necessário. Foi um 5º lugar da geral e do escalão muito saborosos, com um tempo final de 01h09m49s. Foram mais de 3 minutos a menos que o ano passado o que reflete bem a diferença física de um ano para o outro. Coletivamente, repetimos um excelente 2º lugar. Um ano destes o 1º lugar vai ser nosso!

E agora o que se segue? Esperem pelas novidades. Já muita gente sabe, só falta anunciar publicamente!

Resultados: 32ª 20 KMs de Almeirim

 

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Grande Prémio Vale Grande - Está feito.

Eram cerca 13:30 de sexta. Eu e o Rui Martins estávamos finalmente sentados, calmos e a comer a nossa primeira refeição depois de muitas horas de trabalho. Ficámos uns segundos em silêncio e praticamente dissemos ao mesmo tempo: está feito.

Ninguém disse que era fácil mas também ninguém nos avisou que isto poderia dar tantos cabelos brancos. O ano passado, entregámos grande parte da organização à WeRun. Foi uma prova por estafetas, tivemos a sensação que os atletas gostaram mas no entanto não conseguimos ter a afluência que gostaríamos. Este ano propusemo-nos a voltar ao básico: uma prova de 10km com o objetivo de apelar à tradição bairrista. E com isso optámos por organizar grande parte da prova... sozinhos.

Não vos vou chatear com a quantidade de reuniões que houve, as dezenas e dezenas de telefonemas, as horas tiradas à família, os montes de reviravoltas que tivemos diariamente, as poucas horas dormidas no dia que antecedeu a prova, etc, etc. Alguns de vocês também já organizaram provas e sabem do que eu estou a falar.

O dia da prova foi uma autêntica aventura. E desde já aponto a nossa maior falha na organização: eu e o Rui Martins tentámos ter o controlo de tudo e pior, tentámos realmente fazer tudo. Tínhamos uma dezena de pessoas "famintas" para nos ajudar e chegou ao cumulo de estas pessoas não terem nada para fazer porque nós estávamos constantemente a correr para todo o lado para apagar todos os "fogos". Para o ano temos de saber delegar trabalho e assim não transparecer o que se vai passando para os atletas.



Incrivelmente conseguimos que a prova só começasse uns incríveis 3 minutos depois da hora. Então mas não deveria ter começado a horas, perguntam vocês? Claro que sim. A questão é que existiram tantos atrasos naquilo que estava planeado, tantas correrias de um lado para o outro (os nossos carros sofreram...), que quando percebemos que a prova ia começar sem um atraso significativo ficamos completamente aliviados.

Foi um sentimento de alegria enorme quando arrancamos de carro em frente do pelotão e vimos a quantidade de atletas que tinhamos a correr pelo bairro do Vale Grande. Foi um sentimento de alegria enorme ao ver a "nossa casa" cheia. Apesar dos 197 classificados finais, haviam mais de 200 atletas inscritos na corrida e se juntarmos com a caminhada, eram mais de 300 pessoas inscritas. Se no final de Agosto nos dissessem que no final iríamos ter mais de 300 inscritos, dizíamos que era uma brincadeira. Mas não foi e mesmo com as faltas de comparência normais, tivemos uma casa fantástica. Obrigado a todos!



O feedback de todos os atletas foi fantástico e percebemos que gostaram mesmo daquilo que preparáramos para eles. Desde a animação, o percurso (durinho...), o ambiente, as bifanas e cerveja no final, as massagens, os troféus para as equipas, os padrinhos (Miguel Carneiro e Naide Gomes), os prémios monetários, a quantidade de sinalização que o percurso tinha, entre outras coisas, deram um brilho à nossa prova que ficámos bastante satisfeitos ao ver que os atletas gostaram mesmo da manhã que passaram no nosso bairro. E pelo meio ainda doámos 500€ das inscrições para os Bombeiros Voluntários da Pontinha!

Não vos vou chatear mais. Houve mais coisas que correram mal mas a verdade é que a quantidade de coisas que correram bem foi infinitamente maior. Resta-me prestar a minha homenagem ao Rui Martins pois sem ele esta prova simplesmente não tinha existido. Acreditem quando vos digo que mais de metade do trabalho nesta organização foi dele. Foste incrível amigo, mesmo a recuperar de uma operação conseguiste organizar uma prova incrível para três centenas de pessoas. Eu e o presidente João Tomás fomos apenas uma ajuda. Mas olha: está feito. Venha a próxima.



Obrigado a todos os que nos ajudaram (um especial obrigado à equipa da Federação da Família para a Paz Mundial e Unificação pela presença e pela fantástica reportagem fotográfica), a todos os patrocinadores e a todos os atletas que estiveram presentes.

Um grande agradecimento especial também à Junta de Freguesia Pontinha/Famões e à Câmara Municipal de Odivelas. Sem o apoio destas entidades nada disto teria sido possível e até a mascote Dinis ajudou à festa! Estamos juntos na candidatura de Odivelas a Cidade Europeia do Desporto 2020!


Metam o dia 5 de Outubro de 2019 no vosso calendário. Vamos organizar a melhor prova Lisboa e arredores. Acreditem nisso.

Fotografias: RUN 4 FFWPU
Resultados: Grande Prémio Vale Grande 2018
















quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Global Energy Race 2018

Eu também tenho direito a férias está bem? Por isso podem já parar de me chatear, já estou de volta.

Sabem que eu não sou muito de provas em início de época. Faço uma ou outra mas nada de especial. Ainda se lembram dos meus 20km da Marginal? Claro que não mas não interessa. A recompensa de ter ficado em 3º lugar da geral foi um valor em inscrições em provas da Xistarca. E a primeira prova em que me inscrevi foi a Global Energy Race mas sempre com o objetivo de a fazer a treinar.

O ano passado tinha tido nesta prova a experiência de fazer a marcação dos 4:00/km. Este ano praticamente a prova só continuou igual no nome. Partiu no Rossio (era suposto ser na Avenida da Liberdade, obrigado taxistas) e acabou junto à Torre de Belém. Foi um percurso agradável, plano e rápido, mas para variar sem nenhuma emoção. As provas em Lisboa estão cada vez mais desinteressantes.

A Xistarca disponibilizou autocarros para levar os atletas da chegada para a partida, facto que provocou menos de 5 minutos de atraso no tiro de partida. Nada de anormal e os atletas foram avisados pelo speaker várias vezes o que levou a que não houvesse nenhuma espécie de revolta como é normal. Antes da partida fiz 5km a um ritmo moderado e sentia-me com força para enfrentar os 10km num ritmo de tempo run.

Sinceramente não há grande coisa a dizer sobre o meu desempenho. Foi um treino tranquilo, em que o ritmo foi sempre estável. Como sabia que estava apenas em treino, meti na cabeça que não me ia deixar levar pela competição e assim o fiz, utilizando apenas os outros atletas presentes apenas como motivação.

Fonte: A Natureza Ensina
O pormenor mais interessante foi o facto de ser a primeira vez que estive num ambiente de competição e o meu objetivo não era um ritmo pré-estabelecido. Sim, agora faço parte daqueles malucos que treinam pelo batimento cardíaco. O objetivo era entre 166bpm a 179bpm e acabei 177bpm de média, portanto objetivo atingido. Sobre o tipo de treino que ando a fazer, com o devido tempo irei fazer um artigo sobre isso. Acreditem, está a ser uma aventura do caraças.

Mesmo assim terminei em 18º da geral e 6º do escalão, com um tempo de 37m35s para os cerca de 10.4km. Não foi mau, mas existe muito para melhorar. Agora é continuar a treinar! Apenas um apontamento para a organização da Xistarca: estar 15/20 minutos à espera que alguém apareça no bengaleiro para nos dar a mala simplesmente não é admissível.

Antes de terminar, sabiam que na minha página de Facebook está a decorrer um passatempo? Podem ver mais informação em baixo! Fico à vossa espera no Grande Prémio do Vale Grande!

    

Resultados: Brevemente

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Análise iDee Slim

Eu sei. Ando desaparecido. E por causa disso comprei uma pulseira para me identificarem quando me encontrarem! Estou cheio de piada não é? Vá vamos lá ver o que é isto da iDee. Duvido é que alguém ainda não o saiba.

Desde que corro que praticamente tenho um pensamento sempre em mente: e se me acontece alguma coisa? Quando saio de casa para treinar tipicamente só levo o equipamento vestido e mais nada. Vá levo um lenço no bolsinho do calções. Vocês sabem do que é que estou a falar. Portanto, não levo um único mesmo de identificação comigo. Já pensei um cinto e levar um telemóvel (solução que retira a liberdade de movimentos), comprar um telemóvel minúsculo (solução cara e difícil de mandar vir), entre outras. Até que me lembrei da iDee enquanto me banhava ao sol durante as férias e perguntei à Johanna se queria que eu comprasse uma pulseira para identificar o cão dela (eu). A coisa foi mais ao menos assim: MAS PORQUE É QUE AINDA NÃO COMPRASTE?!



A iDee é uma empresa portuguesa que basicamente vende pulseiras (e outro tipo de acessórios) que têm uma placa em metal com a nossa identificação gravada. A minha primeira tentativa para comprar falhou pois a pulseira iDee Sport (que o João Lima comprou) está muito limitada de cores e o que tinha encomendado pelos vistos não havia em stock. Após ter visto um atleta na Corrida das Festas de Loures com uma iDee Slim e ele me ter convencido que aquilo tinha mesmo muita durabilidade, acabei por encomendar outra vez.

O processo de encomenda é fácil, podemos mandar escrever o que quisermos na placa de metal e vemos em tempo real qual vai ser o seu aspeto final. Apesar de ser apenas uma pulseira de silicone com uma chapa de metal, fiquei ansioso por a receber. Quando a encomenda fiquei logo de pé atrás. Basta ver a imagem de baixo para perceberem porquê.


Se por um lado gostei bastante da caixinha onde vinha (é apenas uma pulseira, nem precisava de caixa nenhuma), o facto de ela vir completamente arruinada estragou tudo. iDee, tomem mais atenção a isso. A qualidade da pulseira era a esperada. O método de medição do pulso que disponibilizam no pulso também funcionou na perfeição, ficando com a medida que eu queria.


Quanto à gravação, estava à espera de algo diferente. A gravação parece algo como pintado e não gravado com profundidade no metal. Se calhar fui eu que elevei demasiado as expectativas. A qualidade está lá, eu é que estava à espera de algo diferente. De qualquer forma, veio toda a informação escrita direitinha como esperado. E ainda trás um plástico protector! Estou curioso é quanto tempo vai aguentar quando começar a apanhar chuva...

Em treino, não me faz confusão absolutamente nenhuma. No inicio do treino por vezes ainda a sinto mas acaba sempre por "encaixar" no pulso e fica super confortável. Até já treino intervalado fiz com ela e foi impecável. É mesmo super leve.


Se a voltava a comprar? Claro que sim. Eu próprio me sinto mais descansado a treinar com ela e sinceramente esqueci-me uma vez ou duas de a pôr antes do treino e fez-me confusão não a sentir no pulso. Pode ter havido coisas que não foram bem aquilo que eu esperava mas no geral é um produto com qualidade e que acaba por valer o dinheiro investido.

Pontos Positivos
+ Qualidade no geral
+ Processo de compra no site (ver em tempo real como a gravação vai ficar e o sistema de medição do pulso)
+ Plástico protetor de origem

Pontos "assim-assim"
+- Preço
+- Qualidade da gravação

Pontos Negativos
- Cuidado no transporte da encomenda


terça-feira, 31 de julho de 2018

Grande Prémio do Vale Grande - As inscrições estão abertas!


O ano passado a Associação Vale Grande arriscou e apostou numa prova diferente, uma prova de 20km por estafetas. Não tivemos uma prova com centenas de atletas mas os que tiverem presentes disseram muita coisa boa! Depois de uma análise à prova, percebermos que o melhor era apostar numa prova de 10km, que promovesse o bairro do Vale Grande e que continuasse a ser atrativo tanto a nível competitivo, como a nível de atletas pelotão.


Tenho então o prazer de anunciar que estão abertas as incrições para o Grande Prémio do Vale Grande! Irá realiza-se no dia 5 de Outubro, sexta-feira e que calha num feriado! Para nos precavermos do calor, iremos começar a prova às 09h30m.

Iremos contar com alguns apoios que nos permitiram realizar algumas surpresas. Iremos ter troféus para todos os escalões, troféus a nível coletivo e prémios monetários para os primeiros da geral de ambos os sexos. Queremos que esta prova seja para todo o tipo de atletas mas queremos que seja uma prova competitiva, algo que não existe na cidade de Odivelas. Mas aguardem por mais surpresas!

Contamos ainda com grandes atletas como padrinhos da prova: o invencível Miguel Carneiro e a grande Naide Gomes! Convidaram-me a mim mas eu disse que tinha de dar a hipótese a outros... estou a brincar!

Infelizmente o percurso ainda não pode ser oficializado mas o mesmo já está feito e será divulgado nas próximas semanas! Mas esperem por algo bastante desafiante! Não existem estradas planas em Odivelas!

Acompanhem-nos na página de Facebook e estejam atentos às novidades que vão surgindo!
  • Facebook: https://www.facebook.com/gpavg/
  • Inscrições (WeRun): https://werun.pt/eventos/grande-premio-vale-grande/
Já te inscreveste? Não? O que é que estás à espera? Inscreve-te já!

terça-feira, 24 de julho de 2018

2ª Corrida das Festas de Loures

Então não estavas de férias? Sim foram duas semanas praticamente sem correr. Então estás em pré-época? Sim estou. Então e já estás a fazer provas? Nim. Também conhecido por sim e não. E que catano isso significa? Olha, significa a mesma merda de sempre e que é comum a todos nós. Fui a uma prova apenas para treinar (era a última prova do Troféu das Coletivivades de Loures) e acabei por ativar o meu chip competitivo. Típico não é?

Como tem acontecido desde que a equipa do Vale Grande foi criada, temos tentado escolher uma prova para fechar a época e fazer um convívio com todos os atletas e familiares. Este ano a prova escolhida foi a Corrida das Festas de Loures, que mais uma vez era por caminhos que já percorri umas poucas de dezenas de vezes.

Surpreendeu-me a quantidade de atletas presentes numa prova quase a roçar o final de Julho. Mais de 600 atletas, incluindo um bom número de atletas com outro andamento a dizerem presente. Eu para este dia tinha na agenda fazer o meu primeiro treino mais puxadinho da época: uns simples 40 minutos a um ritmo moderado. Uma coisa que em qualquer outra altura seria apenas mais um treino básico, mas após duas semanas parado e uma semana apenas com três treinos de 30 minutos, este treino até tinha tudo para doer um pouco. Acabou por doer muito.

Depois de um aquecimento tranquilo, fui andando para a partida, ficando bastante mal posicionado. Como o meu objetivo não era grande coisa, não me preocupei minimamente. O sinal de partida foi dado e quando dei por mim tinha um grande número de atletas à minha frente. Comecei num ritmo alto para o meu estado físico mas rapidamente ainda aumentou mais. Fui analisando os atletas que seguiam comigo e percebi que das duas uma: ou deixava-me ficar para trás e fazia o que era suposto, ou armava-me em parvo e começava a puxar para ajudar a minha equipa. Obviamente que me armei em parvo.

Os primeiros quilómetros foram dolorosos. Muito sobe e desce, e muita falta de pulmão para aguentar o ritmo que os atletas que me rodeavam estavam a impor. A certa altura vi o meu colega Kikas no horizonte e comecei a fazer contas: tendo em conta os atletas que me rodeavam, os atletas que estava à frente e os que estavam mais atrás mas muito perto de nós, a nossa classificação coletiva final ficava bastante ameaçada. Foi então altura de entrar em modo sofrimento máximo e deixar de ir simplesmente com aquele grupo de atletas e começar a puxar por aquele grupo e perceber quem vinha e quem ficava. Um/dois vieram, os outros ficaram. Missão cumprida.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Mesmo assim foi com muito gosto que vi o Diogo Garcia, atleta da minha zona e que passo por ele em muitos treinos, a acompanhar-me (e nos últimos quilómetros a arrasar-me!) e a seguir comigo num excelente ritmo! Pelos 6km foi quando apanhei o Kikas e segui algum tempo com ele. Segui para a frente dele mas seguíamos sempre relativamente próximos.

Entrámos nos últimos quilómetros da prova e as pernas começaram a pesar. A pulsação essa nem se fala. Não costumo levar banda cardíaca em provas, mas como neste dia o objetivo era diferente levei e assustei-me com os valores: 186bpm de média com um pico máximo de 202bpm. Nem sabia que podia ter picos tão altos pois a fórmula mais simples diz-nos que 220bpm-idade (28 anos) deveria dar-me um máximo de 192bpm.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Pormenores à parte, os últimos quilómetros foram de puro sofrimento e de alguma estranheza. Eu não tenho no relógio a indicar-me em que quilómetro vou mas estava com a sensação que a prova se estava a prolongar demais. No último retorno dei aquilo que ainda tinha, que já era muito pouco, mas ainda deu para aguentar a posição que tinha e apanhar o grande Luís Brito nas últimas centenas de metros, tendo conseguido passá-lo praticamente nos últimos 100 metros apenas.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Ao cruzar a meta, olho para o relógio da organização e percebo que algo não está bem pois estava a ver um tempo de mais de 38 minutos. O meu único pensamento foi "porra afinal estou mesmo mal!!". Depois consultei o meu relógio e vejo os quilómetros: 10.9km. E tudo fez sentido. A prova era suposto ter 10km... mas pronto, mais vale a mais que a menos.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Acabar/começar a época (nem sei bem o que isto foi eheheh) com um 10° lugar na geral foi um bom resultado. Mas o meu principal objetivo foi ajudar a minha equipa e o esforço foi recompensado com um excelente 2° lugar coletivo apenas a escassos 3 pontos do Vitória de Setúbal!

Fonte: RUN 4 FFWPU
Depois desta pequena "loucura", vou continuar a treinar com calma, sem grandes aventuras. A única coisa que me interessa esta época ainda está a muitos meses de distância... mas lá chegaremos!

Equipa fantástica!

Resultados: 2ª Corrida das Festas de Loures

terça-feira, 3 de julho de 2018

39ª Corrida das Fogueiras

Sim eu sei, já prometi este artigo no domingo e só agora estou a publicá-lo. Já disse que entrei de férias da corrida? Por isso deixou de me apetecer escrever aqui e esquecer a corrida por completo. Ou então estou a dizer só asneiras. Como esquecer a corrida? Aliás, estou tão de férias que ainda hoje de manhã fui ao treino do Centro de Marcha e Corrida de Odivelas. Bem vamos lá à Corrida das Fogueiras.

Tal como aconteceu no ano passado, consegui juntar a minha claque privada toda e seguimos de carro cheio para Peniche. Este ano devido ao trabalho da minha mãe e da minha mais que tudo, saímos mais tarde, chegando apenas depois das 20h a Peniche. Com os dorsais já levantados pela minha equipa, foi tempo de nos encontrarmos para distribuição dos dorsais que faltavam. A tarefa foi algo complicada por causa do jogo da seleção e também não ajudou o facto de eu estar a stressar porque estava convencido que a prova começava às 21:15 pois era o que estava no site da Xistarca.

Já equipado, fui aquecer sozinho e com "fogo no cu". Curiosamente foi no aquecimento que fiquei a perceber que me sentia bastante bem a nível físico. E porque faço questão de referir isto? Voltando ao dia anterior, tinha no menu um treino de 40 minutos moderado. Nos primeiros minutos desse treino percebi logo que estava completamente derrotado e que me sentia sem força e pesado. O meu pensamento imediato foi que tudo estava encaminhado para fechar a época com uma péssima prova. Mas às vezes o nosso corpo brinca connosco.

A poucos minutos do que eu pensava ser o início da prova, fui para a zona da partida. Foi então que ouvi o speaker a dizer que ainda faltavam mais de 15 minutos para o início da prova... urso. Fui continuando a aquecer, fazendo várias paragens para falar com o pessoal que ia encontrando na zona da partida. Quase 10 minutos antes da partida fui para o meu bloco e percebi que tinha sido uma boa decisão pois em 2 minutos o bloco encheu por completo. A partida estava iminente, sabia que esta era a minha última prova da época e por isso iria dar tudo o que podia.

A partida foi rápida mas estável. Um bom grupo de atletas instalou-se na frente e eu segui no encalço deles. Consegui colar-me ao grupo e durante os primeiros 3 quilómetros consegui acompanhá-los. Depois aconteceu o esperado e lentamente comecei a ficar para trás, ficando completamente isolado. Este facto iria manter-se durante grande parte da prova.

Lá estou eu sozinho e abandonado...
Dado o fantástico/incrível/suberbo público de Peniche, na verdade, nunca me senti sozinho. Aliás só tinha razões para me sentir motivado, pois cada vez que passava por pessoas as palmas e palavras de força eram só para mim! Isto até me afetou entre o quilómetro 4 e 5 (quando passamos na marina perto da meta) uma zona cheia de público estava a bater palmas e eu ainda comecei a incentivá-los, puxando por eles e pedindo mais barulho. Claro que eles responderam em alto e bom som, o que só me deu energia para as primeiras subidas da prova.

Com as subidas o ritmo também desceu naturalmente mas nunca parei de forçar o andamento. Sabia que não podia desistir mesmo seguindo sozinho. Na zona das fogueiras, o vento não ajudava e o pior ainda estava para vir. De mansinho começou a cair alguma chuva miudinha o que por um lado serviu para arrefecer o corpo (mesmo com temperaturas "baixas" estava a transpirar bastante, coisa que não é normal) mas por outro tornou o chão bastante escorregadio, começando a sentir os pés a não agarrarem totalmente ao asfalto.

Por esta altura começo a ver um atleta no meu campo de visão e percebo que em algumas centenas de metros o poderia alcançar. Dito e feito. Ele não se deixou esmorecer e seguiu comigo. Juntos enfrentámos as piores partes da prova, aquelas últimas boas subidas, com chuva e vento contra a atirar para o forte.

Foi por volta do 11º quilómetro que começou a parte desagradável desta prova e que me conseguiu deixar chateado. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa calma e até me esforço para não me meter em confusões. Às vezes reclamo das coisas mas tento controlar-me ao máximo e tento "passar ao lado" de certas situações. Se há coisa que eu faço durante a prova, é tentar ser cuidadoso e tentar agir de forma que não prejudique ninguém. Por exemplo, se há coisa que eu não gosto é de nas curvas apertadas fechar o espaço aos atletas que vão atrás de mim para minimizar o risco de quedas.

Ora bem, esta prova não foi diferente. Com o chão bastante escorregadio e seguindo um atleta atrás de mim, estava a ser bastante cuidadoso na minha abordagem às curvas e algumas parte do piso mais acidentado. A certa altura o atleta passa para a minha frente e numa rotunda bastante apertada, ele fecha-me completamente o caminho. Nessa altura fiquei a pensar "pronto ok, está com medo que o ultrapasse por dentro, tranquilo..." mas também fiquei a pensar que foi a primeira vez que tal me sucedeu. Sim, até hoje nunca ninguém me tinha fechado o caminho como ele fez.

Tornei a passar para a frente dele e foi quando a festa começou. Ele ia como se diz na gíria "à mama" aproveitando o facto de eu ir na frente e estar a cortar o vento. Toca-me uma vez no pé. Toca-me uma segunda vez no pé. E torna a repetir a brincadeira mais umas duas/três vezes. Se ele fez de propósito? Acredito que não. Mas na situação dele, para mim bastava acontecer-me uma vez. Passava imediatamente para o lado e deixava de andar "à mama". Um toque destes é o suficiente para causar uma bruta queda, isto tendo em conta a velocidade a que nós seguíamos. Mas a festa não tinha acabado.

A menos de 2 quilómetros do final, ele adicionou a cereja no topo do bolo. Ele seguia ligeiramente atrás de mim, fazemos uma curva apertada à direita e que tinha um bom passeio. Que é que ele faz? Toca de cortar a curva toda seguindo por cima do passeio, acabando a curva ao meu lado. Isso já não tolero. Saiu-me logo "foda-se, que é essa merda pá?!". Decidi nesse momento que me ia esfarrapar todo para que ele não acabasse à minha frente.

Seguimos mais algumas centenas de metros juntos mas à entrada para o último quilómetro e correndo o risco de ser muito cedo pois sabia que ainda faltava a boa subida que nos leva para a meta, comecei a atacar com tudo aquilo que ainda tinha. Ele que viesse comigo se conseguisse. E tentou.



Como podem ver pelo vídeo acima e pela foto em baixo já na meta, a distância que nos separou não foi assim tanta. Naqueles últimos 200/300 metros olhei para mais vezes para trás do que na prova toda. Bem, em boa verdade durante o resto da prova não olhei nem uma única vez para trás. E tenho que ser sincero. Senti-me tão chateado com a situação, que nem fiquei na zona de chegada. Em qualquer outra situação, um despique final assim com um atleta, ganhasse ou perdesse esse despique, tinha cumprimentado o atleta com grande desportivismo. Agora nesta situação, desculpem a minha atitude, mas preferi nem encarar o atleta. Não consigo respeitar as coisas que ele fez. 

Fonte: RUN 4 FFWPU
Acabei a prova em 12º da geral e naquele agridoce 6º lugar do escalão, ficando a um lugar de finalmente ter um troféu desta maravilhosa prova. O meu tempo oficial foram uns agradáveis 51m58s, tempo que sei que é possível melhorar mas que está de acordo com o que foi esta época e também com as condições desta prova.

Fonte: RUN 4 FFWPU
Obrigado pela maravilhosa foto!
Para terminar a noite em beleza, foi tempo da bela da sardinhada com aquelas pessoas que me apoiam incondicionalmente nestas minhas maluqueiras da corrida. E agora? Agora quero é sopas e descanso! Bem, sopas talvez não. Se vou ficar de "baixa" duas semanas é para fazer de tudo menos comer sopinha. Desejem-me umas boas férias da corrida!

Resultados: 39ª Corrida das Fogueiras

segunda-feira, 25 de junho de 2018

3ª Corrida Freguesia de Loures / Infantado

A época aproxima-se a passos largos do final. E na verdade já não era tempo. Estão a acontecer demasiadas coisas na minha vida e preciso de algum descanso da parte competitiva da corrida. Para quem leva este desporto a sério, é sempre preciso uma boa paragem para recarregar baterias físicas e mentais.

Mas a verdade é que esta época ainda não acabou e este domingo foi dia de mais uma prova perto de casa e num local habitual de treino. Mesmo assim rumei com tempo para a prova para perceber bem onde era a partida e para fazer um bom aquecimento, algo que é essencial para nestas provas curtas. Comecei o aquecimento sozinho mas rapidamente me juntei ao pessoal que me tem feito companhia neste troféu.

Tempo de ir para a partida e pela primeira vez em muito tempo senti algum nervosismo. A minha péssima partida da semana anterior deixou algumas marcas mas sabia que bastava o sinal de partida para tudo isso se dissipar. A partida foi rápida (tão rápida que até o meu relógio perdeu o sinal) e quando dei por mim estava a tentar a colar-me ao grupo da frente.

Rapidamente consegui perceber que a luta iria ser renhida, principalmente com os veteranos de grande nível que estavam presentes. O atleta Jorge Robalo (que eu não conhecia) à entrada do 2º quilómetro deu um grande esticão e distanciou-se de nós. Por esta altura corríamos na zona dos prédios o que nos conferia alguma vantagem sob o calor abrasador que se fazia sentir (11h da manhã quase no final de Junho?!) mas entrando na zona de lezíria as sombras dissipavam-se completamente.

Nesta fase mesmo a subir ainda haviam pernas para manter o ritmo alto. À entrada para a segunda volta voltámos a colar no Jorge Robalo e apesar do grupo já ser bem mais pequeno, ainda seguíamos na frente cerca de 4/5 atletas. Com o declive do piso favorável o ritmo tornou a subir e quando entrámos novamente na zona da lezíria foi quando a prova se começou a decidir. O Robalo atacou novamente e a frente partiu completamente, seguindo outra atleta atrás dele e eu fui atrás. Na fase crítica da subida senti as pernas a quererem parar mas ainda não tinha chegado a hora.

Entrei nas últimas centenas de metros com o atleta Pedro Gomes "à perna" e na última reta em que cheguei a atingir um pico de 2:30/km, olhei uma, duas, três vezes para trás para ter a certeza que iria conseguir segurar a minha posição.

Como é fácil perceber, passei a meta em 3º da geral e 1º do escalão sénior! O tempo foram uns agradáveis 17m02s, para cerca de 5.2km. Não era um percurso fácil e com o calor que se fazia sentir, considero que não foi um mau resultado. Torno a reforçar a minha posição (e de todos os atletas presentes...): não é admissível porem uma prova destas às 11h da manhã no final de mês de Junho. Tudo esteve impecável na organização mas a hora de partida não pode ser esta.

Ultimamente não tenho fotos em plena prova que miséria...
E agora é uma questão de dias até enfrentar aquela que vai ser a minha última prova da época: a grandiosa Corrida das Fogueiras! Finalmente (oxalá não me aconteça nada...) vou poder enfrentá-la sem estar em recuperação ou lesionado. As sardinhas que me esperem!

Resultados: 3ª Corrida Freguesia de Loures / Infantado (equipas)