segunda-feira, 22 de maio de 2017

GP Estafetas - Associação Vale Grande

Uma loucura: fazer renascer uma das provas mais conhecidas e antigas do concelho de Odivelas.
Duas loucuras: organiza-la e corrê-la.  

Este artigo já deveria ter sido feito há quase duas semanas. Quis que as ideias assentassem nos dias a seguir e depois alguma preguiça impôs-se. Sim também tenho direito a ser preguiçoso!

Então vamos lá! 

Correr no GP Estafetas - Associação Vale Grande


Quase em cima da hora do autocarro para levar os atletas para ponto da passagem de testemunho, cheguei com o Rui Martins à zona da partida. Equipei-me à pressa, pus o dorsal e arranquei acompanhado do grande Paulo Ramos para a zona do autocarro. Alguma palheta e entramos no autocarro. Uns minutos depois da hora marcada dei ordem ao motorista para arrancar. O autocarro estava agradavelmente cheio. Primeira história caricata: durante a viagem começo a olhar para os ténis dos atletas e vejo uma cena branca... esqueci-me do chip! Como é que alguém que é da organização se esquece do chip! Bem mais tarde se iria resolver, pois ali no autocarro já não o podia ir buscar. 

Chegados ao local da transição do testemunho, segui com o Paulo para fazer uns minutos de aquecimento. E começa a segunda história caricata. Passado uns minutos começamos a ver os primeiros atletas a chegarem. Seguimos para a partida quando reparo em algo errado: os atletas não estavam a passar por dentro do pavilhão multiusos de Odivelas como seria de esperar. Vou até ao outro lado da estrada e mando uns berros a tentar perceber o que se passava. Ao mesmo tempo começo a ouvir "oh Vitor! oh Vitor!" e de repente percebo que o meu colega de equipa Luis Vasconcelos já estava à minha espera para me passar o testemunho. À conta desta brincadeira ele estava há mais de 30 segundos para me dar o testemunho. Na 2ª parte do artigo conto o que se passou.

Fonte: Marcelino Almeida
Arranquei num ritmo alto e rapidamente percebi que era um ritmo bem mais alto do que aquilo que eu iria aguentar. Os três dias antes foram de umas boas férias pelo norte do pais só a comer e beber. Tinha que resultar mal. Eu sabia como era o percurso no papel. Sabia como era o percurso de carro. Não fazia ideia o quão duro era o percurso a correr. 

Fonte: Edgar Magro
Ao acabar o 1º quilómetro começou a subida que praticamente durou até o final da prova. Enquanto corria na zona das Colinas do Cruzeiro, os prédios faziam sombra e não sentíamos o calor brutal que já se fazia sentir (de notar que desde o início impusemos a ideia da prova começar às 9:30). Mas depois da zona das Colinas, foi sempre a levar com sol na cabeça. Foi por esta altura que passo pelo carro da organização com o Rui de fora da janela a incentivar o pessoal. Eu mando-lhe um berro "o pavilhão está fechado!!!" e vejo a reação de surpresa dele. Correr e organizar uma prova. Estava a ser uma pequena aventura.

Não há muito mais a contar, seguia sozinho, sempre a subir e a subir, e estava a andar a ritmos decepcionantes. Não tinha pressão de nenhum atleta atrás, mas também não vislumbrava ninguém à minha frente. No último quilómetro pensei logo: a meta é ao lado da associação e foi lá numa sala que deixei o meu saco com o chip. Então fiz o que podem ver no video em baixo.


Passo a meta quase em sprint, passo o testemunho ao meu colega de equipa José Geada e digo para o olhar estupefacto do pessoal da WeRun, grito que não tinha chip e continuo a correr para dentro da Associação e subo as escadas feito maluquinho. Agarro no chip e desço as escadas e vou passar o chip pelas baías com os sensores. E só naquele momento acabou a minha prova! Deu para uma vitória por equipas mistas, pois a minha equipa contava com a madrinha da prova Lucilia Soares.


Fiquei contente com a vitória, não tanto com o rendimento. Mas neste dia a minha preocupação era outra. Queria era que a organização da prova corre-se bem.


Organizar o GP Estafetas - Associação Vale Grande


A ideia de organizar esta prova começou há mais de um ano. O problema foi transpôr esta ideia para o papel. Depois de muitos meses de adiamentos, resolve-mos meter as mãos à obra. E aqui tenho de deixar já uma meção especial à WeRun. Eu mandei muitos mails para empresas de organização de provas. A WeRun foi praticamente a única que me respondeu. O Samuel Valério desde cedo se interessou pelo projeto e ajudou-nos a construir esta prova de raiz. Um grande obrigado!

Muitos encontros, muitas ideias debatidas, muitas ideias desfeitas e soluções encontradas. Chegou ao insólito (sim mais uma situação...) de eu ter marcado férias para o dia da prova e só me ter apercebido algumas semanas antes. Deu para tudo.

Chegou então o dia da prova. Toca o despertador às 6 da manhã para ir pôr indicações nos principais cruzamentos para os atletas que vinham de carro não se perderem. Antes das 8 da manhã já estava tudo a ser montado ao pé da Associação do Vale Grande. Faltava apenas ir reforçar as setas no chão ao longo do percurso para não haver quaisquer dúvidas de qual o caminho a seguir pelos atletas. Foi uma alegria esta viagem, a PSP a passar por nós e a fechar os olhos à forma como nós íamos no caro eheheh.


Fonte: Marcelino Almeida

Fonte: Marcelino Almeida

Fonte: Marcelino Almeida
Quando voltámos à Associação, já tudo estava a decorrer sobre rodas. Muitos atletas, muita cara conhecida. Obrigado aos muitos atletas que abdicaram de provas mais conhecidas para poderem estar presentes! Já praticamente todos os dorsais tinham sido recolhidos no dia anterior. Foi tempo de eu me ir equipar para correr e com a cabeça a mil nem me lembrei de pôr o chip.

Fonte: Marcelino Almeida
Avançando no tempo, quando acabo a minha prova e trato da situação do chip. Falei logo com o Samuel e fiquei mais descansado quando soube que a questão do pavilhão estava resolvida. Problemas (sérios) na comunicação com a PSP, fez com que um agente tenha fechado a entrada para o pavilhão. Situação rapidamente corrigida pela Câmara Municipal de Odivelas. Enfim, agora até quando estou em organização de provas tenho problemas com a PSP de Odivelas. Não tenho descanso.

Visto que a organização da prova estava assegurada, decidi fazer mais uns quilómetros e acompanhei os dois últimos atletas da prova. Chegados ao local da transição, ainda recebi umas bocas em género de ameaça que aquelas equipas poderiam ser desclassificadas por eu os ter acompanhado aqueles atletas. Prefiro não comentar esta situação de tão ridícula que foi. Era um dia de festa, não estava para me chatear com coisas insignificantes.

Fonte: Marcelino Almeida
Fonte: Marcelino Almeida
Fonte: Marcelino Almeida
Fonte: Marcelino Almeida
Tal como delineado, estava o autocarro à espera dos últimos atletas para voltar ao local de partida e pude dar ordem para o mesmo arrancar. Chegámos a apanhar o último atleta à entrada do último quilómetro e pedi ao motorista para sair do autocarro para o ir acompanhar. Na companhia do Paulo Monteiro, lá seguimos com este atleta por ali acima.

Seguiu-se a entrega de prémios, sendo uma festa pois uma prova deste tipo obriga sempre a todos os atletas de cada equipa a irem ao pódio.

Acho que foi uma manhã bonita. Recebi muito feedback positivo e algumas critícas construtivas. No fundo, acabou por correr bem. E em muito se deveu à experiência da equipa da WeRun. Tenho de agradecer também à Câmara Municipal de Odivelas e a todos os patrocínios pelo apoio que deram a esta prova. Foram eles que tornaram esta prova possível!

Será que irá haver 2ª edição? Vamos todos acreditar que sim! Iremos trabalhar para isso!




segunda-feira, 15 de maio de 2017

VI Grande Prémio de Almargem do Bispo

Eu sei. Estou em falta no artigo da prova da semana passada. Mas essa prova foi especial porque estive dos dois lados da barricada: organizei e participei na prova. É preciso tempo para digerir tudo o que se passou naquele dia. Já neste GP de Almargem do Bispo, tudo foi mais fácil. Foi chegar, correr e vencer. Mas na verdade não foi assim tão fácil.

Embora eu esteja inscrito no Troféu Sintra a Correr desde o início do mesmo, esta foi a primeira prova em que participei. Como alguns de vocês sabem, durante muitos anos morei nesta zona e o circuito desta prova é praticamente o que eu fazia nos meus treinos diários. Mesmo já não sendo esta a minha morada atual, estava a correr em casa.

Acompanhado pelo Rui Martins, seguimos descontraídos para a prova. Equipar, fazer o aquecimento, momentos de palheta com as caras conhecidas destas andanças, e siga para a partida! Sentia-me bem mas não a 100%. Ainda não recuperei dos dias de férias que tive antes da estafeta do Vale Grande. Não treinar e não fechar a boca dá nisto eheheh.

A prova começou num excelente ritmo. Ainda melhor por perceber que ia ter companhia nos primeiros quilómetros. Durante três quilómetros foi assim, pelo sobe e desce típico da zona. Depois de chegarmos a Camarões e passar pelos meus pais que me apoiaram de forma efusiva, começou a verdadeira prova: a parte do sobe, sobe, sobe…
Fonte: Luís Duarte Clara
Nesta fase da prova, já só seguirmos na frente eu e o Edgar Jacinto. Psicologicamente estava bem, principalmente por ter companhia. Fisicamente parecia que a energia não estava a chegar aos quadricípedes, o que me estava a afetar o rendimento. Por volta dos 7 quilómetros consegui ganhar alguns metros e posicionar-me na frente da prova. Sabia que ainda faltava a pior parte da prova, umas boas centenas de metros com um declive bem positivo, e na minha cabeça pensei que era ai que a prova pudesse ser decidida a meu favor.

Que errado que eu estava. Quando vou na famosa subida começo a sentir o Edgar a aproximar-se rapidamente e de repente estava à minha frente. Tentei chegar-me ao pé dele e no final da subida já estávamos lado a lado e quando o passo ele diz-me “boa prova!” e eu sabendo que ia no limite depois daquela subida grito-lhe “anda lá cara***!”. Estava-me a saber bem aquele despique e não queria ele desistisse.
Fonte: Luís Duarte Clara
Começámos a descer para o último quilómetro, apanhamos uma dezena de metros novamente subir e depois sempre a descer até à meta. Sabia que tinha de descer como nunca o tinha feito, pois sou perito a perder lugares a descer. Abri a passada meti a minha cara de sofrimento e corri como se a minha vida dependesse disso.


Fonte: RUN 4 FFWPU
Vejo agora que cheguei a atingir um ritmo abaixo dos 2:40/km. Que bem que soube depois daquele esforço todo cortar a meta em 1º lugar da geral! Fiz os 9km da prova em 30m48s, praticamente menos 1 minuto que o ano anterior. Espero que seja um bom sinal para a reta final da época!

Fonte: Jaime Maurício
Fonte: RUN 4 FFWPU
Durante esta semana vou publicar o artigo sobre a boa manhã que decorreu no passado dia 7 de Maio, no Grande Prémio por Estafetas da Associação Vale Grande. Até lá!

Classificações: Brevemente

segunda-feira, 1 de maio de 2017

36ª Corrida Internacional 1º de Maio

A nossa vida é feita de fases. Os nossos valores e características pessoais não se alteram, mas se a nossa mente não está 100% focada naquilo que está a fazer, os resultados ficam comprometidos. No último mês, por motivos extra-corrida, pouco tenho pensado em treinos e em provas. Cheguei ao 1º de Maio sem estar focado na prova e não me sinto satisfeito com essa situação. (In)felizmente esta foi mais uma daquelas provas em que no fim acabam por existir pontos positivos.

A juntar ao factor mental, ontem à noite passei umas boas horas bastante desconfortável da barriga. Sabia que era provável que passa-se durante a noite pois não era a primeira vez que sentia este tipo de desconforto, mas estava com medo que afetasse a prova. De manhã sentia-me bem melhor e com as pernas frescas ou não tivesse levado uma pequena tareia do Paulo Monteiro na sexta. Cheguei com a habitual hora de antecedência ao Parque de Jogos 1º de Maio para recolher o dorsal, e depois foi hora de equipar e ir aquecer. Hoje fui o único representante do Vale Grande e o pessoal destas andanças até estranhou.

Perto da hora definida, fui para o bloco de partida onde já estavam centenas de atletas. Tentei chegar-me um bom bocado à frente, mas chegou a uma altura que já não estava confortável para pedir mais vezes para me deixarem passar. E isso acabou por influenciar na partida, pois senti dificuldades em ultrapassar durante umas boas dezenas de metros.

Depois de sair do Parque, tentei logo apostar num ritmo alto pois sabia que era na primeira parte da prova que deveria apostar na velocidade. Com esta aposta acabei por me isolar na altura em 5º/6º lugar. Fui apanhado por um atleta que me puxou autenticamente durante alguns quilómetros, tal era o ritmo que ele levava. Nos túneis quando descíamos, tinha dificuldades em acompanhá-lo mas quando começávamos a subir conseguia recuperar alguns dos metros perdidos. Fomos entretanto apanhados por um atleta que seguia em grande velocidade e ainda pensei que tivesse ali um bom grupo para fazermos uma boa prova.

Fonte: Luis Duarte Clara
Seguia um atleta no nosso campo de visão que tinha ficado para trás do grupo que liderava a prova. Estava a usar esse atleta como motivação, tendo como objetivo ultrapassá-lo. Na subida do último túnel apostei numa passada forte e os dois atletas que seguiam comigo ficaram para trás. Começou então a fase da descida do Saldanha até ao Marquês. Aproveitei o embalo e lentamente fui-me aproximando do atleta que tinha no meu campo de visão. Chegando à rotunda, desculpem-me a frontalidade, mas fiquei fodido quando o vejo a cortar a rotunda autenticamente indo pelo passeio. Decidi naquele momento que não ia apostar naquele jogo e enquanto ele cortava caminho, eu fazia a minha prova pela estrada como mandam as regras.

Ele ganhou-me uns bons metros e a meio da Avenida da Liberdade levava-me um bom avanço. O problema de ir a descer demasiado tempo é que o corpo se habitua e instintivamente começa a travar. Eu pensava que ia rápido, mas quando olho par ao relógio percebo que tinha desacelerado. Tornei a apostar num ritmo forte, cruzando a Rua do Ouro a um bom ritmo. Aproveito para agradecer mais uma vez a todos os estrangeiros que estão na rua a bater palmas (os portugueses correspondem a 0.1% das pessoas que apoiam os atletas em Lisboa) e mais uma vez a todos os espanhóis que fizeram mais barulho quando eu passava por mais uma vez pensarem que eu era espanhol ehehe.

Quando chegámos ao Martim Moniz pensei logo que era ali que a verdadeira prova iria começar e que a minha prova se iria decidir. Logo nas primeiras dezenas de metros da longa subida da Almirante Reis apanhei o atleta que seguia à minha frente e rapidamente o deixei de ouvir atrás de mim. Continuei a apostar num andamento forte e constante, apesar do desânimo de cada vez que olhava para o relógio (ritmos a marcar os 4:00/km). Ainda passei por uma pequena peripécia, com um senhor de muletas com uma cerveja de litro na mão (ou litrosa como se chamava no meu tempo de adolescente) que começou a atravessar a estrada e foi parar mesmo à minha frente, conseguindo desviar-me quase em cima dele.

Fonte: Jaime Maurício
Quando a subida começou a ficar mais dura, um agente da policia que deve ter experiência em corrida, disse-me para alargar a passada e a verdade é que me ajudou a manter o ritmo pois por aquela altura já seguia com a passada muito curta devido à inclinação positiva. Depois disto não existe mais grande história. Quando cheguei ao 14º quilómetro, decidi olhar para trás e percebi que ia completamente à vontade e dado que não via nenhuma atleta à minha frente há bastantes quilómetros, decidi apostar num ritmo forte mas controlado para as últimas centenas de metros.

Cortei a meta em 4º de geral e em 2º do escalão sénior, completando os 15km com 52m57s, quase 1 minuto e meio pior que o meu melhor tempo. Não é um resultado que me deixa orgulhoso, apesar da boa classificação. Esperava um tempo melhor.

Fonte: Jaime Maurício
Deixo apenas uma pergunta no ar: o que está a acontecer às provas em Lisboa? Como é possível numa das provas mais tradicionais e concorridas, eu ficar em 4º da geral com quase 53 minutos? Eu fui a esta prova para ir correr contra os melhores e no entanto andei praticamente a prova toda sozinho. Mas só as provas mais comerciais é que interessam? Não consigo deixar de sentir um amargo de boca ao colocar este troféu na minha estante. Não gosto de não sentir prazer em subir a um pódio. Espero que entendam esta minha observação.

Resultados: Brevemente

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O dia em que utilizaram a minha imagem e trabalho sem autorização


Qualquer semelhança entre este post no Facebook desta loja e o meu artigo sobre o teste ASICS Foot ID é mera coincidência. Ou não. 

Quem me conhece sabe que eu não gosto de confusões, nem de criticar por criticar. Um exemplo disso é a minha postura nas redes sociais. Evito ao máximo meter-me em discussões sem sentido, ou fazer posts a dar opiniões pessoais sobre assuntos da atualidade. Sou um coninhas. Apenas dou a minha opinião (principalmente através do blog) quando penso que as pessoas estão a prejudicar-se com decisões por falta de conhecimento. Mas adiante.

Eu esforço-me para qualquer referência que faça colocar sempre a fonte. Nunca altero fotos com marca de água (embora reconheça que já o fiz há muito muito tempo atrás). Se não encontro a fonte de qualquer fonte ou artigo nem utilizo os dados. Qual não foi a minha surpresa quando o meu amigo e treinador André Filipe, me encontra em fotos num post de uma loja de artigos desportivos. Eu fiquei a olhar para aquilo... só podem estar a gozar.

Mandei mensagem privada, o próprio post tem um comentário do André e não obtive qualquer reação. Então pronto, esta foi a minha solução para divulgar este assunto. 

Eu por mim podiam usar a minha imagem à vontade. Era com todo o gosto que eu aceitava e até fornecia as fotos originais que têm mais qualidade. Mas nem autorização, nem citar a fonte, nem absolutamente nada.

Obrigado e bom dia.

sábado, 22 de abril de 2017

Grande Prémio Atletismo “Sobral a Correr – Troféu José Manuel Gil Alves”

Mau. Péssimo. Há dias assim. Mas eu sei o que vocês vão dizer no final deste texto: "então mas este gajo fica em 2º e ainda diz que foi mau?". Vocês sabem que eu sou ambicioso. Vocês sabem que eu quero estar sempre nas melhores condições. E hoje não me senti assim.

Este mês eu não tinha intenção de participar em mais nenhuma prova, apenas a prova do 1º de Maio (e mesmo essa... já vão perceber porquê). Mas a meio desta semana, fomos desafiados pelo nosso colega Luis Vasconcelos a irmos como equipa a Sobral de Monte Agraço fazer uma prova de inscrição gratuita. Olhei para o treino que tinha para fazer sábado, 7.5km a 3:22\km, e a prova tinha exatamente 7.5km. Portanto adequava-se na perfeição ao que eu queria.

Junto com o Rui Martins, fomos para Sobral de Monte Agraço. Dorsais distribuídos, tempo de um aquecimento. Com as distrações normais de um início de prova, acabei por me esquecer de comer algo. Não sei se isso terá tido influência na quebra de hoje, mas sinceramente penso que sim. Outra falha foi o aquecimento algo lento. Eu não estava em modo prova, estava em modo treino e por isso deveria ter sido um aquecimento mais rápido e intenso para preparar as pernas para o que vinha ai.

Partida dada. Um atleta isolou-se rapidamente na frente, enquanto eu seguia num grupo atrás dele. Logo para abrir são quase 300m a subir. Percebi logo que aquela prova não seria o treino que eu tinha planeado. Subidas daquelas aliado ao facto de me estar a sentir bastante fraco das pernas, não podia resultar em grande coisa.

Formou-se um grupo de 4 atletas (comigo incluído) que seguiam em perseguição do atleta que seguia na frente. Tive juízo e deixei-me ir no grupo. Se a prova ia ser aquele constante sobe e desce, e eu não me estava a sentir bem, mais valia apostar na classificação. No grupo seguia um atleta que também tinha seguido comigo na Corrida dos Sinos. E que me ganhou no último quilómetro sem misericórdia. Bom pronuncio portanto.

Sempre controlado nas subidas e tentando compensar algo nas descidas, foi aos 3km e pouco que apareceu a pior subida. O meu ritmo foi até aos 4:00\km mas optei por não esforçar. Neste momento já só seguíamos 3 atletas no grupo e tentando aliviar a pressão, pensei "lembra-te, o teu objetivo é a Corrida 1º de Maio". O meu pensamento seguinte foi "foda-se, ainda não me inscrevi!!!". Juro que até tive uma quebra na passada. As inscrições acabam dia 24, ainda estou a tempo eheh.

Ao quilómetro 5 foi o momento em que finalmente apanhámos o atleta que seguia na frente desde o início. Já só seguia juntamente com o Francisco Pedro, o atleta veterano III que me ganhou nos Sinos. E percebi naquele momento que a classificação já estava feita.

O último quilómetro da prova é feito na mesma subida inicial e foi ai que perdi a hipótese de tentar o 1º lugar. Não tive pernas para responder ao ataque do Francisco e limitei-me a vê-lo subir à minha frente e a tentar perceber se tinha em risco a minha classificação. Mesmo assim nos últimos 400m decidi não baixar os braços e quis vender caro a "derrota". Ganhei alguns metros mas não os suficientes para me conseguir ameaçar a vitória do Francisco.

Cortei a meta com um 2º lugar na geral e 1º no escalão. O tempo foi péssimo, 24m49s para 7km (menos 500m que os anunciados, embora isso não me chateie). Média de 3:32\km, longe do objetivo que tinha no meu plano de treinos. Ainda conseguimos um 2º lugar coletivo, apenas perdendo para a equipa enorme da Casa do Benfica de Torres Vedras.



Bem e agora? Chega de chorar, ainda há alguns dias de trabalho e depois será gerir até ao dia 1 de Maio, para aquela que será a minha primeira participação nesta prova. Ate lá!

Resultados: Grande Prémio Atletismo “Sobral a Correr – Troféu José Manuel Gil Alves”

terça-feira, 18 de abril de 2017

Quem quer uma inscrição à borla para o GP do Vale Grande?


Já se inscreveram no Grande Prémio do Vale Grande? Não? Querem um passatempo? Então vamos lá.

Como já sabem, e se não sabem ficam a saber, dia 7 de Maio todos os caminhos vão dar a Odivelas. Apenas precisam de formar uma equipa de 4 elementos (masculina, feminina ou mista) e vir correr pelas Colinas da cidade de Odivelas. Não chega? Então fica sabendo que vamos ter prémios monetários para as primeiras equipas de todos os escalões, artigos desportivos da Runsox e ainda vouchers de refeições da Krystal!

Então mas e o passatempo? Ora bem se querem que a inscrição fique a cargo da vossa sorte, apenas têm de deixar um comentário a dizer "Quero ir!" no artigo do blog ou no post do Facebook da página d'Aquele Que Gosta de Correr (já fizeste like?).

Se não querem deixar a vossa inscrição nas mãos da sorte alheia, então inscrevam-se já em http://www.werun.pt/eventos/corrida-vale-grande/.

Têm até às 23:59 do dia 26 de Abril para participar. Durante o dia 27 de Abril será anunciado o vencedor! Será atribuído um número sequencial a cada participante e o vencedor será escolhido de forma aleatória através do já famoso random.org.

Nota importante: não se esqueçam que isto é uma prova de 4 elementos, por isso apenas se inscrevam se têm pessoas para formar equipa!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

35ª Corrida dos Sinos

Passaram-se duas semanas daquela que foi uma das minhas melhores provas neste meu ainda curto percurso no atletismo. Um recorde pessoal à meia maratona, uma boa classificação para quem não dedica nem 10% da sua vida ao atletismo. Como posso pedir mais?

Após a meia tive direito a uma semana com menos treinos e mesmo os que existiram foram curtos. Na semana anterior aos Sinos os treinos também foram apenas de manutenção praticamente. Estes dois fatores deixaram-me apreensivo para o que ia enfrentar em Mafra. Os níveis de sofrimento estavam em baixa e já não imaginava o que era dar tudo o que tinha durante tanto tempo.

Como motivação extra, fui para Mafra com o carro cheio, trazendo para a festa dos Sinos os meus pais, a Johanna e a mãe dela. Este apoio iria ser fundamental na fase final da prova.

Depois do encontro com o pessoal do Vale Grande e dorsais distribuídos, foi tempo de equipar e ir aquecer. Não fiz um bom aquecimento, foi curto e com interrupção para ir à casa de banho. Para não ir logo para a partida, fui para a frente do pórtico fazer umas retas. Não sei o que aconteceu depois, aparentemente havia uns dorsais marcados que podiam estar num bloco à frente do resto do pelotão. Não sei como era possível aceder a este bloco no momento da inscrição, mas naquele momento optei por me deixar estar junto de atletas que tinham mais andamento do que eu. Posso-me ter aproveitado da situação e com certeza que há pessoas que irão reprovar a minha atitude, mas a verdade é que talvez tivesse tanto direito a estar ali como outros atletas ali presentes.

Fonte: Luis Duarte Clara
Distrai-me durante uns segundos e quando dei por mim estava a tocar o sino. Era a hora da missa da Santa do Sofrimento. Nos primeiros quilómetros senti-me um pouco estranho, tinha força mas parecia que o corpo não queria entrar em modo sofrimento. A minha cabeça também se começou a defender, com os pensamentos a vaguear por algumas dores chatas que tenho tido nos últimos dias. Umas centenas de metros após passar por detrás do Palácio Nacional, passei pelo meu pai que ia na caminhada e com a força dele senti-me um pouco revigorado.

Uma das coisas boas que estas provas tradicionais (e que têm prémios monetários…) é que existem atletas para todos os ritmos. Finalmente tive uma prova em que pude correr inserido num grupo. É tão raro acontecer que tenho de o mencionar! Inseri-me nesse grupo por volta do 4º quilómetro e nunca mais o larguei. Mas como ainda tenho pouca cabeça nestas coisas, foram raros os momentos em que não estava posicionado na parte da frente do grupo.

Seguíamos a bom ritmo até aos 8/9km. A partir daí todos nós sabíamos que íamos entrar na fase do sofrimento. Tudo o que tínhamos acabado de descer, iríamos subir. Eu sabia que não podia exagerar mas continuei a impor um bom ritmo. Ia na frente do grupo quando um colega do Vale Grande, o Luís Vasconcelos, gritou-me para eu não puxar pelo grupo. Percebi que mais uma vez não estava a ter juízo e que estava a desgastar-me sem fazer sentido. O que interessava ali era jogar para a classificação. Já em outras provas tive dissabores por estar armado em líder do pelotão e depois não ter pernas má fase final enquanto o resto do grupo nos ultrapassa. 

Fonte: Luis Duarte Clara
Sempre em grupo ainda ultrapassamos um ou dois atletas, inclusive o atleta que ficou à minha frente na Corrida Lezírias. O grupo apenas no último quilómetro se desmembrou e seguiu-se algumas centenas de metros num ritmo bastante alto (3:11/km). Eu seguia nos limites e apenas um membro do grupo seguia à minha frente com um bom avanço. O resto do grupo seguia atrás de mim e eu não podia abrandar nem um pouco. Passei pela minha claque pessoal feminina (mãe, namorada e sogra) que berraram por mim e eu nem consegui desviar o olhar para elas

Fomte: RUN 4 FFWPU
Nota-se muito que ia a sofrer na fase final? :)
Virei para o complexo desportivo e comecei a descer para a pista. Só quando acabou a curva da pista e sigo para a meta percebo que o meu lugar estava assegurado. Queria festejar ao passar a meta mas nem consegui levantar os braços tal o esforço que tinha acabado de fazer! Bati o meu recorde pessoal aos 15km por 43 segundos, passando a meta com o tempo oficial de 51m27s. Fiquei em 9º da geral e em 6º do escalão sénior. Ainda deu para ser chamado para receber um prémio monetário por ter ficado nos primeiros 15 lugares. Acabou por correr quase tudo na perfeição!


Por equipas, o Vale Grande ainda conseguiu subir ao 5º lugar, apesar de nas fotos aparecermos em 4º. Houve problemas com a classificação do atleta do CUAB que seguia atrás de mim, e eu não tive problemas nenhuns em acompanhar a equipa do CUAB à secretaria para provar que o única problema ali era técnico e que o atleta devia estar na classificação. Este acerto fez o Vale Grande cair para o 5º lugar. Mas sem problemas, para o ano se tudo corre bem, lá estaremos em Mafra para tentar subir ao pódio!

Resultados: 35º Corrida dos Sinos

segunda-feira, 20 de março de 2017

Meia Maratona de Lisboa 2017

Escrever sobre uma prova em que atingimos os nossos objetivos pode ser frustrante. Por onde começar? O que dizer? Como conseguir explicar o que 44 segundos significam para nós?

Começando pelos dias pré-prova. A minha vida, e praticamente de toda a gente neste nosso cantinho da blogosfera, não gira em torno da corrida. Posso ser-lhe bastante dedicado mas praticamente tudo o resto é mais importante. Nas últimas semanas a minha cabeça tem andado a mil à hora e com assuntos que nada têm haver com o desporto. Os treinos não foram afetados, mas mesmo nestes dava por mim muitas vezes com a cabeça noutro lugar, longe do esforço e da respiração acelerada que a corrida nos provoca. Só neste domingo, praticamente sob a linha da partida, à espera do sinal de partida, é que o coração acelerou com o nervosismo.

Bem e vamos já desmistificar um facto. Vocês já estão fartos de me ouvir dizer que nunca mais fazia esta prova. O que mudou este ano? Deram-me um dorsal VIP. Ah mas VIP dos pequeninos porque a única coisa que tinha direito era em ir para o bloco da frente da prova :) vá e a outra vantagem é que a fila para as casas de banho é mais pequena eheheh. Portanto mais um ano em que fiz o caminho religioso de autocarro e comboio até estar finalmente na zona da partida. E mais um ano em que arrastei os meus pais para estas aventuras :)

Por muito cedo que cheguemos à zona da prova, o tempo acaba por passado a correr. Muita conversa, aquecimento e quando damos por nós, tiro de partida. Pela primeira vez tive a sensação de estar a correr livremente pela ponte, com poucos atletas pela frente e sem sentir que estava a correr dentro de uma lata de sardinhas mal fechada. Mas verdade seja dita, nem uma vez olhei para os lados para ver a vista que estar em cima da ponte nos proporciona. 

Fonte: A Natureza Ensina
O ritmo começou alto mas não demasiado alto, o que é habitual numa meia maratona. Fiquei integrado num segundo grupo, não me passando pela cabeça em tentar apanhar o grupo da frente. Quando começamos a descer, aproveitei para abrir a passada e tentar descontrair mantendo o ritmo alto. Ainda havia muita prova pela frente.

Quando acabámos de descer, levamos com o apoio do público que é sempre um bom motivador depois de 5 quilómetros sem ver outra coisa que não atletas. Para mim foi muito importante este apoio pois entrei mais uma vez naquela fase das minhas provas em que fico completamente isolado. Devo cheirar mal só pode.

Esta fase manteve-se durante alguns quilómetros. Após a viragem nos Cais do Sodré, aproveitei novamente o empurrão do público para não diminuir o andamento. Tenho que agradecer ao público espanhol que continua a confundir as cores do Vale Grande como sendo espanholas eheh. Passei aos 10kms abaixo dos 34 minutos. Nessa altura passou-me tudo pela cabeça. Nunca pensei numa meia passar aos 10kms com um tempo tão baixo.

A partir daqui começámos a apanhar os atletas que ainda iam em direção ao Cais do Sodré. E começou a festa dos atletas que não sabem correr na parte da estrada que lhes é destinada. Lá tive que mandar uns berros e pregar uns quantos sustos pois eu não me afastei um centímetro quando via alguém a correr na minha direção. Mas para não pensarem que eu só sei dizer mal, só tenho a dizer uma palavra do fundo do coração: obrigado a todos pelo vosso apoio. Tanta gente que gritou o meu nome. Houve uma parte do percurso que foi tanta gente ao mesmo tempo a gritar por mim que me arrepiei. Obrigado! 

Fonte: Luís Duarte Clara
Foi durante os quilómetros que se seguiram, decidi aquilo que poderá ter sido o meu único erro na abordagem da prova. Levava um gel comigo mas decidi não o tomar. Talvez tenha sido um erro mas nunca o irei saber. Durante 2/3 quilómetros, ultrapassei alguns atletas até me aproximar de um grupo em que seguia o António Sousa. Consegui imprimir um bom ritmo para chegar a esse grupo e quando dei por mim já me tinha distanciado do grupo. Mas felizmente para o que restava da prova, o António Sousa veio comigo.

Até ao quilómetro 17 não houve mais história, apenas um atleta que seguia na nossa frente penso que alemão, e depois de passar por um grupo de apoiantes do mesmo, para me motivar psicologicamente, tentei ter sentimentos nacionalistas e apenas pensava que o tinha de ultrapassar. Isso acabou por acontecer. Chegámos então à viragem, no famoso quilómetro 17.

Fonte: Luís Duarte Clara
A partir da viragem começou o verdadeiro sofrimento. Apesar da caixa estar boa, comecei a sentir as pernas presas e não conseguia imprimir o mesmo ritmo com que estava antes da viragem. Para terem noção, estava a andar por volta de <3:25\km e o ritmo passou para >3:30\km. Algum vento contra também não terá ajudado mas as desculpas não me interessam. Com esta quebra perdi a hipótese de bater o meu objetivo real para esta prova.

Não há muito mais para contar. No último quilómetro ainda consegui baixar um pouco o ritmo mas mesmo assim nem cheguei perto da média antes da viragem. Apenas serviu para conseguir acabar à frente do António Sousa.

Fonte: Correr Lisboa
Como muitos de vocês já sabem, passei a meta com o tempo de 01h12m31s, quebrando assim o meu recorde pessoal com por 44 segundos! Tenho a certeza absoluta que se não fosse a quebra final, teria conseguido o meu derradeiro objetivo de terminar com menos 1 minuto que o meu melhor tempo de 01h13m15s feito na Meia Maratona dos Descobrimentos em 2015.

Claro que gostei de saber que fiquei em 40º da geral e em 15º entre os portugueses em prova. Já sei que há alguns anos atrás nem nos primeiros 100 ficava, mas infelizmente o atletismo não caminha para melhor a nível profissional.

Tenho apenas a agradecer outra vez todo o vosso apoio, aos inúmeros comentários que me fizeram e dedicar este recorde pessoal ao meu pai, tal como já o tinha feito na página do Facebook. E claro não posso deixar de dar um agradecimento especial ao André Filipe por todo o trabalho que tem feito comigo. Esta prova é o exemplo real disso!

E agora? Descanso!!! Uma semaninha calminha, de recuperação para o resto da época. Acho que mereço não? :) Até já!

Resultados: EDP Meia Maratona de Lisboa 2017