sábado, 11 de maio de 2019

Análise Compressport Free Belt

Não escondo que o treino para a maratona foi um dos maiores desafios da minha vida não só a nível físico como psicológico. Mas existe todo uma outra componente: o desafio a nível de material.

Os meus treinos sempre foram relativamente curtos. Apoio a nível muscular durante o treino? Que é isso? Bolsos para mais do que um bocado de papel e um par de chaves? O bolsinho típico dos calções chega. Recuperação? Algum descanso e água fria dão conta do recado. Eu nem nunca tinha tomado um gel durante um treino. Portanto, vocês estão a entender onde eu quero chegar.

Este é o primeiro de três artigos de análises sobre material que utilizei no treino para a maratona. Então vamos lá a isto.

Mal os treinos começaram a aumentar de duração, comecei a precisar mais do que um simples bolsinho dos calções. Onde pôr 1 ou 2 géis? Como é que me vou hidratar? Onde vou levar algo que me permita levar algo para ouvir uns podcasts para não ficar maluquinho por estar a gastar tanto tempo a correr? Isto fora as coisas normais como já disse em cima.


Na Meia Maratona dos Descobrimentos conheci um atleta que já tinha feito a maratona e durante a prova, conversa puxa conversa e ele aconselha-me a Compressport Free Belt e mostra-me que a está a utilizar naquele preciso momento. Não precisei de mais nada, fiquei convencido. Estávamos a correr a 3:30/km e aquilo não o estava a incomodar!

Este Free Belt é facilmente uma das melhores compras que fiz na minha vida desportiva. Ainda desconfiei mas mal o experimentei fiquei convencido. Pus o que precisava no “bolso” e a verdade é que não há mesmo falta de conforto na corrida. Sabem quanto é que esta "cinta" pesa? 50 gramas. Incrível!

As coisas não dançam no bolso, o material é respirável e não incomoda mesmo quando o nosso corpo já implora por um banho de água fria. Qualidade do material? Impecável, depois de dezenas de treinos continua com elasticidade e sem qualquer tipo de desgaste. E ainda vem com um flask maleável de 600ml! E que me jeitaço de me deu quando precisei de levar água comigo.

Para terem noção, já fiz treinos com o seguinte material no "cinto": telemóvel, dois géis, chave de casa, papel higiénico (típico!) e o flask cheio de água. E querem saber o melhor? Ainda havia espaço para mais uma coisita ou outra. Mas claro que não vou mentir, com o cinto com tanta coisa, principalmente o flask cheio de água, demora algum tempo no início do treino até deixar de sentir aquele "peso" há volta de anca. Mas fiz vários treinos longos e a ritmos consideráveis e nunca me senti desconfortável. Até já treinos intervalados fiz com ela mas claro que neste caso apenas levava chaves e pouco mais.


Podem ver nas imagens em baixo de como o material fica acomodado no cinto.

O telemóvel entra todo no cinto, apenas o deixei ligeiramente de fora para perceberem o que lá estava.
Uns géis...
O flask! Aqui claro que já me ocupava o espaço todo das costas.
Sim é caro e há soluções mais baratas. Conseguem arranjar na Decathlon algo parecido entre os 5-10€ Mas sinceramente essas soluções não têm tanto espaço para guardar coisas, não se adaptam tanto ao corpo e não têm a qualidade que o material da Compressport oferece. Para mim não há grande discussão. Se precisam de algo idêntico, comprem.

Pontos Positivos
+ Aspeto
+ Durabilidade
+ Qualidade material
+ Respirabilidade
+ Espaço de arrumação

Pontos "assim-assim"
+- Preço

Onde posso comprar? Na Runsox. Se precisarem de algo ainda com mais funcionalidades, têm aqui a versão Pro.



quinta-feira, 25 de abril de 2019

6ª Corrida da Liberdade Cidade do Montijo

Na semana passada quando estava no vai e não vai ao Grande Prémio da Páscoa de Constância por causa do gasóleo (sim leram bem), reparei nesta prova no calendário do nosso João Lima. Grátis, relativamente perto, num feriado... inscrevi-me! Acabei por estar presente em Constância e lá tive que fazer o choradinho ao meu treinador para me ajustar o plano de treinos para conseguir ir ao Montijo. Depois falamos do que este ajuste significa.

Já partilhei com vocês que não estou na melhor forma física nem mental. Felizmente está tudo bem na minha vida e isto são apenas "dores" de quem anda demasiado ocupado com coisas mais "importantes". Era de uma prova assim que estava a precisar, algo sem "obrigações", onde não tivesse nada a provar e que no fundo seria algo parecido a um treino de séries.

Não conheço bem a zona do Montijo mas facilmente dei com o local da prova, chegando até ligeiramente "tarde" mas estranhando ainda ver tão pouca gente. Era apenas o prenúncio para aquilo que se estava a prever acontecer. Fiz um bom aquecimento com o meu amigo Alcindo Ramalho (Run Crew Trail Montijo) e foi quando ele me deu a noticia que às 10h ainda partiriam os mais novos para 1km de prova. Começaram perto das 10h20. Quando acabaram dirigimos-nos para a partida. Arrancamos depois das 10h40. Parecido com as 10h15 que o regulamento dizia. Mas é uma prova grátis por isso...

Sai na frente da prova e lá permaneci durante uns bons... 100 metros no máximo. O Marco Tavares, cuja cara não me era desconhecida na linha de partida, passou-me e impôs um ritmo que eu não sei se iria conseguir aguentar durante muito tempo. Durante algumas centenas de metros andamos abaixo dos 3:10/km e lentamente ele começou-me a ganhar distância. Neste momento corrida lado a lado com o Adelino Monteiro. Estava-me a sentir bem neste ritmo alto e pensava: onde estavam estas sensações em Constância?

Mas a chapada ainda estava por vir. Ao 1.5km de prova damos a volta numa rotunda e parece que fui para outra dimensão. Uma ventania brutal abrandou-nos o andamento sem qualquer misericórdia. Durante algumas centenas de metros vi o ritmo a baixar e cheguei a ver 3:40/km no relógio. Lentamente comecei também a descolar-me do Adelino sem nunca perder o Marco de vista. Passamos novamente pela partida (a prova eram duas voltas de 3kms) e tento aumentar o ritmo para me tentar aproximar do Marco.

Honestamente não há mais grande coisa a contar. Quando demos a volta novamente na rotunda aos 4.5kms percebi que se mantivesse aquele ritmo não iria perder a 2ª posição. Mas tentei lutar contra esse sentimento de "estabilidade" e continuei a dar aquilo que podia. Só nas últimas centenas de metros percebi que já não valia a pena e optei apenas por manter o ritmo sem forçar mais. Terminei com um tempo oficial de 20m23s a 7 segundos do primeiro lugar. Fiquei satisfeito ao ver uma média mais agradável no relógio que no último sábado mas vocês sabem que eu quero e consigo mais e melhor!


Mas agora é tempo de descanso. Os próximos dias os treinos vão ser apenas de manutenção para o corpo recuperar de todas as agressões que tem sofrido com o treino intenso e a falta de descanso. Mas vocês sabem que eu volto. Volto sempre!

Resultados: 6ª Corrida da Liberdade Cidade do Montijo

segunda-feira, 22 de abril de 2019

31º Grande Prémio da Páscoa de Constância

Tudo na nossa vida tem consequências. O problema é que quando fazemos coisas erradas mais tarde ou mais cedo isso vai-nos atingir com toda a força. Dias e dias seguidos com poucas horas de sono, stress acumulado, má alimentação, má hidratação, são tudo coisas que são proibidas quando queremos manter um nível físico que nos pode permitir alcançar outro tipo de vôos. Era previsível que em Constância iria voar baixinho.

Bastou menos de uma hora para me apaixonar por Constância. Não conhecia de todo a vila e durante o aquecimento dei umas quantas voltas à beira do Rio Tejo e do Rio Zêzere e gostei mesmo muito de toda aquela paisagem. Como cheguei cedo, deu para fazer um bom aquecimento mas isso não evitou que quando chegasse à zona de partida, não ficasse envolto no maranhal de atletas, e com isso, ligeiramente longe da linha de partida. Continua a ser triste olhar para os lados e perceber que continua a haver muita gente que não percebe que põe em perigo a si e aos outros ao querer partir ao lado de atletas bem mais rápidos. Mas se calhar sou eu que tenho mau feitio.

Não costumo estar nervoso antes de uma prova e se esse nervosismo se manifesta é apenas naquela contagem decrescente antes do tiro de partida. Porém, no sábado o coração estava a bater bem forte nos minutos antes da partida. Talvez por saber que não tinha condições físicas para estar ali. Mas quando deram o tiro de partida, segui para a frente.

Já nem me lembrava do que era andar aos zigzags no início de uma prova. Ainda por cima quando as primeiras centenas de metros começam a subir. Mas tenho de ser honesto: aos 500 metros da prova parecia que já tinha levado uma sova. Não me estava a sentir minimamente bem. O interessante é que seguia na cauda do grupo da frente que tinha à vontade cerca de 15 atletas, e estes seguiam a um ritmo anormalmente baixo. Sinceramente, como não conhecia o traçado da prova, até fiquei com receio do que estava para vir.

Fonte: Zé Paulo Marques
O ritmo no 2º km aumentou ligeiramente para depois tornar a estagnar durante os 3 seguintes. Passei alguns atletas e consegui juntar-me ao João Saldanha e à Emília Pisoeiro, primeira feminina, que claramente seguia a um ritmo para tentar o recorde da prova. Segui com eles durante muitos quilómetros e sinceramente se não fossem eles não sei se me tinha aguentado. Agora vejo que a prova era praticamente plana mas a verdade é que sempre me deu a sensação que parecia que ia a subir.

Na viragem as coisas começaram a mudar. Começámos a apanhar atletas que seguiam à nossa frente e o meu corpo começou a entusiasmar-se. Foi a partir do km 7 que a minha prova começou, apesar de por esta altura já seguir ligeiramente atrás do João e da Emília. Comecei a sentir-me bem, as minhas passadas tinham força e pus na cabeça que iria dar tudo o que tinha até final.

Tenho sido honesto com vocês ao logo deste artigo e vou continuar a sê-lo. Há dois meses atrás, o objetivo era tentar o recorde pessoal nesta prova, independente de conhecer ou não o traçado. Nas últimas duas semanas apercebi-me que isso iria ser impossível. Apesar dos treinos terem uma média bonita e as séries até não correrem mal, podem ver pelo registo do batimento cardíaco que algo está longe de estar bem. Há data que escrevo este post, já me sinto bem melhor, repus algum do sono em falta e o stress acumulado começa a dissipar-se. Mas os dias que antecederam a prova foram caóticos...

Com tanta divagação já me esquecia! Fiquei em 5º da geral e 3º do escalão, com 34m30s. Os meus adversários foram melhores e por isso nada a dizer! Mas só de pensar que há uns meses conseguia facilmente o 2º lugar... Vou voltar a partir tudo esta época, isso terá de acontecer!




domingo, 24 de março de 2019

XIX 12 KM Salvaterra de Magos

Como o tempo passa. A primeira vez que fiz esta prova (e única) foi em 2015. E porque é que esta prova me ficou tanto na memória? Porque foi a primeira vez que fiz uma prova pela Associação Vale Grande. Mal sabia que passado 4 anos ainda estaria com esta minha família do atletismo e que iríamos ter um crescimento tão grande. Podem ver aqui o resumo dessa primeira aventura.

Ainda nem tenho bem consciência que já passou mais de um mês desde Sevilha. Tenho que ser honesto: os treinos podem parecer bons no Strava/Garmin mas a verdade é que ainda não consegui voltar a introduzir o chip competitivo. Tentei entusiasmar-me ao máximo com esta prova mas não consegui manter o foco necessário quer a nível de descanso quer a nível de alimentação. E todos sabemos o quanto isso pode afetar negativamente o nosso rendimento.

Desculpas de merda de parte, hoje fiz a viagem na companhia do Rui Henriques para Salvaterra. Chegámos, fomos logo ter com a nossa equipa e como ainda era cedo, ficámos bastante tempo na conversa e a descontrair antes de uma prova que se adivinhava algo sofrida com o calor e vento que haviam. Depois de um bom aquecimento em conjunto e com as palhaçadas do costume, segui para a partida confiante num bom resultado mas sabendo que existiam atletas que com certeza iriam subir ao pódio à minha frente.

Partida dada e... seguiu-se um ritmo quase tranquilo. Era um ritmo alto mas sem ser aquela loucura que existem algumas provas de 10km. Seguiam três atletas à frente e logo a seguir seguia um grupo bem maior no qual eu me incluía. Os atletas que iam na frente (desculpem a honestidade) era mais que sabido que pouco lá iriam durar. Depois da primeira volta dentro da vila, saímos para fora e passado 1/2 kms o nosso grupo passou para a frente da prova liderado pelo Edgar Jacinto que se encontra em grande forma. Entre os 4/5 kms começou a verdadeira prova.

Sabíamos que estava vento mas não sabíamos que íamos andar mais de 3kms com ele de frente. Quase involuntariamente íamos alternando quem ia na frente do grupo, sempre com o Edgar uns bons metros mais à frente. O Carlos Cardoso seguia ao meu lado mas tinha plena noção que ele mais quilómetro menos quilómetro iria seguir para a frente da prova. Para piorar a situação, entrámos em mais de 1km de terra batida e sendo esta uma prova de ida e volta, era óbvio que teríamos que enfrentar aquele piso outra vez.

Foram 3 quilómetros com muito sofrimento, em que os ritmos foram acima dos 3:35/km. Sou sincero, nunca pensei andar a esses ritmos hoje. Estava a apostar numa prova facilmente sempre abaixo dos 3:30/km. Mas claro, na viragem tudo mudou. O vento parou e o mundo parece que ficou em silêncio, apenas ficando no ar o som da nossa passada e da nossa respiração.

Tal como previa, o Carlos Cardoso atacou e facilmente tomou a dianteira da prova. Eu já ia muito desgastado mas consegui aumentar o ritmo e segui como podia junto do grande Francisco Pedro (quando tiver 48 anos também quero andar assim!). Seguimos os dois sempre em boa rotação, apenas começando a acusar o desgaste aos 10kms. Disse ao Francisco que não ia conseguir mais e não estava a mentir. Naquele momento se pudesse atirava-me para o chão e ficava à espera que me atirassem um balde de água fria no corpo.

Quando o nosso corpo fraqueja, a cabeça está lá para assumir. À entrada da Vila o Francisco disse para eu ir para a frente. Disse-lhe para irmos os dois e comecei a tentar puxar pelas últimas forças que tinha. Gostava que me tivessem filmado, pois as caras de esforço que eu devo ter feito até final da prova devem ter sido épicas. E assim passei a meta e fiquei à espera do Francisco para lhe dar um abraço por aquela luta que tivemos para acabar a prova.



Foi um 3º lugar da geral e um 2º lugar no escalão agridoces. É incrível ver que há quatro anos o meu tempo foi de apenas mais 17 segundos. O tempo de 42m32s e uma média de 3:27/km não me deixa satisfeito mas cabe-me a mim inverter os acontecimentos e voltar ao foco que sei que sou capaz de impôr na minha vida e apostar tudo o que tenho até final da época.

O Vale Grande, no primeiro lugar do pódio!
Não esperem por mim. Eu é que vos vou apanhar. Prometo.

Resultados: XIX 12 KM Salvaterra de Magos

segunda-feira, 4 de março de 2019

Corrida das Lezírias 2019

As últimas duas semanas foram de muita precaução. Se na semana a seguir à maratona fiz quatro treinos totalizando 1h30m e 20km percorridos, a semana seguinte não foi muito melhor com 3h de treino e pouco mais de 40km nas pernas. Ainda falta muito para a época terminar e quem sabe muitos objetivos para atingir!

Em sintonia com o meu treinador, apostei em fazer a surpresa à minha equipa e arriscar ir à Corrida das Lezírias e ajudar a conseguir um bom resultado coletivo. Digo a surpresa porque os meus queridos colegas não paravam de insistir para eu ir mas eu sempre apostei na defensiva a dizer que poderia não estar em condições. Confesso que as pernas têm vindo a recuperar bastante bem (os primeiros cinco dias pós maratona foram muito maus...) mas dei-me ao luxo de me distrair um pouco à mesa e claro que isso se refletiu na balança. Se há coisa que eu gosto é de comer e comer bem, e os últimos meses foram um pouco controlados nesse aspeto. Esse era o meu maior receio nas Lezírias, que o peso a mais prejudica-se o meu desempenho.

Fosse como fosse, domingo de manhã apresentei-me mais uma vez na linha de partida pronto para dar aquilo que podia. O nosso objetivo era alcançar o pódio mas percebemos que poderia não ser tarefa fácil pois havia muitos e bons atletas este ano que iriam atacar a linha da frente. Sinal de partida e as feras foram para a frente. Não estava à espera de uma partida tão rápida e a medo nem tentei acompanhar os da frente. Claro que 3:19/km no primeiro quilómetro foi rápido mas mesmo assim não foi nenhuma loucura.

Ao 3º quilómetro já estava a um ritmo estável e corria ao lado daquele que seria o meu companheiro praticamente até ao resto da prova. Se não fosse o João Vaz (Alvitejo), nunca teria feito a prova que fiz ontem. Obrigado! foi por esta altura, enquanto descíamos a Ponte Marechal Carmona, que disse ao João que não me lembrava de nos últimos anos ter tanta gente à minha frente nesta prova. Aliás, eu praticamente nem me lembro de ter atletas à minha frente!

Fonte: Irene Inácio
Querem que vos diga uma coisa? Não há grande coisa a contar durante bastantes quilómetros. Seguimos juntos sempre num bom ritmo, só quebrando um pouco na zona da prova que mais parece um corta-mato... Avançando para os 13km, quando subimos novamente a ponte, disse ao João para ir embora que eu não tinha pernas para mais. Estava a sentir-me a fraquejar a nível muscular! Mas passado umas centenas de metros o psicológico entrou em jogo. O João puxou por mim e disse-me para ir tentar apanhar os da frente (seguiam dois atletas no nosso campo de visão). E sabem que mais? Eu fui atrás deles.

Dei tudo aquilo que tinha e consegui ultrapassá-los! Mas ainda havia mais de um quilómetro pela frente... E aguentei. E fiquei bastante contente ao perceber que pouquíssimos segundos depois de mim cortou a meta o João que tinha conseguido puxar dos galões e passar os outros atletas também.

Passei a meta em 4º lugar da geral e 3º do escalão sénior, com 52m54s o meu melhor tempo nas Lezírias! É disto que eu gosto, ter provas competitivas em que tenhas atletas com todo o tipo de andamentos para conseguir elevar o teu nível!

Fonte: Xistarca
Os resultados coletivos acabaram por ser uma história engraçada. Estávamos à espera da entrega dos prémios dos escalões, quando de repente anunciam a Associação Vale Grande como vencedores coletivos. Fizemos uma festa! Fomos entrevistados para o Modalidades.net como podem ver na foto em baixo. O pior veio quando afinal quando nos chamam para ir ao pódio e afinal tínhamos ficado em 2º apenas a 4 pontos do Setúbal... paciência. Por pouco se ganha, por pouco se perde! Foi um excelente resultado na mesma!


Fonte: Xistarca
Agora é tempo de voltar aos treinos. Próximos objetivos... veremos!

Resultados: Corrida das Lezírias 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Análise New Balance 1400v6

Durante a minha caminhada para a maratona, chegou aquele momento em que pensei: com que ténis vou correr a maratona? Fiz então uma revisão dos meus pares de ténis atuais: Saucony Kinvara 8 e 9 - demasiado pesados. Asics Flame Racer (podem ver aqui a análise) - sem o amortecimento necessário. Salomon X-Scream 3D - piada, ténis de trail que utilizei meia dúzia de vezes. Portanto, tinha obrigatoriamente que adquirir algum modelo que fizesse sentido para a maratona e juntando o útil ao agradável, algo que me permitisse fazer treinos intervalados. Amo-te Google.

Vi de tudo. Modelos demasiado (mesmo muito) caros, modelos demasiado pesados e marcas que nem conhecia. Até que vi sugeridos um modelo que nunca tinha ouvido falar: New Balance 1400v6. Pesquisei mais aprofundadamente e pareciam mesmo aquilo que eu estava à procura! Fui ver o preço... menos de 60€? Sim, estavam em promoção (ainda considerei comprar a versão especial da NYC Marathon mas por mais 20€... não) mas mesmo assim, correr a minha primeira maratona com um modelo que não conhecia, com uma marca que nunca tinha experimentado e por este preço? Como dizem as gerações mais novas, YOLO (You only live once = Só se vive uma vez).


Devo dizer, que apesar de terem uma aparência simples, gostei imediatamente deles quando os recebi. Existe sempre aquele momento em que gostamos de conjugar as cores com que corremos. Digam lá que os ténis não combina na perfeição com as cores do Vale Grande? Foram uma aposta ganha!


Tal como estava à espera, são bem mais pesados que os meus Asics Flame Race com cerca de 200gr (número 42). Nada que me preocupe minimamente, pois a sensação que eles dão é de ser bastante leves. O drop é bem mais elevado do que os modelos que referi anteriormente, tendo 10mm. Sinceramente, na passada não sinto nenhuma diferença e por isso não me incomodou nada.


Estes New Balance e conforto são duas palavras que combinam muito bem. Claro que não têm um amortecimento como uns Kinvara da Saucony ou uns DS Trainer da Asics (e já me estou a referir a modelos para andamentos mais rápidos) mas o amortecimento está lá! Eu nos treinos para maratona cheguei a fazer aquecimentos para os treinos intervalados de 30 minutos e nunca senti falta de apoio. A fazer séries nunca me desiludiram e mostraram-se sempre responsivos e nunca tive nenhuma sensação de pé quente nem nada semelhante. Utilizei-os em alguns treinos de corrida contínua (também para me habituar a eles para a maratona) e senti-me sempre bem. O melhor elogio que lhes posso fazer é que me veria a utilizar estes ténis em qualquer tipo de treino no meu dia a dia.

Quanto à sola parece-me ser do melhor que experimentei nos tempos mais recentes. Corri com tempo seco, com tempo húmido e com chuva. Nunca senti qualquer tipo medo a curvar ou simplesmente a pôr o pé no chão. Nota 20 na aderência! A durabilidade da sola parece-me aceitável, apenas na ponta se nota algum desgaste. Isso e a sujidade que eles já têm como se vê na imagem em baixo.


Voltando ao conforto, tenho que admitir que mesmo assim existem alguns sentimentos contraditórios. Se por um lado a planta do pé não se queixa de nada após um intervalado longo e intensivo (ao contrário do que me acontecia com os meus Asics Tarther 2), existe uma dor que me aparece de vez em quando que penso que é causada por estes 1400v6. A dor em questão é na zona que faz a flexão plantar e só me aparece no pé direito. Poderá ser um defeito de fabrico do meu pé e que é apenas aliviado com um cuidado extra quando aperto os atacadores.

Como perceberam, fiquei encantado com a minha primeira experiência com uns ténis da New Balance. Estes 1400v6 são claramente desenhados para competição mas conseguem com as suas características adaptar-se facilmente a qualquer tipo de treino desde que imponha algum andamento (podem experimentar um andamento lento mas não deverá ser a melhor experiência). Nas lojas nacionais, mesmo naquelas que disponibilizam mais modelos, não encontrei à venda. Nas lojas internacionais facilmente se encontra à venda e por preços bastantes acessíveis face a outros modelos de competição. Arrisquem, não se vão arrepender!

Pontos Positivos
++ Preço
+ Aspeto
+ Amortecimento
+ Peso
+ Conforto
+ Respirabilidade
+ Drop

Pontos "assim-assim"
+- Conforto
+- Durabilidade

Pontos Negativos
- Disponibilidade no mercado nacional




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Zurich Maratón de Sevilla 2019

Há momentos na vida em que temos de decidir aquilo que nos define. Eu felizmente já decidi isso há uns quantos anos. Sei aquilo que quero, sei aquilo que sou e sei aquilo que me define. Por isso, posso dizer: a maratona não mudou nada em mim. A maneira como eu enfrento a vida é que me ajudou a acabar a prova mais difícil que eu enfrentei até hoje.

Fui para Sevilha na sexta feira à tarde depois de trabalhar até ao último minuto. Ainda com a cabeça a mil, cheguei com a Johanna e a minha sogra a Sevilha por volta das 21h30 e apenas sobrou tempo para fazer algo para jantar e dormir. No dia a seguir, o treino pré prova da praxe correu com a sensação esperada: pernas pesadas, presas e sem vontade de correr. Nada que não se tivesse à espera depois de quase 5 horas a conduzir no dia anterior. Fomos até à feira da maratona para levantar o dorsal e claro foi incrível ver e ouvir tanto português. Pela primeira vez, fui a uma pasta party. Sou uma pessoa que gosta de comer bem mas também sei dar valor à relação qualidade/preço. Para o valor que se paga (acompanhantes, atletas não pagam), acho que é justo.

Ainda passeei bastante à tarde pois se escolhi fazer uma maratona fora de Portugal, não foi para ficar fechado em casa! De qualquer forma, tentei deitar-me cedo. Não dá. Sou uma pessoa bastante rotineira e estou habituado a deitar-me entre as 23h30 e a 00h. Portanto deitar-me às 22h30 (hora espanhola), foi o mesmo que nada. Acho que era 00h e ainda estava desperto, e o relógio estava para as 5h20... Outra aventura foi o transporte. Mas acabou por não ser aventura nenhuma porque estava a entrar em parafuso de tal forma a tentar perceber os autocarros que acabei a chamar um Uber. Resultado: até chegámos cedo demais!

Mas claro, tanto tempo deu em merda. Não conhecia bem a zona e acabei a não conseguir aquecer praticamente de jeito. Mas pronto não stressei com isso. Faltam pouco mais de 3/4 minutos quando fui para o bloco de partida. Fiquei no bloco de partida <2h45m o que me permitiu partir bem perto da linha de partida. O nervoso miudinho finalmente chegou e o silêncio da contagem decrescente começou. Sinal de partida! Começa a tocar o Highway to Hell dos AC/DC. Nem eu sabia o quanto o essa música ia representar a minha prova.

Comecei de forma desconfiada. Percebi que estava bem, que estava fresco e solto. Olhava para todo o lado, para o público, para os atletas completamente desconhecidos para mim e até para a paisagem que era a única coisa que não era completamente desconhecida por já ter corrido na zona no dia anterior. Os primeiros 2/3km foram feitos a apalpar terreno, sem me agarrar a ninguém. Seguia a um ritmo de 3:30/km, bastante tranquilo e sem me sentir em grande esforço. Afinal, foi para isto que eu treinei durante meses.

Lentamente, foi-se formando um excelente grupo. Todos seguíamos ao mesmo ritmo e os quilómetros por esta altura passavam quase sem dar por isso. Lembro-me perfeitamente de ter uma sensação quase de alegria: nunca tinha corrido num grupo tão grande a um ritmo tão alto. Era incrível ouvir os pés a bater no chão. Éramos tantos e por isso não eram batidas coordenadas mas havia algo de belo naquele som.

No primeiro quarto da prova em que andamos na outra margem do rio, apanhamos bastante público nas ruas mas eu até estava algo desiludido. Naquela altura ainda não precisava do incentivo psicológico mas onde estava o público prometido? Quando passámos para a margem onde os restantes 30kms se iam desenrolar, foi ai que eu percebi o mar de gente que nos ia acompanhar. Que coisa maravilhosa! E isto era só o princípio! 

A primeira meia maratona foi feita num ritmo extremamente regular o que resultou numa média de aproximadamente 3:31/km. Estava-me a sentir bem mas a minha cabeça começou logo a funcionar. Estaria a fazer bem apostando neste ritmo? O André tinha-me dito para apostar num ritmo acima dos 3:35/km na primeira meia mas eu ambicioso como sou estava a ir para o ritmo que permitia cumprir o meu tempo de sonho.


Notei que passado umas centenas de metros o ritmo do grupo aumentou ligeiramente. Estava assustado em ir com eles mas era o que fazia sentido. Uma das regras primordiais da maratona é fazer a segunda parte mais rápida do que a primeira. Continuei com eles, a fadiga começava a aparecer mas não era nada de preocupante. Pensava eu.

Uma nota para os abastecimentos de água. A parte positiva é que eram muitos! E com muitos voluntários! Agora a parte negativa. Quem me conhece, sabe que eu sou uma pessoa bastante ecológica. Não sou perfeito nem sou de extremos mas penso bastante no ambiente. Por isso percebo a opção pelos copos de papel na distribuição das águas e isotônicos. Mas a verdade é que não funciona. O que eu vi foi voluntários permanentemente a ficarem encharcados pois quando os atletas agarravam nos copos metade da água ia para cima deles. Depois mais um bocado ia para o chão e se ficasse 1/4 no copo era uma sorte! Eu ao início, num abastecimento cheguei a agarrar em três copos para conseguir beber alguma coisa! Enfim, percebo o facto não darem garrafas mas tenho sentimentos mistos em relação a isto...

Obrigado João Lima!
Tinha tomado o primeiro gel aos 16km e tomei o segundo aos 27km. Por esta altura comecei a sentir a perna esquerda, o gémeo principalmente, a começar a queixar-se. Sentia o gémeo ligeiramente contraido mas ignorei. A perna direita parecia estar fresca e na verdade o que me passou pela cabeça foi: agora sim está a começar a maratona. Que viessem as dores, eu estava preparado. Ah! Já lá dizia a outra: You Know Nothing, Vitor Oliveira!

O grupo por esta altura já se tinha começado a partir. Eu ainda conseguia ir com os atletas mais rápidos mas já estava a começar a ficar para atrás deles. Lentamente as duas pernas começaram a acusar o esforço e sentia os músculos a querer prender, e às tantas até já os braços sentia a entrar numa espécie de espasmo. Tomei o terceiro gel aos 30 e poucos quilómetros mas por esta altura já tinha noção que ia em total quebra.

E foi verdadeiramente aos 35km que, tal como os AC/DC estavam a prever no início da corrida, cheguei ao inferno. Sentia que tinha força, sentia que a respiração estava mesmo muito longe de estar ofegante, o coração parecia estar controlado (tenho de fazer uma atualização ao meu Garmin, quero algo com controlo de pulsação no pulso para perceber o desempenho em prova) mas as pernas meus amigos... as pernas estavam-me a trair! Os gémeos e os quadriceps estavam contrair cada vez mais. Os quilómetros que antes estavam a passar como segundos, estavam agora a parecer horas!

O ritmo baixou daquela média fantástica para uns "terríveis" 3:46/km, 3:49/km, 3:56/km, 3:58/km... Enfim um desastre completo. Estava com uma raiva dentro de mim que era capaz de matar alguém! Foi preciso muito jogo psicológico para vencer a vontade das minhas pernas querem parar. Mas não estava ali para desistir. Alguns atletas que tinham ficado para trás estavam agora a passar-me e eu cada vez mais estava focado apenas em acabar fosse de que maneira fosse. Os milhares de pessoas que havia na rua a apoiar a certa altura já me estava a fazer confusão.


O último quilómetro que pensei que fosse o maior momento de alegria numa maratona foi para mim um abismo completo. Tentei acelerar mas pouco mais conseguia fazer. Ao chegar à meta estava a Johanna e a minha sogra aos gritos por mim. Mais tarde vi a filmagem e percebi o quão descoordenada estava a minha passada. Passei a meta. Parei. Dei uns passos e lembrei-me de parar o relógio. Senti-me tonto mas percebi que não era grave e que era só do esforço. Passei por um placard de publicidade com uma grade por trás e mandei-lhe uns murros até sentir que já chegava. Sim ainda tenho um dedo dorido à conta dessa parvoíce.

Mas o sofrimento ainda não tinha acabado. Fui à zona da fisioterapia e massagens. Subi para uma marquesa de madeira (?) e de forma quase instantânea dá-me a pior câimbra no gémeo esquerdo de que alguma vez me lembro. Mandei murros na marquesa, berrei e sofri a bom sofrer. Foram precisos uns bons minutos com um rapaz a esticar-me o gémeo até aquilo parar. Durante a restante massagem ainda foi uma festa com os pés também a darem-me cãibras e os isquiotibiais.

O tempo? Já toda a gente sabe: 2h32m12s e 67º da geral. É um tempo que eu passado umas horas tive que dar a mão à palmatória e orgulhar-me. Foi longe do objetivo que impus a mim mesmo mas há que ver o copo meio cheio: existe margem para melhorar! Facilmente dá para perceber fizer uma prova mais controlada na primeira parte e ter forças para acelerar na segunda parte, vai ser suficiente para baixar das 2h30m.

Este artigo já vai demasiado longo. Mas claro falta referir algo que também já toda a gente sabe. Ao final da noite veio aquela notícia que aumenta ainda mais o carrocel de emoções que estava a ser este dia: tinha sido o melhor português na Maratona de Sevilha.


Obrigado a todo o apoio dos portugueses durante a prova. Obrigado às centenas e centenas de mensagens e comentários que recebi e ainda tenho recebido. Nunca imaginei sentir tal apoio e reconhecimento na vida, acreditem! Obrigado ao meu treinador. Obrigado ao Paulo Monteiro que me ajudou sempre com as minhas mazelas. Obrigado à minha futura mulher que teve paciência durante estes meses todos com tantas horas fora de casa. Obrigado aos meus colegas de equipa da Associação Vale Grande. E tantos agradecimentos que ficam por dizer. Obrigado!

Resultados: Zurich Maratón de Sevilla 2019

domingo, 10 de fevereiro de 2019

O meu caminho até Sevilha

Nunca me dediquei tanto. Nunca tive um treino tão específico. Nunca tive um plano de treinos tão longo. Nunca uma gripe me chateou me deitou tanto abaixo. Nem nunca sequer tive tanto tempo sem publicar nada aqui. Isto tudo por causa de um único objetivo: a Maratona.

Tudo começou no Verão do ano passado. Eu e o André Filipe, o meu treinador, definimos que o plano começava logo a seguir à minha paragem para descansar. O plano de ataque? Primeiras semanas com poucos treinos, curtos e lentos. Lentamente, a carga foi aumentando. Mais dias de treino, treinos com maior duração mas tudo era apenas uma pequena amostra daquilo que me esperava nos próximos meses.

Sigam-me no Strava para ver todos os treinos: strava.com/athletes/voliveira89 

Para terem uma noção, comecei a treinar na semana de 16 de Julho e fiz 45.2km. Passados dois meses na semana de 17 de Setembro já estava com 106.9km. Mas já sei como isto funciona, por isso vamos a números:

Desde o dia 1 de Outubro:

  • Média de quilómetros: 107.5km
  • Semana com mais quilómetros: 135km (7-13 Janeiro)
  • Semana com menos quilómetros: 72.5km (21-27 Janeiro, semana da gripe...)
  • Total de quilómetros: 2021.1km

Nas épocas passadas o meu número de quilómetros semanal variava sempre entre os 80km e 90km, tendo picos ocasionais de 100km. Durante os últimos meses houve semanas em que durante a semana cheguei a fazer treinos de 1h45m, enquanto nas épocas anteriores um treino normal era entre os 45 e 50 minutos. Um salto gigante que me obrigou a fazer uma ginástica na minha vida diária e também um compromisso a nível pessoal e familiar pois o tempo que tive que dedicar à corrida durante estes meses foi incomparavelmente superior ao que estava habituado.

A estrutura dos meus treinos não mudou. Essencialmente: corrida continua na terça, séries na quarta, corrida continua na quinta, séries no sábado e longo no domingo. Descanso na segunda e na sexta. Apenas neste mês de janeiro tive bi diários à terça feira para poder aguentar melhor a carga. Este esquema apenas foi alterado em situações excepcionais como nas últimas três semanas. Na semana de 21 a 27 de Janeiro estive com uma gripe que me deitou completamente abaixo. Vários dias com febre, dores no corpo, dores de garganta daquelas que parece que temos uma lâmina presa no esôfago.

Não vou mentir e dizer que mantive sempre espírito positivo! Houve ali 2/3 dias que pensei mesmo que a maratona tinha ido à vida. Falhei 2/3 dias de treinos e tive uma semana até me sentir novamente confortável a treinar. O antibiótico (e restantes drogas...) deixou-me de rastos a nível muscular e a recuperação estava completamente hipotecada (obrigado Paulo Monteiro pela paciência!). As últimas duas semanas foram longas, tive dias com o André em que o treino era definido dia a dia e sinto que consegui recuperar a forma que tinha antes da gripe. Para trás fica apenas o medo de não ter feito aquele treino que dá a estaleca para a maratona: o treino de 35kms.

Voltando à abordagem que fiz/fizemos (o trabalho é tanto meu como do meu treinador!), existe uma coisa que foi completamente diferente das outras épocas: a definição do ritmo de treinos. Esta época pela primeira vez treinei tendo por base os batimentos cardíacos. No início da época correu tudo bem, a coisa só descambou quando começámos a introduzir os treinos intervalados. Nunca conseguia atingir o que o André me passava como zona pretendida e portanto a abordagem teve que se mudar. Os treinos de corrida contínua continuaram por bpms e os treinos intervalados voltaram a ter ritmos definidos. Impecável!

Como perceberam ao longo dos últimos meses, desliguei-me praticamente do mundo das provas e dediquei-me apenas ao treino. Confesso que é isto que me dá gozo! Treinar é aquilo que eu gosto de fazer, é aquilo que me faz distrair da minha vida quotidiana e dar-me outros objetivos na vida que não apenas os profissionais e familiares. As provas são apenas um apêndice que por vezes até nos deixam mais chateados do que motivados. Portanto, apenas fiz três provas com chip de competição ligado e uma apenas em treino.

Provas feitas:

Fonte: RUN 4 FFWPU
O mais interessante é que no meio disto ainda fiz uma excelente prova nos 20kms de Almeirim, vingando assim 2017, obtive o 2º lugar na Corrida Dom Dinis (na minha cidade!) e bati o meu recorde pessoal aos 10km na São Silvestre da Amadora! Saldo bastante positivo para quem apenas se concentrou na maratona desde o início da época.

Ainda muito mais havia por dizer e cá para mim só meia-dúzia de pessoas é que chegaram a este parágrafo. Fica prometido pelo menos um artigo de pequenas coisas no equipamento que me acompanharam neste longo caminho.

Podia apenas ter escrito este artigo após a maratona. Mas depois o que é que interessa? Em Sevilha tudo pode correr bem, como tudo pode correr mal. Não sei o que me espera, são muitos quilómetros, é uma experiência completamente nova e embora acredite que fisicamente e psicologicamente esteja preparado, não sei vou conseguir cumprir os meus objetivos. Já sabem como eu funciono, o meu objetivo nunca se prende apenas por acabar uma prova. Se me dediquei, se me esforcei, se abdiquei de muita coisa, tenho que chegar lá e dar tudo o que tenho. E se falhar... prefiro nem pensar nisso!

Obrigado a todos por toda a força durante este caminho! No próximo domingo, é com ela que vou rebentar com tudo em Sevilha!