quinta-feira, 13 de junho de 2019

Challenge Odivelas a correr - O desafio és tu que o crias!


Já tens planos para dia 29 à noite? E dia 30? E que tal arranjares uma equipa e correrem 12 horas? Ou correres individualmente 3 ou 12 horas? Tens coragem? 

Odivelas vai ter pela primeira vez uma prova de resistência entre o dia 29 e dia 30 (começa à meia noite de domingo) em que individualmente ou em equipa podes desafiar os teus limites da corrida. Sozinhos ou acompanhados, façam a festa e tragam as vossas tendas, mesas e cadeiras para descasarem sempre que acharem necessário. A organização também disponibilizará abastecimentos durante toda a prova. O loca da prova será no Parque Urbano Rio da Costa (junto aos Bombeiros de Odivelas).

Metade do valor de cada inscrição reverte para a APCL - Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, sendo que foram os membros desta associação que fizeram os troféus finais como podem ver neste post

Eis as modalidades de inscrição que existem:
  • 3 horas contínuas individuais
  • 12 horas contínuas individuais
  • 12 horas em equipa de 4 elementos
  • 12 horas em equipa de 6 elementos

Eu vou participar com a grande equipa da Associação Vale Grande! E tu vais faltar? Do que é que estás à espera? Inscreve-te já em: https://www.prozis.com/pt/pt/evento/challenge-odivelas-a-correr

domingo, 2 de junho de 2019

15ª Corrida das Pontes

Estes últimos meses têm sido um desastre. Não há outras palavras para descrever tudo o que tem acontecido após a Maratona de Sevilha. Chamem-lhe depressão pós-maratona, chamem-lhe trabalho a mais e sono a menos, chamem-lhe falta de foco, chamem-lhe o que quiserem. A verdade é que hoje deveria ser um ponto de mudança. Mas não foi. Mas também não foi assim tão mau.

Desde sexta que a minha cabeça desligou-se da corrida. A força mental conta muito, principalmente quando vamos enfrentar uma prova com temperaturas perto dos 30º. E a verdade é que só fui aquecer quando faltavam 15 minutos para a prova e durante muitos quilómetros da prova a minha cabeça estava em todo lado menos em cima das famosas pontes. Vamos à prova.

Parti perto da linha de partida, rapidamente se seguiram dois atletas na frente, o João Vaz que na verdade estava a treinar e o Tiago Godinho que finalmente tive o prazer de conhecer fora do mundo dos blogues! Tinha decido encarar Coruche num vai ao racha, e foi isso que fiz logo ao início. Acelerei e pus-me na frente do grupo perseguia estes dois atletas. Lentamente comecei a aproximar-se deles e o Tiago começou a correr ao meu lado. O João ia na frente e o meu colega de equipa Francisco Pedro que se encontrava a correr ao meu lado disse-me que ele só estava a treinar. Não mudava nada.

Posso dizer que nos primeiros quatro quilómetros ainda conseguia controlar a minha cabeça e o meu corpo. Seguia na frente da prova e usava isso para me tentar motivar, não viajando assim nos meus pensamentos. Por esta altura seguia com uma média abaixo dos 3:20/km. Ao 5º quilómetro entrámos em terra batida e as minhas forças parece que começaram a ficar enterradas na areia. Quando entrámos na bonita zona do Rio Sorraia, o corpo já só pedia um mergulho naquelas águas.

À entrada do 7º km, foi quando o desastre anunciado chegou. Já tinha dito e tornei a dizer ao Francisco Pedro para seguir para a frente e ele conseguiu ganhar uns valentes metros de distância do grupo. Depois disto sinceramente pouco mais há a contar. Ao 9º km enfrentámos aquela que é a maior dor nesta prova, uma boa subida que com o calor que estava parecia que nunca mais acabava! Mas sinceramente, fiquei com a sensação que podia ter dado mais na mesma...

O último quilómetro foi disputado com o grande Nuno Rocha (que também tive o prazer de conhecer pessoalmente) e que basicamente me disse que era injusto roubar-me o 2º lugar. Não tenho palavras para descrever esta atitude, grande desportivismo! No entanto, acusei aquelas palavras e dei tudo que podia nas últimas centenas de metros!


Terminei em 2º lugar da geral, 1º do escalão, com uns agradáveis 33m55s. Fica muito aquém daquilo que eu gostava de fazer mas foi o possível. Fico triste quando olho para trás e vejo que há quatro anos fiz pela primeira vez esta prova e na altura bati o meu recorde pessoal com um tempo de 34m08s. Apenas 13 segundos de diferença. Isto já deveria estar bem melhor...

Devo dizer que gosto muito desta prova e não tenho nada a apontar, excepto numa coisa: por favor comecem a prova mais cedo... começar a prova às 9h, 9h30m é o mínimo exigível para esta altura do ano. E não dêem a desculpa do pessoal que vem de fora (eu próprio demorei 1 hora a chegar), olhem para o pessoal do trail e as horas que algumas provas começam, e vejam se os atletas não aparecem à mesma.

E é isto pessoal. Agora é altura de olhar par ao calendário e perceber se ainda há mais alguma coisa que possa fazer esta época. A forma está a melhorar e há que aproveitar!

Resultados: 15ª Corrida das Pontes

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Análise Mund Compression Shorts R343

Este artigo faz parte de uma série de análises a 3 produtos que foram fulcrais no caminho para a minha primeira maratona. O primeiro artigo foi uma análise ao Compressport Free Belt. Vamos ao segundo.

Eu sempre torci o nariz a calções justos. O máximo que usava era leggings e apenas quando o frio apertava. Mais uma vez, quando os treinos longos começaram a apertar comecei a sentir falta de apoio e mesmo algum cansaço nos quadríceps, e acreditem que foi uma sensação que nunca tinha tido! Portanto, estava na altura de utilizar algo que me desse o apoio que costumo utilizar nos gémeos (sobre isso falaremos no próximo artigo).


Resolvi apostar nos Mund Compression Shorts R343. Simplesmente, acho que não poderia ter escolhido melhor. Sente-se bem a compressão dos mesmos sem ser nenhum exagero. O tecido é fresco e transpirável, e mesmo no Inverno dão um excelente apoio naqueles treinos em temperaturas mais baixas. 

O cuidado com as costuras é notório o que se traduz num conforto que não estava à espera. Adaptam-se que nem uma luva às pernas. Como podem ver pelas imagens, o tecido é diferente dos outros calções de compressão e isso, para mim, é um bónus pois dão um toque diferenciador. 


O grande extra destes calções, são os dois bolsos que trazem. Não parecem mas são dois grandes bolsos! E também têm compressão, ou seja, até um telemóvel de dimensões consideráveis dá para levar com vocês sem o risco de cair e ainda levarem as chaves do carro e um gel no outro bolso. 


A Mund começa a ser cada vez uma das minhas marcas de eleição. Não é uma marca barata mas também está longe de ser uma marca cara. A qualidade que oferece pelo preço, para mim é excelente. E estes calções são a prova disso. E são o complemento perfeito para o artigo que vem a seguir. Fiquem atentos!

Pontos Positivos
+ Aspeto
+ Durabilidade
+ Qualidade material
+ Respirabilidade
+ Bolsos

Pontos Negativos
- Preço (aproveitem, estão em promoção!)

Onde posso comprar? Na Runsox. Se forem mais friorentos, espreitem o modelo R342.



sábado, 11 de maio de 2019

Análise Compressport Free Belt

Não escondo que o treino para a maratona foi um dos maiores desafios da minha vida não só a nível físico como psicológico. Mas existe todo uma outra componente: o desafio a nível de material.

Os meus treinos sempre foram relativamente curtos. Apoio a nível muscular durante o treino? Que é isso? Bolsos para mais do que um bocado de papel e um par de chaves? O bolsinho típico dos calções chega. Recuperação? Algum descanso e água fria dão conta do recado. Eu nem nunca tinha tomado um gel durante um treino. Portanto, vocês estão a entender onde eu quero chegar.

Este é o primeiro de três artigos de análises sobre material que utilizei no treino para a maratona. Então vamos lá a isto.

Mal os treinos começaram a aumentar de duração, comecei a precisar mais do que um simples bolsinho dos calções. Onde pôr 1 ou 2 géis? Como é que me vou hidratar? Onde vou levar algo que me permita levar algo para ouvir uns podcasts para não ficar maluquinho por estar a gastar tanto tempo a correr? Isto fora as coisas normais como já disse em cima.


Na Meia Maratona dos Descobrimentos conheci um atleta que já tinha feito a maratona e durante a prova, conversa puxa conversa e ele aconselha-me a Compressport Free Belt e mostra-me que a está a utilizar naquele preciso momento. Não precisei de mais nada, fiquei convencido. Estávamos a correr a 3:30/km e aquilo não o estava a incomodar!

Este Free Belt é facilmente uma das melhores compras que fiz na minha vida desportiva. Ainda desconfiei mas mal o experimentei fiquei convencido. Pus o que precisava no “bolso” e a verdade é que não há mesmo falta de conforto na corrida. Sabem quanto é que esta "cinta" pesa? 50 gramas. Incrível!

As coisas não dançam no bolso, o material é respirável e não incomoda mesmo quando o nosso corpo já implora por um banho de água fria. Qualidade do material? Impecável, depois de dezenas de treinos continua com elasticidade e sem qualquer tipo de desgaste. E ainda vem com um flask maleável de 600ml! E que me jeitaço de me deu quando precisei de levar água comigo.

Para terem noção, já fiz treinos com o seguinte material no "cinto": telemóvel, dois géis, chave de casa, papel higiénico (típico!) e o flask cheio de água. E querem saber o melhor? Ainda havia espaço para mais uma coisita ou outra. Mas claro que não vou mentir, com o cinto com tanta coisa, principalmente o flask cheio de água, demora algum tempo no início do treino até deixar de sentir aquele "peso" há volta de anca. Mas fiz vários treinos longos e a ritmos consideráveis e nunca me senti desconfortável. Até já treinos intervalados fiz com ela mas claro que neste caso apenas levava chaves e pouco mais.


Podem ver nas imagens em baixo de como o material fica acomodado no cinto.

O telemóvel entra todo no cinto, apenas o deixei ligeiramente de fora para perceberem o que lá estava.
Uns géis...
O flask! Aqui claro que já me ocupava o espaço todo das costas.
Sim é caro e há soluções mais baratas. Conseguem arranjar na Decathlon algo parecido entre os 5-10€ Mas sinceramente essas soluções não têm tanto espaço para guardar coisas, não se adaptam tanto ao corpo e não têm a qualidade que o material da Compressport oferece. Para mim não há grande discussão. Se precisam de algo idêntico, comprem.

Pontos Positivos
+ Aspeto
+ Durabilidade
+ Qualidade material
+ Respirabilidade
+ Espaço de arrumação

Pontos "assim-assim"
+- Preço

Onde posso comprar? Na Runsox. Se precisarem de algo ainda com mais funcionalidades, têm aqui a versão Pro.



quinta-feira, 25 de abril de 2019

6ª Corrida da Liberdade Cidade do Montijo

Na semana passada quando estava no vai e não vai ao Grande Prémio da Páscoa de Constância por causa do gasóleo (sim leram bem), reparei nesta prova no calendário do nosso João Lima. Grátis, relativamente perto, num feriado... inscrevi-me! Acabei por estar presente em Constância e lá tive que fazer o choradinho ao meu treinador para me ajustar o plano de treinos para conseguir ir ao Montijo. Depois falamos do que este ajuste significa.

Já partilhei com vocês que não estou na melhor forma física nem mental. Felizmente está tudo bem na minha vida e isto são apenas "dores" de quem anda demasiado ocupado com coisas mais "importantes". Era de uma prova assim que estava a precisar, algo sem "obrigações", onde não tivesse nada a provar e que no fundo seria algo parecido a um treino de séries.

Não conheço bem a zona do Montijo mas facilmente dei com o local da prova, chegando até ligeiramente "tarde" mas estranhando ainda ver tão pouca gente. Era apenas o prenúncio para aquilo que se estava a prever acontecer. Fiz um bom aquecimento com o meu amigo Alcindo Ramalho (Run Crew Trail Montijo) e foi quando ele me deu a noticia que às 10h ainda partiriam os mais novos para 1km de prova. Começaram perto das 10h20. Quando acabaram dirigimos-nos para a partida. Arrancamos depois das 10h40. Parecido com as 10h15 que o regulamento dizia. Mas é uma prova grátis por isso...

Sai na frente da prova e lá permaneci durante uns bons... 100 metros no máximo. O Marco Tavares, cuja cara não me era desconhecida na linha de partida, passou-me e impôs um ritmo que eu não sei se iria conseguir aguentar durante muito tempo. Durante algumas centenas de metros andamos abaixo dos 3:10/km e lentamente ele começou-me a ganhar distância. Neste momento corrida lado a lado com o Adelino Monteiro. Estava-me a sentir bem neste ritmo alto e pensava: onde estavam estas sensações em Constância?

Mas a chapada ainda estava por vir. Ao 1.5km de prova damos a volta numa rotunda e parece que fui para outra dimensão. Uma ventania brutal abrandou-nos o andamento sem qualquer misericórdia. Durante algumas centenas de metros vi o ritmo a baixar e cheguei a ver 3:40/km no relógio. Lentamente comecei também a descolar-me do Adelino sem nunca perder o Marco de vista. Passamos novamente pela partida (a prova eram duas voltas de 3kms) e tento aumentar o ritmo para me tentar aproximar do Marco.

Honestamente não há mais grande coisa a contar. Quando demos a volta novamente na rotunda aos 4.5kms percebi que se mantivesse aquele ritmo não iria perder a 2ª posição. Mas tentei lutar contra esse sentimento de "estabilidade" e continuei a dar aquilo que podia. Só nas últimas centenas de metros percebi que já não valia a pena e optei apenas por manter o ritmo sem forçar mais. Terminei com um tempo oficial de 20m23s a 7 segundos do primeiro lugar. Fiquei satisfeito ao ver uma média mais agradável no relógio que no último sábado mas vocês sabem que eu quero e consigo mais e melhor!


Mas agora é tempo de descanso. Os próximos dias os treinos vão ser apenas de manutenção para o corpo recuperar de todas as agressões que tem sofrido com o treino intenso e a falta de descanso. Mas vocês sabem que eu volto. Volto sempre!

Resultados: 6ª Corrida da Liberdade Cidade do Montijo

segunda-feira, 22 de abril de 2019

31º Grande Prémio da Páscoa de Constância

Tudo na nossa vida tem consequências. O problema é que quando fazemos coisas erradas mais tarde ou mais cedo isso vai-nos atingir com toda a força. Dias e dias seguidos com poucas horas de sono, stress acumulado, má alimentação, má hidratação, são tudo coisas que são proibidas quando queremos manter um nível físico que nos pode permitir alcançar outro tipo de vôos. Era previsível que em Constância iria voar baixinho.

Bastou menos de uma hora para me apaixonar por Constância. Não conhecia de todo a vila e durante o aquecimento dei umas quantas voltas à beira do Rio Tejo e do Rio Zêzere e gostei mesmo muito de toda aquela paisagem. Como cheguei cedo, deu para fazer um bom aquecimento mas isso não evitou que quando chegasse à zona de partida, não ficasse envolto no maranhal de atletas, e com isso, ligeiramente longe da linha de partida. Continua a ser triste olhar para os lados e perceber que continua a haver muita gente que não percebe que põe em perigo a si e aos outros ao querer partir ao lado de atletas bem mais rápidos. Mas se calhar sou eu que tenho mau feitio.

Não costumo estar nervoso antes de uma prova e se esse nervosismo se manifesta é apenas naquela contagem decrescente antes do tiro de partida. Porém, no sábado o coração estava a bater bem forte nos minutos antes da partida. Talvez por saber que não tinha condições físicas para estar ali. Mas quando deram o tiro de partida, segui para a frente.

Já nem me lembrava do que era andar aos zigzags no início de uma prova. Ainda por cima quando as primeiras centenas de metros começam a subir. Mas tenho de ser honesto: aos 500 metros da prova parecia que já tinha levado uma sova. Não me estava a sentir minimamente bem. O interessante é que seguia na cauda do grupo da frente que tinha à vontade cerca de 15 atletas, e estes seguiam a um ritmo anormalmente baixo. Sinceramente, como não conhecia o traçado da prova, até fiquei com receio do que estava para vir.

Fonte: Zé Paulo Marques
O ritmo no 2º km aumentou ligeiramente para depois tornar a estagnar durante os 3 seguintes. Passei alguns atletas e consegui juntar-me ao João Saldanha e à Emília Pisoeiro, primeira feminina, que claramente seguia a um ritmo para tentar o recorde da prova. Segui com eles durante muitos quilómetros e sinceramente se não fossem eles não sei se me tinha aguentado. Agora vejo que a prova era praticamente plana mas a verdade é que sempre me deu a sensação que parecia que ia a subir.

Na viragem as coisas começaram a mudar. Começámos a apanhar atletas que seguiam à nossa frente e o meu corpo começou a entusiasmar-se. Foi a partir do km 7 que a minha prova começou, apesar de por esta altura já seguir ligeiramente atrás do João e da Emília. Comecei a sentir-me bem, as minhas passadas tinham força e pus na cabeça que iria dar tudo o que tinha até final.

Tenho sido honesto com vocês ao logo deste artigo e vou continuar a sê-lo. Há dois meses atrás, o objetivo era tentar o recorde pessoal nesta prova, independente de conhecer ou não o traçado. Nas últimas duas semanas apercebi-me que isso iria ser impossível. Apesar dos treinos terem uma média bonita e as séries até não correrem mal, podem ver pelo registo do batimento cardíaco que algo está longe de estar bem. Há data que escrevo este post, já me sinto bem melhor, repus algum do sono em falta e o stress acumulado começa a dissipar-se. Mas os dias que antecederam a prova foram caóticos...

Com tanta divagação já me esquecia! Fiquei em 5º da geral e 3º do escalão, com 34m30s. Os meus adversários foram melhores e por isso nada a dizer! Mas só de pensar que há uns meses conseguia facilmente o 2º lugar... Vou voltar a partir tudo esta época, isso terá de acontecer!




domingo, 24 de março de 2019

XIX 12 KM Salvaterra de Magos

Como o tempo passa. A primeira vez que fiz esta prova (e única) foi em 2015. E porque é que esta prova me ficou tanto na memória? Porque foi a primeira vez que fiz uma prova pela Associação Vale Grande. Mal sabia que passado 4 anos ainda estaria com esta minha família do atletismo e que iríamos ter um crescimento tão grande. Podem ver aqui o resumo dessa primeira aventura.

Ainda nem tenho bem consciência que já passou mais de um mês desde Sevilha. Tenho que ser honesto: os treinos podem parecer bons no Strava/Garmin mas a verdade é que ainda não consegui voltar a introduzir o chip competitivo. Tentei entusiasmar-me ao máximo com esta prova mas não consegui manter o foco necessário quer a nível de descanso quer a nível de alimentação. E todos sabemos o quanto isso pode afetar negativamente o nosso rendimento.

Desculpas de merda de parte, hoje fiz a viagem na companhia do Rui Henriques para Salvaterra. Chegámos, fomos logo ter com a nossa equipa e como ainda era cedo, ficámos bastante tempo na conversa e a descontrair antes de uma prova que se adivinhava algo sofrida com o calor e vento que haviam. Depois de um bom aquecimento em conjunto e com as palhaçadas do costume, segui para a partida confiante num bom resultado mas sabendo que existiam atletas que com certeza iriam subir ao pódio à minha frente.

Partida dada e... seguiu-se um ritmo quase tranquilo. Era um ritmo alto mas sem ser aquela loucura que existem algumas provas de 10km. Seguiam três atletas à frente e logo a seguir seguia um grupo bem maior no qual eu me incluía. Os atletas que iam na frente (desculpem a honestidade) era mais que sabido que pouco lá iriam durar. Depois da primeira volta dentro da vila, saímos para fora e passado 1/2 kms o nosso grupo passou para a frente da prova liderado pelo Edgar Jacinto que se encontra em grande forma. Entre os 4/5 kms começou a verdadeira prova.

Sabíamos que estava vento mas não sabíamos que íamos andar mais de 3kms com ele de frente. Quase involuntariamente íamos alternando quem ia na frente do grupo, sempre com o Edgar uns bons metros mais à frente. O Carlos Cardoso seguia ao meu lado mas tinha plena noção que ele mais quilómetro menos quilómetro iria seguir para a frente da prova. Para piorar a situação, entrámos em mais de 1km de terra batida e sendo esta uma prova de ida e volta, era óbvio que teríamos que enfrentar aquele piso outra vez.

Foram 3 quilómetros com muito sofrimento, em que os ritmos foram acima dos 3:35/km. Sou sincero, nunca pensei andar a esses ritmos hoje. Estava a apostar numa prova facilmente sempre abaixo dos 3:30/km. Mas claro, na viragem tudo mudou. O vento parou e o mundo parece que ficou em silêncio, apenas ficando no ar o som da nossa passada e da nossa respiração.

Tal como previa, o Carlos Cardoso atacou e facilmente tomou a dianteira da prova. Eu já ia muito desgastado mas consegui aumentar o ritmo e segui como podia junto do grande Francisco Pedro (quando tiver 48 anos também quero andar assim!). Seguimos os dois sempre em boa rotação, apenas começando a acusar o desgaste aos 10kms. Disse ao Francisco que não ia conseguir mais e não estava a mentir. Naquele momento se pudesse atirava-me para o chão e ficava à espera que me atirassem um balde de água fria no corpo.

Quando o nosso corpo fraqueja, a cabeça está lá para assumir. À entrada da Vila o Francisco disse para eu ir para a frente. Disse-lhe para irmos os dois e comecei a tentar puxar pelas últimas forças que tinha. Gostava que me tivessem filmado, pois as caras de esforço que eu devo ter feito até final da prova devem ter sido épicas. E assim passei a meta e fiquei à espera do Francisco para lhe dar um abraço por aquela luta que tivemos para acabar a prova.



Foi um 3º lugar da geral e um 2º lugar no escalão agridoces. É incrível ver que há quatro anos o meu tempo foi de apenas mais 17 segundos. O tempo de 42m32s e uma média de 3:27/km não me deixa satisfeito mas cabe-me a mim inverter os acontecimentos e voltar ao foco que sei que sou capaz de impôr na minha vida e apostar tudo o que tenho até final da época.

O Vale Grande, no primeiro lugar do pódio!
Não esperem por mim. Eu é que vos vou apanhar. Prometo.

Resultados: XIX 12 KM Salvaterra de Magos

segunda-feira, 4 de março de 2019

Corrida das Lezírias 2019

As últimas duas semanas foram de muita precaução. Se na semana a seguir à maratona fiz quatro treinos totalizando 1h30m e 20km percorridos, a semana seguinte não foi muito melhor com 3h de treino e pouco mais de 40km nas pernas. Ainda falta muito para a época terminar e quem sabe muitos objetivos para atingir!

Em sintonia com o meu treinador, apostei em fazer a surpresa à minha equipa e arriscar ir à Corrida das Lezírias e ajudar a conseguir um bom resultado coletivo. Digo a surpresa porque os meus queridos colegas não paravam de insistir para eu ir mas eu sempre apostei na defensiva a dizer que poderia não estar em condições. Confesso que as pernas têm vindo a recuperar bastante bem (os primeiros cinco dias pós maratona foram muito maus...) mas dei-me ao luxo de me distrair um pouco à mesa e claro que isso se refletiu na balança. Se há coisa que eu gosto é de comer e comer bem, e os últimos meses foram um pouco controlados nesse aspeto. Esse era o meu maior receio nas Lezírias, que o peso a mais prejudica-se o meu desempenho.

Fosse como fosse, domingo de manhã apresentei-me mais uma vez na linha de partida pronto para dar aquilo que podia. O nosso objetivo era alcançar o pódio mas percebemos que poderia não ser tarefa fácil pois havia muitos e bons atletas este ano que iriam atacar a linha da frente. Sinal de partida e as feras foram para a frente. Não estava à espera de uma partida tão rápida e a medo nem tentei acompanhar os da frente. Claro que 3:19/km no primeiro quilómetro foi rápido mas mesmo assim não foi nenhuma loucura.

Ao 3º quilómetro já estava a um ritmo estável e corria ao lado daquele que seria o meu companheiro praticamente até ao resto da prova. Se não fosse o João Vaz (Alvitejo), nunca teria feito a prova que fiz ontem. Obrigado! foi por esta altura, enquanto descíamos a Ponte Marechal Carmona, que disse ao João que não me lembrava de nos últimos anos ter tanta gente à minha frente nesta prova. Aliás, eu praticamente nem me lembro de ter atletas à minha frente!

Fonte: Irene Inácio
Querem que vos diga uma coisa? Não há grande coisa a contar durante bastantes quilómetros. Seguimos juntos sempre num bom ritmo, só quebrando um pouco na zona da prova que mais parece um corta-mato... Avançando para os 13km, quando subimos novamente a ponte, disse ao João para ir embora que eu não tinha pernas para mais. Estava a sentir-me a fraquejar a nível muscular! Mas passado umas centenas de metros o psicológico entrou em jogo. O João puxou por mim e disse-me para ir tentar apanhar os da frente (seguiam dois atletas no nosso campo de visão). E sabem que mais? Eu fui atrás deles.

Dei tudo aquilo que tinha e consegui ultrapassá-los! Mas ainda havia mais de um quilómetro pela frente... E aguentei. E fiquei bastante contente ao perceber que pouquíssimos segundos depois de mim cortou a meta o João que tinha conseguido puxar dos galões e passar os outros atletas também.

Passei a meta em 4º lugar da geral e 3º do escalão sénior, com 52m54s o meu melhor tempo nas Lezírias! É disto que eu gosto, ter provas competitivas em que tenhas atletas com todo o tipo de andamentos para conseguir elevar o teu nível!

Fonte: Xistarca
Os resultados coletivos acabaram por ser uma história engraçada. Estávamos à espera da entrega dos prémios dos escalões, quando de repente anunciam a Associação Vale Grande como vencedores coletivos. Fizemos uma festa! Fomos entrevistados para o Modalidades.net como podem ver na foto em baixo. O pior veio quando afinal quando nos chamam para ir ao pódio e afinal tínhamos ficado em 2º apenas a 4 pontos do Setúbal... paciência. Por pouco se ganha, por pouco se perde! Foi um excelente resultado na mesma!


Fonte: Xistarca
Agora é tempo de voltar aos treinos. Próximos objetivos... veremos!

Resultados: Corrida das Lezírias 2019