terça-feira, 15 de agosto de 2017

Análise - Gococo Compression

Vamos a outra análise de meias? Bora lá!

Até há bem pouco tempo a minha experiência resumia-se a meias e perneiras. Por isso fiquei bastante agradado quando a Runsox me deu a oportunidade de experimentar as Gococo Compression que combinam meias e perneiras de compressão.


Antes de tudo quem é a Gococo? Retirado do site da Runsox:

Em 2010, as gémeas Annie e Linnéa Wennergren lançaram a marca GOCOCO. A sua ambição foi a de criar vestuário de contacto com a pele, de máxima qualidade e com um design atraente. As meias GOCOCO tornaram-se rapidamente um enorme sucesso e hoje em dia podem ser encontradas nas pernas de muitos desportistas de renome, amadores e profissionais.
Annie e Linnéa são apaixonadas por desporto e elas sabem pela sua própria experiência, como atletas de Vela da seleção nacional sueca, a importância dos materiais e design quando têm de estar sujeitos a grandes esforços. Daí a funcionalidade ter prioridade em todas o vestuário da GOCOCO, e o tecido Cocona® se ter tornado um pilar fundamental de grande parte da coleção da marca.

Meus amigos, a verdade é que estou rendido! O material, o design, a compressão, a qualidade! A minha experiência com perneiras resumia-se às famosas marcas comerciais Compressport e CEP. Se da Compressport não tenho grandes pontos positivos a destacar, da CEP até gosto de usar. Mas vamos por pontos.

Fonte: Runsox
Quando se sente o material das meias não se consegue perceber de onde vem tanta elasticidade e capacidade para deixar passar a transpiração. São bastantes finas! Devem ser das melhores meias de compressão para usar no verão pois não se sente aquele desconforto que normalmente existe com as perneiras de compressão nos dias mais quentes. E estéticamente acho que são bastante bonitas e sóbrias!

Quanto à compressão é excelente. E muito sinceramente (claro que isto é só a minha opinião) são as melhores meias/perneiras de compressão que já experimentei. E tenho aqui umas quantas em casa. Sente-te bem a compressão nos gémeos, sem ser uma compressão desmedida como acontece com outras marcas. Dão uma estabilidade excelente a correr e nota-se perfeitamente os seus efeitos depois do treino, deixando os gémeos mais leves e não tão inchados e presos como é normal depois de um treino mais puxado.

Fonte: Runsox
Esta análise já vai longa e acho que não há muito mais para dizer. Resta-me agradecer à Runsox por me ter dado a oportunidade de experimentar esta maravilha. Visitem o site (ou loja física), existem várias cores destas meninas e ainda por cima estão em saldos!

Vejam aqui: http://www.runsox.eu/gococo-compression


domingo, 6 de agosto de 2017

Olha o desaparecido...

Último post: 28 de Maio. Acho que nunca tive tanto sem escrever nada aqui no meu cantinho. E verdade seja dita: não tenho tido vontade. 

Há exatamente um ano atrás comecei a sentir dores em zonas das pernas que nunca tinha sentido: os adutores. Sentia essa zona tensa principalmente quando me aproximava do final dos treinos e ainda mais quando fazia retas no final dos treinos. Mas com o passar dos meses as dores passavam e voltavam. Nas sessões de massagens desportiva quando a tensão apertava, pedia para dar uma tareia nessa zona. Em casa fazia o meu trabalho e alongava. A tensão passava durante algumas semanas mas acabava sempre por voltar.

O dia 31 de Maio foi quando eu penso que a coisa deu o estoiro. Fui fazer umas séries curtas para a já famosa "pista" de Odivelas e quando acabei o treino mal consegui voltar a correr com as dores na perna direita, na zona da virilha e adutores. Mas mesmo assim treinei do dia a seguir. E passado três dias, apesar de ter dúvidas que conseguia voltar a correr, fiz mais um treino de séries. Andei assim até dia 7 de Junho. Amanhã faz dois meses que comecei esta luta na minha recuperação.

Já começo a ganhar algum juízo e decidi parar completamente (mas devia ter parado bem antes...). Comecei a fazer tratamentos regulares com o Paulo Monteiro a quem eu tenho que agradecer por todas as horas que perdeu comigo. Foste incansável. Passado umas semanas sem melhoras, marquei uma consulta para o GFD e desde ai que tenho feito tratamentos regulares. 

O primeiro diagnóstico foi uma tendinite num dos adutores (não me perguntem em qual eheh). Sempre me transmitiram que iria ser uma lesão muito complicada de tratar. Após muito sofrer na marquesa e trabalho em casa, a inflamação desapareceu. Mas a zona continuou sempre dorida. Percebeu-se também que tinha um espessamento fora do normal na zona dos glúteos e que pode estar a afetar bastante os adutores, tal como a minha má mobilidade da anca. 

Fonte: Mary Morishita
Entretanto voltei a correr um mês depois de ter parado (ordens do senhor Ernesto Ferreira). Voltei no dia da Légua Noturna de Odivelas. Posso dizer que foi horrível. Ver aquelas pessoas todas a correr livremente e eu sem poder acelerar e estar a correr com dores, foi uma experiência que psicologicamente me deixou em baixo. Mas a culpa foi minha.

Desde ai já passei por diversas fases, fazer treinos praticamente sem dores, treinos e/ou pós treinos com dores e atualmente nem sei bem em que ponto é que estou. Tenho vindo a aumentar o ritmo dos treinos e as dores têm permanecido. Será psicológico? Sinceramente já nem sei... Tenho que agradecer ao meu companheiro de treinos Rui Martins que em Setembro vai enfrentar o Ironman 70.3 em Cascais!

Já eu neste momento não tenho objetivos. Tenho pensado muito pouco na época que se aproxima. Só quero que esta saga termine.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

11ª Corrida ao Farol

Cerca de 34 horas depois, alinhei em mais uma linha de partida. Mas se esta estava programada já com bastante tempo de antecedência, a anterior não esteve. E a verdade é que a brincadeira fez mossa.

Bem cedo parti em direção à Burinhosa, com o carro cheio, levando a família toda para uma bela manhã de desporto e convívio. Convencido que a prova principal começava às 10h, até chegamos um pouco mais cedo que o meu habitual. Mas foi bom, deu para a parvoíce do costume, equipar com calma e ainda aparvalhar mais num bom aquecimento.

Antes da prova já estava a sentir que não estava nas melhores condições. Sabia como me tinha sentido na sexta, solto e fresquinho, e naquela hora na linha de partida, nem se comparava às sensações que o meu corpo me estava a transmitir.

Sabendo disto, apostei num início rápido mas controlado. Esta prova tem uma meta volante aos 1900m com prémio monetário. Portanto nas primeiras centenas de metros estive sempre bastante atrás dos atletas da frente tal era o ritmo da disputa pela meta volante. Como vinha cá atrás, pude assistir a alguns atletas que com o passar do tempo iam encostando. Quando digo encostar, vi mesmo alguns a parar! Estragar uma prova por causa de uma meta volante que obviamente ficou entregue ao primeiro classificado… enfim.

Fonte: Carlos Cunha
Depois desta fase a prova entrou num ritmo mais controlado. Ultrapassei dois atletas que tal como eu não se envolveram em loucuras. Apesar de não me sentir tão solto como na sexta/sábado, estava a sentir-me bem e estava a fazer um ritmo interessante nesta fase inicial da prova. O psicológico não estava muito forte pois com a tal meta volante estava bastante distante dos primeiros lugares.

Concentrei-me no atleta que seguia à minha frente e passado uns minutos estava a ultrapassá-lo. E aqui começa o que seria o resto da minha prova. Via ao longe os atletas que seguiam na 2° e 3° posição mas com o passar dos quilómetros, num sobe e desce não muito duro mas desgastante, não via a distância a encurtar.

Segui no meu ritmo, passando numa estrada irregular com o asfalto em péssimas condições, o que para um forreta como eu que anda à 1000km com os mesmos ténis de competição foi complicado pois sentia qualquer pedra e buraco, o que condicionava a passada. Desculpas à parte, ao 8º km entrámos na Estrada de São Pedro que mais à frente nos levava a entrar novamente no Pinhal de Leiria. Passei aos 10km com 34:17/km, um tempo agradável para uma prova com quase 15km. Mas foi a partir daqui que tudo mudou.

A partir dos 11km a prova começa a descer. Um decline negativo agradável que deveria permitir um bom ritmo. O problema foi que o meu corpo rejeitou completamente esta ideia. Eu tentava puxar, tentava forçar e via o relógio teimosamente sempre acima dos 3:30/km. Psicologicamente deixei-me ir abaixo e percebi que assim era impossível sonhar com o 3º lugar. 

Aos 13km enfrentamos a parte mais dura da prova, uma subida com um declive positivo bastante agreste. Antes de sequer entrar na mesma, já estava a ver o Pedro Januário (atleta que seguia no 3º lugar) no fim da subida. Mesmo, sabendo era impossível chegar até ele, continuei a forçar. Não fazia sentido baixar o ritmo, com o Farol ali a 1 km de distância.

Estamos sempre a aprender. Já tinha feito provas no sábado e no domingo, e pensava que desta vez também não iria haver problema. Mas fez mossa. Uma prova à meia noite de sábado, treino sábado à tarde e prova no domingo, o corpo acabou por acusar algum cansaço. Só assim posso explicar o facto de ter feito uns ótimos 10kms (que poderiam ser melhores caso não fosse sempre sozinho) e depois com declive negativo tivesse deixado simplesmente de conseguir ter um ritmo forte.

Cortei a meta com 50m22s, 12 segundos pior que em 2015. A classificação também foi quase igual, com um igual 4º lugar na geral e em 1º do escalão sénior (em 2015 fui 2º). O Vale Grande conseguiu um excelente 2º lugar por equipas e um belo conjunto de pódios individuais! Para o ano temos de atacar o 1º lugar!



Todos os pensamentos negativos foram dissipados com mais um excelente almoço e convívio. A Burinhosa é perita em receber e em fazer com que os atletas lá voltem. Se tudo correr bem, lá estaremos para a 12ª edição!



sábado, 27 de maio de 2017

4º Corrida Noturna

Não é fácil escrever sobre esta prova. Existem demasiados sentimentos contraditórios. Momentos para ficar na memória, uns por boas razões, outros pelas piores. 

Uma prova à meia noite. Esta foi uma nova experiência para mim. Como qualquer prova à noite, a minha vontade de participar na mesma era perto de zero. Mas sendo em Odivelas e já tendo participado o ano passado na organização da mesma (este ano a Associação Vale Grande também fazia parte da organização), não podia faltar mesmo tendo uma prova menos de 48h depois.

Marcámos por volta das 23h junto ao Pavilhão Multiusos para distribuir os dorsais. Foi uma uma experiência engraçada, equipar em casa e ir a correr para o local da prova. Um quilómetro apenas, espetáculo! Na distribuição dos dorsais comecei logo a ser surpreendido. Rui Martins: "escolhe o dorsal que quiseres". Eu: "que eu quiser???". Rui: "não há nomes associados aos dorsais...". Bem não era uma situação normal. Mas tudo bem, siga, quero o 89 para honrar a minha data de nascimento!

Mais alguma palheta e seguimos a correr para o Strada Outlet, onde era a partida da prova. Fizemos mais alguns minutos de aquecimento, juntamente com outros atletas que se foram juntando a nós. Logo ali fiquei admirado com a quantidade de pessoas que se estavam para começar uma prova à meia-noite! Ainda por cima numa cidade como a de Odivelas.

Partida dada! Um ritmo bastante vivo no inicio de prova, como se pode ver pelos 3:10/km do 1º km. A presença do Pedro Arsénio na prova fez-se notar e a verdade é que ao fim deste 1º km, já não o conseguia ver pelas curvas da cidade. Seguiam à minha frente outro atleta que acompanhou o Arsénio durante umas boas centenas de metros e o Armando Monteiro, que se a pouco e pouco se ia distanciado de mim.

A prova continuou num ritmo forte, sentia-me bem, mesmo muito bem! Aquela sensação de estar soltinho e com força, estava a aguentar um ritmo bastante alto. Mas foi então que começou o descalabro. Bastante à minha frente vejo o Armando e o outro atleta a curvar à direita numa rotunda. Quando eu chego à rotunda e começo a virar para a mesma saída começo a ouvir gritos, nem sei bem de onde, a dizer que o caminho não era por ali. Pensei logo "OUTRA VEZ!?!?!?". Continuou a correr em frente para o caminho correto, confuso e a tentar perceber se os atletas que seguiam à minha frente voltavam para trás. Vejo o Armando a vir em alta velocidade, completamente chateado como seria de esperar. Continuo a correr num ritmo controlado, a chamar por ele e a forçá-lo a vir comigo. Ele finalmente apanha-me e seguimos os dois num ritmo bastante bom, apesar de estarmos incrédulos com a situação.

E não melhorou. Cada cruzamento, cada rotunda, era uma indecisão. A PSP existia, mas com poucas unidades. Voluntários da prova? ZERO. Zerinho. A PSP podia indicar-nos para onde devíamos ir e não esperar que mandássemos berros a perguntar, mas a verdade é que esse trabalho competia aos voluntários (que não existiam) da prova. Nem setas no chão existiam. NADA.

Continuámos naquela brincadeira até ao quilómetro 5, até que o Armando completamente desgastado psicologicamente, disse-me para seguir sozinho. Tentei que ele me acompanhasse mas em vão. Ganhei-lhe alguns metros de distância na parte mais complicada, em que o declive era positivo.

Estava-me a aproximar do final da prova e sabia que o Armando estava perto. Entrei na nova mini pista de Odivelas ao pé do Pavilhão Multiusos, e enquanto ouvia as palmas comecei a abrandar o ritmo. Cheguei à meta e estanquei antes de passar a fita. O Armando chegou e cortámos os dois a meta. Era ele que merecia o 2º lugar e fiz questão de referir isso a quem estava a apontar os nomes dos 3 primeiros.

Não me interessavam tempos, a partir daquele momento a justiça no resultado estava feita. Muita discussão houve a seguir mas passado um pouco afastei-me e fiquei com a minha mais que tudo que foi ver a minha chegada. Depois de um bom bocado, fui com ela até ao carro para mudar de roupa e até lhe disse para ela ir para casa que ainda deviam demorar a chamar os atletas aos pódios. Quando volto ao recinto, vejo pessoas no pódio. Vejo lá o meu colega de equipa Rui Martins no 3º lugar a representar-me todo encavacado ehehe. Dou uma corrida e subo ao pódio ainda mesmo a tempo das fotografias! Esta prova não podia acabar se mais este momento insólito.

Fonte: Câmara Municipal de Odivelas
Enfim, sinceramente começo a ficar desgastado destas provas na minha cidade. As organizações mudam, a tipologia da prova muda, mas a PSP continua sem a experiência necessária. É verdade que Odivelas não tem uma divisão de trânsito mas não pode ser só essa a desculpa. Mas torno a referir que quem falhou aqui principalmente foi a organização da prova. Foi mau. Mesmo muito mau.

 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

GP Estafetas - Associação Vale Grande

Uma loucura: fazer renascer uma das provas mais conhecidas e antigas do concelho de Odivelas.
Duas loucuras: organiza-la e corrê-la.  

Este artigo já deveria ter sido feito há quase duas semanas. Quis que as ideias assentassem nos dias a seguir e depois alguma preguiça impôs-se. Sim também tenho direito a ser preguiçoso!

Então vamos lá! 

Correr no GP Estafetas - Associação Vale Grande


Quase em cima da hora do autocarro para levar os atletas para ponto da passagem de testemunho, cheguei com o Rui Martins à zona da partida. Equipei-me à pressa, pus o dorsal e arranquei acompanhado do grande Paulo Ramos para a zona do autocarro. Alguma palheta e entramos no autocarro. Uns minutos depois da hora marcada dei ordem ao motorista para arrancar. O autocarro estava agradavelmente cheio. Primeira história caricata: durante a viagem começo a olhar para os ténis dos atletas e vejo uma cena branca... esqueci-me do chip! Como é que alguém que é da organização se esquece do chip! Bem mais tarde se iria resolver, pois ali no autocarro já não o podia ir buscar. 

Chegados ao local da transição do testemunho, segui com o Paulo para fazer uns minutos de aquecimento. E começa a segunda história caricata. Passado uns minutos começamos a ver os primeiros atletas a chegarem. Seguimos para a partida quando reparo em algo errado: os atletas não estavam a passar por dentro do pavilhão multiusos de Odivelas como seria de esperar. Vou até ao outro lado da estrada e mando uns berros a tentar perceber o que se passava. Ao mesmo tempo começo a ouvir "oh Vitor! oh Vitor!" e de repente percebo que o meu colega de equipa Luis Vasconcelos já estava à minha espera para me passar o testemunho. À conta desta brincadeira ele estava há mais de 30 segundos para me dar o testemunho. Na 2ª parte do artigo conto o que se passou.

Fonte: Marcelino Almeida
Arranquei num ritmo alto e rapidamente percebi que era um ritmo bem mais alto do que aquilo que eu iria aguentar. Os três dias antes foram de umas boas férias pelo norte do pais só a comer e beber. Tinha que resultar mal. Eu sabia como era o percurso no papel. Sabia como era o percurso de carro. Não fazia ideia o quão duro era o percurso a correr. 

Fonte: Edgar Magro
Ao acabar o 1º quilómetro começou a subida que praticamente durou até o final da prova. Enquanto corria na zona das Colinas do Cruzeiro, os prédios faziam sombra e não sentíamos o calor brutal que já se fazia sentir (de notar que desde o início impusemos a ideia da prova começar às 9:30). Mas depois da zona das Colinas, foi sempre a levar com sol na cabeça. Foi por esta altura que passo pelo carro da organização com o Rui de fora da janela a incentivar o pessoal. Eu mando-lhe um berro "o pavilhão está fechado!!!" e vejo a reação de surpresa dele. Correr e organizar uma prova. Estava a ser uma pequena aventura.

Não há muito mais a contar, seguia sozinho, sempre a subir e a subir, e estava a andar a ritmos decepcionantes. Não tinha pressão de nenhum atleta atrás, mas também não vislumbrava ninguém à minha frente. No último quilómetro pensei logo: a meta é ao lado da associação e foi lá numa sala que deixei o meu saco com o chip. Então fiz o que podem ver no video em baixo.


Passo a meta quase em sprint, passo o testemunho ao meu colega de equipa José Geada e digo para o olhar estupefacto do pessoal da WeRun, grito que não tinha chip e continuo a correr para dentro da Associação e subo as escadas feito maluquinho. Agarro no chip e desço as escadas e vou passar o chip pelas baías com os sensores. E só naquele momento acabou a minha prova! Deu para uma vitória por equipas mistas, pois a minha equipa contava com a madrinha da prova Lucilia Soares.


Fiquei contente com a vitória, não tanto com o rendimento. Mas neste dia a minha preocupação era outra. Queria era que a organização da prova corre-se bem.


Organizar o GP Estafetas - Associação Vale Grande


A ideia de organizar esta prova começou há mais de um ano. O problema foi transpôr esta ideia para o papel. Depois de muitos meses de adiamentos, resolve-mos meter as mãos à obra. E aqui tenho de deixar já uma meção especial à WeRun. Eu mandei muitos mails para empresas de organização de provas. A WeRun foi praticamente a única que me respondeu. O Samuel Valério desde cedo se interessou pelo projeto e ajudou-nos a construir esta prova de raiz. Um grande obrigado!

Muitos encontros, muitas ideias debatidas, muitas ideias desfeitas e soluções encontradas. Chegou ao insólito (sim mais uma situação...) de eu ter marcado férias para o dia da prova e só me ter apercebido algumas semanas antes. Deu para tudo.

Chegou então o dia da prova. Toca o despertador às 6 da manhã para ir pôr indicações nos principais cruzamentos para os atletas que vinham de carro não se perderem. Antes das 8 da manhã já estava tudo a ser montado ao pé da Associação do Vale Grande. Faltava apenas ir reforçar as setas no chão ao longo do percurso para não haver quaisquer dúvidas de qual o caminho a seguir pelos atletas. Foi uma alegria esta viagem, a PSP a passar por nós e a fechar os olhos à forma como nós íamos no caro eheheh.


Fonte: Marcelino Almeida

Fonte: Marcelino Almeida

Fonte: Marcelino Almeida
Quando voltámos à Associação, já tudo estava a decorrer sobre rodas. Muitos atletas, muita cara conhecida. Obrigado aos muitos atletas que abdicaram de provas mais conhecidas para poderem estar presentes! Já praticamente todos os dorsais tinham sido recolhidos no dia anterior. Foi tempo de eu me ir equipar para correr e com a cabeça a mil nem me lembrei de pôr o chip.

Fonte: Marcelino Almeida
Avançando no tempo, quando acabo a minha prova e trato da situação do chip. Falei logo com o Samuel e fiquei mais descansado quando soube que a questão do pavilhão estava resolvida. Problemas (sérios) na comunicação com a PSP, fez com que um agente tenha fechado a entrada para o pavilhão. Situação rapidamente corrigida pela Câmara Municipal de Odivelas. Enfim, agora até quando estou em organização de provas tenho problemas com a PSP de Odivelas. Não tenho descanso.

Visto que a organização da prova estava assegurada, decidi fazer mais uns quilómetros e acompanhei os dois últimos atletas da prova. Chegados ao local da transição, ainda recebi umas bocas em género de ameaça que aquelas equipas poderiam ser desclassificadas por eu os ter acompanhado aqueles atletas. Prefiro não comentar esta situação de tão ridícula que foi. Era um dia de festa, não estava para me chatear com coisas insignificantes.

Fonte: Marcelino Almeida
Fonte: Marcelino Almeida
Fonte: Marcelino Almeida
Fonte: Marcelino Almeida
Tal como delineado, estava o autocarro à espera dos últimos atletas para voltar ao local de partida e pude dar ordem para o mesmo arrancar. Chegámos a apanhar o último atleta à entrada do último quilómetro e pedi ao motorista para sair do autocarro para o ir acompanhar. Na companhia do Paulo Monteiro, lá seguimos com este atleta por ali acima.

Seguiu-se a entrega de prémios, sendo uma festa pois uma prova deste tipo obriga sempre a todos os atletas de cada equipa a irem ao pódio.

Acho que foi uma manhã bonita. Recebi muito feedback positivo e algumas critícas construtivas. No fundo, acabou por correr bem. E em muito se deveu à experiência da equipa da WeRun. Tenho de agradecer também à Câmara Municipal de Odivelas e a todos os patrocínios pelo apoio que deram a esta prova. Foram eles que tornaram esta prova possível!

Será que irá haver 2ª edição? Vamos todos acreditar que sim! Iremos trabalhar para isso!




segunda-feira, 15 de maio de 2017

VI Grande Prémio de Almargem do Bispo

Eu sei. Estou em falta no artigo da prova da semana passada. Mas essa prova foi especial porque estive dos dois lados da barricada: organizei e participei na prova. É preciso tempo para digerir tudo o que se passou naquele dia. Já neste GP de Almargem do Bispo, tudo foi mais fácil. Foi chegar, correr e vencer. Mas na verdade não foi assim tão fácil.

Embora eu esteja inscrito no Troféu Sintra a Correr desde o início do mesmo, esta foi a primeira prova em que participei. Como alguns de vocês sabem, durante muitos anos morei nesta zona e o circuito desta prova é praticamente o que eu fazia nos meus treinos diários. Mesmo já não sendo esta a minha morada atual, estava a correr em casa.

Acompanhado pelo Rui Martins, seguimos descontraídos para a prova. Equipar, fazer o aquecimento, momentos de palheta com as caras conhecidas destas andanças, e siga para a partida! Sentia-me bem mas não a 100%. Ainda não recuperei dos dias de férias que tive antes da estafeta do Vale Grande. Não treinar e não fechar a boca dá nisto eheheh.

A prova começou num excelente ritmo. Ainda melhor por perceber que ia ter companhia nos primeiros quilómetros. Durante três quilómetros foi assim, pelo sobe e desce típico da zona. Depois de chegarmos a Camarões e passar pelos meus pais que me apoiaram de forma efusiva, começou a verdadeira prova: a parte do sobe, sobe, sobe…
Fonte: Luís Duarte Clara
Nesta fase da prova, já só seguirmos na frente eu e o Edgar Jacinto. Psicologicamente estava bem, principalmente por ter companhia. Fisicamente parecia que a energia não estava a chegar aos quadricípedes, o que me estava a afetar o rendimento. Por volta dos 7 quilómetros consegui ganhar alguns metros e posicionar-me na frente da prova. Sabia que ainda faltava a pior parte da prova, umas boas centenas de metros com um declive bem positivo, e na minha cabeça pensei que era ai que a prova pudesse ser decidida a meu favor.

Que errado que eu estava. Quando vou na famosa subida começo a sentir o Edgar a aproximar-se rapidamente e de repente estava à minha frente. Tentei chegar-me ao pé dele e no final da subida já estávamos lado a lado e quando o passo ele diz-me “boa prova!” e eu sabendo que ia no limite depois daquela subida grito-lhe “anda lá cara***!”. Estava-me a saber bem aquele despique e não queria ele desistisse.
Fonte: Luís Duarte Clara
Começámos a descer para o último quilómetro, apanhamos uma dezena de metros novamente subir e depois sempre a descer até à meta. Sabia que tinha de descer como nunca o tinha feito, pois sou perito a perder lugares a descer. Abri a passada meti a minha cara de sofrimento e corri como se a minha vida dependesse disso.


Fonte: RUN 4 FFWPU
Vejo agora que cheguei a atingir um ritmo abaixo dos 2:40/km. Que bem que soube depois daquele esforço todo cortar a meta em 1º lugar da geral! Fiz os 9km da prova em 30m48s, praticamente menos 1 minuto que o ano anterior. Espero que seja um bom sinal para a reta final da época!

Fonte: Jaime Maurício
Fonte: RUN 4 FFWPU
Durante esta semana vou publicar o artigo sobre a boa manhã que decorreu no passado dia 7 de Maio, no Grande Prémio por Estafetas da Associação Vale Grande. Até lá!

Classificações: Brevemente

segunda-feira, 1 de maio de 2017

36ª Corrida Internacional 1º de Maio

A nossa vida é feita de fases. Os nossos valores e características pessoais não se alteram, mas se a nossa mente não está 100% focada naquilo que está a fazer, os resultados ficam comprometidos. No último mês, por motivos extra-corrida, pouco tenho pensado em treinos e em provas. Cheguei ao 1º de Maio sem estar focado na prova e não me sinto satisfeito com essa situação. (In)felizmente esta foi mais uma daquelas provas em que no fim acabam por existir pontos positivos.

A juntar ao factor mental, ontem à noite passei umas boas horas bastante desconfortável da barriga. Sabia que era provável que passa-se durante a noite pois não era a primeira vez que sentia este tipo de desconforto, mas estava com medo que afetasse a prova. De manhã sentia-me bem melhor e com as pernas frescas ou não tivesse levado uma pequena tareia do Paulo Monteiro na sexta. Cheguei com a habitual hora de antecedência ao Parque de Jogos 1º de Maio para recolher o dorsal, e depois foi hora de equipar e ir aquecer. Hoje fui o único representante do Vale Grande e o pessoal destas andanças até estranhou.

Perto da hora definida, fui para o bloco de partida onde já estavam centenas de atletas. Tentei chegar-me um bom bocado à frente, mas chegou a uma altura que já não estava confortável para pedir mais vezes para me deixarem passar. E isso acabou por influenciar na partida, pois senti dificuldades em ultrapassar durante umas boas dezenas de metros.

Depois de sair do Parque, tentei logo apostar num ritmo alto pois sabia que era na primeira parte da prova que deveria apostar na velocidade. Com esta aposta acabei por me isolar na altura em 5º/6º lugar. Fui apanhado por um atleta que me puxou autenticamente durante alguns quilómetros, tal era o ritmo que ele levava. Nos túneis quando descíamos, tinha dificuldades em acompanhá-lo mas quando começávamos a subir conseguia recuperar alguns dos metros perdidos. Fomos entretanto apanhados por um atleta que seguia em grande velocidade e ainda pensei que tivesse ali um bom grupo para fazermos uma boa prova.

Fonte: Luis Duarte Clara
Seguia um atleta no nosso campo de visão que tinha ficado para trás do grupo que liderava a prova. Estava a usar esse atleta como motivação, tendo como objetivo ultrapassá-lo. Na subida do último túnel apostei numa passada forte e os dois atletas que seguiam comigo ficaram para trás. Começou então a fase da descida do Saldanha até ao Marquês. Aproveitei o embalo e lentamente fui-me aproximando do atleta que tinha no meu campo de visão. Chegando à rotunda, desculpem-me a frontalidade, mas fiquei fodido quando o vejo a cortar a rotunda autenticamente indo pelo passeio. Decidi naquele momento que não ia apostar naquele jogo e enquanto ele cortava caminho, eu fazia a minha prova pela estrada como mandam as regras.

Ele ganhou-me uns bons metros e a meio da Avenida da Liberdade levava-me um bom avanço. O problema de ir a descer demasiado tempo é que o corpo se habitua e instintivamente começa a travar. Eu pensava que ia rápido, mas quando olho par ao relógio percebo que tinha desacelerado. Tornei a apostar num ritmo forte, cruzando a Rua do Ouro a um bom ritmo. Aproveito para agradecer mais uma vez a todos os estrangeiros que estão na rua a bater palmas (os portugueses correspondem a 0.1% das pessoas que apoiam os atletas em Lisboa) e mais uma vez a todos os espanhóis que fizeram mais barulho quando eu passava por mais uma vez pensarem que eu era espanhol ehehe.

Quando chegámos ao Martim Moniz pensei logo que era ali que a verdadeira prova iria começar e que a minha prova se iria decidir. Logo nas primeiras dezenas de metros da longa subida da Almirante Reis apanhei o atleta que seguia à minha frente e rapidamente o deixei de ouvir atrás de mim. Continuei a apostar num andamento forte e constante, apesar do desânimo de cada vez que olhava para o relógio (ritmos a marcar os 4:00/km). Ainda passei por uma pequena peripécia, com um senhor de muletas com uma cerveja de litro na mão (ou litrosa como se chamava no meu tempo de adolescente) que começou a atravessar a estrada e foi parar mesmo à minha frente, conseguindo desviar-me quase em cima dele.

Fonte: Jaime Maurício
Quando a subida começou a ficar mais dura, um agente da policia que deve ter experiência em corrida, disse-me para alargar a passada e a verdade é que me ajudou a manter o ritmo pois por aquela altura já seguia com a passada muito curta devido à inclinação positiva. Depois disto não existe mais grande história. Quando cheguei ao 14º quilómetro, decidi olhar para trás e percebi que ia completamente à vontade e dado que não via nenhuma atleta à minha frente há bastantes quilómetros, decidi apostar num ritmo forte mas controlado para as últimas centenas de metros.

Cortei a meta em 4º de geral e em 2º do escalão sénior, completando os 15km com 52m57s, quase 1 minuto e meio pior que o meu melhor tempo. Não é um resultado que me deixa orgulhoso, apesar da boa classificação. Esperava um tempo melhor.

Fonte: Jaime Maurício
Deixo apenas uma pergunta no ar: o que está a acontecer às provas em Lisboa? Como é possível numa das provas mais tradicionais e concorridas, eu ficar em 4º da geral com quase 53 minutos? Eu fui a esta prova para ir correr contra os melhores e no entanto andei praticamente a prova toda sozinho. Mas só as provas mais comerciais é que interessam? Não consigo deixar de sentir um amargo de boca ao colocar este troféu na minha estante. Não gosto de não sentir prazer em subir a um pódio. Espero que entendam esta minha observação.

Resultados: Brevemente

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O dia em que utilizaram a minha imagem e trabalho sem autorização


Qualquer semelhança entre este post no Facebook desta loja e o meu artigo sobre o teste ASICS Foot ID é mera coincidência. Ou não. 

Quem me conhece sabe que eu não gosto de confusões, nem de criticar por criticar. Um exemplo disso é a minha postura nas redes sociais. Evito ao máximo meter-me em discussões sem sentido, ou fazer posts a dar opiniões pessoais sobre assuntos da atualidade. Sou um coninhas. Apenas dou a minha opinião (principalmente através do blog) quando penso que as pessoas estão a prejudicar-se com decisões por falta de conhecimento. Mas adiante.

Eu esforço-me para qualquer referência que faça colocar sempre a fonte. Nunca altero fotos com marca de água (embora reconheça que já o fiz há muito muito tempo atrás). Se não encontro a fonte de qualquer fonte ou artigo nem utilizo os dados. Qual não foi a minha surpresa quando o meu amigo e treinador André Filipe, me encontra em fotos num post de uma loja de artigos desportivos. Eu fiquei a olhar para aquilo... só podem estar a gozar.

Mandei mensagem privada, o próprio post tem um comentário do André e não obtive qualquer reação. Então pronto, esta foi a minha solução para divulgar este assunto. 

Eu por mim podiam usar a minha imagem à vontade. Era com todo o gosto que eu aceitava e até fornecia as fotos originais que têm mais qualidade. Mas nem autorização, nem citar a fonte, nem absolutamente nada.

Obrigado e bom dia.