domingo, 14 de janeiro de 2018

Campeonato Nacional de Estrada 2018

Está feita a primeira aventura de 2018! Desde 2013 que não participava em nenhuma como federado e provavelmente desde essa altura que não estava na presença de centenas de atletas de qualidade tão elevada.

Nos dias que antecederam esta prova tive muitos fatores de distração mas confesso que estava um pouco ansioso. Fora as provas maiores de Lisboa, o nível de competição tende a ser moderado ou por vezes baixo. Não estou de qualquer forma a desvalorizar os atletas (nos quais eu me incluo) que vão a essas provas, simplesmente é a verdade. Fui ver a classificação do ano passado do Nacional de Estrada e ri-me sozinho pois percebi que tinha muito que "dar ao chinelo" se quisesse ficar pelo menos nos 100 primeiros seniores masculinos. Sim 100 primeiros.

A verdade é que com colegas de equipa tudo fica mais fácil antes de uma prova e foi graças a esses que cheguei à linha de partida sem qualquer tipo de nervosismo. O bloco de partida para atletas federados estava mesmo com muita gente mas os blocos atrás de nós eram ainda piores! Portanto já se sabe, a partida foi uma confusão. Parti a medo pois foram ali uns 50 metros em que apesar de dar para correr, existiam demasiadas pessoas à minha volta e o risco de alguém cair era muito elevado.

Fonte: A Natureza Ensina
Sendo o primeiro quilómetro a grande descida da prova teria de ser feito a um ritmo elevado. Juntamente com o segundo quilómetro, foi a fase em que mais atletas ultrapassei, apesar de irem todos a um excelente ritmo. Dado o nível de qualidade de atletas presentes neste Nacional de Estrada, nunca me senti sozinho ao contrário das outras provas. Tive quase sempre alguém com quem ir, o que me ajudou a manter ritmos elevados. Mas também verdade seja dita que ao longo de toda a prova continuei a ultrapassar atletas (e alguns a ultrapassarem-me a mim!).

Uma pequena subida ao quarto quilómetro foi um aviso para o que viria a ser o verdadeiro teste no sexto quilómetro. Eu juro que não entendo como é que há atletas que com percursos com subidas destas conseguem fazer abaixo dos 30 minutos aos 10km. O meu ritmo nestas subidas consegue descer quase para a casa dos 4:00/km. Treinasses.

Seguiram-se dois quilómetros a um excelente ritmo, sempre focado em não abrandar e usando o velho truque de focar um atleta mais à frente e marcar como objetivo ultrapassá-lo. É velho mas funciona. Mas havia uma coisa que não me saia da cabeça e que sabia que era o que me podia estragar qualquer tipo de recorde pessoal: a subida final com cerca de um quilómetro.

Quando iniciei esta subida do diabo ainda olhei algumas vezes para o relógio. O ritmo estava agradável mas rapidamente começou a descer vertiginosamente. Percebi que não ia conseguir o tempo oficial que queria. Mas não me deixei abater e continuei a dar tudo o que tinha e entrei na pista encarando aqueles 100/200 metros como se estivesse no despique para decidir um lugar no pódio.

Fonte: Rogério Machado
Passei a linha final com 33m58s, classificando-me em 93º Sénior Masculino. Para o Campeonato Nacional não existe classificação geral, só havendo a mesma na prova aberta. Se eu tenho um melhor registo numa prova de 10km? Sim tenho. Se tenho motivos para ficar chateado? Não. Segundo o relógio fiz uma média de 3:20/km (penso que a prova mais rápida de 10km que fiz até hoje), sendo que a prova tinha 10.1km e o relógio (e já agora o Strava também) avisou-me que tinha batido o meu recorde pessoal aos 10km com 33m21s. Portanto, o próximo objetivo é fazer este tempo de forma oficial!

Obrigado a todos os que gritaram por mim! Hoje não consegui responder a ninguém, estava demasiado focado e demasiado deslumbrado com a qualidade à minha volta.


Foi o meu regresso a provas federadas e com certeza que é para continuar.

Resultados: Campeonato Nacional de Estrada 2018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Blasfémia! O ano em que não participei em nenhuma São Silvestre! E o mês que comecei a fazer bidiários. Entre outras coisas.

Provavelmente o maior título de sempre de um artigo neste blog.

Tal como no último artigo, venho falar novamente de uma primeira vez: este ano foi a primeira vez em que não participei em nenhuma São Silvestre desde que comecei a correr.


No início do mês de dezembro fiz os 10Km da Meia Maratona dos Descobrimentos e fiquei bastante contente com o meu resultado. Foi então tempo de refletir juntamente com o meu treinador qual era o plano de ataque para o mês das São Silvestre e início de 2018. Uma ideia que ficou logo assente era a vontade de participar no Campeonato Nacional de Estrada no próximo dia 13 de janeiro. Antes disso acabámos por decidir que não valia a pena o desgaste em mais nenhuma prova.

Fonte: Aleteia
Até a cara do São Silvestre parece chocada.
Pondo os pontos nos i's: é óbvio que eu gosto das São Silvestres. Existem demasiadas mas isso era outra conversa. A São Silvestre da Amadora é provavelmente a minha prova preferida até hoje. Mas a verdade é que este ano quis desfrutar da época sem pressão da competição e com todas as restrições que isso implica. "Tu és é um preguiçoso! Queres aproveitar para enfardar e desleixares-te nos treinos!". Ok. Sim e são. Sim enfardei muito mais do que seria suposto/expectável/saudável (como sempre) mas não deixei de treinar. Aliás, nunca treinei em tanta quantidade e qualidade como no último mês.

Isto deve-se ao facto de no mês de Dezembro ter começado a fazer bidiários. Calma, não comecei a treinar duas vezes todos os dias. O meu esquema de treinos continua bastante semelhante ao que era: 5 dias de treino e 2 dias de descanso. Dos cinco dias de treino, dois (normalmente à terça e quinta) passei a correr de manhã e à tarde. Obviamente que o número de quilómetros semanais aumentou mas não subiu para números absurdos (só estas últimas duas semanas é que passei os 100km semanais).

Pesquisei "running doubles" que é praticamente a tradução literal de "correr bidiários" e apareceu-me esta imagem.
Pareceu-me apropriado.
Um mês depois posso dizer que fisicamente sinto-me bem. Não sinto cansaço acumulado, sinto que o corpo já assimilou a carga a que está sujeito e sinto-me bem mesmo no final do segundo treino do dia. Em relação aos tipos de treinos que faço nesses dias, são de corrida contínua, variando a duração e intensidade, fazendo com que se mantenha sempre interessante qualquer um dos treinos.

A nível pessoal e psicológico tem sido um desafio interessante. Não vou dizer que não me rouba tempo mas também não sinto esteja a prejudicar de nenhuma forma a minha vida diária. Para começar são só dois dias por semana e quando se está disponível para fazer muito ginástica para fazer as coisas funcionarem, quase tudo se torna possível. Acreditem nesta época natalícia, com jantares de Natal de amigos e empresa e afins, foi mesmo preciso fazer muita ginástica!

Voltando ao Campeonato Nacional de Estrada, tenho a anunciar que finalmente estou federado! E que vou correr mesmo no Campeonato Nacional de Estrada e não na prova integrada, a Corrida com os Campeões. Dado que fiz grande parte do processo de registo do clube e respetiva filiação, tal como a filiação de atletas, devo dizer que se trata de um processo algo moroso e chato. E essencialmente confuso. Para o ano com a experiência vai ser bastante mais fácil mas para quem nunca fez isto e tem de fazer tudo de início (e praticamente não existe nenhum guia com informação do processo), torna-se bastante complicado e até desmoralizador. Isto de ser atleta e seccionista tem as suas partes chatas!

O artigo já vai longo mas já agora queria deixar uma atualização sobre o meu último artigo. Estou melhor mas ainda não estou a 100% da história das bolhas. Tive que andar a fazer testes com os ténis e tenho a certeza que os culpados são os meus Hoka. As razões depois falarei num artigo mais tarde mas devo dizer que estou algo desapontado com eles.

Espero sinceramente que todos os que leem aqui o meu cantinho tenham um excelente 2018! Que seja um ano de muito sucesso e que consigam atingir os vossos objetivos!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Quando o maior problema são... bolhas

Até hoje tinha a bonita história para contar que nunca tinha tido bolhas nos pés. Existe uma primeira vez para tudo. Ontem mal conseguia andar direito.

Sim, sim eu sei ando desaparecido do blog. Provavelmente esta até será o meu último artigo do ano. Que raio de assunto para falar. A verdade é que até tenho muita coisa para escrever em alguns artigos (apesar de não andar a participar em provas) mas esta altura do ano torna complicado arranjar tempo para tudo. Nem é a desculpa de não haver vontade por ser Natal e afins, é puramente falta de tempo.

E no meio desta falta de tempo, que coisa fantástica para arranjar se não que umas maravilhosas bolhas nos pés? Duas bem grandes no pé esquerdo e outra no pé direito. Uma delas até me fez acordar a meio da noite com as dores. Mas claro como sou teimoso ainda fui treinar.

O que é causa as bolhas nos pés? Uma mistura de 4 componentes: o tipo de pele (mais sensível ou não), pressão e fricção, movimento do osso e repetição. Claro que existe depois toda uma panóplia de razões tal como o tipo de meia que estamos a usar, calçado novo, temperatura, entre outros.
Fonte: Blister Prevention
No meu caso nem sei bem o que me causou as bolhas. Eu ando a utilizar dois pares de ténis relativamente novos, os Hoka One One Clifton 4 e os Saucony Kinvara 7, e ainda os Sketchers Go Run Ride 5 (já só uso para treinos estruturados). As bolhas apareceram depois de um treino de 80 minutos (que deu uma bela de uma meia maratona) no dia 24. No dia 25 já me estava a custar pôr o pé no chão. Armado em campeão cortei as bolhas e com os dois treinos de terça feira tornaram-me a aparecer bolhas sobre as antigas bolhas. Que fixe.

Portanto escusado será dizer que tem sido uma semana bastante agreste para treinar. E os bi-diários não ajudam a dar tempo para isto sarar. Já vos tinha dito que agora faço bi-diários? Isso será assunto de um próximo artigo. Isso e o facto de não participar em nenhuma São Silvestre este ano. Blasfémia!

Até hoje na natação isto me doía quando batia com os pés na água. Enfim. Bem desejem-me as melhoras porque esta porra dói como o #$%&%&!

PS: Ainda pensei em pôr aqui uma foto com as minhas bolhas mas tive pena de vocês.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Meia Maratona dos Descobrimentos - 10Km

295 dias. Quase 10 meses sem fazer uma prova de 10km. 190 dias. Quase 6 meses sem fazer uma prova com uma preparação real. É incrível o que uma lesão nos pode fazer a nível competitivo. Mas na realidade não se resume apenas a isso. Esta época já fiz os 20km de Almeirim e a Meia Maratona de Abrantes mas na verdade essas provas nunca deveriam ter constado do meu plano. Foi casmurrice minha ir a essas provas mesmo sabendo que não tinha a preparação adequada. Mas desta vez foi diferente.

A minha preparação nas últimas semanas tem sido direcionada para provas mais curtas. A lesão no adutor já começa a ficar para trás e o corpo finalmente começa a assimilar os treinos e a conseguir atingir os ritmos com que estava antes da lesão. O objetivo destes 10kms englobados na Meia Maratona dos Descobrimentos era testar exatamente como é que eu estava a nível competitivo.

Ao contrário do ano passado em que estava um grande temporal, este domingo havia um sol fantástico tal como um frio desgraçado. Nada como fazer o aquecimento de fato de treino e de luvas não resolva. Problema? Gerir o tempo do aquecimento. Faltavam cinco minutos para a prova começar e eu ainda tinha de ir do CCB ao parque de estacionamento do Estádio do Restelo para me despir e ir para a partida. Como ainda tinha o relógio ligado, cheguei a ver o ritmo a 3:40/km. Bom aquecimento.

Cheguei ao bloco de partida faltava menos de um minuto para a partida. O problema é que eu pensava que a partida era às 9:30 quando na verdade era às 9:35. Esperto. Senti o nervosismo a passar-me nos músculos como já há meses que não sentia. Pensava que estava com os músculos tensos, ia fazendo alongamentos dinâmicos mas era tudo nervosismo a falar. Sinal de partida e tudo ficou para trás.

Primeiras centenas de metros com muita gente a ir para a frente. Arrisquei num ritmo alto mas controlado. Percebi que tinha vindo gente mais forte aos 10km do que à meia maratona e que não valia a pena pensar na classificação. Naquele momento o que interessava era o ritmo. Aos 2 quilómetros fizemos uma viragem e percebi que o jogo mudava: vento contra.

Fonte: A Minha Corrida
Por esta altura já seguia sozinho e só mais tarde iria conseguir ultrapassar alguns atletas. O 3º e 4º quilómetro foram feitos no ritmo que estava à espera. Mas a partir desse momento comecei a decair. Ainda consegui passar aos 5km com 17m03s, conseguindo fazer o me foi pedido pelo meu treinador (passar entre os 17m00s e 17m05s). Mas a partir dai decai para a casa dos 3:30/km e mesmo forçando o ritmo, não estava a conseguir ir ao ritmo que desejava.

Nova viragem e de repente silêncio. Deixei de ouvir o vento a soprar nos ouvidos e usei isso com alento. A partir desse momento o jogo mudou, outra vez. O ritmo aumentou logo e comecei a aproximar-me rapidamente de atletas que seguiam à minha frente. Ultrapassei 2/3 atletas e quando dei por mim já estava a entrar no último quilómetro. Ainda seguia no meu campo de visão um atleta do Belém Runners e utilizei isso como incentivo. O 10º quilómetro foi feito a 3:09/km e os últimos 100m a 3:02/km...

Fonte: A Minha Corrida
Terminei a prova em 7º da geral e 5º sénior, com o tempo de 34m14s. E a média? 3:23/km. Objetivo cumprido. Se gostava de ter ido ao pódio? Gostava. Mas foi uma prova em que estiveram presentes bons atletas e isso também contribuiu para alcançar os meus principais objetivos.

Saio desta prova com espírito renovado. Se a Meia Maratona de Abrantes já me tinha aumentado a moral, a partir de agora vou finalmente enfrentar o que ainda há de vir esta época com outros olhos. Vamos lá a isso!


Resultados: Meia Maratona dos Descobrimentos 2017 - 10Km / Meia Maratona dos Descobrimentos 2017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Meia Maratona de Abrantes

Apenas três semanas passaram desde os 20k de Almeirim mas muito aconteceu na minha vida. Quem anda nestas coisas do desporto e leva a coisa minimamente a sério, sabe como a nossa vida pessoal pode afetar a nossa cabeça psicologicamente no que ao desporto diz respeito. Era esse o meu grande medo quando foi dado o sinal de partida em Abrantes. Mas felizmente isso não aconteceu.

Pela primeira vez pernoitar a uma localidade com o objetivo de fazer uma prova na mesma no dia seguinte. Agradeço aqui publicamente ao meu amigo Rui Martins e à família por me receberem! Até tive o luxo de ir fazer o reconhecimento do circuito da prova na noite anterior e podem crer que me ajudou na prova. Percebemos que tínhamos de gerir a nossa prova nos primeiros 7 quilómetros por causa das muitas subidas que o percurso tinha e depois desses 7 quilómetros a prova entrava numa fase mais tranquila. Mas foi apenas o que pareceu dentro do carro.

De manhã foi tudo muito tranquilo pois estávamos quase ao lado da partida. Tivemos tempos de ir buscar os dorsais, voltar a casa, equipar de forma bem descontraída e ir a aquecer para o local da prova. Poucos minutos para o arranque e lá fomos nós para a linha de partida. O arranque da prova foi rápido mas controlado. Depois de Almeirim não iria repetir o mesmo erro. Sei que uma das minhas poucas qualidades na corrida é ter um início controlado e conseguir manter e até ir aumentado a intensidade gradualmente.

Na frente formou-se um bom grupo de atletas, havendo alguns atletas depois que seguiam sozinhos e logo a seguir ia eu num grupo de atletas que seguiam num bom ritmo. Durante muitos quilómetros consegui ir com eles, indo alternando entre a frente e a parte de trás do grupo. Os tais primeiros 7 quilómetros passaram num instante e na verdade nem custaram assim tanto. O problema foi o que veio depois.


Tudo parecia encaminhado para me manter com aquele grupo mas a partir dos 10 quilómetros alguma coisa mudou. Foi por esta altura que tomei o gel que levava comigo. Não tenho por hábito tomar nada em provas mas em distâncias mais longas mais vale não arriscar. E depois de Almeirim não queria falhar em nada. Passado algumas centenas de metros, comecei a não conseguir acompanhar o grupo onde estava. Não desanimei mas também estava contente com o que estava a acontecer.

Por esta altura a prova entrava numa fase de curva contra curva, sobe e desce constante. Isto foi assim até ao retorno nos 15 quilómetros. Mas tal como o próprio nome indica é um retorno portanto mais curva contra curva, mais sobe e desce constante. Porra, na noite anterior parecia tudo plano!

Na verdade esta parte é a mais bonita da prova, com uma bonita paisagem com o Rio Tejo a apresentar-se em todo o seu esplendor. O grupo mantinha-se a uma distância controlada e não demonstrava sinais de querer abrandar. Mas era agora ou nunca. Sentia os meus quadríceps a querem fraquejar, o meu ritmo a diminuir, mas sentia-me efetivamente melhor que na desgraça de Almeirim. Era altura de apertar comigo.

Dei aquilo que podia e senti que podia apanhar o grupo que seguia já um pouco desmembrado à minha frente. O 19º quilómetro foi o meu quilómetro mais lento da prova (3:44/km) mas parecia que ia a velocidade de cruzeiro! Consegui ultrapassar dois atletas e ganhar forças para entrar no 20º quilómetro a ultrapassar um terceiro atleta. Depois foi aguentar o ritmo e nos últimos 780 metros fiz um ritmo de 3:20/km tendo conseguido manter as posições que tinha ganho.

Passei a meta com 1h13m36s, no 11º lugar da geral e um 5º lugar do escalão. O que me deixou realmente satisfeito foi ter conseguido uma boa média, 3:32/km, num percurso algo complicado. A desgraça de Almeirim e os problemas pessoais ficaram para trás e nem mesmo o facto de ter ficado a um lugar dos prémios monetários (10 primeiros da geral) me conseguiu esmorecer.

A prova acabou com 20,780 km. Não vou argumentar se lhe faltam 300 metros, são demasiadas curvas para uma marcação perfeita do GPS. Mas mesmo assim são muitos metros de erro... De resto boa organização, nada a apontar. E ainda tivemos direito a um almoço antes de nos fazermos à estrada. Por 5€, é um trabalho fantástico. Corrijam o problema da distância e têm uma prova para muitos anos!

Muitos parabéns aos meus colegas de equipa, principalmente à Carmen Ferreira que mesmo lesionada consegui um excelente 6º lugar feminino e 2º F45!

Agora é recuperar forças, daqui a duas semanas a distância diminui mas a intensidade vai aumentar. Até aos Descobrimentos!

Resultados: Meia Maratona de Abrantes

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Análise Skechers GOrun Ride 5

Quando voltei a treinar em Julho, depois de ter estado parado cerca de um mês, apercebi-me rapidamente que iria precisar de uns novos parceiros de treino. Entretanto fui aconselhado a mudar a minha filosofia em relação à minha forma de escolher ténis: esquecer o facto de eu ser pronador e focar-me no drop.

E é que é isto do drop? O drop é basicamente a diferença de altura entre a parte de trás e parte da frente da sola.

Na altura ainda pensei em que ténis iria comprar e de repente lembrei-me que tinha em casa uns Sketchers que apenas tinha usado uma vez. Bendita vitória na Corrida Dom Dinis! Da única vez que os tinha usado tinha ficado com uma opinião extremamente negativa. Mas estava na hora de lhes dar mais uma oportunidade.


Pesquisei e vi que estes Skechers GOrun Ride 5 têm um drop de 4mm. Impecável, era mesmo isto! Passar de modelos com 9 e 10 mm para estes ia custar mas era altura certa para experimentar pois os meus treinos na altura eram lentos pois ainda estava a recuperar da tendinite no adutor.

Mas afinal transição custou muito menos do que aquilo que eu estava à espera. As dores não foram assim tantas e o facto de estar bem fresco depois de mais de um mês parado ajudou bastante. Devo dizer que estou a adorar a experiência! Já vou em mais de 700 km com eles e apesar de já ser bem visível o desgaste na sola continuo a gostar bastante das sensações que eles me dão. Com tão pouco drop e sendo um modelo neutro, promovem uma passada mais natural, algo que eu não estava de todo habituado.

O aspecto é sóbrio mas não é fantástico. Um pormenor estranho é o facto da sola lhes dar um aspeto mais largo do que eles são. Mas é uma coisa relativamente comum a todos os modelos da Sketchers. O facto de terem um corpo mais largo que o normal dá-me uma sensação de conforto extra, diferente dos típicos modelos mais estreitos. Na zona do calcanhar temos o sistema quick-fit para um calçar mais rápido os ténis (sistema pensado para os triatletas). No entanto este sistema não serve de grande coisa pois se fizermos o que é suposto o dedo acaba por travar a entrada do pé.


Não há nada apontar à respirabilidade dos tecidos utilizados. Em qualquer temperatura sempre senti bastante conforto (mesmo com eles molhados).

O amortecimento é excelente. O drop de 4mm não interfere em nada neste campo. Mesmo assim é um amortecimento menor do que aquilo que estava habituado mas senti bastante conforto na passada quer em treinos longos (máximo 20km) quer em treinos rápidos, como tempo runs ou intervalados.


Por último, apenas não estou gostar da duração da sola em certas zonas. Nota-se bastante o desgaste principalmente na zona exterior do calcanhar que denuncia que ainda tenho uma passada pronadora. Apesar deste apontamento, nada a apontar à sua aderência. Nem mesmo em estradões ou com o piso molhado me deixaram ficar mal.

Este já é um modelo de 2016, já tendo sido lançada a versão 6. No entanto não quis deixar de fazer um artigo sobre este modelo pois é a minha primeira experiência com um drop tão baixo. E posso dizer que é para continuar já tendo encomendado os meus futuros parceiros de treino e de competição tendo por base esta metodologia.

Se ainda os encontrarem à venda e com um bom preço não hesitem. Eu pessoalmente gostei da experiência e estou curioso em experimentar a versão mais recente!

Pontos Positivos
+ Conforto
+ Respirabilidade
+ Peso
+ Amortecimento (dão dez a zero à Asics neste campo...)
+ Aderência

Pontos Negativos
- Aspeto (opinião pessoal)
- Desgaste rápido da sola (em algumas zonas)
- Sistema quick-fit

PS: Se querem ver os ténis limpos e bonitos vão a uma loja, por aqui os ténis são para correr 😜



terça-feira, 31 de outubro de 2017

20 Kms de Almeirim

Já lá vão alguns anos desde que comecei a correr. Já fiz muitas provas, tenho conhecido muitos sítios novos. Mas na minha lista constava uma prova que andava a ser adiada ano após ano: os 20 Kms de Almeirim.

Antes de tudo tenho de falar sobre os meus últimos dias. Fui para Espanha para uma conferência na quarta-feira. Treinei quinta e sábado. Entre quarta e sábado dormir foi mentira: muito menos do que 15 horas (o normal seria dormir umas 24 horas). No sábado fiz uma viagem de 6/7 horas para Lisboa, sentado e não muito confortável. Nem eu me apercebi o que isto fez ao meu corpo.

No domingo bem cedo reuni-me com a minha equipa e familiares para seguirmos para Almeirim no autocarro do Vale Grande. Chegámos ainda antes das nove e em ritmo apressado lá fomos buscar os dorsais (a organização dos dorsais era um bocado atabalhoada...). Equipar, casa de banho, aquecer, hora da partida!

Até à hora da partida estive numa autêntica sardinha em lata. Nem me conseguia dobrar para alongar os músculos. Mas foi assim, com a minha claque pessoal a dar-me força, que foi dado o sinal de partida. O meu colega de equipa André Costa rapidamente tomou a frente da prova. Atrás dele seguia um bom grupo de atletas e logo a seguir seguia eu e mais alguns atletas dispersos.

Demos algumas voltas pelas ruas de Almeirim, com muita gente na rua a dar força e aplaudir. Isto foi uma constante pela prova toda (menos quando saímos da cidade). Espectáculo! Nestes primeiros quilómetros seguia a um bom ritmo, na zona que eu apontava fazer para esta prova (média de 3:30/km). Aqui começa o meu primeiro erro. Eu sabia bem que não tenho treinado para provas longas e era uma incógnita os ritmos que eu podia aguentar durante 20kms. Os primeiros 5kms foram feitos em 17m15s, o que dá abaixo da média pensada.

Fonte: Luis Duarte Clara
Ao 6º km passei pela minha claque (namorada, sogra e pais) e foi uma festa! Mas fiz questão de lhes indicar que não estava bem. Eles próprios me disseram no final que via-se na minha cara que estava cansado. A partir daqui comecei a perder ritmo. E isso ia-se manter até ao resto da prova.

Uma coisa que adorei foi ver tanta gente nas ruas. E para variar adorei aquelas que gritavam por nós e usavam o argumento que a sopa da pedra estava à nossa espera ehehe. Mas se dentro da cidade isso serviu para me dar força, quando saímos da cidade nada me conseguiu ajudar. Os quilómetros passavam e o ritmo e a minha força diminuía. 2º split de 5kms, 18m05s. Quase 1 minuto de diferença para o 1º split. Mas ia piorar.

Gostei muito de atravessar a Ponte D. Luís I! Mesmo estando em quebra, forcei-me a apreciar a paisagem. Por esta altura ultrapassei um atleta (foram poucos os que ultrapassei e de pouco valeu... mas lá iremos...) e tentei que isso servisse de alento. A seguir à ponte foi feito o retorno e tínhamos pela frente algum tempo com um declive ligeiramente negativo. Ainda pensei que pudesse recuperar o alento mas não era o meu dia.

E se não fui mais abaixo foi pelas palavras de incentivo que ia recebendo e retribuindo. Um dos incentivos veio do grande Filipe Torres, que me deu um valente força e eu fiquei calado a ver quem era e só depois o reconheci. No final da prova, finalmente tive o gosto de falar com ele!

Fonte: Running & Medals
Terceiro split de 5km, 18m41s. Cada vez pior. Encontrei o Joel do Benaventense parado numa berma e tendo em conta que ele ia em 2º da geral antes do meu retorno, percebi algo se tinha passado. Disse-lhe para vir comigo e fiquei contente ao sentir a passada dele nas minhas costas. Seguimos juntos durante algum tempo, o que até foi bom para recuperar o ânimo de ambos.

Quando estávamos a entrar outra vez na cidade foi o descalabro. O Joel ficou para trás e lentamente os atletas que eu tinha ultrapassado, foram-me passando. Ai fui-me realmente abaixo psicologicamente. Continuei no mesmo ritmo mas não estava à espera daquilo. Entrei no último quilómetro e percebi que mesmo assim poderia ser possível apanhar o atleta que seguia à minha frente e que ia claramente em quebra. Puxei das forças que ainda me restavam e corri.

Passei a meta, a minha família e a minha namorada estavam à minha espera e fizeram uma festa. Eu estava completamente frustrado, ainda mandei um pontapé a uma baia feito parvo e afastei-me com a minha mais que tudo e deitei-me no chão. Nunca tinha feito tal coisa tal era o meu cansaço.
Fiquei em 10º da geral e 5º do escalão sénior. O tempo (miserável) oficial foi de 01h13m19s. Só de pensar que tenho um tempo à meia maratona mais pequeno até me dá volta à barriga.

Passados dois dias, já tive muito tempo para reflectir. Sei que o meu corpo estava completamente destruído. Não tinha descanso, não estava bem hidratado e até tenho falta de competição nas pernas (desde Maio que não fazia uma prova à séria). Foi uma grande aprendizagem. Não interessa que os treinos estejam a ser fantásticos. Se tudo o resto falhar, o nosso corpo também vai falhar.

Sobre a prova em si: fantástica! Muito bem organizada (acho que a entrega dos dorsais poderia ter sido melhor), público fantástico, bom percurso e excelente almoço. A repetir! No final até tive uma surpresa: pediram-me para tirar uma fotografia porque eram fãs do meu blog. Até fiquei sem palavras!

Por último, parabéns à minha equipa, muitos prémios individuais e um fantástico 2º prémio colectivo! Que belo início de época!



Resultados: 20 Kms de Almeirim

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

5ª Corrida do Montepio

Tenho andando um pouco desaparecido aqui do meu cantinho. Mas desta vez não é sinal de desânimo, é sinal que os treinos têm estado a correr bem e que os primeiros objetivos da época estão a aproximar-se!

Na semana que passou o Rui Martins pediu-me se o acompanhava na Corrida do Montepio. Como gosto sempre de ajudar um amigo a superar-se e ainda por cima conseguia conjugar com o meu treino respondi-lhe que sim mas que iria sem dorsal.

Fonte RUN 4 FFWPU
Então domingo de manhã lá seguimos bem cedo para Lisboa pois ele precisava de resolver um problema com o bloco de partida. Muita conversa, um bom aquecimento e separei-me do Rui (para ele ir para a partida) com intenções de continuar o meu aquecimento. De repente aparecem-me pela frente outros atletas do Vale Grande a dizerem-me que tinham um dorsal para mim. Não gosto muito de correr com um dorsal que não tenha os meus dados, mas faltavam menos de 10 minutos para a prova começar e ou era sim ou sopas.

Foi um sim tão grande que quando dei por mim, para além de ter dorsal, estava no bloco da Elite B que recentemente for alargado para sub-37'30''. Um minuto de silêncio pelo massacre que foram os incêndios no último fim de semana e partida dada. Sai tranquilo tentando encontrar o Rui para fazermos o ritmo planeado.

Sentia-me bem e até acredito que teria um dia para bom tempo se fosse para lá para dar no osso. Mas não era dia disso e foi com grande satisfação que estávamos a conseguir fazer um bom ritmo nos primeiros 5 quilómetros. Com o retorno veio o vento contra e o cansaço a acumular-se.

Fonte RUN 4 FFWPU
Faltavam 3 quilómetros quando senti o Rui a quebrar. Puxei por ele e tentei que ele não se fosse abaixo. Os metros iam passando e não conseguia que ele aumentasse o ritmo. Entrámos no último quilómetro e fiz o que podia para ele aumentar o ritmo. Isso só aconteceu mesmo na reta para a meta.

Mas a surpresa veio depois. Ele estava estafado, deixei-o respirar enquanto observava todos os atletas que já tinham acabado a prova e os outros que estavam a acabar. E nisto o Rui diz-me que tinha batido o recorde pessoal dele! 37m41s, fantástico! Não fazia ideia mesmo e foi uma excelente sensação. Pensava que ele só queria a minha ajuda para fazer uma boa prova e acabou por bater o seu recorde. Espetáculo!

Quanto ao meu dorsal, já estou a tratar com a organização e neste momento ou a minha classificação vai ser eliminada ou vão substituir os meus dados. Excelente HMS! E por falar em HMS, aproveito para elogiar a organização da prova. Não gosto mesmo de provas com tanta gente mas a HMS a organizar provas é outro nível. Muito bem.

E para o próximo domingo finalmente vou estar presente nos 20km de Almeirim! Lá estarei para comer a sopa da pedra! A corrida é só um pormenor :)