Como é que a corrida me ajuda no meu trabalho - Parte 3



Apesar de já escrever há muitos anos neste blogue, eu sei que não sou um escritor nato. Aliás longe disso. E muitos de vocês devem concordar, mesmo que me acompanhem há já vários anos. E portanto não foi de admirar que me tenha custado a escrever esta terceira e última parte desta série de artigos. Acabei por recorrer a um truque antigo: sentar-me ao computador depois de treinar. Aliás, é o que eu faço todos os dias (laborais). E porquê? Porque os efeitos pós-corrida são fantásticos para a nossa mente. E por isso desde já, desculpem se escrever demais neste artigo. 

Queres energia para programar mais?


Como disse nos artigos anteriores, existem diversos estudos que demonstram que a prática de exercício de forma regular, como a corrida, ajudam a reduzir os níveis de fadiga e cansaço no geral. Por outro lado, algo que é ignorado por muitas pessoas (principalmente aquelas que não praticam desporto), o exercício ajuda-nos a dormir melhor. E quais são os efeitos de uma melhor noite de sono? O nosso cérebro recupera melhor depois da intensidade do dia de trabalho e consegue assim assimilar tudo aquilo que aprendemos durante o dia.  Claro está, existem sempre substâncias que são responsáveis por estes efeitos no nosso corpo. 

Endorfinas


Esta palavra deve ser das mais utilizadas no mundo da corrida. É de senso comum que a corrida faz o nosso corpo produzir endorfinas. Esta substância é responsável pelo fenómeno chamado runner's high. Como traduzir isto para português? Como dizia a outra senhora: "eu sei lá menino...". Moca do corredor? Euforia do corredor? Deixo à vossa descrição. De qualquer forma, simplificando, as endorfinas são uma espécie de analgésicos produzidos pelo nosso corpo em resposta ao desconforto físico. 

Mas a verdade é que é mesmo um estado de euforia que as endorfinas nos causam quando acabamos um treino: uma sensação de euforia e de energia. Um sentimento de bem-estar físico e mental, que mal se pode comparar com qualquer outra coisa. Para isto também contribui o facto de ajudarem a reduzir a ansiedade. 

Ora pensem lá comigo: no final de uma prova, quando todos deveríamos estar estafados e prontos para irmos para a caminha, na verdade como é que ficamos? Com uma energia incrível, com vontade de falar, e todos parecemos uns tagarelas a falar uns com os outros, mesmo que nunca nos tenhamos conhecido. Resumindo: quem precisa de café se podemos ter endorfinas? (ai de quem me tire o meu café....)

A surpresa: Endocanabinóides


Oi? Como? Quando? O quê? Eu tinha-vos prometido que iríamos falar de "droga" não tinha? Endocanabinóides são uma versão sintetizada de forma natural do THC (Tetrahydrocannabinol), o químico responsável por aquela "moca" que a marijuana produz (desculpem aos entendidos de cannabis se estou a dizer alguma asneira). 

Diversos estudos têm demonstrado que a corrida faz com que o corpo produza esta molécula por si próprio. E tal como o BDNF (ver segundo artigo), se forem aqueles treinos intensos, estamos a ajudar o nosso corpo a produzir ainda mais desta substância. Mas come é que isto nos ajuda? Reduz as sensações de dor, também ajuda a reduzir a ansiedade, e vai-nos ajudar a ficar com uma sensação de maior tranquilidade.

Podem ler mais informações sobre este tópico aqui e aqui.

Antes de concluir, apenas uma curiosidade para todos os atletas, mas ainda mais interessante para aqueles que trabalham em informática em particular: sabem quem é o Alan Turing? Mesmo que não o tenham estudado na faculdade, devem conhecê-lo do excelente filme The Imitation Game. Turing foi uma grande influência no desenvolvimento teórico das ciências da computação, desenvolvendo a formalização de conceitos de algoritmos e computação com a máquina de Turing, que é considerada por muitos como o primeiro modelo de um computador para uso geral. Isto durante a 2ª Guerra Mundial! Obrigado Wikipédia.


Apesar de ser um cientista e matemático brilhante, ele também corria. E se corria! Chegou a fazer a 2h46m à maratona e teve a oportunidade de representar a equipa olímpica Britânica (naquela altura os mínimos eram outros...). Infelizmente lesionou-se e perdeu essa oportunidade. 

E assim fica concluída esta série de artigos que já tinha planeado fazer há uns quantos anos. Sei que não é dos artigos mais científicos que vão encontrar por essa Internet fora, mas também nunca o pretendeu ser. O meu objetivo foi apenas agregar uma série de informação, e escrevê-la de forma a que proporcione uma leitura fácil e agradável. E que no fundo, faça com que algumas pessoas da minha área (e não só) olhem para a prática de desporto com outros olhos. Não como uma obrigação, mas sim como uma ajuda para a nossa saúde física e mental. E principalmente, como um poderoso aliado para o nosso lado profissional.

divagações
abril 24, 2022
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