8ª Noites Quentes do Restelo




A primeira vez que estive presente nas Noites Quentes do Restelo foi em 2021, curiosamente a última vez que este evento se realizou. Nessa altura estava na fase final do meu caminho com a camisola do Vitória Futebol Clube e estava também completamente fora de forma. Completamente ainda fora da “dança” das provas de pista, fiquei com vontade de repetir a aventura pelos 3000m. Essa aventura acabou por se repetir antes de uma nova edição, mas curiosamente acaba por ser nesta prova que acabo por sair com um sentimento de objetivo alcançado.

Não sei quanto a vocês, mas não consigo ganhar o gosto de provas à noite. Então ao dia de semana, mata-me completamente. Acabo por ter uma profissão algo desgastante mentalmente e isso claro reflete-se a nível físico. Mesmo indo mais cedo para o Estádio do Restelo para observar um pouco das provas anteriores e conviver um bocado para “acordar” para a corrida, nem assim o corpo estava disposto a dar tréguas. Só durante o aquecimento é que acabei por mudar um pouco o chip e mesmo assim só porque o mesmo foi com boa companhia e num andamento bastante vivo (não me lembro de alguma vez ter feito um aquecimento de 5km pelos 4:30/km para uma prova).


Apresentei-me na linha de partida com dois objetivos em mente: fazer a minha primeira prova de bicos e tentar fazer um tempo melhor do que no Apuramento de Clubes há pouco mais de 1 mês atrás. Apesar do vento e das más condições da pista, a linha de partida estava repleta de excelentes atletas que sabia que iam impôr um excelente ritmo, e era mesmo esse comboio que eu queria apanhar.

Mas não haja dúvidas. Ainda sou um autêntico iniciante no mundo da pista. O ritmo alto com que estas provas começam ainda é muito complicado para mim. Existem fotos por essas redes sociais que mostram o quanto para trás eu fiquei nos primeiros 400 metros (a minha primeira volta foi a 2:57/km, agora pensem nos “animais” que ia à minha frente). A partir dai o ritmo estabilizou e eu consegui apanhar o grupo da frente. E a verdade é que consegui bem mais do que isso.




Estava atento às próprias sensações que o meu corpo me ia dando e estava a perceber que estava constantemente a travar para não bater nas pernas dos atletas que seguiam à minha frente. Uma, duas e três vezes que me atirei para a segunda pista para poder ultrapassar atletas por fora. A 3, 4 e 5 volta foram feitas a ritmos mais baixos (3:08/km). E foi aqui que a prova mudou de figura, com os atletas que iriam figurar no pódio final a assumir as despesas da prova. E eu segui com eles.



O ritmo subiu e subiu. Percebi que não iria ter pernas para os acompanhar até final mas não desisti. O meu objetivo era o recorde pessoal na distância e se me mantivesse cá para trás, esse objetivo teria ficado muito difícil. Nos últimos 400m basicamente começou a formar-se uma fila indiana do que viria a ser os primeiros 4 atletas a terminar a prova. Mesmo nos últimos 200m quando percebi que iria ser impossível atingir o pódio, foquei-me e continuei a dar tudo o que tinha para poder atingir o meu objetivo.



Acabei por passar a linha final com um tempo de 9m09s, 8 segundos abaixo do tempo que tinha feito no Apuramento. Fiquei a 9 segundos do 1º lugar e mesmo assim fiquei em 4º lugar e 3º sénior. Isto demonstra bem o que foi o grupo final que referi. Mas não podia pedir mais nada naquela noite. Estava super satisfeito e feliz com o resultado alcançado. Um sentimento completamente oposto com o de uma semana e meia antes. Os gémeos depois do esforço da primeira prova com bicos estavam impecáveis e pareciam estar sem qualquer tipo de mazela.

Se penso que posso fazer melhor? Honestamente acho que sim. Mas daqui a duas semanas, na final do Campeonato Nacional de Clubes a história vai ser completamente diferente e vai-me ser complicado manter os níveis físicos com que estou neste momento. Mas o tempo o dirá!


Noites Quentes do Restelo
julho 8, 2023
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