Grande Prémio de Natal 2023



Terceiro fim de semana, terceira prova. Odeio mesmo isto. Mas existe sempre uma ou outra vez durante todas as épocas que sou forçado a fazer provas seguidas. Felizmente agora segue-se um bloco de 5 semanas de treino até à próxima prova e não há nada que me faça alterar essa decisão. Mas por agora o que interessa é falar do Grande Prémio de Natal.

Esta prova deve ser daquelas que já deu mais voltas desde que eu comecei neste desporto. Já mudou inúmeras vezes de percurso, já foi de 8km, já foi meio prova comercial associada à EDP, já foi transmitida na televisão, já nem sequer foi realizada (tal como no ano passado), e agora surge com uma ligeira de alteração de percurso e com uma nova organização. 



Como sempre, apesar de saber que tinha um novo percurso, mal olhei para ele e avaliei mal onde era a partida. Resultado? Deixei o carro a uns 2km da partida. No entanto cheguei mais que a tempo e graças a esta distância toda, permitiu-me fazer um bom aquecimento. A distância que fiz de aquecimento foi quase tanta como a que fiz de corrida durante a semana. Claramente estou a brincar, mas nem 30km fiz na semana que antecedeu esta prova. Soube-me a mel esta semana "a gosto" que o meu treinador me prescreveu. Fiz muitos rolos e pouquíssima corrida.

Depois dos Descobrimentos e com esta semana praticamente "parado", não fazia ideia como me iria sentir a correr ao ritmo por vezes "louco" que uma prova de 10km exige. Mas mal foi dado o sinal de partida, foi tempo de ir "com eles". E com eles refiro-me a: Rodrigo Freitas, João Baioa, Miguel Mascarenhas e Edgar Matias (com quem já tinha partilhado quase na totalidade os 21,1km da semana anterior). 



Vou-vos ser honesto: não há assim tanto a escrever sobre esta prova. Corri sempre com o mesmo grupo e corri sempre com a "faca nos dentes". Começámos num ritmo louco de 3:01/km no primeiro quilómetro, o qual contribuiu um declive negativo que substituiu um pouco a descida bem mais agressiva da Avenida da Liberdade. Após esta "primeira parte", seguiram-se uns 3km de sobe e desce, em que apesar do ritmo se manter alto, foi bem mais cauteloso e com alguma partilha de quem ia na liderança deste grupo.

A partir daqui, foi mesmo a fase de cerrar os dentes e tentar não perder o comboio. Acreditem ou não, ainda não estive "fisicamente" com o meu novo treinador. Mal eu sabia que ele estava na zona de Entrecampos a ver os seus atletas. Ele na altura gritou-me para eu soltar os braços e eu percebi que ia mesmo muito tenso. Soltei-me e continuei a puxar. Ele mais tarde disse-me que via-se que eu já ia com cara de quem, e repetindo a expressão, ia com a "faca nos dentes".



Com as alterações ao percurso, algo que me passou pela cabeça nos últimos quilómetros foi que não vou tornar a repetir as palavras que disse na edição de 2021. Porquê? Meus amigos, digam o que disserem, aqueles túneis desde o Campo Grande até ao Marquês de Pombal são um parte pernas descomunal. Quero lá saber se no fim o percurso é mais a descer ou a subir. Só quem faz esta prova com a corda ao pescoço (este artigo está forte em expressões de sofrimento) é que sabe que, por exemplo, ali quase aos 8,5km já completamente desgastados e depois de atingir um pico de 2:50/km a entrar no túnel, de repente fazemos ali uns 100m (?) com um declive brutal que nem 500 metros chegam para recuperar (o meu registo diz que desci para 3:34/km). E se nas edições anteriores tínhamos até ao Marquês para recuperar e depois dar tudo na Avenida da Liberdade, aqui não tínhamos essa "liberdade". Desde o Saldanha até ao Marquês era para dar tudo.



E portanto sim, desta vez estava determinado a ir com tudo e a considerar o tempo que fizesse como o meu recorde pessoal. Por esta altura o grupo já estava em formato "comboio" e eu ia na cauda. Com o Edgar Matias na mira, tentei soltar ao máximo as pernas e consegui apanhá-lo, e passar para a frente dele. Continuei a puxar e até fiquei com a sensação que com mais uns metros até podia ter entrado no pódio da prova. 

Mas isso não me interessava naquele momento em que me aproximei a meta. Olhei para o tempo na meta e comecei a festejar ainda uns metros antes de cortar a meta. Naquele momento percebi que tinha entrado num campo assustador: o campo dos 31 minutos aos 10km. Concretamente, um tempo oficial de 31m45s. Quando passei a meta gritei desta vez para soltar a pressão que tinha posto em mim nos últimos minutos. Até falhei a parar o relógio. Ainda agora não acredito bem no que consegui no último domingo.



Esta prova não era de todo um objetivo, mas fazer dois recordes pessoais em apenas 7 dias, é sinal de que as mudanças no treino surtiram o efeito desejado. E mal posso esperar pelo próximo bloco de treinos e pela definição dos meus próximos objetivos. Sim, porque agora nem eu sei o que hei-de pôr na mira para 2024. Este ano está fechado, e não quero saber de nenhuma prova que comece com as palavras São Silvestre. Este ano é para estar em família e não pensar em restrições por causa da competição. Daqui a umas semanas há mais!

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Resultados: Grande Prémio de Natal 2023

Grande Prémio de Natal
dezembro 13, 2023
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Comentários

  1. Enorme PB especialmente depois de duas provas “no lombo”, gripe, noites mal dormidas e uma nêspera 😁!! O sub31 já esteve mais longe 🔥🔥

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    1. Se isso um dia acontecer... epa nem sei ahah mas ainda falta muito trabalho para isso 👊🏻

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