Meia Maratona de Cascais



Com menos de 20 horas de recuperação, veio a implacável Meia Maratona de Cascais. Não é de todo a Meia Maratona mais difícil que há, mas é sem dúvida uma Meia Maratona exigente para as pernas. Muito mais para umas pernas fatigadas de um corta-mato no dia anterior. Mas a motivação para enfrentar pela primeira vez a sério esta prova estava em alta. Para terem noção, a única vez que enfrentei este percurso a sério foi em 2014, ainda a prova tinha a distância de 20km (distância que se devia ter mantido até hoje na minha opinião, fazem falta provas de 20km), repetindo a façanha já em treino em 2015. Um aparte, é giro se bem que triste, olhar para estes artigos antigos e ver por exemplo a interação que havia nos comentários, coisa que neste momento não existe sendo tudo pelas redes sociais.

Cheguei mais que a tempo ao ponto de encontro com a equipa do GFD Running que se encontrava em força para enfrentar as duas provas daquele dia: os 10km e a Meia Maratona. Olhando para trás, percebo que devia ter optado por fazer os 10km, mas o bichinho de fazer os 21km foi maior na altura da decisão. Mas naquele momento nada disso interessava. Era altura de equipar para ir aquecer com tempo.

Aquecimento feito, mudança para o equipamento de competição (primeira prova com os Saucony Endorphin Pro 3!), e fazer um quilómetro de corrida mais viva para ir para o bloco de aquecimento. Muscularmente não me sentia péssimo, mas obviamente sentia os gémeos algo massados e tensos. Desculpas à parte, sinal de partida dado, portanto siga marinha!




Fiz uma partida controlada, não tentando acompanhar o grupo da frente que partiu num excelente ritmo. E aqui entra a grande surpresa da prova que não estava de todo à espera: não acompanhei ninguém… e ninguém me acompanhou a mim. E isto literalmente foi assim do início ao fim (com a exceção de 1km perto do final). Depois dos 1-2 quilómetros iniciais, entrei rapidamente numa terra de ninguém, em que via um grupo de atletas ao longe junto ao carro cronómetro, e com o passar dos quilómetros, fui começando a ver 1, 2 atletas a ficar trás. E foi a esses atletas que fui buscar motivação para continuar com o chip de competição no modo máximo.

Os primeiros 9 quilómetros foram feitos num excelente ritmo para aquilo que eu estava à espera e para quem seguia sozinho. Tirando os quilómetros iniciais, a média terá sido de 3:17/km. Mas o Guincho é implacável, e o 10 quilómetro o ritmo desceu para 3:24/km. Aqui, usei a vertente psicológica para me manter motivado quando as pernas começaram a dar sinais que não estavam em condições de aguentar aquele sobe e desce do Guincho. Quilómetro após quilómetro, estava-me a aproximar de um atleta (honestamente não sei o nome dele) que seguia no meu campo de visão quase desde o início da prova. Quando finalmente o apanhei, percebi que ele ia em quebra e ainda o tentei motivar a vir comigo, dizendo-lhe para irmos apanhar o próximo atleta que estava uns 200 metros mais à frente, o Diogo Ramalheira.

Já sozinho, fiz a viragem por volta dos 12km, e começando já a acusar o cansaço, optei por manter o ritmo nos mínimos olímpicos, pois percebi que esse seria suficiente para mais tarde ou mais cedo apanhar o Diogo. Dito e feito, penso que por volta dos 14km já estava de novo sozinho e desta vez sem ninguém no campo de visão com que me motivar. Aqui surgiu o factor de motivação mais importante que existe: o apoio de todos os atletas que seguiam ainda na direção do Guincho. Nem dá para mentir nesta questão: foram raras as vezes que tive mais de 100 metros sem ouvir um “Força Vítor!” ou um “Vai Aquele que Gosta de Correr!” e até um inédito “Força Pace Setters!”. Foram mesmo quilómetros incríveis de se fazer com o vosso apoio! A minha cara nem reagia, tal era a concentração que tinha de fazer para manter o ritmo já com o declive positivo, mas a minha cabeça estava a mil, com um um misto de emoção e motivação por tudo aquilo que estava a ouvir. Obrigado a todos!



Por volta dos 17km finalmente conseguia ver mais um atleta no meu campo de visão, desta vez o José Veiga. Por volta dos 19km consegui finalmente colar-me a ele. Por esta altura apesar de parecer que ia num esforço de outro mundo, os ritmos esses já estava pela ordem dos 3:30/km, em nada comparáveis com o ritmo inicial. Claro que o declive positivo em nada ajudava, e eu mentalmente gritava para chegar à fase a descer que nos levaria à meta. Disse ao José para seguir comigo, ele disse que já não dava, mas felizmente conseguiu-me acompanhar até à entrada para o último quilómetro. Que importante foi esta companhia, e até uma motivação extra para depois conseguir descolar e conseguir terminar o último quilómetro já num ritmo vivo, acabando com uma média abaixo dos 3:15/km, e os últimos 200 metros até a 3:00/km.




Cruzei a meta a puxar pelo público e agradecer o apoio que estavam a dar. O tempo foi de 01h11m27s, longe do que consegui fazer em Dezembro, e a classificação nem foi carne nem foi peixe. Fiquei em 4º lugar da geral (3º sénior). Para a prova que é, tenho noção que é uma excelente classificação, embora tenha sido obtida com um tempo apenas razoável. Mas sei que se não tivesse sido a prova do dia anterior, podia ter tido a ambição de ter entrado no pódio, e ter ajudado a pintar as três primeiras posições com as cores do GFD Running.

Mas isto já são águas passadas. Vocês já sabem como eu sou e sabem que eu neste momento já só me interessa o próximo objetivo. E que dor vai ser treinar para ele! Campeonato Regional de 5.000m, aqui vou eu!

Gostaram do artigo? Apoiem o blog comprando aqui o vosso material desportivo.

Resultados: Meia Maratona de Cascais

meia maratona
fevereiro 8, 2024
2

Comentários

  1. Fui um dos corredores que na estrada do Guincho gritou por ti e confirmo que estavas 100% concentrado. Ainda que as nossas performances e o ritmo competitivo nada tenham em comum não deixa de ser curioso que a minha primeira quebra foi tb por volta do km10/12 e a partir do km 17 o meu gémeo esquerdo ameaçava romper por isso não fiz o final de prova que tinha planeado. Boas corridas, és uma boa motivação.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro que tem muita a ver com a própria tipologia do percurso da prova, por isso as sensações semelhantes! Espero que estejas a recuperar bem do gémeo! Obrigado! Um abraço e bons treinos

      Eliminar

Enviar um comentário

Search

Popular Posts

Análise Adidas Adizero Evo SL

Andei muito tempo desaparecido. Fui acompanhando aqui e ali o mundo da corrida …

Análise Kiprun KS900 2

Não é segredo nenhum que os Kiprun KS900 foram uns dos meus ténis preferidos d…

Análise Kiprun KD900 2

A Decathlon começou a sua renovação de imagem no mundo da corrida (na minha opi…

Teste Asics Foot ID

Quem anda neste mundo da corrida há algum tempo, já deverá ter ouvido falar que…

Análise Kiprun KS900 Light

Existem modelos que nos caem no goto. Durante anos a fio, para treinar fui um a…

Contact Me